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Crise do combustível: a falta de líder com a falta de liderança


Movimento dos caminhoneiros: muitas vozes e poucos líderes no movimento que fez um acordo para logo ser descumprido

 

A crise resultante do movimento dos caminhoneiros traz uma série de elementos que traduzem a realidade política e econômica do país, com sinais muito preocupantes. O mais grave é que a crise da oferta de combustível mostra um país sem liderança engolfado por um movimento sem líder.

Os protestos dos caminhoneiros são mais que justificados: com combustível subindo a cada dia, os caminhoneiros veem seus ganhos despencarem – isso quando conseguem fretes, já que a crise econômica reduz a oferta. Essa situação levou ao protesto, que teve pela frente um governo apático e pouco atuante.

Quando o movimento ganhou amplitude e apoio popular, o governo resolveu sentar à mesa e negociar. Negociou mal. Muito mal. Primeiro, não impôs condições – regra básica em qualquer negociação. Depois, aceitou reivindicações que nada tinham a ver com os caminhoneiros autônomos e tudo a ver com as empresas transportadoras. O resultado foi um acordo (no qual o governo deu praticamente tudo e mais um pouco) que não foi cumprido.

O acordo generoso e o seu não cumprimento mostram as duas faces da mesma moeda. Mostra um governo sem liderança e um movimento sem líder.

O governo se revelou tíbio, sem capacidade de dizer o óbvio, tipo “encerrem a movimentação e negociamos”. Não. Negociou de peito aberto, cedeu, entregou as calças e aí então assinou um acordo descumprido minutos depois. O descumprimento, por sua vez, revelou um movimento com vozes demais e líderes de menos. E interesses diversos.

Eram tantos líderes que ninguém se firmava como líder de fato.

O movimento quase autônomo reforçou a características dos novos tempos, em termos de manifestações: mais importante que ter um sindicato e uma categoria a representar é ter um celular de onde disparar mensagens e mobilizar greves e coisas do tipo.

Grave é que o governo não sabia disso. Não sabia nas múltiplas vozes do movimento. Não sabia sequer do envolvimento dos empresários na greve, caracterizando um locaute. A imprensa já falava disso na quinta-feira. Mas o ministro Carlos Marum afirmou que a inteligência do governo só despertou para isso na sexta-feira pela manhã.

Que inteligência!

O episódio também relembra que o governo Temer é bom de negociar com o Congresso. E péssimo na interlocução com quem quer que seja fora da Praça dos Três Poderes.

Piauí tem 2º maior imposto estadual sobre gasolina

O ICMS, imposto cobrado pelos governos estaduais, tem no Piauí o segundo maior impacto do país na composição do preço da gasolina. O dado faz parte de levantamento realizado pela Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) referente a esta segunda quinzena do mês de maio. Segundo o levantamento, somente no estado do Rio de Janeiro o motorista desembolsa mais em ICMS que no Piauí.

O levantamento da Fecombustíveis leva em conta o preço médio para o preço do combustível e a composição de preço. O relatório da Confederação, disponível do site da entidade, faz um diagnóstico para cada tipo de combustível. Quando é avaliado o preço da gasolina, o Piauí fica como o segundo maior cobrado de imposto. No caso do diesel S500, o Piauí segue na primeira metade mais cara, embora desça para a 13ª posição. A situação só fica mais palatável no caso do etanol, em 22º lugar.

Esses valores se referem aos preços cobrados na bomba e mostram o peso do imposto estadual na composição dos preços dos combustíveis. Em média, a gasolina que é vendida no Piauí tem mais de R$ 2,00 em impostos. Nessa mordida do leão, a dentada do estado é maior que a do governo federal: o que é recolhido como tributo estadual (ICMS) é mais do dobro da soma dos tributos federais.

Conforme o levantamento da Fecombustíveis nesta quinzena no Estado do Piauí, o ICMS representa R$ 1,364 de cada litro que o condutor piauiense coloca no tanque, enquanto o valor que corresponde aos impostos federais (CIDE mais PIS/COFINS) é de R$ 0,652. Vale observar que parte da CIDE também é destinada aos estados, o que aumentaria ainda mais a mordida do leãozinho estadual.

A relação disparatada entre o que cobra cada ente é repetida na venda do etanol. Nesse caso, a soma de tributos chegou nesta quinzena a R$ 0,921, segundo os dados disponibilizados pela Fecombustíveis. Desse valor, os tributos federais somam R$ 0,242. Já o ICMS, que vai para os cofres estaduais, é quase três vezes maior: em média R$ 0,679.

A diferença só não é tão despropositada no caso do diesel S500 – um tipo de diesel comercializado nos postos –, cuja variação não chega a 50%. O imposto global cobrado na venda do diesel soma no Piauí R$ 1,075, valor acima do verificado na venda do etanol. Mas nesse caso o impacto do tributo federal é de R$ 0,460, contra os R$ 0,615 recolhidos pelo Estado na forma de ICMS.

PiAUÍ Tributos Federais 
(CIDE + PIS/COFINS)
Tributo Estadual 
(ICMS)
Todos tributos
CIDE + PIS/COFINS + ICMS
Gasolina      0,652 1,364 2,016
Etanol 0,242 0,679 0,921
Diesel S500 0,460 0,615 1,075

 

Parente defende redução dos impostos

 Ao anunciar ontem o corte de 10% do preço do diesel comercializado na refinaria, o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, repisou uma ideia: uma saída para a redução dos preços dos combustíveis é diminuir o tamanho do bolo tributário. Não precisa ser nenhum matemático para entender a proposta de Parente, relembrando que pagamos impostos demais.

Há variação no tamanho do impacto tributário, de acordo com o que cada estado cobra de ICMS. Mas a média nacional é de 43% em tributos – podendo chegar a perto de 50%, em alguns casos.

No caso da gasolina, a alíquota de ICMS varia de 25 a 34%. O Piauí tem uma alíquota de 29%. Na venda do diesel, as alíquotas estaduais vão de 12 a 25%, variação que vai de 12 a 30%, no caso do etanol.

O corte de impostos geraria um impacto direto e significativo no custo do combustível. Mas se os estados estão reclamando até do corte da CIDE, imagine de outro tipo de corte. Porque a CIDE, que corresponde a apenas 5 centavos por litro do diesel, é bem menos que os 61 centavos que o governo do Piauí recebe por cada litro desse combustível.  

Firmino diz que vai ajudar Luciano com experiência


Firmino Filho: encontro fraterno com Luciano Nunes e promessa de ajudar candidato tucano com a experiência

 

O prefeito Firmino Filho e o deputado Luciano Nunes tiveram um encontro, ontem, que pode determinar uma relação bem mais distendida entre as duas lideranças tucanas. Firmino não dá uma importância transcendental à reunião, que qualifica como “uma conversa fraterna entre bons companheiros”.

No entorno da campanha de Luciano Nunes ao governo do estado, a conversa foi vista como muito mais que um encontro fraterno. A reunião é tomada como um passo mais e firme e mais inequívoco do prefeito de Teresina no sentido de ter maior presença na campanha.

Indagado pela coluna como poderia contribuir mais diretamente com a campanha do deputado Luciano Nunes, Firmino foi econômico e direto na resposta: “Com experiência”, disse. Não deixou claro que tipo de experiência, já que tem tanto a experiência da gestão como da política.

Vale lembrar, Firmino carrega nas costas sete candidaturas: quatro para a prefeitura de Teresina, uma para o governo do estado, uma para a Câmara Municipal e outra para a Assembleia Legislativa. Nessas campanhas, desdobrou-se em articulações políticas e em caminhadas intermináveis pelas ruas, especialmente em Teresina (onde realizou cinco de suas campanhas).

Mas Firmino também tem a experiência da gestão, da formulação de políticas públicas. No meio político, é visto como alguém com boa visão técnica. Dessa forma, poderia dar indicações importantes para o programa de governo.

Mas o que Luciano certamente está buscando com mais urgência nesse momento é contribuição política. E esta Firmino também pode dar – pela experiência e pela liderança que carrega.

15 anos depois, Grande Teresina ainda não saiu do papel


Ponte Metálica: um símbolo da união entre Teresina e Timon que o projeto da Grande Teresina não consegue repetir

 

O nome é pomposo: Região Integrada de Desenvolvimento Econômico (RIDE) da Grande Teresina. Reúne 15 municípios e uma população superior a 1,2 milhão de pessoas. Quando surgiu, procurava ser um atalho para os investimentos federais, especialmente nas áreas de infraestrutura e desenvolvimento econômico. Porém, mas de 15 anos depois, a RIDE da Grande Teresina não saiu do papel.

A Grande Teresina foi resultado de um projeto de lei do então senador Hugo Napoleão. Em 2001 o projeto foi aprovado e transformado em Lei. Em setembro de 2002, foi assinado o decreto presidencial regulamentando a RIDE que reúne 14 municípios piauienses e mais Timon, no Maranhão. A partir daí, teoricamente, estava em condições de funcionar. Mas, de fato, nunca saiu do papel.

Quando foi criada, eram 13 cidades piauienses (Altos, Beneditinos, Coivaras, Curralinhos, Demerval lobão, José de Freitas, Lagoa Alegre, Lagoa do Piauí, Miguel Leão, Monsenhor Gil, Pau D'Arco do Piauí, Teresina e União) e mais Timon. Em 2009, ganharia um novo membro: Nazária, desmembrada de Teresina. Ao surgir, a Grande Teresina gerava muitas esperanças em um estado tão carente de recursos federais.

Na época – como agora – Teresina e seu entorno pediam uma série de ações que assegurassem novos horizontes para o desenvolvimento econômico e social da região. As carências de antes persistem, acrescidas de novas demandas.

Dois problemas explicam essa situação. Um deles é o Conselho Diretor da Grande Teresina, sob controle do Ministério da Integração Nacional. Mas, agora, o ministério tem um piauiense à frente. Outro piauiense, Avelino Neiva, comanda o outro órgão federal com lugar de destaque no Conselho, a Codevasf. Completam o Conselho representantes dos governos do Maranhão e Piauí e dos prefeitos da região.

Mas o problema maior é a falta de empenho dos interessados. Não há sequer discussão dos prefeitos da região sobre o tema. Dessa forma, a ideia de transformar a Grande Teresina em um atalho para os recursos federais não se concretiza porque ninguém se dispõe a abrir esse caminho.
 

Obras fundamentais na lista de espera

Se os integrantes da Grande Teresina desejarem, não vai faltar alternativa para investimentos federais na capital piauiense e seu entorno. A lista é grande e, de certa forma, antiga. Confira algumas:

Duplicação das BRs: é obra tipicamente federal, mas está sendo bancada pelo estado... a conta gota.
Aeroporto: a demanda vem de 2011, quando o governo do Estado discutiu a possibilidade de um novo aeroporto em Teresina. O governo federal não fala do assunto.
Polo industrial: Teresina não tem uma área que possa acomodar indústrias de grande porte. Falta o elementar: um distrito industrial robusto.
Suprimento de energia: outro entrave para atração de investimentos é a precariedade no suprimento de energia.
Polo digital: também discutido pelo Estado junto com as universidades, poderia dar um novo rumo à economia local.
Ampliação do Metrô: a ideia de levar o metrô para a Zona Sul de Teresina está como a Grande Teresina: não sai do papel.
Sistema metropolitano de transporte ferroviário: Mais estacionado ainda está o projeto de transporte ferroviário metropolitano, para Altos, Campo Maior (no Piauí), Timon e Caxias (no Maranhão).
Mobilidade urbana: há carências na mobilidade urbana em Teresina e outras cidades da RIDE.
Outras obras: outras demandas importantes são as obras de alcance social. Uma delas é a Nova Maternidade.

Câmara pode liberar criação de 400 municípios. Faz sentido?


Cidades do interior: administradas com base apenas no FPM, poucos horizontes de crescimento

 

Entra de vez, hoje, na pauta da Câmara dos Deputados o projeto que autoriza a criação de novos municípios no Brasil. A avaliação é que, se for realmente aprovado, o projeto deve facilitar a criação de mais 400 novos municípios. A grande questão que está posta é: faz sentido a criação de novos municípios quando a maior parte dos gestores municipais não passam de administradores de folha de pessoal?

Os que defendem a criação de novos municípios chamam a atenção para a onda de novos municípios na primeira metade dos anos 1990, com um grande salto na quantidade de municipalidades. No Piauí, em 1980 eram apenas 114 municípios. Uma década depois, eram 118. Mas os anos 1990 realmente foram pródigos e chegamos ao ano 2000 com 221 municípios. Hoje são 224.

Os que advogam a criação usam um argumento irrefutável: nenhum dos povoados que se transformaram em municípios está em situação pior do que antes. A mais absoluta verdade. Mas há uma outra verdade que incomoda: não há nessa leva de mais de 100 novos municípios piauiense um número realmente significativo que esteja substancialmente melhor. Talvez se conte em uma mão, se tanto.

A grande maioria vive do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), o que significa dizer que o bolo dos municípios foi redividido. Pior: a lógica de criação de novos municípios se prende tão somente à lógica de ter uma fatia (minúscula que seja) do FPM, que mal cobre os gastos com pessoal.

Dados do TCE são reveladores: em fevereiro desde ano, 140 dos 224 municípios piauienses foram notificados por descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. Todos eles gastaram mais do que o devido com os salários dos servidores – alguns, destinaram mais de 70% das receitas para a folha. Isso reforça o entendimento de que as prefeituras são quase que só gestoras de folha de pessoal. Na maior parte dos municípios, a prefeitura é toda a atividade econômica do local.
 

Sem discutir o pacto federativo

O projeto que autoriza a criação de novos municípios ganhou caráter de urgência. E por isso entra na pauta das votações plenárias a partir de hoje. É um tema importante, inclusive porque pode criar a oportunidade para o Congresso discutir o que de fato talvez seja urgente para os municípios e os estados: a redefinição do pacto federativo.

Como está hoje, a federação é capenga. Pende muito para a União e muito pouco para os municípios. A União fica com mais da metade dos tributos. Os municípios, com menos de 20%¨.

Some-se a isso gestores que não estão muito preocupados em criar estratégias de desenvolvimento consistente para os municípios. A grande estratégia é política (e eleitoral), a mesma que faz que os congressistas votem agora a criação de novos municípios. Serão 400 novos prefeitos. E 400 novos pedaços de FPM.

Olhando assim, fica a pergunta: faz sentido?

‘Cirinho paz e amor’. Dá para acreditar?


Ciro Gomes, na sabatina SBT-UOL-Folha: afagos à direita e à esquerda, apostando em apoios rumo ao Palácio do Planalto

 

O pré-candidato do PDT à presidência da República, Ciro Gomes, conseguiu um feito e tanto, na sabatina de ontem realizada pelo SBT, UOL e Folha de S. Paulo. Diante de uma trinca de afinados jornalistas, Ciro conseguiu ser um tanto diferente do que costuma ser. Mas não deixou de ser Ciro. E, pasme! O candidato do PDT conseguiu apresentar uma versão meio “Cirinho paz e amor” – com partes críveis e outras nem tanto.

O diferente no Ciro de ontem foi uma postura mais aberta ao diálogo e ao entendimento “no atacado” com forças politicas divergentes. Havia algo de distinto no conteúdo – menos intransigente –, muito focado em abrir janelas ao invés de fechar portas. O Ciro de sempre estava no estilo: usou palavras fortes, recorreu ao linguajar popular (sobretudo nordestino), mostrou a rapidez de raciocínio e um conhecimento importante da realidade nacional.

Na sabatina, o pedetista escolheu seus diabos, aqueles com os quais não quer se atracar: Temer, o MDB e Jair Bolsonaro. Ao escolher os demônios que deseja expurgar, não revela muito o que pretende fazer; mas diz o que não deseja ser. Ao atacar Bolsonaro – um "candidato a ditador", segundo Ciro –, reafirmou uma imagem de democrata e fincou o pé na centro-esquerda, apesar dos acenos que fez à centro-direita. Ao bombardear Temer e o MDB, tentou se apropriar da ideia de mudança, de novo, apesar dos 60 anos e de estar na terceira candidatura ao Planalto.

Ciro fez afago em meio mundo. Criticou o PSDB, mas admitiu que pode negociar com o partido em nome da governabilidade. E fez um aceno mais claro ainda para o mercado, para o grande empresariado. Ao ser perguntado pelo vice de sua chapa, disse que esse tema está nas mãos da direção do partido. Mas deixou claro que gostaria que fosse um homem ou mulher do Sudeste ligado à produção. Ou seja, alguém ligado ao empresariado.

Essa revelação é um esforço para reafirmar a proximidade com os investidores, eliminando as dúvidas que às vezes os discursos do próprio Ciro fazem surgir. É uma espécie de “Carta aos Brasileiros” oral. Para lembrar: a Carta aos Brasileiros foi um texto divulgado pela campanha de Lula, em 2002, exatamente para acalmar os grandes investidores.

Em 2002, Lula tinha o aval do industrial mineiro José Alencar, vice do petista. Agora Ciro pode dar o lugar de vice a Josué Alencar (PR-MG), folho de José e que se ajusta perfeitamente ao perfil de “homem ou mulher do Sudeste ligado à produção”. Também cabe nesse perfil o megainvestidor Benjamim Steinbruch, filiado ao PP, um dos partidos que busca se aproximar de Ciro.

Na sabatina do SBT, UOL e Folha, Ciro quase se portou no estilo “Cirinho paz e amor”. Seria outra repetição da campanha de Lula em 2002. As janelas abertas à direita e à esquerda, com afagos distribuídos a personagens dos dois lados, mostra esse Ciro serenado, maleável e mais suave. Mas Ciro é Ciro. E em muitos momentos ele mostrou a índole, o jeito de sempre.

Fica a sensação de que poderemos ter na campanha um Ciro com o conteúdo consistente e alguns gestos mais contidos. Mas é bom não cutucar a onça com a vara curta. Se isso acontecer, não será surpresa se o "Cirinho paz e amor" sair de cena e voltar ao palco a metralhadora giratória de sempre.

Clínicas e Hospitais podem parar atendimento do Plamta


Deputado Gustavo Neiva: esperando relatório do TCE sobre a situação financeira do Estado do Piauí

 

Hospitais e clínicas privadas podem paralisar o atendimento dos segurados do Plamta, o plano de saúde dos servidores estaduais. O Plamta é mantido pelo IASPI, o novo nome do velho IAPEP. Mas os prestadores de serviço não andam nada satisfeito com o Instituto: segundo representantes das unidades de saúde, o IASPI não paga hospitais e clínicas desde dezembro.

Os prestadores de serviço pressionam. Na quinta e sexta-feira, boa parte dos deputados governistas e também alguns da oposição receberam uma mensagem que mostra o tamanho do problema e dá início a uma mobilização que pode levar à paralisação do atendimento. O deputado Gustavo Neiva (PSB) foi um dos parlamentares alcançados pelo texto.

Diz a mensagem, enviada por diretor de um dos grandes hospitais da cidade:

“E o Plamta? Vai pagar os hospitais ou não? Desde dezembro do ano passado nada mais foi pago. Até quando essa absoluta falta de compromisso e seriedade vai continuar?”

Mensagem semelhante está sendo enviada a assessores do governo. O próximo passo é a tentativa de um diálogo direto com o governador Wellington Dias, já que não estaria adiantando a cobrança junto ao IASPI.

A possibilidade de paralisação do atendimento está posta por diversos diretores de hospitais e clínicas. A decisão sobre parar ou não (e, se houver a paralisação, quando) vai depender do diálogo com o governo do Estado. Mas pode ser já nas próximas semanas.
 

O problema é maior, diz deputado

O deputado Gustavo Neiva afirma que esse atraso é mais um indicativo do desequilíbrio financeiro do Estado. E diz que o problema é maior, já que o governo estaria deixando de repassar às instituições financeiras o que está sendo arrecadado dos servidores para cobrir os chamados empréstimos consignados.

Gustavo diz que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) está finalizando um relatório técnico sobre a questão dos empréstimos. Ele informa que levantamento preliminar aponta uma conta de quase R$ 200 milhões. Esse dinheiro teria sido recolhido do servidor sem que fosse repassado aos bancos.

Tendência do PT por chapa pura faz surgir a ‘chapinhazona’

Os partidos que fazem parte da base do governo do Estado bem que lutam para a formação de uma chapa única visando a disputa das vagas proporcionais – Câmara e Assembleia. Mas já admitem que a chapa única, conhecida como “chapão”, pode não vingar diante da posição firme do PT, que majoritariamente defende a formação de chapa pura, sem aliança com ninguém. Como os outros partidos não querem ficar a mercê do humor petista, começa a ser esboçada uma aliança que vai acomodar as principais siglas governistas, sem PT e MDB.

A nova aliança já está sendo chamada de “chapinhazona”, nome que é utilizado em contraponto à chamada “chapinha”, articulada pelo deputado Evaldo Gomes, presidente do PTC. No caso da “chapinha”, ela congrega uma meia dúzia de partidos médios e pequenos que teriam poucas chances em uma aliança com grandes siglas. Já a “chapinhazona” vai contar com as grandes siglas que o PT não quer como aliado na disputa por cadeiras na Câmara e na Assembleia.

Há um entendimento preliminar de que essa coligação deve reunir PP, PSD, PTB e PR, com a possibilidade de também somar o PDT. A lista não inclui o MDB, força que conta com uns seis parlamentares com alta performance eleitoral. Em uma aliança, esses nomes tendem a encabeçar a lista dos eleitos – e por isso o MDB não é buscado como coligado preferencial de ninguém.

Essa articulação é uma saída para o caso do PT decidir que não faz mesmo aliança.
 


Júlio Arcoverde: presidente do PP é visto como um dos líderes da articulação por chapa alternativa

‘Chapão’ ainda é primeira alternativa

Apesar da articulação em andamento, não está nada fechado, até porque o desejo dos partidos é ter o “chapão” para a disputa as vagas de deputado federal e deputado estadual. Só mesmo o PT – que deseja chapa pura – e o grupo liderado pelo PTC pensam diferente.

Lideranças do MDB acreditam que “tudo vai se resolver”. Ou seja: na hora H, Wellington Dias doma o PT e leva todos os partidos em chapa única, o chapão. O mesmo entendimento tem lideranças do PP. Mas os progressistas não dão tudo por pronto e acabado. Tanto que o presidente estadual do PP, depútado Júlio Arcoverde, é visto com um dos líderes dessa rodada de conversações que pode levar à “chapinhazona”.

Janaína é tema de conversa de Wellington com ‘Seu João’


Deputada Janaína Marques: tema de conversa entre o governador Wellington Dias e o empresário João Claudino

 

O nome da deputada Janaína Marques (PTB) como alternativa ao impasse sobre o lugar de vice na chapa de Wellington Dias (PT) vinha sendo “plantado” no debate político há algum tempo. Mas sem ressonância significativa. O nome da deputada, no entanto, ganhou maior impacto na semana passada, quando foi citada pelo próprio governador. O nome surgiu no meio de uma entrevista, sem que ninguém perguntasse. Parecia um tanto gratuita, como uma cortina de fumaça para Wellington ganhar tempo até a definição final, lá para 19 ou 20 de julho.

A citação pode não ser tão gratuita assim. E pode ser mais que uma cortina de fumaça.

Há pouco mais de uma semana – portanto, às vésperas da entrevista – Wellington teve um encontro com o empresário João Claudino. Janaína é do PTB, o partido onde está João Vicente Claudino. Mas a ligação mais próxima da deputada não é com o ex-senador, e sim com “Seu João”, o pai. E o nome da parlamentar entrou na conversa do governador com o empresário.

“Seu João” sempre teve alguns nomes mais próximos na política. Nessa lista tiveram especial destaque Juraci Leite, na Assembleia, e Mussa Demes, na Câmara. Depois foi a vez de Hélio Isaias. Agora é Janaína Marques. A indicação da deputada para um lugar na chapa majoritária, antes de agradar o PTB, agradaria “Seu João”.
 

Mundo político não bota fé

Se o nome de Janaína Marques agrada ao maior empresário do Estado, os políticos não botam tanta fé na indicação. Até gostam da deputada, mas acham que ela não representa um lado da chapa. Estaria com apoio de fora da chapa – e por isso não é vista como um nome a ser efetivamente festejado como alternativa.

No PTB já foi citado o nome de José Hamilton, o ex-prefeito de Parnaíba que até o início de abril exercia o mandato de deputado. Mesmo considerando-se que ele é do segundo maior colégio do estado – onde Wellington não foi tão bem –, não é levado em tomado muito a sério, como opção para a vice. O PTB seria mesmo levado em conta se João Vicente cedesse aos acenos governistas e fosse ele mesmo o candidato da sigla.
 

Themístocles continua o favorito

Em meio ao impasse sobre o candidato a vice, há uma sensação de que o governador está cheio de dúvidas. “Está com a cabeça a mil”, disse um deputado governista. “É uma situação complicada”, disse outro. Daí, o sentimento geral é que a escolha está longe de se definir.

Margarete Coelho (PP) segue na luta para continuar como vice. Mas o nome de Themístocles Filho se mantém como o mais cotado. A principal razão dessa aposta é que dificilmente o MDB não ficará fora da chapa. E que só Marcelo Castro poderia fazer frente ao presidente da Assembleia.

O problema é que Marcelo até que é bem visto pelos petistas, mas enfrenta resistência entre os aliados.

PDT, com Ciro Gomes em alta, defende Flávio para vice


Flávio Nogueira, com Cid Gomes: apoio do PDT nacional para compor chapa majoritária

 

Integrante do PDT antes mesmo de Ciro Gomes desembarcar no partido, Flávio Nogueira começa a ganhar fôlego em razão do crescimento do pré-candidato da sigla à presidência da República. Nas últimas semanas, o nome de Ciro ganhou corpo e passou a ser visto como uma alternativa palpável e viável à Presidência. Muitos partidos buscam a aproximação do ex-ministro, de olho em um possível governo pedetista.

Mas não só Ciro colhe os frutos desse crescimento. Também os aliados de Ciro ganham mais atenção – e até crescem em reivindicação. Um deles é Flávio Nogueira, o presidente do PDT no Piauí, e que postula uma vaga na chapa majoritária de Wellington Dias (PT). A reivindicação de Flávio recebeu o apoio da direção nacional do partido, na pessoa de Cid Gomes, ex-governador do Ceará e também irmão do presidenciável.

Cid disse que o PDT deseja contar com candidatos majoritários nos estados como estratégia para fortalecimento do próprio Ciro Gomes. Soou como um pedido tipo “Wellington, leve em conta o nome do Flávio”. É um pedido que tem força. Mas não é fácil: Wellington tem uma série de senões a considerar na hora de compor a chapa majoritária, com poucas vagas para postulantes demais.

A chapa governista tem duas vagas ocupadas – a do governador Wellington e a do senador Ciro Nogueira (PP),  ambos candidatos à reeleição. Sobram duas cadeiras: a segunda vaga de senador e a vice-governadoria. Para a vice há os nome de Themístocles Filho (MDB), Margareth Coelho (PP) e Janaína Marques (PTB) – esta, lembrada pelo próprio governador. E Flávio Nogueira, que tem se apresentado, agora com o aval da direção do PDT nacional. Para o Senado, há Regina Souza (PT), Júlio César (PSD) e a lembrança do nome de Marcelo Castro (MDB), tende mesmo ser candidato à reeleição.

A lembrança de Cid Gomes quanto à postulação de Flávio Nogueira é um reforço. Mas, por enquanto, significa apenas uma dor de cabeça a mais para Wellington, que terá pela frente a escolha de um único vice em meio a tantas opções.
 

Flávio mantém postulação à Câmara

O presidente estadual do PDT, Flávio Nogueira, não perde uma chance de reivindicar uma vaga na chapa majoritária do governo. Mas, mesmo com o aval da direção nacional do partido à reivindicação, o suplente de deputado não esquece da pré-campanha à Câmara Federal. Quer dizer: ele é mesmo candidato a deputado federal; a possibilidade de uma candidatura majoritária é isso: uma possibilidade.

Em 2014, Flávio Nogueira ficou entre os oito mais votados. Mas não se elegeu por questão de coligação. No somatório de votos, ficou à frente de Paes Landim e Fábio Abreu, eleitos pela chapa governista. Agora o pedetista não quer dar bolas para o azar.

E não para a campanha de deputado, nem mesmo para dar asas ao sonho de uma postulação majoritária.

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