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Brasileiros queimam reservas para pagar contas do dia a dia

Foto: Shutterstock

Em junho, 13,3% dos brasileiros usaram reservas financeiras para bancar as contas do dia a dia, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Embora a parcela de brasileiros que use recursos guardados já tenha sido maior, sobretudo quando a crise econômica estava mais intensa, os últimos meses têm mostrado uma resistência à queda do indicador e até mesmo uma leve piora.

A pesquisa do Ibre/FGV leva em conta todos os tipos de reservas financeiras. Para a caderneta de poupança, os dados do Banco Central até mostram que os valores depositados superaram os saques em R$ 5,6 bilhões no mês de junho. No entanto, segundo análise da FGV, isso indica apenas que quem ainda tem folga no orçamento está preferindo guardar dinheiro do que gastar.

Havia uma expectativa muito forte de que a situação financeira do país melhorasse nesse ano, mas a recuperação está muito mais lenta do que o esperado e o desemprego ainda está muito alto. No trimestre encerrado em maio, a taxa de desemprego ficou em 12,7%, atingindo 13,2 milhões de pessoas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O uso de reservas financeiras para o pagamento das contas acaba levando parte dos brasileiros, especialmente os mais pobres, ao endividamento. Em junho, o levantamento do Ibre apontou que 9,8% dos consumidores se declararam endividados. É um indicador que também já foi mais alto, mas tem piorado nos últimos meses.

Para a FGV, a análise detalhada dos números mostra que os mais pobres são os mais endividados, enquanto os ricos são os que mais queimam poupança porque têm folga no orçamento. Em junho, na faixa da renda dos que ganham até R$ 2,1 mil, 8,2% usaram reservas para despesas e 15,1% se declararam endividados. Na outro extremo, entre os ganham acima de R$ 9,6 mil, 16,1% usaram as economias próprias, mas apenas 3,7% tinham dívidas.