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Entenda o que muda com o corte da taxa básica de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define nesta quarta-feira (12) a nova taxa básica de juros da economia brasileira - a Selic. Há uma grande expectativa de que haja um corte expressivo, porque o Banco Central já vem cortando severamente os juros nos últimos meses. Se as estimativas do mercado estiverem corretas, o corte de um ponto percentual será a maior diminuição da taxa Selic desde março de 2009, quando o BC promoveu corte de 1,5 ponto percentual. A decisão do Copom será anunciada a partir das 18h. 

Funciona da seguinte forma:

- Quando a inflação está em alta, como estava em 2015 - quando fechou o ano em 10,67% - o Banco Central eleva os juros para proteger a moeda. Com os juros elevados, ele freia o consumo, e consequentemente, força o controle da inflação.

- Foi exatamente por causa disso, que a taxa básica de juros chegou aos exorbitantes 14,25% em julho de 2015 e se manteve nesse patamar até outubro do ano passado, quando começou a registrar quedas consecutivas, já esperadas, uma vez que a inflação foi controlada e fechou o ano de 2016 dentro do sistema de metas, em 6,29%.

- Agora, com a expectativa da inflação de fechar o ano em torno dos 4%, portanto abaixo do centro da meta, o Banco Central deve cortar os juros com mais rigor, voltando a incentivar o consumo. 

- Hoje a Selic está em 12,25% e, a expectativa para a reunião de hoje é que ela caia entre 0,75 e 1 ponto percentual. Portanto, a Selic pode cair para 11,25%. E a estimativa do mercado é que até o final do ano, ela chegue a 8,5%.

Mas o que muda na vida do brasileiro?

- A taxa Selic é usada como referência para outras taxas de juros do mercado. Portanto, a decisão de cortar os juros gera impacto em vários cenários, pois reduz as taxas para a tomada de empréstimos, financiamentos e parcelamentos. Ou seja, a tomada de crédito ficou menos agressiva ao consumidor.

- Para quem está endividado, que tentou buscar empréstimos e não conseguiu porque não teria dinheiro para pagar a parcela, pode ser que as coisas fiquem melhor agora. E deve melhorar ainda mais até o final do ano. Então, se der para esperar um pouquinho mais, espere. 

- Se você já estava pagando uma dívida e ela ficou em atraso, vale ligar para a instituição financeira e tentar negociar um novo parcelamento, porque agora as taxas tendem a ficar menores.

- A caderneta de poupança não sofrerá alterações, pois se os juros forem iguais ou superiores a 8,50% ao ano, os rendimentos são de 0,50% ao mês mais Taxa Referencial (TR) e ainda estamos um tanto distantes desses 8,5%.

- Existe também um mito sobre os investimentos que têm como base a Taxa Selic. Muita gente pensa que a queda da Selic vai tornar esses investimentos menos atrativos, mas o que determina isso não é a Selic isoladamente, mas também a inflação. Se a taxa de inflação está alta, não adianta a Selic estar alta, porque os juros reais vão ser baixos. Agora, com a inflação em queda, a queda da Selic não vai ser exatamente um problema, até porque é um resultado disso. Um exemplo foi em 2015, quando a taxa básica de juros somou 13,21% e a inflação 10,67% - os juros reais foram de 2,29%.