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Lojistas poderão perder estacionamento após obra em calçadas na zona Leste


A obra de urbanização do chamado "Polo Gastronômico" está tirando o sono dos empresários da zona Leste de Teresina. Os trabalhos tiveram início nesta terça-feira (18) e inclui o nivelamento e uniformização das calçadas e o melhoramento da iluminação do canteiro central, mas essa padronização exigirá um recuo nas calçadas e é isso que está preocupando os donos das lojas.

O secretário estadual de Transportes, Guilhermano Pires, explicou, em entrevista ao Notícia da Manhã, que a obra garantirá acessibilidade entre as calçadas e nos canteiros, como manda a lei. "Os pisos serão padronizados com dispositivos de segurança, lixeira, bicicletário, arborização e colocação de grama. Alguns postes serão realocados e outros obstáculos serão retirados para melhorar o trânsito de pessoas. A sinalização será em borracha e as lâmpadas do canteiro central serão de led. O visual ficará melhor e vamos deixar as calçadas para os pedestres", afirma.

A obra será concentrada na Nossa Senhora de Fátima, entre a Visconde da Parnaíba e a Dom Severino, totalizando 16 quadras. O projeto é da Prefeitura de Teresina e está sendo executado pelo Governo do Estado. A previsão é de conclusão em seis meses.

O gestor disse estar ciente da resistência de alguns empresários, mas garantiu que o resultado será positivo no final. "Vamos aumentar o fluxo de clientes e valorizar os imóveis. No final, teremos um ciclo virtuoso em que todos sairão ganhando", argumenta.

Entre os empresários, porém, a crítica quanto à falta de informação é unânime. "Ninguém foi informado de nada. Só vimos tudo agora, quando a obra começou. Os primeiros comércios, perto da Visconde da Parnaíba, estão sendo avisados de que a obra vai pegar dois metros de quem tiver recuo. Dessa forma, não teremos o espaço mínimo para estacionamento. Até agora não vimos o projeto, mas entendemos que quem tiver recuo em frente à loja vai perder", afirma Ana Raquel Araújo, proprietário de uma loja de material de construção.

A empresária teme perder clientes pela falta de estacionamento. "Nosso medo é esse. Não somos contra as melhorias, somos contra a interferência no estacionamento das lojas. Estamos com medo de que os clientes não encontrem lugar para colocar o carro e por isso acabem desistindo de comprar aqui para comprar em outra loja. Além disso, eles falam que a obra é para melhorar o trânsito de pedestres, mas aqui de dia não tem pedestres. As pessoas que passam por aqui só descem do ônibus para ir trabalhar e são poucas. O trânsito aqui é de carro mesmo. Hoje em dia, a disputa por estacionamento já é enorme porque muita loja não tem esse espaço, imagine como vai ficar depois dessa obra", critica Ana Raquel.

Já o empresário Francisco Magalhães, dono de um depósito de bebidas, teme que haja um prejuízo ainda maior para quem não tem estacionamento. "No meu caso, eu só tenho calçada. O prédio é antigo, não fiz o recuo. E até agora não tenho nenhuma informação de como vai ficar, se eles vão mexer na loja para ter esse recuo. Não fomos informados, não estou sabendo de nada, estou sem entender. Gostaria que eles disponibilizassem o projeto, explicassem tudo", enfatiza.