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Endividamento cresce apenas em famílias com renda maior que 10 salários

O nível de endividamento dos brasileiros voltou a crescer em dezembro atingindo 61,1% das famílias. Há dois meses o índice vinha apresentando queda, mas o resultado do mês é 0,1 ponto percentual superior ao endividamento registrado em novembro; e 1,8 ponto percentual superior ao registrado em novembro do ano passado. O levantamento é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A surpresa da pesquisa se dá porque o endividamento cresceu mesmo com o período sendo favorável ao pagamento de dívidas, já que boa parte dos brasileiros recebe 13º. Para os economistas, o aumento das taxas de juros e a redução do emprego e da renda real dos consumidores motivaram a piora nos indicadores de endividamento e inadimplência.

Quem deve mais?

Na comparação mensal, o aumento do endividamento ocorreu somente no grupo de famílias com renda superior a dez salários. Nesta faixa de renda, a parcela de endividados ficou em 56% – alta de 1,4 ponto percentual na comparação com novembro. Já entre as famílias que recebem menos de dez salários mínimos, o percentual teve ligeira queda, passando de 62,3%, em novembro, para 62,2% em dezembro. 

O perfil do devedor

- O cartão de crédito continua sendo o principal vilão da dívida:  78,3% dos 18 mil entrevistados em todas as capitais e no Distrito Federal tinham dívidas com cartão de crédito. 
- O tempo médio de atraso entre as famílias com qualquer tipo de contas ou dívidas foi de 62,5 dias, com tempo de comprometimento da renda de 6,9 meses. 
- Uma parcela de 26,5% dessas famílias afirmou ter mais da metade da renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas.
- A parcela de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes, aumentou de 8,5%, em novembro, para 8,7% em dezembro, ficando acima também dos 5,8% registrados em dezembro do ano passado.