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PIB per capita de Uruçuí cresce e é maior que o de São Paulo

Foto: Lyza Freitas

A cidade de Uruçuí (a 453 km de Teresina) tem o maior PIB per capita do Estado: R$ 45 mil de renda. O valor é maior que o da cidade de São Paulo, por exemplo, que é de R$ 42 mil, e bem maior que a média brasileira, que é R$ 28 mil. A informação foi divulgada na manhã desta quarta-feira (14), pelo IBGE e pela Fundação Cepro, no Palácio do Karnak.

Para o presidente da Fundação Cepro, Antônio José Medeiros, o resultado de Uruçuí é "excepcional", mas é preciso analisar com cuidado o que mantém a renda tão alta. "Precisamos ver como essa renda se distribui, porque a soja, com alto nível de tecnologia, pode estar produzindo uma renda alta, mas de maneira concentrada", pontua.

A renda per capita do Piauí, divulgada no final de novembro, é de R$ 11.808. A menor renda per capita do Estado, é de Santo Antônio dos Milagres: R$ 4.800. "Mas a distância que devemos considerar não deve ser essa de R$ 4,8 mil para R$ 45 mil. Temos três municípios com renda per capita muito alta, mas depois cai para R$ 17 mil. Por outro lado, chama a atenção o crescimento do PIB nos Cerrados - Uruçuí e Baixa Grande do Ribeiro, Ribeiro Gonçalves, são municípios que têm uma população menor, 2% do total, mas participam em torno de 4% ou 5% do PIB, tendo como base a agropecuária", avalia o presidente da Cepro.

Medeiros acrescenta que o objetivo da divulgação do PIB é, sobretudo, nortear a gestão dos novos prefeitos, para que se criem mecanismos para melhorar a participação dos setores produtivos - agropecuária e indústria - e dos Serviços. "Queremos que os municípios não fiquem na dependência só do setor público. Em Santo Antônio dos Milagres, 73% do dinheiro que circula vêm do recurso público - aposentadoria, Bolsa Família, Fundeb, SUS", observa.

A vice-governadora do Piauí, Margarete Coelho (PP), ressalta a descentralização das riquezas do Estado como um dos principais pontos da pesquisa. "Alguns municípios do interior do estado, já alcançam o PIB que nos coloca em posição de desenvolvimento. O que se percebe é que o Piauí começa a crescer também do interior para a capital e Teresina deixa de ser o grande concentrador das riquezas e de serviços do Piauí. Isso é muito importante. O sul começa a entrar na rota do desenvolvimento", afirma.

 

PIB de Teresina melhora 31 posições em 12 anos: R$ 17,76 bilhões

A soma das riquezas de Teresina atingiu R$ 17,76 bilhões em 2014 e o município subiu 31 posições em 12 anos. A capital ocupava o 72º lugar dentre as cidades brasileiras em 2002, representando 0,22% do PIB. Em 2014, passou a ocupar o 41º, chegando a 0,31% do PIB.

Em relação ao Nordeste, em 2002, a capital ocupava o 12º lugar, representando 1,61% do PIB da região. Em 2014, passou a ocupar o 7º lugar, melhorando em cinco posições no ranking e representando 2,21% do PIB. Já em comparação com outras capitais, Teresina ocupa, agora (em 2014), o 19º lugar, tendo superado os municípios de João Pessoa (PB) e de Florianópolis (SC), em relação ao ano de 2013. Entre as capitais brasileiras, Teresina também ocupa o 23º lugar no PIB per capita.

Em 2014, o PIB da capital representa 47,1% do PIB de todo o Estado. O percentual é menor que o registrado em 2010, quando a participação chegou a 47,7% do total. A principal atividade econômica de Teresina é o setor de Serviços, com  participação de 76,31%.

Os maiores e menores PIBs

No ranking dos cinco maiores municípios do Piauí, depois de Teresina, vem Parnaíba, Picos, Uruçuí e Floriano. De 2011 a 2014 as três primeiras posições não se alteram, já os municípios de Floriano e Uruçuí trocaram de posição. A mudança de Uruçuí de 5° para o 4° lugar se dá em função de retração no setor serviços em Floriano e crescimento da indústria em Uruçuí.

Os piores PIBs do Brasil estão no Nordeste: Santo Antônio dos Milagres/PI, com PIB de R$ 11,67 milhões e Viçosa/RN, com PIB de R$ 13,10 milhões. Dos 30 piores municípios do Nordeste, 18 são piauienses. 

Os menores PIBs do Piauí são:

1) Santo Antônio dos Milagres: R$ 11,6 milhões
2) São Luís do Piauí: R$ 13,9 milhões
3) Aroeiras do Itaim: R$ 14,2 milhões
4) Miguel Leão: R$ 14,3 milhões
5) Olho D'Água do Piauí: R$ 14,6 milhões
6) São Miguel da Baixa Grande: R$ 15,5 milhões
7) Lagoinha do Piauí: R$ 15,9 milhões
8) Francisco Macedo: R$ 16,7 milhões
9) Tamborim do Piauí: R$ 17,1 milhões
10) Floresta do Piauí: R$ 17,5 milhões

 

 

No Brasil, o primeiro lugar fica com São Paulo, com PIB de R$ 628 bilhões, sendo 10,87% das riquezas do país. Em segundo lugar, vem o Rio de Janeiro (PIB de R$ 299,8 bilhões, 5,19%) e em terceiro está Brasília (PIB de R$ 197,43 bilhões, 3,42% do total).

No Nordeste, os municípios com maior PIB foram Fortaleza, com R$ 56,72 bilhões, representando 7,05% do PIB da região e Salvador, com R$ 56,62 bilhões e 7,03% da região.

Em 2014 cerca de 50% do PIB do Brasil se concentrava em 62 municípios, enquanto que em 2010 eram 52 municípios, denotando uma pequena desconcentração da renda. Em 2014 esses 62 municípios detinham 32,8% da população brasileira.

Foto: Lyza Freitas