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‘Parlamentarismo branco’ de Rodrigo Maia pode ficar ainda mais forte

Já há algum se fala em uma espécie de Parlamentarismo “branco” ou informal vivido pelo país. E sempre que esse tema entra em roda de conversa, o nome do “primeiro-ministro” surge sem espaço para dúvidas: Rodrigo Maia (DEM-RJ). Rodrigo já tinha força no governo Temer, mas dividia tal poder em pé de igualdade (ou até em desvantagem) com outras lideranças do Centrão. Com a posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República, o presidente da Câmara parece ter se distanciado dos demais, ao mesmo tempo em que o Congresso passou a ter mais força ainda, às vezes até assumindo a condução do país.

A avaliação prospectiva que ganha corpo entre analistas é que Rodrigo Maia tende a ficar ainda mais forte este ano, dando contornos mais nítidos ao tal do “Parlamentarismo branco”. Essa força extra viria de um problema que se estabeleceu com a chegada do novo governo: Jair Bolsonaro nunca fez um único esforço para construir uma base de apoio no Congresso. Com isso, Rodrigo e outras lideranças como Davi Alcolumbre, deram as cartas políticas em 2020. A reforma da Previdência é só um exemplo.

O segundo problema se consolidou no final do ano, com o racha no PSL. A divisão do partido do presidente – que deve resultar em uma nova sigla, a Aliança pelo Brasil – tornou ainda mais débil a base de apoio. O que já era fraco, ficou fraquíssimo. Quem festeja é Rodrigo Maia, que passa a ser crucial para qualquer pretensão legislativa do presidente da República.

Sem Rodrigo, nada de Bolsonaro anda no Congresso.
 

Um novo mandato para Rodrigo?

A força de Rodrigo tem vários motivos. Além do pouco caso de Bolsonaro com o Parlamento, Rodrigo tem uma boa relação com a área econômica do governo, sobretudo o ministro Paulo Guedes. De certa forma, a agenda de um é a do outro. O presidente da Câmara também sabe recorrer à “velha política” e proteger os parlamentares, por exemplo, na liberação de emendas. Além disso, sabe partilhar as decisões cruciais, dando voz a aliados e adversários. O andamento das reformas revela bem isso: sempre avançaram na base do acordo.

Essa liderança à base de diálogo e doses de fisiologismo já faz que muitos defendam um novo mandato para Rodrigo na Presidência da Câmara. Nesse caso, o diálogo não será tão fácil, muito menos um acordo que reúna todos. Certamente haverá disputa, e das brabas. Mas no cenário de hoje, ninguém chega nem perto de Rodrigo Maia em termos de liderança interna no Congresso.

Firmino busca nome que seja ‘continuidade sem continuísmo’

O prefeito Firmino Filho (PSDB) está finalizando uma série de sondagens para definir o que, na cabeça do eleitor, é determinante na escolha do futuro ocupante do Palácio da Cidade. Mas antes mesmo de ter em mãos dados qualitativos, Firmino sabe que há um sentimento forte na população que cobra uma espécie de upgrade. Ou seja: a aprovação da gestão é um ingrediente importante, mas verifica-se uma tendência à cobrança de um gestor que dê um passo a mais. No linguajar utilizado dentro do Palácio da Cidade, diz-se que a ideia é apostar na “continuidade sem continuísmo”.

Outro termo para definir a busca do candidato ideal passa por uma ideia de “renovação dentro de casa”. Isto é: uma mudança para seguir com o modelo. Esse pensamento Firmino carrega há algum tempo, e aproximava a escolha de Washington Bonfim. A ida de do ex-secretário para São Paulo freou essa aproximação. E agora o prefeito faz qualitativas para verificar o peso de alguns critérios considerados fundamentais. Essa percepção popular se junta às avaliações internas, sobre critérios não mensuráveis pelo eleitor, como a confiança que Firmino Filho e Ciro Nogueira têm no potencial candidato.

Além da confiança, estão sendo levados em conta outros critérios, como a experiência, a capacidade técnica para administrar, o apelo popular, as relações políticas e a ideia de renovação. Os nomes que integram a lista de avaliados são: Washington Bonfim, Sílvio Mendes, Kleber Montezuma, Charles Silveira, Luciano Nunes e Marco Antônio Aires.
 

Quem se sai bem em cada critério.

Confiança: tem peso altíssimo, não medido em pesquisas. Quem estiver bem com Firmino e Ciro está em vantagem. Aqui Washington Bonfim é o líder, seguido de Kleber Montezuma. Sílvio Mendes é o mais distante.
Experiência: vale a percepção popular sobre a capacidade do postulante, sobretudo porque o eleitor não está querendo aventuras. Experiência seria uma saída de baixo risco. Vale para todos os postulantes, mas Sílvio leva vantagem.
Capacidade técnica: vale a percepção popular, mas vale mais ainda a avaliação interna sobre cada candidato. Há equilíbrio entre os nomes tucanos.
Apelo popular: aqui é Sílvio quem se destaca, seguido de Luciano Nunes. Se Firmino achar que o “modelo” ou ele próprio transfere voto, esse critério torna-se pouco relevante.
Relações políticas: aqui conta sobretudo a relação com vereadores e líderes comunitários, onde Marco Antônio Aires se sai melhor. Na relação com instituições políticas, o destaque é para Charles Silveira e Sílvio Mendes.
Renovação: Na prática, ninguém é renovação pra valer. Mas Sílvio e Charles talvez traduzam menos esse critério. Washington (também talvez) pode ter uma pequena vantagem.

Área de cultura que não sabe o que é simbologia não tem perdão

Roberto Alvim foi demitido do posto de Secretário Especial de Cultura. Em seguida pediu desculpas pelo que chamou de “erro involuntário”, ao usar em vídeo oficial um texto muito próximo do utilizado pelo nazista Joseph Goebbels, o poderoso (e manipulador) ministro da propaganda de Hitler. Não tem perdão. E por vários motivos. Primeiro que não cabe atribuir a auxiliares a construção do texto. Alvim o assumiu plenamente, e muito provavelmente sabendo onde queria chegar, já que o vídeo contava com elementos adicionais que remetem ao nazismo.

A trilha sonora utilizada foi a ópera Lohengrin, de Richard Wagner, compositor alemão que se tornou ícone no 3º Reich. Será que também a música foi utilizada sem que ele soubesse? Se as desculpas de Alvim são legítimas, merece sim ser demitido – porque não tem perdão um secretário especial (uma espécie de ministro) da cultura que não sabe a força da simbologia. Também merece ser demitido um secretário especial que não tem informação sobre o que foi o nazismo ou o nacionalismo extremado tão ardorosamente defendido por Hitler e sua turma assombrosa.

Alvim aparece no vídeo em um cenário cuidadosamente construído, com bandeira nacional e a cruz assumindo lugares estratégicos. Seria de estranhar que não soubesse o que estava sendo feito. O lógico mesmo é percebe que sabia o que dizia e tinha um foco claro de onde queria chegar. E também (ou sobretudo) por isso merecia ser demitido. Alvim foi atropelado por si e suas ideias.

Aliás, já poderia ter sido demitido bem antes, quando saiu atacando Fernanda Montenegro. Há quem não goste de Fernanda, um símbolo da cultura nacional por tudo de belo e extraordinário que fez. Alvim pode não gostar dela. Mas não se combate ideias e conceitos com tropelias e agressões.
 

A demissão não esgota o assunto

O presidente Jair Bolsonaro reagiu rápido ao vídeo de Roberto Alvim. Talvez pelas ligações com Israel, que não aceita qualquer gesto de glorificação do nazismo. Talvez pela ampla reação crítica, até mesmo dentro da direita radical que apoia o presidente. Isso é positivo. Mas há um detalhe a ser considerado: a defesa do autoritarismo e a negação de fato históricos terríveis estão muito presentes nesses 12 meses de governo Bolsonaro.

Tudo isso quer dizer que a demissão de Alvim não esgota o tema. Ao contrário, o reanima como tema de discussão sobre os valores que o Brasil deseja cultivar. Certamente defender o autoritarismo, a “lei da força bruta” ou os caminhos tornos dos regimes de exceção não formam um bom alicerce para uma sociedade minimamente equilibrada e livre.

Vale continuar com o debate.

Washington chega amanhã para dizer a Firmino que é candidato

O ex-secretário de Educação do Município, o professor Washington Bonfim, estará amanhã em Teresina quando terá um encontro com o prefeito Firmino Filho (PSDB). A conversa será o canal para Washington dizer que está com o nome posto como alternativa para disputar a prefeitura da capital pelo grupo que hoje ocupa o Palácio da Cidade. A conversa acontece exatamente quando Firmino finaliza as sondagens para definir qual o perfil ideal de candidato e, portanto, a escolha do nome que representará o grupo.

Washington Bonfim sempre foi considerado pelos observadores mais próximos ao Palácio da Cidade como o candidato da preferência tanto de Firmino quando do senador Ciro Nogueira (Progressistas), que divide com o prefeito a liderança do processo de escolha do candidato do grupo. Mas o próprio Washington se afastou do processo. No final de novembro, o ex-secretário chegou a dizer para Ciro e Firmino que não contassem com ele, o que contrariou os dois líderes.

Mas a passagem do ano no Piauí reacendeu em Washington a vontade de entrar na disputa. Na oportunidade, chegou a conversar com diversas lideranças do grupo, incluindo Firmino (por telefone) e Júlio Arcoverde. Também conversou com profissionais de marketing. O ex-secretário retornou a São Paulo, onde trabalha. Mas agora vem a Teresina para deixar evidente que está na disputa.

Chega para fazer parte de uma lista que tem mais cinco nomes.
 

Uma lista com seis nomes

A lista que Firmino Filho baralha para chegar ao candidato do grupo já teve Washington Bonfim no alto, com larga vantagem. Mas o professor perdeu esse lugar diferenciado por conta de suas próprias decisões. Mas pode retomar o alto do pódio, em uma disputa interna que inclui mais cinco potenciais candidatos: Sílvio Mendes, Luciano Nunes, Kleber Montezuma, Marco Antônio Aires e Charles Silveira. Da lista, Sílvio está sem partido e Washington é filiado ao Progressistas. Os demais são do PSDB.

A agenda definida por Firmino prevê para o início de março o anúncio do candidato que vai representar o grupo. Caso Washington seja a escolha final, o ex-secretário deve mudar de sigla, se filiando outra vez ao PSDB. O prazo final para que essa mudança ocorra é o dia 3 de abril. Mas ele pode mudar até mesmo agora, já que não tem mandato e, assim, não seria afetado pela legislação.

PT tem meta de eleger pelo menos 50 prefeitos no Piauí

O PT quer sair mais fortalecido das eleições municipais deste ano, já pensando na construção de um cenário político e eleitoral mais robusto para as eleições de 2022. E já tem até meta: segundo o deputado Fábio Novo, pré-candidato da sigla à prefeitura de Teresina, o PT pretende eleger 50 prefeitos municipais em outubro.  A meta elevada mostra uma mudança na estratégia petista, que nunca deu muita bola para a eleição de prefeitos, salvo em 2016.

O PT elegeu seu primeiro prefeito no Piauí ainda em 1996. Mas a chegada de Wellington Dias ao governo do Estado na eleição de 2002 gerou a expectativa de que o partido poderia dar um grande salto. Não foi bem assim. Mesmo já no segundo mandato de Wellington como governador, o PT não rompia a barreira das duas dezenas de prefeituras, em 2008, mesmo ano em que o vice de Wellington, Wilson Martins, elegeu 40 prefeitos pelo PSB. O desempenho modesto foi mantido em 2012, ao recdor de 20 prefeituras.

Em 2016, no entanto, Wellington Dias resolveu apostar mais diretamente em nomes do próprio PT, deixando parcialmente de lado a preocupação de fortalecer siglas aliadas. Na última eleição municipal, o PT saltou para 38 prefeituras – ficou atrás apenas do PP de Ciro Nogueira, que elegeu 40. Agora a expectativa é que o governador volte a fortalecer os candidatos da sigla, e aí está a meta de 50 prefeitos.

Uma das prefeituras que o partido mira com mais desejo é a de Teresina. Na capital piauiense, o PT sequer teve candidato em 2016. A avaliação é que foi um grande erro.E agora quer mais.
 

Wellington Dias, apoio a Fábio Novo

O governador Wellington Dias chegou a defender a união dos partidos da base em torno de uma única candidatura à prefeitura de Teresina.  Mas o MDB não arredou pé da postulação de Dr. Pessoa, assim como o PL segue com o nome de Fábio Abreu. Ao mesmo tempo, Fábio Novo diz que não abre mão da candidatura que o PT aprovou no diretório municipal. Restou a Wellington se render aos fatos e manifestar o apoio ao candidato do seu partido.

Fábio Novo conta muito com esse apoio do governador já que ele esvazia um bocado do discurso de outros postulantes dentro da base governista. Ele destaca que o partido conseguiu se manter unido em torno da ideia da candidatura própria, fato que não havia ocorrido nas duas últimas eleições. Além disso, observa que a apresentação de uma candidatura própria é fundamental para a eleição de uma boa bancada na Câmara Municipal.

Washington, o preferido de Firmino e Ciro, perde espaço

O ex-secretário Washington Bonfim, hoje filiado ao Progressistas, era e continua sendo o nome preferido de Firmino Filho e Ciro Nogueira para a disputa da prefeitura de Teresina este ano, representando o grupo que comando o município há décadas. Mas a preferências dos dois principais líderes desse processo no lado da situação não garante a indicação: a avaliação entre importantes atores de dentro do Palácio da Cidade é que Washington só não é o candidato definido por erros próprios que podem custar a candidatura.

Conforme um ocupante do Palácio da Cidade, Washington poderia ser hoje um nome indiscutível, quase como uma alternativa consolidada e assumida por todo o grupo. Mas alguns erros que cometeu ao longo do processo tiraram força da sua potencial candidatura. O passo considerado mais comprometedor foi a decisão de ir para São Paulo, afastando-se de Teresina e das relações com outras lideranças.

“Não está descartável, mas está longe de ser indiscutível”, afirma outro tucano. Hoje o ex-secretário é criticado abertamente por alguns integrantes do staff principal do poder municipal. E acumulou senões também entre alguns vereadores. Mas ainda está dentro do processo, e com importante força: tem a confiança dos dois principais líderes do grupo, Firmino e Ciro.

Soma ainda um outro trunfo: reúne as principais credenciais do perfil considerado ideal, tais como a capacidade técnica, uma certa ideia de renovação e relevante trânsito político.
 

Sílvio ocupa vácuo de candidaturas consolidadas

Sem uma escolha clara e deixando o campo livre para a atuação de vários nomes, o grupo que comanda a prefeitura não conseguiu criar um candidato indiscutível para a sucessão de Firmino Filho no palácio da Cidade. Ao contrário, multiplicou alternativas. Na prática, tantos candidatos signmificava que não havia candidato algum. Nesse vácuo, cresceu o nome de Sílvio Mendes, que por muito tempo foi considerado carta fora do baralho, em razão das animosidades com o próprio Firmino.

Agora, Sílvio volta a ser uma alternativa bem palpável. Não por encantamento de Firmino ou de Ciro, mas por falta de uma alternativa que tenha se mostrado viável e competitiva de fato. Sílvio tem o recall de boa gestão e com isso preserva importante apelo popular. Hoje é considerado o nome que mais une o grupo que orbita em torno do Palácio da Cidade. Mas também não é unanimidade. Além disso, questiona-se se tem condições de traduzir o sentimento eleitoral do momento, onde a mudança ou a renovação é um ingrediente a ser considerado.

Heráclito mantém ‘Quinta sem lei’ e proximidade com Poder

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Heráclito Fortes: reunião sistemática na "Quinta sem lei" e relação estreita com o poder em Brasília


Sem mandato desde fevereiro do ano passado, o ex-deputado Heráclito Fortes mantém uma relação estreita com o núcleo do poder em Brasília. E o cenário para esse encontro é o mesmo utilizado para outras articulações políticas: a “Quinta sem lei”, um nome jocoso criado pelo próprio Heráclito para batizar o almoço que faz em sua casa do Lago Sul, quando reúne políticos que chegam com hora marcada mas não têm hora para sair.

O grupo já foi importante nas articulações que levaram ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Agora, boa parte dos integrantes está sem mandato. Mas segue perto do poder. Costuma fazer parte da "Quinta sem lei" nomes como Benito Gama, José Carlos Aleluia, Pauderney Avelino e Danilo Fortes. O ministro Onyx Lorenzoni era um frequentador assíduo, mas agora tem presença um pouco mais esporádica. Há ainda um grupo de jornalistas que se alternam na "Quinta sem lei", sempre em busca de informações privilegiadas.

Fonte é o que não falta.
 

Casa foi sede do G-8 pelo impeachment

Nos meses que antecederam o impeachment de Dilma Roussef, a casa do então deputado Heráclito Fortes se transformou em sede de um grupo que trabalhou intensamente pela saída da presidente. O grupo era conhecido como G-8, embora tivesse bem mais que 8 integrantes. O nome era uma referência à cúpula mundial que reúne os mais poderosos governantes do planeta. No G-8 do Lago Sul de Brasília estavam alguns dos mais poderosos do Congresso e da Nação.

Esse grupo tinha os fixos, além do próprio Heráclito: Benito Gama (PTB-BA), José Carlos Aleluia (DEM-BA), Raul Jungmann (PPS-PE), Rodrigo Maia (DEM-RJ), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Pauderney Avelino (DEM-AM), Mendonça Filho (DEM-PE), Júlio Lopes (PP-RJ), Danilo Forte (PSB-CE), Carlos Marun (PMDB-MS), Fernando Bezerra Coelho Filho (PSB-PE), Tadeu Alencar (PSB-PE). E alguns convidados especiais, como o economista Armínio Fraga.

A lista atual é menor. Mas segue no centro do Poder.

Piauí tem previstos R$ 800 milhões no orçamento da União

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Átila Lira: emendas parlamentares com ênfase na infraestyrutura e no custeio da saúde


O estado do Piauí tem a previsão de um aporte de cerca de R$ 800 milhões, este ano, através do Orçamento Geral da União. A maior parte dos recursos é proveniente das emendas individuais dos parlamentares e das emendas de bancada. Mas há duas obras importantes com valores carimbados dentro do orçamento: o açude Algodões II e a Transcerrados, ambas consideradas estratégicas para o Estado.

Quase dois terços desses valores correspondem às emendas individuais e de bancada, conforme explica o deputado Átila Lira (Progressistas), que é o coordenador da bancada do Piauí no Congresso Nacional. A soma desses valores fica próximo dos R$ 600 milhões. Há ainda outros R$ 200 milhões destinados às duas obras citadas, cada uma com dotação estabelecida em R$ 100 milhões. A obra das Transcerrados está, em termos orçamentários, vinculada à Sudene. Da mesma forma, os recursos para o açude Algodões II saem do DNOCS. Nos dois casos, os recursos deverão ser repassados para o governo do Estado, que fica com a execução das obras.

No que diz respeito às emendas parlamentares individuais e de bancada, a regra estabelece um percentual dos recursos para a saúde. Mas, conforme explica o deputado Átila Lira, a maior fatia dos recursos totais das emendas vai mesmo para infraestrutura. Isso inclui ações pontuais nos municípios, como calçamentos. A saúde aparece como o segundo maior volume de recursos, em sua grande maioria destinados ao custeio do setor. Com a destinação para o custeio, as emendas ajudam os municípios e o próprio governo do Estado a manter o funcionamento dos serviços de saúde.

Na prática, garantem o funcionamento do setor.
 

Saúde dependente das emendas

Não é só o estado do Piauí que depende das emendas parlamentares para manter o setor de saúde e até mesmo para cumprir uma regra constitucional, que estabelece um percentual mínimo de recursos para o setor. O investimento na saúde deve ser de pelo menos 15% do total das receitas. No caso da União, isso significa R$ 121,2 bilhões e a previsão orçamentária é pouco acima desse valor: R$ 122,9 bilhões.

Mas sem as emendas parlamentares o governo não cumpriria a lei: a soma de todas as emendas destinadas à saúde contabiliza R$ 8,1 bilhão. Se suprimido esse valor da previsão (que é de R$ 122,9), o orçamento para o sistema de saúde ficaria em apenas R$ 114,8 bilhões. Portanto, abaixo do mínimo estabelecido por lei.

Audiência pública discute em fevereiro impacto dos incentivos fiscais

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Flávio Nogueira: questionamento dos incentivos fiscais conceidos pela União e pelos estados

A Câmara dos Deputados realiza em fevereiro um debate que está sendo considerado crucial para o encaminhamento de um ponto central na reforma tributária: a existência, o alcance e o impacto dos incentivos fiscais no Brasil. O debate será em uma audiência pública proposta pelo deputado piauiense Flávio Nogueira (PDT). “Precisamos ter uma clareza do real impacto dos incentivos fiscais”, diz o deputado, que se mostra contrário à existência de mecanismo que em sua avaliação termina privilegiando quem já tem privilégios.

A intenção da audiência pública é ter uma visão global do uso de incentivos tanto no âmbito da União quanto nos estados. Para Flávio Nogueira, o tema gera certas reações apaixonadas, sobretudo de representantes de estados que se beneficiam desse expediente. Mas ele vê como preocupante a guerra fiscal que a concessão de incentivos criou. Lembra que o próprio Piauí foi vítima dessa “guerra” há cerca de 20 anos, quando o Ceará ofereceu uma série de vantagens e redirecionou para lá uma indústria que tinha decidido investir aqui.

Nesse tipo de cenário, ressalta, não tem isonomia: “São Paulo pode oferecer mais que qualquer outro estado em uma ‘guerra’ que fortalece quem já é forte”. Além disso, Flávio Nogueira defende o “enxugamento” do Estado. Ele também faz críticas específica aos recursos destinados ao chamado “Sistema S” – que inclui SESI, SENAC e Sebrae. O deputado entende que o Sistema S não dá muita clareza sobre a aplicação dos recursos que recebe da União.

“O mínimo que se pode exigir é uma absoluta transparência sobre o destino desses recursos que são públicos”, afirma.
 

Zona França tem tratamento especial

A concessão de incentivos fiscais é um dos gargalos previstos para a discussão da reforma tributária. E nesse quesito, um ponto ganha destaque: a Zona Franca de Manaus. Criada em 1957, a Zona Franca deveria ter um tempo limitado. Mas na Constituinte praticamente ganhou a condição de cláusula pétrea, fruto de artimanha do relator da Carta, o senador amazonense Bernardo Cabral. O ex-ministro Delfin Netto, que também foi constituinte, diz que vai ser difícil mexer no texto.

Como está, a Zona Franca significa a cada ano uma renúncia fiscal da ordem de R$ 28 bilhões, segundo números de 2018. E há proposta de criação de outras 8 áreas com regime especial semelhante. Uma das propostas inclui o Piauí – é a Zona Franca do Semiárido. Outras duas estão situadas no Maranhão. Parecem ser propostas que ficam mais no jogo de cena, já que a possibilidade de aprovação é considerada muito pouco provável.

Gustavo Canuto pode ser primeira mudança no ministério este ano

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Gustavo Canuto: ministro pode ser um dos primeiros a deixar governo neste ano de 2020

O ministro de Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, está no topo da lista dos nomes que podem deixar a Esplanada do Ministério neste início de ano. Há expectativa em Brasília de que essas mudanças aconteçam nas próximas semana e podem alterar pelo menos uns dois ou três nomes do ministério do presidente Jair Bolsonaro. Auxiliares próximos ao presidente da República dizem que há muitos ministros que dão mais satisfação ao Centrão que ao Planalto.

Canuto estaria nessa conta. Vale lembrar, Gustavo Canuto é um servidor público de carreira que já tinha ocupado a função que corresponderia a uma espécie de “vice-ministro” no extinto Ministério da Integração Nacional. O Ministério do desenvolvimento Regional assumiu as funções da pasta extinta. E Canuto, que é paranaense, se tornou o titular através de um viés técnico. Esse viés está sendo bombardeado internamente, já que o ministro é criticado por ter uma ação política que estaria em dissonância com o próprio presidente. O bombardeio é antigo - e Canuto ainda em julho chegou a ser considerado "com os dias contatos".

Sobreviveu na época. Mas pode cair mesmo agora. Outros nomes também estão no centro das discussões sobre as mudanças no ministério, entre eles o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o titular da pasta da Educação, Abraham Weintraub. Onyx perdeu muito espaço no governo e nem sempre se mostrou um grande articulador com o Congresso. Além disso, é considerado muito vinculado ao Centrão, o grupo de partidos que pautam seu apoio aos governos a uma relação considerada fisiológica. Já no caso de Weintraub, pesa contra ele o amplo desgaste com o setor da educação no país, em especial as universidades.

Nesse aspecto, o ministro da Educação é uma espécie de unanimidade: desagradou a todos.
 

Abraham Weintraub sobrevive

O amplo desgaste do ministro Abraham Weintraub com os mais diversos segmentos do campo da educação não quer dizer necessariamente que ele vá perder o cargo. Sim, ele é um dos nomes da lista de possíveis mudanças. Mas tem seus trunfos, a começar pela relação com o núcleo duro do governo, incluindo o grupo familiar do presidente Jair Bolsonaro. “Se eu fosse apostar, apostaria na queda do Gustavo Canuto antes da saída do Weintraub”, disse à coluna um interlocutor do governo com trânsito no Palácio do Planalto.

As brigas que o ministro da Educação compra traduzem em grande medida o que o próprio presidente abraça desde antes da campanha de 2018. É verdade, no entanto, que o ministro não é mais unanimidade dentro do próprio governo: tem sérias restrições dentro do Ministério da Economia. Mas isso pode representar pouco ante o ainda significativo respaldo que encontra no Palácio do Planalto. Enquanto o núcleo Bolsonaro não mudar de opinião, Weintraub tende a ficar onde está.

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