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Ciro não quer dar trégua a Wellington. E vice-versa

Depois que anunciou o rompimento com o Progressistas do senador Ciro Nogueira (PP), o governador Wellington Dias (PT) partiu de vez para o ataque e decidiu não dar trégua ao ex-amigo. Como demonstração, está atraindo para o seu lado aliados de Ciro (com Wilson Brandão e Hélio Isaias). Mas a “gentileza” tem reciprocidade, e Ciro atacou precisamente em um ponto que Wellington depositava muita esperança: a possibilidade de redirecionar parte dos recursos do precatório do Fundef, da educação para a área de saúde. Ciro não vai deixar barato.

A própria decisão do Supremo tribunal Federal (STF) que deu ganho de causa ao Piauí na ação do Fundef, determinou que toda a bolada de R$ 1,65 bilhão fosse aplicada exclusivamente na educação. Wellington chegou a falar em fazer “uma revolução” com esse dinheiro. Mas há um mês decidiu entrar com uma ADI no STF para poder usar R$ 578 milhões na saúde. O governador utilizou o recurso de uma medida cautelar, que poderia ser decidida pelo ministro de plantão, no caso o presidente do STF, Dias Toffoli. Mas Toffoli não decidiu nada, o recesso judiciário acabou e a matéria foi distribuída (para ser apreciada pelo Pleno) e caiu nas mãos da ministra Carmen Lúcia.

Além de Carmen Lúcia pedir manifestações de outros atores (como a AGU, CGU e MPF), agora o caldo engrossa de vez porque o Progressista decidiu entrar com uma ação para garantir que a decisão original do STF seja mantida. Ou seja: que os recursos do precatório do Fundef sejam aplicados exclusivamente na educação. Ciro lembra que o próprio Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE) já havia cobrado atenção a essa decisão do STF. E que o TCE também tinha exigido um cronograma transparente de aplicação do recurso. Para Ciro, o que é da educação deve ser aplicado na educação. Mas o que fica evidente mesmo é o empenho do senador de não deixar barato para o agora desafeto Wellington Dias.

Com um detalhe: a ação de um deve ter sempte o troco do outro. Até 2022.
 

Wellington joga as fichas em Teresina

O governador Wellington Dias (PT) não apenas decidiu romper com Ciro Nogueira (PP). Decidiu também jogar todas as fichas no confronto direto com o líder do Progressistas na definição de forças dos dois grupos que estarão em lados opostos em 2022. E esse confronto vai se dar em muitas cidades estratégias do Estado. Só estarão juntos naqueles lugares em que, por fatores locais, realmente não é possível o enfrentamento. No resto, é puxar a faca. Sobretudo em Teresina.

Na capital, o governador tem em mente que o PT nunca teve bom desempenho (só em duas vezes teve mais de 20% dos votos, em 2000 e 2008). Mas agora Wellington parece ter uma preferência. E não é o candidato do PT: é Fábio Abreu, do PL. Acredita no potencial do deputado federal de chegar ao segundo turno e até na possibilidade de vitória. Se conseguir, avalia que será um ganho extraordinário porque fragilizaria Ciro e também Firmino Filho – que pode ser o adversário direto de Wellington por uma vaga no Senado em 22.

Com tradição governista, Nordeste enche a bola de Bolsonaro

Depois das eleições de 2018, multiplicaram-se os posts na internet apontando o Nordeste como o rincão da resistência ao conservadorismo. As postagens, proliferadas pelos segmentos mais à esquerda, festejavam o fato de Jair Bolsonaro não ter vencido em nenhum estado da região. Como bordão, a série de postagens até podia ter sentido. Mas a realidade é vem outra: o Nordeste costuma ser governista. E, ainda com alto índice de pobreza, bastante vulnerável às ações que dialogam com o assistencialismo.

A última pesquisa do DataFolha (divulgado hoje pela Folha de São Paulo) parece dar razão a esses argumentos e coloca alguns palmos de terra sobre a ideia de que somos o local da resistência anticonservadora. Conforme o DataFolha, Bolsonaro alcançou agora a maior aprovação desde que tomou posse (tem 37% de conceitos ótimo e bom). E chama atenção a rejeição ao presidente aqui no Nordeste, que caiu de 52% (em junho) para 35% (em agosto) – um recuo de 17 pontos. Nada desprezível. E o que pode explicar esse novo olhar da opinião pública?

Há certamente uma mudança de estilo: o presidente abandonou o confronto aberto e passou a adotar um tom mais moderado. Mas o que deve explicar a maior parte da mudança, pelo menos no Nordeste, é a consolidação do Auxílio Emergencial, aquele das três parcelas de R$ 600,00. É aqui onde está a maior fatia de beneficiados. Para dar força a essa análise, o DataFolha mostra que a soma de ótimo e bom entre os que pediram ou receberam o Auxílio é acima da média nacional: 42%.

Não por acaso o governo vem se empenhando tanto em viabilizar não apenas uma nova etapa do Auxílio, como (e principalmente) o seu Renda Brasil.
 

Velha fórmula que até a ditadura usou

A popularidade turbinada à base de programas de socorro a vulneráveis não é coisa nova. Tem algo parecido desde Getúlio. Mas ganha contornos bem nítidos na ditadura, que criou o Funrural para garantiu aposentadoria a quem (teoricamente) não tinha como comprovar vínculo trabalhista no campo. Sarney tentou o Programa do Leite. Mas foi Lula quem conseguiu mais, com o Bolsa Família, a repetir Getúlio como Pai dos Pobres. Agora é a vez de Bolsonaro tentar algo parecido com o Auxílio e, de forma mais duradoura, com o Renda Brasil.

A fórmula nega o ditado chinês: essas ações não ensinam a pescar, e simplesmente entregam o peixe já frito. Mas garante aval popular àquele que assina o programa de ajuda: é aplauso do povão garantido. O Nordeste, ainda cheio de carências, mais uma vez bate palmas e – outra vez – valida o governo de plantão. Alguém pode dizer: mas essas ações não transformam a vida das pessoas; só amenizam a crueza. Verdade. Mas o propósito imediato é esse mesmo.

Situação ganha eleição para reitor da UFPI pela 8ª vez

Uma tradição se confirmou ontem na votação para a escolha do futuro reitor da Universidade Federal do Piauí (UFPI): como ocorreu em todas as disputadas desde 1994, o candidato da situação venceu. É a oitava vez que isso ocorre: uma com Charles Silveira, duas com Pedro Leopoldino, duas com Luís Júnior, duas com Arimateia Dantas e agora com André Macedo, candidato apoiado pelo reitor.  André, que ocupava a Pró-Reitoria de Planejamento da instituição, alcançou 45,64% dos votos ponderados, já que os segmentos da comunidade acadêmica (professor, servidor e alunos) têm pesos diferentes na contabilização final.

A segunda colocação coube à atual vice-reitora, Nadir Nogueira (27,23% dos votos ponderados), seguida de Gildásio Guedes (21,14%). O voto ponderado leva em conta o peso de cada segmento na contabilização: o segmento docente representa 70% dos votos, enquanto servidores e estudantes têm peso de 15%, cada. André Macedo venceu em dois segmentos (professores e servidores) e Gildásio Guedes foi vitorioso entre os alunos – o que permitiu que tivesse mais votos nominais, antes da ponderação.

O resultado (ver gráfico) será publicado hoje pela Comissão Eleitoral, dando-se um prazo para possíveis questionamentos dos candidatos. O resultado final, após resolvido qualquer questionamento, será encaminhado ao Conselho Universitário no dia 24 de agosto. Cabe ao Conselho formalizar a lista tríplice que será encaminhada a Brasília até meados de setembro – pelo menos 60 dias antes do fim do mandato do atual reitor, que ocorre no dia 18 de novembro.

O Conselho Universitário não tem obrigação de apontar na lista tríplice os três mais votados, mas há forte pressão para que o resultado popular seja respeitado.

Mais duas ‘eleições’ até a escolha

A escolha do novo reitor da UFPI para o mandato 2020-2024 ainda tem duas outras “eleições”. A primeira é no Conselho universitário. Nas últimas eleições, o Conselho indicava o mais votado e acrescentava mais dois outros nomes só para constar. Este ano há grande possibilidade dos três mais votados serem os integrantes da lista, já que André, Nadir e Gildásio tem redes de aliados dentro da UFPI com presença importante no Conselho.

A segunda “eleição” é em Brasília. Aí vale o peso político e, no governo Bolsonaro, a afinidade ideológica. Na campanha, mesmo aqueles mais distantes do bolsonarismos tentaram não abraçar uma linha de crítica direta ao presidente. Os dois candidatos que tinham mais afinidade com o governo federal (Sandra Ramos e Marcos Sabry) tiveram votação simbólica e não têm chances de integrar a lista tríplice. Os três mais votados vão também fazer gestões políticas para serem lembrados na hora da escolha daquele que efetivamente vai ser o reitor.

Deputado do PCdoB diz que ‘PT é parte do passado’

Desde a redemocratização que permitiu o ressurgimento dos chamados partidos ideológicos, nenhuma sigla tem sido mais aliada do PT que o PCdoB: é o único que acompanhou os petistas em todas as oito eleições presidenciais desde 1989, a ponto de em 2018 oferecer Manuela D'Ávila para a vice de Fernando Haddad. Mas há pelo menos uma parte do PCdoB que começa a dar sinais em outro sentido: chega de atrelamento automático ao PT, que seria já parte do passado.

A voz mais vistosa dessa ala do PCdoB é a do deputado federal Orlando Silva (SP), que é pré-candidato à prefeitura paulistana sem pedir a bênção ao PT. Em entrevista publicada pela Folha de S. Paulo, Orlando foi duro com o PT e com outros setores da esquerda: “O PT é parte do passado. E o PSOL é uma espécie de PT retrô, dos anos 1980”, disse ele à Folha. Orlando entra em uma campanha com a certeza de que tem um papel a cumprir: “Vou, com a minha experiência de vida e pessoal, valorizar a minha condição de negro e debater a representatividade na política. Não serão os brancos que vão romper com o racismo estrutural”, afirmou.

Sobre as esquerdas em geral, siz que precisa ser mais humilde. É uma forma de dizer que precisa reconhecer os erros – coisa que a grande maioria dos petistas se recusa a fazer. A voz de Orlando Silva, pronunciada a partir da principal cidade do país, tem um peso dentro do PCdoB e nas esquerdas. O partido foi o principal defensor de Dilma no processo de impeachment com um empenho que superava a maior parte dos petistas. Em 2018, o PCdoB lançou Manuela como pré-candidata em um movimento que se sabia estratégico, para posterior aliança com o PT. Assim aconteceu. Mas agora a fala de Orlando parece ir além de um mero movimento combinado.

O PCdoB dá sinais de desmarcar-se da aliança automática com os petistas – e a própria candidatura de Orlando em São Paulo indica isso.
 

União com PSB é uma possibilidade

O PCdoB sabe que tem uma dificuldade pela frente: manter-se partido sob o guarda-chuva dos benefícios oferecidos a quem alcança a cláusula de barreira. Em 2018, não ficou muito acima das exigências. Em 2022, terá que se esforçar para alcançar o umbral que fica mais elevado. E isso aponta para a possibilidade de fusão com outras siglas. No horizonte das sopas de letrinha do sistema eleitoral brasileiro, o PCdoB olha com mais atenção para o PSB. Os socialistas tinham um horizonte de futuro com Eduardo Campos, mas que se estreitou com a morte do ex-governador de Pernambuco.

PSB e PCdoB estiveram juntos com o PT em seis das oito presidenciais: os socialistas tiveram projeto próprio em 2014 e, dividido, liberou a base em 2018. Mas as duas siglas são razoavelmente próximas, além de terem em comum o guarda-chuva amplo e impreciso da esquerda. Também empunham um discurso cada vez menos atrelado a qualquer outra sigla, o que pode levar a caminhos pragmáticos que começam com a possibilidade de união dos dois partidos, em nome da sobrevivência.

Na pandemia, 7 estados aplicam na saúde menos do que lei determina

Durante a pandemia, os gestores estaduais têm apresentado um discurso comum: a Covid-19 vem provocando substancial aumento nos gastos com saúde. Alguns chegaram até a apontar um percentual próximo de 25% das receitas comprometidas com a guerra sanitária. Os números, no entanto, mostram uma realidade muito diferente e que nada menos que 7 dos estados, mesmo na pandemia, gastam com saúde menos do que o mínimo estabelecido por lei, que é de 12% das receitas correntes líquidas.

As Receitas Correntes Líquidas (no jargão administrativo conhecida como RCL) correspondem às receitas ordinárias provenientes da arrecadação própria do Estado (por exemplo, ICMS e IPVA) e os repasses constitucionais (como o FPE). Nas RCL não entram, por exemplo, empréstimos. Dessa bolada, os estados têm que destinar pelo menos 12% para a saúde, assim como os municípios devem aplicar 15% no setor. Mas as contas do primeiro semestre mostram que 7 estados aplicaram menos que esse percentual. Isso é particularmente grave tendo em conta que foi nesse período que a pandemia exigiu mais empenho financeiro.

Os estados que menos investiram em saúde foram Minas Gerais (7,7%) e Rio de Janeiro (8,1%). Os dois ficam com investimentos que ficam próximos de dois terços da obrigação – Minas abaixo disso e o Rio, um pouco acima, mas ambos muito longe da exigência legal. Já os estados que mais investiram foram Amazonas e Tocantins, segundo dados dos governos estaduais compilados pelo portal de notícias do Grupo Globo. Com um detalhe: o Amazonas destina à saúde mais de 20% das RCL, muito acima dos 12% exigidos.

O Nordeste tem um punico estado na faixa superior, com gastos acima de 14%: Pernambuco, que aplicou mais de 17% das RCL.

Dois do Nordeste não cumprem lei

O Piauí está entre os estados que destina à saúde mais que o percentual estabelecido em lei, embora sem muita folga: 13,2% das receitas líquidas foram aplicadas no setor. Isso coloca o Piauí na terceira posição no Nordeste e na 12ª no Brasil. Quanto aos estados nordestinos, um (Rio Grande do Norte) fica no estrito limite legal e dois outros não cumprem o percentual legal, mesmo em um período de pandemia em que todos afirmam ter aumentado substancialmente os gastos para enfrentar a grave situação sanitária.

O estado melhor posicionado na região é Pernambuco (3º do país), com 17,2% das receitas líquidas destinados à saúde. Em seguida vem o Ceará (11º do país com 13,3%) e o Piauí. Os dois estados da região que descumprem a lei são Sergipe (11,7%) e Paraíba (11,5%). Os gestores argumentam que o dado não deve ser levado muito em conta porque o percentual de 12% deve ser observado ao final do ano. Mas cabe ponderar: se não conseguiram manter esse nível de investimento no pico da pandemia, o que farão depois para chegar a esse índice? Contabilidade?  

Wellington aposta em manter 4 deputados hoje ligados a Ciro

Na refrega aberta com o grupo do senador Ciro Nogueira (PP), o governador Wellington Dias (PT) partiu de uma vez por todas para estreitar os espaços do adversário. E a primeira preocupação é manter junto do Karnak alguns dos atuais integrantes do time de Ciro, em especial aqueles com mandato legislativo, que estarão diretamente empenhados nas campanhas de 2022. Pelos cálculos palacianos, Wellington pode manter consigo 4 deputados hoje filiados ao Progressistas: Margarete Coelho, Wilson Brandão, Hélio Isaias e Firmino Paulo.

Para fazer valer essa estratégia, está conversando com cada um – de preferência, pessoalmente, olho no olho. Já esteve com três deles: Hélio Isaias, Wilson Brandão e Firmino Paulo. Em breve terá o tête-à-tête com Margarete Coelho, ainda em fase de isolamento após contrair a Covid-19. Nenhum dos interlocutores fala de ruptura com Ciro. Mas os palacianos estão animados com a possibilidade de pescar apoios importantes nas hostes progressistas, particularmente nesses quatro deputados.

O governador sabe que essa tarefa é muito difícil (alguns diriam impossível) no caso de outros progressistas, como Júlio Arcoverde, Iracema Portella, Lucy Soares, Bessah Filho e Belê Medeiros. Estes deixarão o governo e perderão os cargos que ocupam na estrutura administrativa. Já no caso de Margarete, Wilson, Hélio e Firmino, o primeiro aceno é com a manutenção de todos os postos que têm na administração estadual. Por exemplo, Margarete mantém a irmã Sádia Castro na secretaria de Meio Ambiente.

Essa continuidade no governo está atrelada ao compromisso de seguirem juntos em 2022.
 

Ciro refirma aliança com governo federal

O senador Ciro Nogueira não é muito de ocupar espaços na mídia nacional. Mas a ruptura com Wellington Dias garantiu ao senador espaços generosos, boa parte gerados a partir de sua iniciativa. Em quase todas as oportunidades, uma mesma mensagem: a aliança com o presidente Jair Bolsonaro. Inclusive foi mais que explícito ao defender o direito de Bolsonaro disputar a reeleição em 2022.

As manifestações de Ciro o vinculam diretamente ao governo central e o colocam como a principal referência da administração federal no Piauí. Isso se traduz em espaço para ação em uma área onde o senador se sente como um peixe dentro d’água: a liberação de verbas. Foi esta capacidade que o fez referência entre os prefeitos desde o governo Dilma, e sobretudo no período Temer. Quer repetir a dose agora, com Bolsonaro.

Brasileirão: começou o campeonato dos endividados

Começou ontem o Brasileirão 2020, o campeonato nacional de futebol que este ano, mais que em qualquer outro, pode ser chamado de campeonato dos endividados. Segundo relatório anual do Itaú-BBA, que analisa a saúde financeira dos 25 principais clubes de futebol do país, pouco mais de um quarto tem uma realidade considerada equilibrada. E com um detalhe agravante: o relatório diz respeito à situação lida no final do ano passado, quadro que – conforme adverte o documento – deve ter se agravado sensivelmente no primeiro semestre deste ano por conta da pandemia.

De acordo com o relatório, os clubes com finanças equilibradas são apenas 7, contra 18 que se situam no campo do desequilíbrio. O critério que coloca um clube de um lado ou de outro é o montante das dívidas de curto prazo em relação às receitas. O relatório aponta que uma dívida entre 30% e 40% acima das receitas já é uma situação complicada. Ainda assim, o documento coloca em situação de equilíbrio os que têm até 45% de receita comprometida com dívidas de curto prazo. E até esse divisor, só são 7.

A situação mais dramática é a do Sport Recife, cuja dívida de curso prazo corresponde a 339% das receitas. Esse balanço referente a 2019 tende a ficar pior, por dois motivos: primeiro, a pandemia que achatou as receitas previstas de todos os clubes; segundo, os gastos adicionais que o Sport está fazendo agora que voltou à Série A. A segunda pior situação é a do Cruzeiro, recém rebaixado, com dívida 224% maior que as receitas. O terceiro é o Botafogo (153%), seguido do Vasco (127%), Atlético Mineiro (125%) e Corinthians e Bragantino, ambos com 111%.

Os sete de bem com a vida são: Goiás (3% de dívida de curto prazo), Ceará (4%), Fortaleza (17%), Grêmio (25%), Flamengo (27%) e Bahia e Atlético de Goiás, os dois com 33%.

Sport faz campanha para atrair sócios

O Sport sabe das dificuldades que tem pela frente, muito além das quatro linhas. E as dívidas de curto prazo estão sufocando o clube: apesar de ter conquistado no ano passado o ascenso à Séria A, a falta de grana fez o time passar aperto no estadual a ponto de correr o risco de ser rebaixado para a 2ª divisão do pernambucano. Para tirar a corda no pescoço, o clube está com uma agressiva campanha para atração de sócios.

É uma campanha que vai muito além das fronteiras pernambucanas: quer ser uma paixão nordestina, tanto que vende o conceito de “maior do Nordeste”, inclusive com site assim registrado. Com as adesões, quer fazer caixa. Mas precisa de volume. E por isso os planos são para todos os bolsos, em oito formados diferentes com mensalidades de R$ 10 a R$ 385. Cada plano dá vantagens específicas, que vai de desconto na compra de ingressos até preferência na aquisição das entradas, bem como descontos na compra de material esportivo e atividades do clube.

Como Lula e Dilma, Wellington cria ‘um PAC’ para fortalecer Rafael

Disposto a enfrentar a candidatura de Ciro Nogueira (PP) ao governo do Estado em 2022, o governador Wellington Dias (PT) já tem o seu escolhido: é o secretário de Fazenda, Rafael Fonteles. E Wellington usa aqui uma estratégia bem conhecida dos brasileiros, quando Lula escolheu Dilma Rousseff como sua candidata ainda dois anos antes da disputa de 2010. Rafael é “a Dilma de Wellington”, com direito a um PAC particular, no caso o que foi chamado ontem de “Pro-Piauí 2” – um conjunto de obras a ser coordenado pelo próprio secretário de Fazenda pelos próximos dois anos.

A ruptura com Ciro Nogueira foi o cenário que Wellington utilizou para iniciar a “operação 2022”, com o carimbo de Rafael Fonteles à frente das ações. Assim como Lula colocou Dilma para tocar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), aqui será Rafael a assumir a função de tocador de obra, incomum para um secretário de Fazenda. Também caberá a Rafael – essa sim, uma tarefa mais afeita à pasta da Fazenda – o papel de interlocutor com o setor produtivo. A ideia é marcar nele o carimbo de realizador, assim como Lula fazia com Dilma: ela era a mãe das moradias, das estradas, das linhas de energia etc.

Aqui Rafael vai dividir com o próprio Wellington a paternidade de todas as ações que terão uma ideia comum: a revitalização econômica do Estado. Vai assumir até mesmo a “revolução na educação” prometida pelo governador a partir dos recursos do precatório do Fundef, uma bolada de R$ 1,65 bilhão. A escolha de Wellington mostra que o governador teve que fugir às suas características de deixar para depois, depois... até decidir na última hora quem são seus candidatos majoritários. Foi assim em 2010. Foi também assim em 2018.

Diante do visível avanço de Ciro Nogueira, o governador teve que antecipar o cronograma particular. E joga suas fichas em Rafael Fonteles.
 

Escolha praticamente encerra debate interno

No PT, nada se decide sem amplo debate. Mas a explícita estratégia de fortalecer Rafael Fonteles diminui muito a força do debate interno sobre quem vai ser o nome do partido para a disputa do Karnak em 2022. Rafael Fonteles recebe o aval de Wellington quase dois anos antes da data em que se espera que o governador deixe o cargo para uma possível candidatura ao Senado. Ou seja: toma a decisão em um momento em que ainda tem caneta cheia, muito cheia sobretudo depois do precatório do Fundef. E ninguém costuma ir contra uma caneta com tanta tinta.

Quem perde dentro do partido é Regina Souza, que já havia perdido há pouco mais de um mês seu principal defensor como alternativa ao Karnak – o deputado Assis Carvalho, falecido. O empenho claro de Wellington por Rafael tende a minar outros apoiadores de Regina. Para completar, muitos aliados (por exemplo, dentro do MDB) vem festejando a escolha do secretário da Fazenda, que começa agora pra valer a desempenhar seu papel de “Dilma do Wellington”.

Ciro agora é visto como avalista de Bolsonaro no Nordeste

A ruptura entre o senador Ciro Nogueira (PP) e o governador Wellington Dias (PT) ganhou repercussão nacional. E foi lido por alguns setores da mídia, como a rede CNN, como um empurrão a mais na relação do senador com o presidente Jair Bolsonaro, a ponto de transformá-lo em uma espécie de avalista do presidente na região Nordeste. Na aviação da rede de TV, Ciro e seu Progressistas têm a capilaridade que Bolsonaro busca, com um grande número de prefeitos na região.

Talvez seja excessiva a leitura sobre o papel de avalista a ser desempenhado pelo senador piauiense. Mas sem dúvida o episódio da ruptura com o governador do PT deve fortalecer a relação de Ciro com o governo federal, ele que já vinha dando mostras nos últimos dois meses do fácil trânsito que alcançou. A cada nova semana, o presidente do Progressista faz uma série de vídeos falando de liberação de recursos para municípios piauienses. Pretende, dessa forma, retomar um papel que já desempenhou em outros governos – o de carreador de recursos.

Ciro Nogueira transitava com desenvoltura pelos gabinetes ministeriais do governo Dilma, e com desenvoltura ainda maior no governo Temer. No governo do emedebista era tido como “um dos cinco grandes” da República, tamanha a facilidade de transitar pelos ministérios e pela força que demonstrava no Congresso. Com tanto poder, injetou recursos no Estado – tanto no governo de Wellington como na quase totalidade dos prefeitos.

Em 2018, Ciro colheu os frutos, recebendo o apoio de grande parte dos prefeitos piauienses. Agora tenta recobrar o poder. Pensando em colher novos frutos em 2022.
 

Bolsonado repete fórmula do PT

Para crescer no Nordeste, o presidente Jair Bolsonaro quer usar uma fórmula já conhecida. E por caminhos também parecidos. O PT tomou o Bolsa escola, turbinou e criou o Bolsa Família, que gerou um apoio enorme ao partido especialmente no Norte e Nordeste. Agora Bolsonaro quer pegar o programa petista, dar alguma turbinada e transformá-lo no Renda Brasil. As condições não são as mesmas: ao invés dos preços altos das comodities, o atual governo tem uma crise sem precedente e tem dificuldade até mesmo para estender o auxílio emergencial por alguns meses.

Mas, mesmo com todas as dificuldades, o Ministério da Economia segue fazendo cálculos para assegurar o Renda Brasil. E os cálculos não passam ao largo da discussão sobre a tributação do comércio digital. Tudo isso vai bater no Congresso, onde o governo não tem vida fácil: nem mesmo o apoio do Centrão (ou de parte do grupo) dá tranquilidade ao governo para fazer valer suas propostas. E isso é um enorme complicador na intenção de parir o renda Brasil e asfaltar o caminho da popularidade no Nordeste.

Wellington muda estilo e se arma contra Ciro, de olho em 2022

O governador Wellington Dias (PT) mudou o estilo. E tudo dentro do roteiro que leva a 2022, quando espera ter pela frente o grupo liderado pelo senador Ciro Nogueira (PP). E já que a situação é irreversível, eis que surge o novo Wellington: ao invés do político que nunca comprava briga com ninguém e se dispunha sempre à conciliação e congregação, o governador puxou a peixeira. Forçou o rompimento de Ciro com o governo e, também dentro de um novo estilo, passou a investir pesado nas eleições municipais, particularmente a de Teresina.

Wellington chegou ao governo exatamente pela capacidade de não brigar: em 2002, quando a oposição (órfã das negativas de Firmino e outros) se ressentia da falta de alternativas, ele foi lembrado. Vinha da esquerda (à época) barulhenta mas não metia medo precisamente pela flexibilidade e maciez. Em 2014, quando deixou o governo de Wilson Martins, de fato “foi deixado”. Também naquele momento não puxou a peixeira. Em 2018, fez-se surdo às provocações de todos os lados e conservou a enorme barca de aliados – uma barca que muitos previam naufragar mas que Wellington manteve a flote.

Agora ele parte para o confronto. Viu que não adianta apostar a possibilidade de união com Ciro em 2022, tanto pelo fator local como pelo cenário nacional onde o líder do PP é cada vez mais bolsonarista. Fato consumado, faltava oficializar. Ele forçou a oficialização. E agora parte para fortalecer sua base e enfraquecer a de Ciro. E tem dedicado especial atenção a Teresina, onde o PT (sobretudo Wellington) nunca fez cavalo de batalha. Aqui o PT só alcançou votação razoável (acima de 20%) em duas das 9 eleições.

Mas agora Wellington quer ganhar Teresina, mesmo que seja com Dr. Pessoa. Será uma forma de tirar chão do adversário de 2021: Ciro Nogueira.
 

Aposta na ‘revolução do Fundef’

O grupo que comanda o governo do Estado, Wellington Dias à frente, reconhece que o tempo gera desgaste. Mas aposta alto em uma forte recuperação com um conjunto de ações programadas para os próximos dois anos. No centro dessas ações estão os recursos do precatório do Fundef, que soma R$ 1,65 bilhão. Nos dizeres de Wellington, vai ser feita uma revolução na educação. Mas com efeito político muito além do educacional, já que a aplicação da bolada do Fundef passa por um vistoso calendário de obras.

A intenção é transformar o estado em um canteiro de obras. E permitir que essas ações impactem sobre o fator que tende a ter muito peso nos próximos meses, até pelo menos o final do próximo ano: a geração de emprego. Depois de uma década com três anos (2015, 2016 e 2020) de queda vertiginosa da atividade econômica, o emprego segue entre as prioridades dos brasileiros. E no Piauí o governo de Wellington Dias quer dar respostas principalmente com os recursos do Fundef – um dinheiro que não precisa mais das bênçãos de Ciro, o homem que nos últimos anos foi o principal carreador de verbas para o Piauí, inclusive para o governo petista.

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