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"Estou queimando reservas para não atrasar pagamentos", diz governador do PI

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), em entrevista ao Estadão, afirmou que a União está em dívida com o Estado e que "está queimando reservas" para não atrasar os pagamentos. Defendendo os R$ 7 bilhões emergenciais para os Estados menos favorecidos com a renegociação de débitos junto ao governo federal, Dias declarou: "Não estamos mendigando de pires na mão. Queremos o que é nosso".

O governador explicou que foi feito um estudo com o Tribunal de Contas da União (TCU) e com o Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), no qual foi constatado que o Piauí tem dinheiro represado com a União: tem R$ 1,9 bilhão, desde 2014, em restos a pagar. "O governo, para proteger as empresas, abriu mão de receita de Imposto de Renda, o que tirou dinheiro do Fundo de Participação dos Estados. São R$ 14 bilhões. Não estamos mendigando de pires na mão. Queremos o que é nosso", completou.

Segundo Wellington, tanto o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, quanto o da Fazenda, Henrique Meirelles, disseram que estão com problemas para liberar recursos. "A gente entende, mas também estamos. Refizemos as contas e chegamos aos R$ 7 bilhões. Se teve R$ 2,9 bilhões para o Rio, como é que não tem R$ 7 bilhões para mais de uma dezena de Estados? Além do mais, é preciso entender que há Estados, como o Piauí, que não devem nada para a União, mas não podem fazer dívida porque todos estão proibidos na renegociação", argumentou.

O governador elencou os esforços que tem feito para equilibrar as contas e destacou que precisa de R$ 400 milhões ainda neste ano. "Estou queimando a reserva que eu fiz para investir. Sem isso, já tinha atrasado pagamentos. Metade da minha receita vem da União, que tem queda de arrecadação. Ela vai, eu vou junto. Este ano, preciso tirar R$ 400 milhões de algum lugar. Fiz Refis (programa de refinanciamento de dívida), regularizei terras, combati sonegação. No mês passado, a receita própria cresceu 15%. Mas a receita partilhada com a União caiu 17%. Todo esforço é engolido", lamenta.

Dias ressaltou que em julho, quando o Rio de Janeiro decretou estado de calamidade, vários outros Estados pensaram em fazer o mesmo, mas, pensando nos reflexos que essa atitude geraria frente ao mercado internacional, os governadores recuaram. "Os governadores têm sido muito responsáveis, mesmo com toda a dificuldade. Até quem está com as contas controladas sabe que, no rumo que vai, em algum momento desequilibra. Ao fazer o decreto de calamidade, você passa a ter mais flexibilidade. Pode tirar dinheiro de um fundo, que pela regra normal estaria amarrado, para colocar numa área a descoberto. Depois devolve. Só por isso, já valeria a pena para muitos Estados fazer o decreto de calamidade".

Como mais uma tentativa de mobilizar o governo federal, Wellington afirmou que nesta semana os Estados soltarão uma nota falando do nosso esforço e pedindo uma nova audiência com o presidente. "Precisamos conversar olho no olho", reforça.