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Vendendo churros a R$ 1 por 7 anos, mulher conclui faculdade de Direito

Fotos: Raquel Morais/G1 DF

Aos 46 anos, Maria Odete Silva conseguiu o que muitos acreditavam ser impossível: concluiu o curso de Direito após sete anos vendendo churros a R$ 1 para pagar a faculdade, a escola dos dois filhos e sustentar a casa. Eram 12 horas de trabalho por dia, mas que valeram muito a pena. No dia da formatura, ela ganhou um anel de uma amiga e foi homenageada por um professor, em meio a outros 80 formandos. Hoje, ela é destaque na mídia nacional como exemplo de superação. 

Logicamente, os anos não foram fáceis para Odete. Ela passou por várias, inúmeras, dificuldades financeiras. Por um período, Maria Odete chegou a ir para a faculdade só para assinar chamada. Depois corria para a rodoviária, onde vendia os churros - não podia perder um só dia. Nos dias de prova, alguns amigos que também trabalhavam no local tiveram que ajudá-la, 'segurando as pontas' no carrinho de vendas. Os livros eram todos da biblioteca, os exercícios eram feitos em um banco atrás do carrinho, entre uma venda e outra. Eram 10 quilos de churros fabricados por dia, vendidos em quatro sabores: goiaba, chocolate, doce de leite e misto. 

“Tive medo de não conseguir. Entre o sétimo e o oitavo semestre, eu quase desisti. Eu achava que não dava conta, porque as matérias estavam cada vez mais difíceis e eu pensava 'eu não vou dar conta, não vou dar conta'. Teve um semestre que fiquei todinho sem pagar, que tive dificuldade financeira”, lembra. “Minha professora me viu falando isso, entrou e disse: ‘se você chegou até aqui, você consegue muito mais’. Ela dizia que seria uma honra entregar minha carteirinha da OAB e que ainda iríamos advogar juntas. Isso me incentivou ainda mais.” O filho caçula, que sonha em seguir a mesma carreira, e a filha mais velha, que pretende fazer medicina, também estimulavam a mulher nos momentos de dificuldade.

Mas o sonho não para por aí. “Ainda tenho o sonho de conquistar a OAB e ir para promotoria. Assim que Deus me permitir, [vou] estudar mais três anos e chegar à tão sonhada promotoria”, planeja.