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Empresários falam sobre as perspectivas econômicas para 2016

O que esperar da economia do Piauí em 2016? Alguns acreditam que este será um ano morto, mas há quem defenda que haverá crescimento, apesar das expectativas ruins. A coluna Economia & Negócios, do Cidadeverde.com, ouviu alguns empresários, especialmente sobre o impacto do aumento de R$ 92 no Salário Mínimo brasileiro:

"No final das contas, quem vai pagar essa diferença do Salário Mínimo é o consumidor, não é o empresário, a não ser que os preços fiquem muito competitivos. O setor de festas, acredito que continuará bem, porque as pessoas sempre dão um jeito de comemorar, seja na crise que for. O tamanho da festa pode até diminuir, mas ela será feita. Porém, de forma geral, esse aumento do Salário Mínimo poderá resultar em demissões e diminuição de vendas"

- Marcelo Portela, presidente da Associação de Micro e Pequenas Empresas (Ampec). 

 

 

"O grande drama da Construção Civil são as linhas de financiamento, que estão esclerosadas. O aumento do salário mínimo não vai pesar tanto quanto essas restrições às linhas de crédito tem causado esse cenário ruim no setor. O ano está começando com má expectativa, mas pode melhorar com as mudanças políticas. Vamos esperar que o ajuste fiscal seja aprovado e que as taxas de juros baixem. Se houver entendimento político para adotar uma reforma previdenciária, o quadro econômico pode mudar imediatamente, para melhor"

- André Baía, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Piauí (Sinduscon).

"Para quem trabalha no varejo, o baque do Salário Mínimo será grande e vai acabar levando a demissões, principalmente porque quando repassamos o preço para o produto, esse produto mais caro não chama atenção do consumidor do mesmo jeito e as vendas acabam diminuindo. Então, como arcar com esse aumento no salário dos funcionários, com as vendas em queda?"

- Luís Paulo Neto, do setor de calçados. 

 

"A gente ainda vai calcular para ver quanto esse aumento salarial vai influenciar nas nossas contas, mas é inevitável que o preço dos pratos aumente, porque teremos que pagar os garçons, os caixas, todos os funcionários. Esperamos que isso não espante os clientes, porque assim como os preços tendem a aumentar aqui, irão aumentar em outros restaurantes, mas sabemos que, com a crise, o cliente já não sai mais para comer fora de casa como antes"

- Bruno Andrade, proprietário de restaurante.

"Ainda será um ano de contenção, as pessoas estarão deixando de comprar coisas supérfluas. Na nossa área, já começamos a sentir um pouco, já que trabalhamos com vestuario e acessórios. Quem trabalha com comércio, deverá investir somente em produtos de giro rápido. Não será um ano de grandes apostas, e sim de escolhas conscientes. É essencial investir no aperfeiçoamento do atendimento ao cliente. Apesar de tudo, não devemos ser negativos, pois nosso país já enfrentou grandes crises, e, quem soube apostar no certo, no fim, fortaleceu seu negócio. Será um ano de peneiras, onde os empresários e investidores que estiverem preparados pra enfrentar as dificuldades se sobressairão sobre os demais. Em relação ao aumento do salário mínimo, dentro do cenário atual, pesará nos custos da empresa, pois a carga tributária já é muito alta. Visto que, principalmente, os micro e pequenos empresários não têm grandes incentivos fiscais dentro do nosso estado, sendo que nós somos responsáveis por mais de 50% da arrecadação e geração de emprego do Piauí"

- Igor Rocha, setor de vestuário e acessórios.