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Municípios entram ano eleitoral em caos financeiro

O caos financeiro vivido pelos estados é bem conhecido: a grande maioria vive inclusive pendurada nos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Mas a realidade dos municípios também não é nada boa: conforme levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), nada menos que 229 prefeitos devem decretar calamidade nas contas públicas em 2020. Vale lembrar que esse número se soma a outras 69 prefeituras que no ano passado emitiram esse tipo de decreto.

Mas os decretos não são simples ação pirotécnica. Longe disso: conforme o presidente da CNM, Glademir Artoldi, quando um decreto desse é assinado o gestor “está dizendo para a população que vai ter de cortar serviços, que não está conseguindo, com o orçamento, cumprir as obrigações” atribuídas aos municípios. Ainda segundo a CNM, o estado de calamidade pública é só a ponta do iceberg de uma enorme crise vivida pelos municípios. A explicação que a entidade encontra é o aumento das atribuições (desde a Constituição de 1988) sem as receitas necessárias.

A maior parte das cidades simplesmente não tem autonomia financeira, já que a arrecadação é quase simbólica. Levantamento da Firjan mostra que, nas cidades com até 5 mil habitantes a arrecadação nos três principais tributos municipais (IPTU, ISS e ITBI) representa apenas 2,26% da receita total. Na faixa dos municípios com população entre 5 mil e 20 mil habitantes, a soma de IPTU, ISS e ITBI corresponde a 3,67% da receita. Percentual ínfimo ante as obrigações.

A situação fica mais leve nos municípios maiores – entre as cidades com mais de 1 milhão de habitantes a arrecadação dos três tributos chega a 26,86% da receita total. Mas o quadro não é confortável nem entre as capitais.
 

Capitais também enfrentam dificuldades

Levantamento da consultora Tendência mostra que apenas 8 capitais brasileiras chegam ao último ano de mandato dos atuais prefeitos em situação financeira realmente confortável. O levantamento analisa seis indicadores, estabelecendo uma pontuação de 0 a 10. Cada indicador tem peso diferente: endividamento (20%); poupança corrente (25%), liquidez (25%), resultado primário (15%), despesas com pessoa e encargos sociais (10%) e investimentos (5%).

Brasília não entra na lista. Das 26 avaliadas, só quatro aparecem em situação muito boa (nota acima de 8) e outras quatro têm quadro bom (nota de 6 a 8). As com situação média (nota 5 a 6) são oito. As em situação fraca (de 4 a 5) são 5 e as muito fracas (abaixo de 4) são 4. Macapá ficou sem avaliação.

As notas são as seguintes:
Muito boa: Rio Branco (nota 9,06), Palmas (8,79), Boa Vista (8,3) e Curitiba (8,01).
Boa: Porto Velho (nota 7,95), Vitória (7,3), Aracaju (6,37) e Manaus (6,29).
Média: Salvador (nota 5,85), Porto Alegre (5,71), São Paulo (5,56), João Pessoa (5,41), São Luiz (5,38), Fortaleza (5,23), Belo Horizonte (5,23) e Recife (5,0).
Fraca: Teresina (nota 4,95); Goiânia (4,56), Belém (4,4), Campo Grande (4,11) e Cuiabá (4,0).
Muito Fraca: Florianópolis (nota 3,32), Natal (2,45), Rio de Janeiro (2,1) e Maceió (nota zero)
Sem dados: Macapá.

Brasil tenta sair da crise que fez anos 2010 piores que ‘década perdida’

O final de 2019 repetiu uma expectativa dos dois anos anteriores: como no final de 2017 e 2018, avaliava-se que o ano que estava por começar seria melhor, bem melhor – a ponto de encerrar a crise econômica brutal concentrada especialmente entre 2014 e 2016. As projeções apontavam para um novo ritmo na atividade econômica, antevendo-se um crescimento do PIB acima de 2%. Mas o início do novo ano repetiu os dois anos anteriores: as projeções estão sendo revistas e a perspectiva de recuperação começa a ser recalculada... para menos.

Esse movimento que sai da expectativa otimista para uma realidade desanimadora leva ao que o jornalista Celso Ming chama de “síndrome do Feliz Ano Novo fake”. A repetição de fakes em 2017, 2018 e 2019 se somou ao descalabro recessivo de 2015 e 2016 e o resultado é terrível: segundo levantamento do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o desempenho médio da economia brasileira nos anos 2010 foi pior que a chamada “década perdida”, como são conhecidos os anos 1980.

Naquela década de fim de ditadura e recomeço da democracia, o Brasil vivia um desempenho econômico fraco (em alguns anos, fraquíssimo), com inflação alta, corrupção etc. Esse quadro só se alterou pra valer com o Plano real, em 1994. No caso da atual crise, ela começa em 2008, no embalo da crise mundial que o Brasil não soube enfrentar. Piorou com medidas equivocadas no início da década passada, que desaguaram na terrível recessão.

O grave é que não há uma clareza quanto aos caminhos que podem nos levar à recuperação. E não dá para esperar que surja um novo “plano real” que faça o milagre da transformação.
 

Brasil cresce a metade da ‘década perdida’

A comparação mostra o impacto devastador das duas décadas de crise. O economista Antônio Everton, da CNC, comparou o desempenho dos dois momentos. Ele lembra o terrível que foram os anos 1980. Mas não tem dúvidas: “A recessão dos anos 2010 foi bem maior do que a observada nos anos 80.” E tal afirmação pode ser medida em números. Ele mostra que, ao longo da década de 1980 (mesmo com a recessão 1981-1983), o Brasil cresceu 30%. Na década de 2010, o crescimento foi menos da metade.

Já o economista José Júlio Senna, da FGV, analisa os motivos. Ele considera que a recessão de 1980 “foi fundamentalmente uma recessão importada”, sofrendo o impacto do preço do petróleo, da dívida externa e hiperinflação. Na caso da crise mais recente, os problemas foram fundamentalmente internos. “O gasto público fora de controle, vai e vens de políticas econômicas, intervenção em excesso e tudo mais acaba inibindo o elemento fundamental do desempenho de qualquer economia, que é o fluxo de investimentos”, disse Senna ao Estadão.

Fábio Abreu negocia apoio do DEM

O secretário de Segurança do estado, deputado Fábio Abreu (PL), está se movimentando para garantir uma ampla base de apoio à sua candidatura à prefeitura de Teresina. Ontem, ele esteve reunido com o ex-vice-prefeito da capital, Roney Lustosa (DEM), quando esse tema foi o principal assunto do encontro. O propósito de Fábio é ter um leque de apoios em torno de sua candidatura, com preferências nas siglas aliadas do governo. Mas o leque pode se ampliar para algumas forças de fora da aliança governista, como é o caso do DEM.

Segundo o próprio Fábio Abreu, a conversa com Roney Lustosa foi “muito positiva”. O encontro chama atenção pelo fato de Roney ter importante proximidade do grupo de Firmino Filho (PSDB), de quem foi vice-prefeito no mandato anterior (eleição de 2012). Vale ainda lembrar que o DEM tem em Heráclito Fortes uma referência importante, e Heráclito tem um enorme distanciamento do governo estadual.

As articulações do deputado vão mostrando que está disposto sim a ser “o candidato” do palácio do Karnak, mas sem esperar sentado.
 

Governistas terão várias candidaturas

A ideia de uma candidatura única representando as forças que orbitam em torno do governo do Estado parecem mesmo sepultadas. De um lado, o PT afirma que não abre mão de sua candidatura própria. De outra parte, Fábio Abreu e Dr. Pessoa (DEM) até conversaram sobre o tema, mas ambos afirmando que seguem em suas pretensões próprias. Além do mais, o governador Wellington Dias nunca tratou desse assunto com nenhum dos dois - o que indicariam que nem o governador está empenhado nessa candidatura única.

No caso do MDB, o que se vê é o fortalecimento da candidatura de Dr. Pessoa, inclusive com a formação de uma boa chapa de candidatos à Câmara Municipal. Ao mesmo tempo, o ex-deputado já cuida de se preparar com um programa de governo e com informações que garantam um bom desempenho em entrevistas e debates. Fábio Abreu também não descansa e lança suas redes para os lados.

Quer chegar na eleição com um bom time. Forte.

Dr. Pessoa já se prepara para debates na TV

O entorno do ex-deputado Dr. Pessoa, agora pré-candidato do MDB à prefeitura de Teresina, está atuando desde já para garantir uma presença consistente àquele que, segundo todas as pesquisas divulgadas até dezembro, tem a preferência dos teresinenses. O esforço tem um foco principal: garantir que Dr. Pessoa reúna argumentos sólidos e claros sobre a realidade da cidade e as propostas que apresenta para enfrentar os principais desafios da administração municipal.

A atenção maior é com a participação nos debates. Dr. Pessoa é visto como alguém que tem vivência prática, sensibilidade social e afinidade popular. Mas muitas vezes faltam as palavras para abordar um determinado tema ou oferecer proposições claras. Daí, a preocupação é com um conjunto de informações técnicas que assegurem uma manifestação objetiva sobre as intenções do pré-candidato. Ele quer ser mais claro em áreas como urbanismo, mobilidade, saúde, educação, cultura, emprego e segurança.

Vale observar que o emedebista já teve esse tipo de preocupação na eleição passada, quando disputou o governo do Estado pelo Solidariedade. À época, chegou a alinhar conhecimento sobre a economia do Estado e temas como educação, saúde e segurança. Mas a própria campanha dificultou essa tarefa: teve que cair em campo para pedir votos e deixou os estudos em segundo plano. Agora tenta fazer esse preparo com bem antecedência, quando ainda divide o tempo com reuniões mais espaçadas.

Com isso, Dr. Pessoa quer mostrar que não tem só coração: tem cabeça e planos.
 

James Guerra disputa vaga pelo MDB

O delegado James Guerra voltará a disputar uma vaga de vereador em Teresina. E o fará, novamente, pelo MDB. A observação é pertinente porque chegou-se a noticiar que iria para o PSB. Mas vai mesmo de MDB, por dois motivos: a proximidade do presidente da Assembleia, Themístocles Filho; e a possibilidade maior de se eleger em um partido que se reforçou com uam chapa ampla e que projeta colocar na Câmara três ou quatro vereadores.

James disputou uma vaga na Câmara, em 2016, no calor do trabalho que desenvolveu como Delegado Geral. Foi bem lembrado pelo eleitor: teve 4.796 votos, ficando como terceiro do partido. Mas a coligação não ajudou, tanto que ficou fora mesmo com votação superior a 17 eleitos. Agora, sem coligação proporcional, calcula que pode ter mais chances. O MDB terá em sua chapa proporcional um dos possíveis campeões de voto – o presidente da Câmara, Jeová Alencar.

Agora, James briga dentro de casa. E avalia-se que tem mais possibilidades.

Charles rompe os bastidores para viabilizar candidatura

Na indefinição de Firmino Filho sobre o candidato do grupo situacionista à prefeitura de Teresina, os nomes que são vistos como opção para a disputa se movimentam. Cada um à sua maneira. Mas nenhum vem se movimentando tanto quanto o presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), professor Charles Silveira (PSDB). E não parece ser um gesto qualquer: ele tem ampliado o leque de interlocutores e pode ter muito a ver com um fator que promete ser decisivo na escolha do candidato: a capacidade de somar novos apoios em um possível (ou até provável) segundo turno.

A leitura dominante é que o candidato apoiado por Firmino Filho e a estrutura da prefeitura tem um lugar praticamente certo no segundo turno. Resta saber quem será o adversário – e muitos no entorno do Palácio da Cidade apostam que esse adversário pode ser o deputado Fábio Abreu (PL). Isso explica a visibilidade dada ao encontro entre o professor Charles e o presidente da Câmara, Jeová Alencar: Charles já trabalha para ter, na eventualidade de um segundo turno sem Dr. Pessoa, o grupo que hoje dá suporte ao pré-candidato do MDB.

O detalhe é que o encontro com Jeová foi o mais badalado, mas não foi o único – até porque não se pode descartar a possibilidade de ter que enfrentar Dr. Pessoa no segundo turno. Charles vem se movimentando dentro e fora da base. Dentro, para superar pequenas arestas sobretudo junto aos vereadores. Fora, vai abrindo portas para a possibilidade de apoio em um segundo turno de lideranças das mais diversas siglas. O encontro com Jeová foi uma porta escancarada: evidencia o trânsito de Charles e do presidente da Câmara.

E deixa claro que ambos terão lugar importante no decisivo segundo turno.
 

Mesmo se não for candidato, Charles será crucial

O presidente da Câmara, Jeová Alencar, segue como destacado mobilizador em favor de Dr. Pessoa, pré-candidato do MDB. Tem convicção de que o ex-deputado irá para o segundo turno. Mas política não se faz de certezas. Daí, também aceita o jogo de abrir portas para o futuro. O encontro de Charles, na semana que passou, foi só um entre vários com o próprio presidente da FMS.

O professor Charles também sabe que certeza não é usual na política. Daí, tenta se credenciar como candidato, sim. Mas se movimenta com a convicção de que joga para o time: na campanha, será crucial, sendo ou não o escolhido para encabeçar a chapa do PSDB. Charles cria laços que poderão ser decisivos para o desfecho do resultado eleitoral de outubro, especialmente nas alianças de segundo turno.

Assim, sendo candidato ou não, o presidente da FMS terá um papel crucial para o tucanato.

Ciro quer fim dos carros movidos a gasolina. Projeto passa na CCJ

Sem alarde, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, na quarta-feira, um Projeto de Lei do senador Ciro Nogueira (PP-PI) que pode mudar radicalmente o cenário das cidades brasileiras. E, de quebra, alterar completamente as diretrizes energéticas do país. O PL de Ciro determina o fim da fabricação de carros movidos a combustíveis fósseis, como gasolina e diesel. Se realmente aprovado, a proibição da fabricação de novos veículos movidos a combustíveis fósseis entrará em vigor em 2030 – e em 2040 os veículos com essa matriz energética deixariam de circular.

Muitos países já aprovaram medidas nesse sentido, estabelecendo prazos até mais curtos que os propostos por Ciro Nogueira. Mas o que chama atenção é que o projeto não bate com as diretrizes energéticas do país: o Brasil é um dos mais atrasados na substituição da matriz energética no setor automobilístico. Para efeito de comparação, a instalação dos primeiros pontos de abastecimento de veículos elétricos nas estradas brasileiras ocorreu em dezembro passado. Antes disso, a Alemanha tinha anunciado a meta de ter, até 2030, nada menos que 1 milhão de pontos de abastecimento para os carros elétricos. Uma enorme diferença.

O Projeto de Lei define três exceções: veículos de coleção, veículos oficiais e diplomáticos ou carros de visitantes estrangeiros. Se a proposta de Ciro for aprovada, vai obrigar o Brasil a andar mais rápido nesse campo que recebe os olhos do planeta. O senador tem uma explicação fácil para a defesa de sua proposta: o mundo inteiro está discutindo essa transformação.

“O Brasil não pode ficar à margem”, destaca.
 

Carros respondem por um sexto das emissões

Na contramão do planeta (ou pelo menos da parte desenvolvida do planeta), o Brasil dos últimos anos investiu e incentivou combustíveis fósseis. Chegou a dar incentivos até mesmo para empresas estrangeiras que chegaram para explorar campos de petróleo. Os países mais avançados estão fazendo o contrário: impondo pesadas taxas aos que investem nos combustíveis fósseis, em grande medida responsáveis pela poluição e dramas como o efeito estufa.

Não sem motivo: os automóveis representam um sexto das emissões mundiais de dióxido de carbono, o responsável pelo efeito estufa. "O problema é que, em todo o mundo, 95% da energia utilizada pelos veículos vêm da queima de combustíveis fósseis", ressalta Ciro Nogueira. A aprovação do projeto do senador piauiense, se aprovado, vai produzir uma inflexão na política energética brasileira.

Brasileiros pagam R$ 29 bi só para ter conta em banco

Os brasileiros pagam caro apenas para manter uma conta corrente nos bancos tradicionais. Segundo dados do Valor Invest, no ano passado essa conta chegou a R$ 29 bilhões (para efeito comparativo, corresponde a algo como dois terços do PIB do Piauí) somente nas tarifas ordinárias que dão direito a um pacote de serviços padronizados. São serviços que, em muitos casos, o dono da conta nem deseja – por exemplo, quando mantém uma conta-salário – mas que a instituição bancária empurra goela (ou melhor, bolso) abaixo.

Essa conta do Valor cobre somente os cinco grandes bancos com atuação no Brasil: Banco do Brasil, Itaú, Brasdesco, Caixa e Santander. Não aparecem aí bancos que focam em segmentos mais restritos, como Safra. E a conta se mostra excessiva exatamente quando cresce a presença dos chamados bancos digitais, com tarifas bastante reduzidas ou mesmo sem tarifas.

O pacote de serviços essenciais que geram essas taxas é limitado, mas dá direito aos seguintes benefícios:
• receber um cartão de débito;
• até quatro saques por mês;
• duas transferências entre contas de um mesmo banco;
• acesso a conta e consultas de saldo pela internet;
• dois extratos impressos por mês em caixa automático ou guichê;
• compensação de cheques;
• discriminação de tarifas pagas no decorrer do ano;
• até dez folhas de cheque por mês.

A grana é representativa para os bancos: os R$ 29 bilhões correspondem a cerca de 10% das receitas totais dos cinco grandes do setor financeiro, segundo informações dos balanços dos próprios bancos. O detalhe é que muitos correntistas sequer se dão conta da cobrança, “perdida” em meio a diversas informações do extrato.

Cheio de dúvidas, Firmino ainda matuta entre 4 nomes

O prefeito Firmino Filho terá uma tarefa especial durante o carnaval: fazer avaliações finais que podem ajudar na definição do candidato que o grupo hoje à frente da prefeitura vai apresentar nas eleições deste ano. O prefeito vai ter em mãos uma nova leva de dados, indicadores definidos em pesquisas qualitativas. Mas a reflexão final deve se fixar mesmo em quatro nomes: Sílvio Mendes, Charles Silveira, Kleber Montezuma e Luciano Nunes.

O nome preferido de Firmino, assim como o de Ciro Nogueira, era o do ex-secretário Washington Bonfim. Mas o próprio Washington se encarregou de se afastar da lista, ao ir para São Paulo e esquecer as discussões do grupo. Na passagem do ano, estimulado pelo próprio prefeito, o ex-secretário ainda tentou voltar à corrida pela indicação. Mas já era tarde: perdeu o quase completo apoio do grupo e a preferência de Firmino e Ciro  não bastavam.

Outro nome que parece fora da lista é o do secretário de Governo, Fernando Said, com restrições de Sílvio Mendes – que já havia vetado o próprio Washington. Já Marco Antônio Ayres parece ter sido colocado na lista como um mero afago a Sílvio, a quem é estreitamente ligado. Assim posto, as reflexões de Firmino se centram nos quatro nomes.

Será um longo carnaval para o prefeito, que vê seu tempo de reflexão se esgotando.
 

Veja os prós e contras de cada nome

Sílvio Mendes: Tem imagem de bom gestor e conta com uma enorme torcida dentro do grupo e até mesmo fora dos aliados do palácio da Cidade. Mas tem dois senões. O primeiro, a ideia de que é repeteco atrás de repeteco: Firmino (96, 2000), Sílvio (2004 e 2008), Firmino (2012 e 2016) e outra vez Sílvio. Mas o que parece pesar contra, mesmo, é a relação entre prefeito e ex-prefeito, que não é de encher os olhos, muito menos o coração.
Charles Silveira: depois de Sílvio é quem mais tem torcida, no secretariado e entre vereadores. É visto como bom gestor e com capacidade de articulação capaz de somar em um crucial 2º turno. Na lista dos pontos negativos tem o sobrenome Silveira (esse é, para Firmino, o principal problema) e um temperamento nem sempre domável.
Kleber Montezuma: O principal ponto a favor é a imagem de bom gestor e o fato de estar associado à educação, destaque no discurso da atual gestão. Contra, pesa a imagem pessoal dura, de pouco trato (sobretudo com vereadores) e a inexistência de torcida: não há um time do Kleber brigando por ele.
Luciano Nunes: Corre por fora como uma alternativa para um impasse sem fim. É visto como uma espécie de média dos critérios avaliados: não é o melhor nem o pior em nenhum dos parâmetros. Se aparecer no anúncio de Firmino, será o azarão da corrida pela indicação.

Piauí pode perder R$ 700 milhões sem renovação do Fundeb

Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O Congresso Nacional vai definir ainda este ano o futuro do Fundeb, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica. O Fundo é a principal fonte de financiamento da educação no Brasil e tem prazo de validade: deixa de existir em 31 de dezembro. Se acabar sem um mecanismo que o substitua, a perda é grande: o estado do Piauí deixaria de receber, só em recurso complementar, cerca de R$ 700 milhões, valor aproximado recebido pelo estado em 2019.

O Fundeb foi criado (ainda como Fundef) no governo Fernando Henrique, sendo modificado (e ampliado) no governo Lula. Passou por diversas mudanças até o formato atual, aprovado em 2007, com prazo de validade: duraria 14 anos – ou seja, acaba em 31 de dezembro deste ano. O Fundeb é composto por 20% das receitas constitucionais dos três níveis administrativos (União, estados e municípios) e envolve recursos, entre outros, do IR, ICMS, IPVA e FPM.

A distribuição dos recursos desse bolo todo é feita entre os 26 estados, o DF e os quase 5.600 municípios, de acordo com o número de alunos da Educação Básica (Educação Infantil, Fundamental e Médio), conforme o Censo Escolar do ano anterior. Nos estados mais pobres, o gasto médio por aluno precisa de complemento. É onde o Fundo se torna fundamental como financiador. O Piauí é um bom exemplo: em 2019, o repasse normal contabilizou R$ 2,24 bilhões e o complemento somou R$ 695 milhões. Esse dinheiro pode evaporar, caso não seja criado um outro mecanismo de financiamento.

O tema está em discussão no Congresso e os estados que carecem de complemento – como o Piauí – não podem dormir no ponto.
 

Norte e Nordeste precisam do Fundo

A discussão sobre a renovação do Fundeb é de especial interesse do Norte e Nordeste. No ano passado, nove unidades precisaram de complemento, todos nas duas regiões: no Nordeste, os estados do Piauí, Maranhão, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia; no Norte, os estados do Pará e Amazonas. Isso quer dizer que o Fundeb funciona como um importante instrumento de compensação e de redução de desigualdades.

Mas essa realidade também quer dizer outra coisa: a discussão pode não empolgar as demais unidades, que não dependem tanto do fundo como essas nove que recebem recursos complementares. O problema é que o debate sobre a renovação do Fundeb está um tanto morno no Congresso. Diversas emendas constitucionais tratam do tema, quase todas tornando o Fundo permanente. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, quer chegar a uma proposta comum e levar para votação em plenário ainda este semestre.

O Senado faria a sua parte no segundo semestre, para não deixar a educação sem cobertura em 2021.

Elmano diz que fica em lado oposto ao de Wellington Dias

Nos últimos dias, surgiram informações de que o senador Elmano Ferrer (PODE) poderia mudar de partido. O próprio senador se apressou em dizer que “é tudo fofoca”. Elmano afirmou que não está "nem sonhando" em mudar de sigla. Ele deixa bem claro que também não pretende mudar de lado com vistas às eleições municipais de outubro, na disputa pela prefeitura de Teresina: estará no lado oposto ao de Wellington Dias.

Esse “lado oposto” a Wellington significa estar ao lado de Firmino Filho. Na avaliação do senador do Podemos, não se pode brincar com a gestão de uma cidade, ainda mais de uma cidade como Teresina. Com isso, Elmano Ferrer quer dizer que não vai embarcar em candidaturas que não implicam em um conhecimento adequado da cidade e com capacidade de gestão.

No entendimento do senador, não tem sentido apoiar candidaturas só por um projeto de poder. Daí, ele aposta na candidatura que represente o grupo que atualmente está à frente da prefeitura, que por sua vez traduz esse compromisso com a cidade que Elmano cobra.

“Fui prefeito e sei os desafios da gestão. Não pode ser qualquer um”, diz o senador.
 

Sílvio é o preferido de Elmano

No meio da discussão sobre o candidato a ser anunciado por Firmino Filho, o senador Elmano Ferrer tem uma preferência: o nome que recebe seu aplauso mais entusiasmado é o do ex-prefeito Sílvio Mendes. Vale lembrar, Elmano foi eleito vice-prefeito de Teresina por duas vezes, compondo chapa precisamente com Sílvio Mendes.

O senador avalia que Sílvio tem um amplo conhecimento da realidade da capital piauiense e uma comprovada experiência na gestão. Mas acredita que todas as alternativas que são citadas dentro do grupo – incluindo nomes como Charles Silveira, Kleber Montezuma e Luciano Nunes – estão preparadas para o desafio de bem administrar a cidade.

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