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Cupcleta: Empresária fatura até R$ 250 por dia com a venda de cupcakes em uma bike

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Por Jordana Cury

 

Em ano de crise, ter criatividade pode ser a chance de conseguir driblar a falta de dinheiro e conseguir manter o padrão de vida. A servidora pública Alexandra Muniz Duarte, 34 anos, adequou a famosa tendência do “food truck” a uma bicicleta e está realizando o sonho de ter a própria empresa de cupcakes em Teresina. O faturamento chega a R$ 250, em cerca de 4 horas de vendas.

A venda de comida de rua é fonte de renda de cerca de 2% da população brasileira e, com a modalidade “food truck”, esse tipo de negócio tem se inovado e se expandido, especialmente por algumas vantagens, como o contato direto com o público, o baixo custo e por não ter a necessidade de adquirir um ponto comercial ou outros encargos. Segundo o Sebrae, o investimento dos “food trucks” pode variar entre R$ 50 a 200 mil, dependendo da tecnologia utilizada, adequações de suspensão e freios para tolerar o peso da cozinha e os equipamentos instalados. 

Alexandra começou o negócio fazendo cupcakes e outros doces somente por encomenda. Passados quatro anos, a servidora pública decidiu dar um “up” nas vendas e começou a pesquisar modelos de “food truck”, mas os custos, apesar de serem mais baixos que os de uma lanchonete em ponto fixo, ainda estavam altos para sua realidade econômica. “Eu fazia os doces para complementar a renda da família e lucrava cerca de R$ 700 por mês, fazendo apenas por encomenda. Mas, os clientes já estavam pedindo para comprar por unidade e sempre perguntavam onde a lanchonete funcionava. Eu passei a querer um ponto fixo, mas vi que era caro. Foi pesquisando sobre os food trucks que eu encontrei a food bike e decidi ampliar o negócio porque vi que era viável”, explicou.

Baixo investimento, alto lucro

As chamadas “food bikes” já existem em outras cidades brasileiras, especialmente do Nordeste. Lanches rápidos, doces e bebidas são os tipos de alimento mais encontrados nesse negócio, que agora chegou em Teresina. Alexandra conta que o investimento para montar a estrutura necessária foi de apenas R$ 2 mil e inclui a bicicleta, uma grama sintética onde o veículo fica estacionado, lixeira e enfeites diversos para deixar o negócio atrativo aos olhos de quem passa. “O bom é que qualquer bicicleta pode ser adaptada a esse negócio e pode ficar em qualquer lugar”, acrescenta a proprietária. 

Para fidelizar a clientela, Alexandra fica sempre no mesmo local: embaixo da Ponte Estaiada, onde a população costuma fazer caminhadas. A bicicleta enfeitada chama atenção das pessoas, que param para tirar fotos e provar os cupcakes. “Eu trago geralmente 50 unidades, distribuídas em cinco sabores diferentes. Cada um sai a R$ 5. E, em apenas um mês, percebi que as vendas aumentaram significativamente”, completa.

Agora é formalizar

O próximo passo para a nova empresária é formalizar o negócio para expandir ainda mais. E, para isso, é necessário que ela descubra em qual categoria seu negócio se encaixa melhor. Para o contador e advogado José Corsino Raposo Castelo Branco, considerando o faturamento de Alexandra, a melhor categoria que ela se enquadraria seria como Micro Empreendedor Individual (MEI) - pessoa que trabalha por conta própria e que se legaliza como pequeno empresário. "É importante observar que a receita bruta anual (de janeiro a dezembro) do MEI não poderá ultrapassar R$ 60 mil. Caso o MEI se formalize no decorrer do ano, a receita bruta de R$ 60 mil será proporcional aos meses após formalização. Por exemplo: 60 mil dividido por 12 meses dá 5 mil por mês. Logo, se uma empresa for registrada em abril, a receita bruta não poderá ultrapassar R$ 45 mil, que é 5 mil vezes nove", alerta o especialista. 

A Junta Comercial do Piauí (Jucepi) registrou 11.994 empresas abertas desde janeiro. Desse total, os microempreendedores individuais (MEIs) correspondem a cerca de 65% dos novos registros.

Para se formalizar basta preencher um cadastro no Portal do Empreendedor com os dados pessoais. José Corsino, entretanto, pontua alguns cuidados que devem ser tomados para o melhor desempenho do novo negócio. "o MEI deve zelar pela sua atividade e manter um mínimo de organização em relação ao que compra, ao que vende e quanto está ganhando. Essa organização permite gerenciar melhor o negócio e a própria vida, além de ser importante para crescer e se desenvolver. O empreendedor deverá registrar, mensalmente, em formulário simplificado, o total das suas receitas. Deverá manter em seu poder, da mesma forma, as notas fiscais de compras e vendas de produtos e de serviços".

As vantagens 

De acordo com José Corsino, entre as vantagens oferecidas nesta categoria, está o registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o que facilita a abertura de conta bancária, o pedido de empréstimos e a emissão de notas fiscais. Além disso, o MEI foi enquadrado no Simples Nacional e é isento dos tributos federais (Imposto de Renda, PIS, Cofins, IPI e CSLL). 

 

O MEI também pode ter um empregado contratado que receba o salário mínimo ou o piso da categoria.

"O empresário que se enquadra no MEI, paga apenas o valor fixo mensal de R$ 39,40 (INSS), acrescido de R$ 5,00 (Prestadores de Serviços) ou R$ 1,00 (Comércio e Indústria). Essas quantias serão atualizadas anualmente, de acordo com o salário mínimo, e enviadas à Previdência Social e ao ICMS ou ao ISS. Com essas contribuições, o Microempreendedor Individual tem acesso a benefícios como auxílio maternidade, auxílio doença, aposentadoria, entre outros", explica o contador.