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IBGE alerta: Censo 2020 está ameaçado por falta de pessoal

Foto: Agência IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem mais de 50 pesquisas realizadas sobre mercado de trabalho, atividades econômicas e condições de vida da população. A produção do órgão é intensa e depende de recursos financeiros, tecnológicos e, principalmente, humanos, mas, desde 2008, o IBGE perdeu mais de 2.400 servidores, o equivalente a um terço do total. 

Essa escassez de recursos humanos ameaça o trabalho do órgão, fundamental para a elaboração de estratégias de gestão em todo o país. Nesta segunda-feira (12), o IBGE divulgou em sua própria página o alerta: este quadro pode se agravar ainda mais, chegando a um impasse, pois, hoje, mais de um terço do quadro funcional do IBGE já está apto a requerer aposentadoria. 

Dentre os trabalhos que estão comprometidos com esse quadro está a realização do Censo Demográfico 2020, que já está sendo planejado. A não realização traria graves prejuízos, pois impossibilitaria o conhecimento da realidade demográfica e socioeconômica dos municípios brasileiros. Além disso, impactaria, também, a produção de informações contínuas do IBGE e de outras instituições, que são baseadas em pesquisas cujas amostras são atualizadas e calibradas pelos resultados do Censo.

De forma mais dramática e direta, haveria prejuízo para o cálculo dos fatores para a divisão do Fundo de Participação dos Municípios e a atualização de políticas públicas, como o Bolsa Família e as metas do Plano Nacional de Educação, por exemplo. 

Os indicadores produzidos pelo IBGE orientam investimentos e subsidiam políticas implementadas pelas três esferas de governo. Alguns exemplos:
- o índice oficial de inflação (IPCA), que calibra a SELIC e as metas do Banco Central;
- o PIB trimestral e anual, para o país, seus estados e cada um dos seus 5.570 municípios;
- o acompanhamento mensal e anual da produção agropecuária, auxiliando o controle do abastecimento e da inflação; 
- estudos sobre a fecundidade e a mortalidade da população, subsidiando investimentos em Educação, Saúde, Habitação, e Segurança Pública, além da distribuição dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios, pelo Tribunal de Contas da União (TCU).