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Caminhoneiros continuam parados em Uruçuí: "Não é só pelo diesel"

Foto: Francisco Borges/ Especial para o Cidadeverde.com



Atualizada as 16:10min


Os caminhoneiros parados na cidade de Uruçuí, 453 km ao Sul do Piauí, se recusam a voltar ao trabalho, mesmo após as novas medidas anunciadas ontem (27) pelo presidente Michel Temer (PMDB). A categoria considera que as medidas não contemplam todas as reivindicações e que após o prazo de 60 dias, o preço do diesel vai voltar a subir.

"Esses R$ 0,46 de desconto é uma armadilha. Tem que reduzir o preço nas refinarias para poder ter efeito cascata. O governo não está lidando com meninos", declarou Francisco Borges, que trabalha com fretes na região.

Caminhoneiro há 21 anos, José Adeildo Lima, mais conhecido como Bem-Te-Vi, é um dos líderes do movimento em Uruçuí. Ele contou que vendeu sua casa para comprar um caminhão e poder trabalhar, mas agora está devendo mais de R$ 60 mil e atribui isso à alta carga tributária do país.

"Mais uma vez o governo está tentando enrolar a gente. As propostas não contemplam tudo que precisamos.  Aqui na região temos mil caminhões parados, mas não estamos bloqueando a pista, está passando carga viva, ambulância, medicamentos, oxigênio, ração para aves e o cidadão tem o direito de ir e vir mantido. Mas só vamos sair quando as propostas incluírem a gasolina, porque vamos ajudar o cidadão comum da mesma forma como ele está nos ajudando. Um brasileiro que ganha um salário mínimo não consegue pagar gasolina. Isso é um absurdo. Não é só pelo óleo diesel", enfatiza o caminhoneiro.

Bem-Te-Vi acrescenta que está bastante satisfeito com o apoio da população local. "Estamos recebendo ajuda dos grandes fazendeiros, que enviam bois pra gente comer, quanto dos pequenos e da população geral. Uma senhora veio a pé nos entregar um pacote de café e um quilo de açúcar. As pessoas estão ajudando como podem e vamos honrar isso", declarou.

O produtor rural Roberto Busatto, que trabalha com soja e milho, afirma que os prejuízos gerados pela greve dos caminhoneiros nem de longe chegam perto dos prejuízos gerados nos últimos anos, com o encarecimento do preço do combustível e dos insumos.

"Esses são dias abençoados porque o preço dos insumos está insuportável. Estamos sendo prejudicados há anos e cremos que esse movimento vai trazer uma solução benéfica para todo o país. As medidas não atendem às nossas reivindicações, não queremos medidas paliativas. Hoje, 70% do custo do transporte de mercadorias é corroído pelo preço do combustível", disse Buffato.

O produtor confirma que as fazendas continuam fechadas na região e os funcionários foram dispensados do trabalho. 

Os caminhoneiros continuam a mobilização com protestos por toda a tarde. Assista: