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IBGE: criação de aves se destaca no PI e dobra a produção de ovos

O Censo Agropecuário, divulgado nesta quinta-feira (26), pelo IBGE, revela uma mudança no perfil das criações de animais do Piauí. Na última década, entre 2006 e 2017, a criação de bovinos caiu de 1,6 milhão de cabeças para 1,4 milhão. A de bubalinos caiu de 595 para 546. Por outro lado, a criação de animais de médio porte cresceu no Piauí. A de caprinos passou de 1,4 milhão de cabeças para 1,8 milhão. A de ovinos, passou de 1,3 milhão para 1,6 milhão.  A de suínos conseguiu atingir a marca de 1 milhão também.

Um destaque importante nas criações é a avicultura, que cresce em ritmo intenso com a chegada de novas granjas ao estado. Em 2006 eram 8 milhões de aves, agora são mais de 10,4 milhões. Com isso mais que dobrou a produção de ovos de galinha. Em 2006 foram produzidos menos de 14 milhões e em 2017 o número passou de 29 milhões.

"Temos percebido essa tendência de queda nas criações de animais de grande porte e uma tendência inversa nos animais de médio porte. É mais difícil trabalhar com grandes animais. Com médio e pequenos animais, o retorno financeiro é mais rápido. Bovinos e bubalinos levam até 30 meses para ter retorno financeiro, um tempo que não é razoável para muitas famílias que dependem desse dinheiro. Já os animais de médio porte geram retorno entre 6 e 8 meses", explica Pedro Andrade de Oliveira, coordenador do Censo Agropecuário 2017.

Terras da agropecuária 

A agropecuária ocupa quase 40% da área total do Piauí e 73% dos produtores são os donos legais de suas terras. Em números reais, a área do Piauí é de 25.161.190 hectares, 9.996.869 estão destinadas à atividade agropecuária, mas não exatamente para a produção efetiva. 

A maioria dos estabelecimentos agropecuários do Piauí é considerada pequena - tem de 1 a menos de 10 hectares de terra. Por outro lado, 30% das terras são referentes aos grandes estabelecimentos, com área de 500 a menos de 10 mil hectares. O estado tem apenas 77 estabelecimentos desse tipo com tamanho superior a mil hectares, mas esses representam mais de 17% do total de terras usadas nesse setor.

No que diz respeito à efetiva utilização das terras, em uma década (de 2006 e 2017), a área de lavoura permanente caiu de 251,3 hectares para 166 hectares. Já a área destina à lavoura temporária cresceu de 1,1 milhão de hectares para 1,4 milhão de hectares. 

Vale destacar que o Brasil registrou redução no número de estabelecimentos agropecuários na década em questão (caiu de 5.175.636 para 5.072.152), enquanto o Piauí se manteve praticamente estável no período, com uma leve alta - de 245.538 estabelecimentos foi para 245.623. 

Todo o Censo foi realizado de forma digital, através de um dispositivo móvel de coleta. Dos mais de 5 milhões de questionários aplicados em todo o país, nenhum precisou ser impresso. Para a realização dos levantamentos foram gastos R$ 780 milhões, o que representa metade da verba solicitada.