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Evandro Hidd entra na lista de ‘prefeituráveis’

Foto Glenda Uchoa / Rádio Cidade Verde

Evandro Hidd, em recente entrevista à Rádio Cidade Verde: na lista de potenciais candidatos à prefeitura de Teresina


O vereador Evandro Hidd, filiado ao PDT e ocupando o comando da SDU Sudeste, está sendo lembrado como uma alternativa para disputar a prefeitura de Teresina no próximo ano. A inclusão de Hidd na lista de “prefeituráveis” tem duas razões de ser. A primeira, a falta de um nome que empolgue dentro do grupo atualmente à frente da prefeitura, liderado pelo prefeito Firmino Filho. A segunda é o desempenho do vereador como Superintende da SDU Sudeste, considerado muito positivo.

Apesar de filiado ao PDT, Evandro Hidd é apontado como um fiel aliado de Firmino, vinculado a um grupo de estreita ligação com o prefeito. Não por acaso foi indicado para uma das mais importantes SDUs da capital, com atuação na área do Grande Dirceu. Hidd aproveitou a oportunidade e está mostrando capacidade administrativa, que desagua na ampliação da força política.

Evandro Hidd é bem integrado ao grupo do qual faz parte outro “prefeiturável”, o presidente da Fundação Municipal de Saúde, Charles Silveira. Na avaliação dos que transitam com mais soltura dentro do Palácio da Cidade, Charles é o preferido de Firmino. Mas o prefeito vai avaliar uma série de alternativas antes de apresentar aquele que considerar o nome mais competitivo para a disputa de 2020.

Caso se mostre viável, Evandro pode mudar de partido, saindo do PDT para uma outra sigla do leque de partidos que formam o poder municipal, hoje. Uma possibilidade é bem óbvia: se filiar no próprio PSDB de Firmino Filho.
 

Pesquisas vão definir a escolha

A escolha do nome do grupo de Firmino para a disputa da prefeitura de Teresina em 2020 vai passar por uma série de pesquisas programada para os próximos meses. A lista é bem ampla. E nada deve ser definido antes de dezembro. As pesquisas, em especial as sondagens qualitativas – que dão indicações mais precisas sobre o perfil de candidato cobrado pelo eleitor –, vão ser um fator determinante. Se prevalecer o que vem sendo identificado em avaliações mais recentes, o fator renovação pode ter peso.

Este é outro fator que pode levar à indicação de Evandro Hidd. Mas se isso é um trunfo, ele também guarda barreiras a serem superadas. Uma delas é a condição de novato na política teresinense, já que está no primeiro mandato. A segunda é necessidade de ampliar o leque de apoios políticos para que não seja um nome tirado do bolso do prefeito, e inteiramente dependente da indicação e do aval de Firmino.

Crise PDT x Tábata evidencia caos do sistema partidário

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Tábata Amaral: ameaçada de expulsão pelo PDT, deputada diz que partido não pode se guiar por dogmas


A votação da reforma da Previdência causou barulho, muito barulho, por conta de 20 deputados que votaram diferente das posições de seus partidos. É possível que as consequências seja somente o barulho. Mas já é suficiente para mostrar o caos e a pouca consistência (ou até mesmo baixa eficácia) dos partidos e do sistema partidário brasileiro. O tema ganhou destaque na imprensa, com argumentos tanto dos que defendiam a posição do partido como daqueles que discreparam de tal posição. Olhando bem, dá para concluir que as duas partes estão certas e erradas – o que já é suficiente para evidenciar o caos.

Os “infiéis” da votação da reforma estão no PSB (11 votaram contra a orientação do partido, incluindo o piauiense Átila Lira), no PDT (foram 8, incluindo Flávio Nogueira) e no PSDB (1 deputado). Ganhou especial destaque o caso de Tábata Amaral, do PDT de São Paulo, que inicialmente foi ameaçada de expulsão. Mesmo o partido tendo mudado de tom, ela reagiu com artigo publicado na Folha de S. Paulo.

“A boa política não pode ser dogmática”, escreveu a deputada. Já a direção do partido diz que não se pode atropelar uma decisão colegiada. Quem está certo? Os dois. E quem está errado? Também ambos.

Os erros e acertos dos partidos
Certo: as decisões colegiadas fazem parte da vida partidária e os estatutos costumam estabelecer punições para os que a descumprirem. As punições previstas são advertência, censura pública, suspensão e até expulsão. É legítimo que as decisões sejam ideológicas e/ou políticas. No caso da Previdência, partidos como o PDT tomaram posição política, para afirmar o lugar de oposição ao governo.
• Errado: agora os partidos se apegam a questões ideológicas, o que contradiz a própria pregação do partido. Por exemplo: na campanha o PDT defendia a reforma e, depois, passou a rejeitá-la por questão política, sem sequer admitir negociar. Além disso, o partido filiou nomes pelo simples poder eleitoral, independente do ideológico. Isso cabe no caso de Tábata, egressa de um grupo de visão liberal, teoricamente conflitante com a ideologia do partido. O PDT conhecia o pensamento de Tábata, mas queria os votos dela.

Os erros e acertos dos deputados
• Certo: os parlamentares dizem que a política não pode ser dogmática. Reclamam que os partidos não têm diretrizes ideológicas claras, que passem do escrito; e que as siglas só se movimentam somente por vias eleitorais. Além disso, na eleição, os parlamentares depende de si para chegar ao mandato. Para completar, cabe lembrar que os partidos buscam filiados não pelo que pensam, mas pelo tanto de votos que arrebanham.  
• Errado: ok, não cabe dogmatismo. Mas cabe sim cobrança ideológica. E é legíto lembrar que, quando alguém assina a ficha de filiação ao partido, não pode char que está assinando um papel que “não vale”.  Vale, sim. As diretrizes (como a cobrança de fidelidade às decisões colegiadas) devem ser observadas. E, depois, cobradas.

A tradução é que os dois lados têm razão e também deixam de ter razão. Daí fica patente que há um jogo de interesse mútuo, bem limitado ao jogo eleitoral. E para o deputado é como se o partido fosse apenas um detalhe na hora da eleição. Depois disso, para que partido?

Tasso é agora a esperança de estados e municípios

Foto Divulgação / Senado Federal

Senador Tasso Jereissati: como relator, empenhado em reincluir estados e municípios no texto da reforma da Previdência

Os governadores e prefeitos ainda não perderam as esperanças de ver estados e municípios como parte da reforma da Previdência. Com o objetivo de mudar o texto aprovado na Câmara dos Deputados, os olhos dos gestores se voltam para o Senado, onde esperam ter mais sucesso que agora, na Câmara, quando registraram um tremendo fiasco. E a esperança maior de governadores e prefeitos tem nome e sobrenome: Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Tasso será o relator da reforma da previdência na Comissão Especial do Senado, que vai se debruçar sobre a matéria a partir de agosto. Espera-se que, por ter sido governador e conhecer mais de perto o problema, Tasso seja mais sensível. Conta ainda a favor o fato da Câmara Alta ter outros ex-governadores em sua composição e, em regra, ser mais maleável.

Tasso já se manifestou e disse ser “extremamente favorável” à inclusão de estados e municípios. Mas alguns cálculos precisam ser feitos, mais de natureza jurídica que política. Aí surgem dois caminhos para que estados e municípios voltem a ser parte da reforma, um modificando o texto da Câmara; outro, criando o que chamam de “PEC paralela”.

A modificação do texto aprovado poderia atrasar a entrada em vigor da reforma. Há quem ache que é possível acrescentar tal mudança e mandar para a Câmara só o que foi mexido, promulgando o que for consensual. Mas há dúvidas jurídicas a respeito – a matéria poderia ser fatiada após votada na Câmara? –, daí existir o segundo caminho: nesse caso, a ideia é votar o texto da Câmara como está e cria-se a tal “PEC paralela”. Na prática seria outra PEC que modificaria o texto recém-acrescido à Constituição.

Seja qual for a saída, os governadores e prefeitos depositam em Tasso Jereissati as esperanças de retorno de estados e municípios à reforma.
 

Tramitação pode demorar só 45 dias

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), quer celeridade na tramitação da reforma da Previdência. No caso da Câmara, foram quase 5 meses de idas e vindas. A intenção de Alcolumbre é que os senadores esgotem a apreciação da matéria em até 45 dias. Um mês e meio. Já com essa intenção, ele criou uma comissão de acompanhamento – com a participação de Tasso Jereissati – para estar perto das andanças do texto na Câmara.

Se prevalecer a vontade de Davi Alcolumbre, a reforma da Previdência seria votada no plenário do Senado em meados de setembro. Os senadores começarão a discutir o texto enviado pela Câmara no início de agosto. O primeiro passo é a Comissão de Constituição e Justiça, seguindo depois para a Comissão Especial. Daí seque para votação em plenário, em dois turnos.

João Vicente é alternativa para PMT

Foto Divulgação / PTB-Piauí

João Vicente Claudino: alternativa do grupo de Firmino Filho na lista possíveis candidatos à Prefeitura de Teresina


O empresário João Vicente Claudino surpreendeu o mundo esportivo ao anunciar que o Fluminense não disputará mais a Série B do campeonato piauiense de futebol. Mas pode entrar em campo em uma outra modalidade: a de candidato. Isso porque o nome de JVC faz, de verdade, parte de uma lista de alternativas do grupo de Firmino Filho (PSDB) para a disputa pela prefeitura de Teresina no próximo ano.

Firmino trabalha com diversas alternativas, dentro e fora do PSDB. A aliança principal é com o PP, e o presidente do Progressista, Ciro Nogueira, também tem lá suas preferências. Mas somente avaliações futuras vão definir quem de verdade será o candidato do Palácio da Cidade à sucessão de Firmino.
 

PT, um adversário mais forte?

Na construção de candidatura própria, o grupo de Firmino avalia os adversários mais fortes. Dr. Pessoa (que vai se filiar ao MDB) é visto como bom de largada e ruim de chegada: teria “teto” que limitaria suas chances. Georgiano Neto (PSD) é visto como alguém que carece de maior musculatura na capital. Já Fábio Abreu teria dificuldades de formar grupo, posto que o PT tende a ter candidatura própria e arrastaria para si boa parte do suporte do secretário de segurança.

Daí, a análise se cenário se detém com mais atenção em Franzé Silva, que tende a ser o candidato petista. Seria o adversário com mais fôlego, ainda que neste momento careça de maior envergadura popular na capital.
 

Os candidatos do ‘firminismo’

Nesse quadro, os aliados do prefeito Firmino Filho aguardam as avaliações das pesquisas qualitativas. Elas vão dizer quem tem maior possibilidade. Até lá, ficam as especulações, com indicação de pontos fortes e fracos de cada candidato.

CHARLES SILVEIRA: É o preferido do grupo. Tem amplo reconhecimento técnico e capacidade de articulação para a governabilidade. Mas ainda carece de resposta popular, um ingrediente importante.
WASHINGTON BONFIM: É o preferido de Ciro Nogueira. Mas já não empolga tanto quanto antes, sobretudo por ser visto como um nome distante, já que mora em São Paulo há quase dois anos.
SILVIO MENDES: Tem alta resposta popular, mas conserva algumas diferenças dentro do PSDB. Está longe de ser o preferido de Firmino, que pode aceitá-lo em razão do fator popularidade e viabilidade eleitoral.
JOÃO VICENTE: foi lembrado por Júlio Arcoverde e vem conversando muito com Firmino. Não é a primeira alternativa, mas é sim uma alternativa real. Será avaliado nas pesquisas.

PDT vai punir Flavio Nogueira e mais 7 deputados

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Flávio Nogueira: deputado vai responder a processo no Conselho de Ética do PDT, mas punição não deve ser expulsão


Talvez não seja a expulsão. Mas certamente haverá punição do PDT aos 8 (de 27) deputados federais do partido que votaram a favor da reforma da previdência, descumprindo uma decisão do Diretório Nacional. Ainda na quarta-feira, o próprio presidente pedetista, Carlos Lupi, e também o vice, Ciro Gomes, defendiam a expulsão pura e simples. Mas o tom das críticas passou a ser mais ameno e a punição pode ser outra.

Além do piauiense Flávio Nogueira, descumpriram a orientação partidária os deputados Alex Santana (BA), Gil Cutrim (MA), Jesus Sérgio (AC), Marlon Santos (RS), Silvia Cristina (RO), Subtenente Gonzaga (MG) e Tábata Amaral (SP). São 8 no total, mais de um quarto da bancada pedetista na Câmara. Carlos Lupi já disse que a Comissão de Ética do PDT vai abrir processo em razão do voto a favor da reforma da Previdência, em desacordo com o partido.

Todos terão amplo direito de defesa, diz o presidente do PDT. Adianta que alguma punição haverá. Mas parece que a expulsão não é a alternativa mais acalentada pela sigla, fazendo o presidente pedetista mudar o discurso. Ainda na quarta-feira, Lupi dizia pelas redes sociais: "Quem quiser o lado dos banqueiros, que vá para o lado de lá", escreveu. No mesmo tom, Ciro Gomes defendeu a expulsão daqueles "que votarem contra o povo nesta reforma elitista".

Agora Lupi baixa o tom. Diz que alguma punição terá. Mas já dá a entender que a expulsão poderia ser uma espécie de prêmio. “Muitos (deputados) desejam ser expulsos. Não podemos ser ingênuos de atender o objetivo de um deputado de votar contra o partido”, disse ao O Globo. E acrescentou: “Não podemos perder o mandato”.

Ou seja: a expulsão pode ser boa para alguns deputados e péssima para o partido.
 

O que PDT perde com a expulsão

A mudança de tom nas declarações do presidente do PDT tem explicação. As ameaças de expulsão dos infiéis, feitas antes da votação, tinham a intenção de constranger o parlamentar propenso a votar contra a orientação do partido. O tom mais ameno, depois, tem o objetivo de não dispersar a boiada, o que deixaria a sigla menos representativa.

O PDT perderia muito com as expulsões. Teria uma bancada menor, o que reduz o poder de fogo – e inclusive de barganha – em votações cruciais. Também poderia tirar outras vantagens. Por exemplo, teria menos tempo de TV para seus candidatos, já que proporcional à bancada. Tem ainda o Fundo Partidário e Fundo Eleitoral, ambos com distribuição conforme proporcionalidade da representação.

Fazendo esses cálculos, não é muito interessante para o partido perder 8 deputados.

Átila e Flávio podem ser punidos por partidos

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Deputado Átila Lira: voto diferente da orientação do partido sobre reforma da Previdência pode levar à saída do PSB


A votação da reforma da previdência no plenário da Câmara dos Deputados, ontem, deve produzir conseqüências para parlamentares que desobedeceram a orientação dos seus partidos. Esses deputados estão em pelo menos três siglas: PDT, PSB e PSDB. E isso diz respeito a dois representante do Piauí na Câmara: os deputados Átila Lira (PSB) e Flávio Nogueira (PDT). Os dois votaram a favor da reforma, ao contrário da orientação partidária.

No caso do PDT, 8 dos 27 deputados com assento na Câmara votaram pela reforma. O nome de referência é o da jovem deputada paulista Tábata Amaral. Mas tem aqui no Piauí o caso de Flávio Nogueira. Já no PSB foram 11 votos pela reforma em uma bancada de 32. Nesse caso há um destaque para o também jovem deputado Felipi Rigoni (ES). No Piauí, está na mesma situação o deputado Átila Lira, que há muito discrepa da orientação política adotada pela direção da sigla.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, lembra que a decisão pelo fechamento de questão contra a reforma teve um único voto contra – precisamente o de Átila. E adverte: “Fechamento de questão tem consequência”. O código do partido é explícito: não seguir as decisões colegiadas pode implicar em advertência, censura pública, suspensão e expulsão. A palavra final é dada em processo conduzido pelo Conselho de Ética.

Átila gostaria de deixar o PSB. E o PSB não conta com o deputado piauiense. Mas o partido não quer dar uma carta de alforria que pode ser uma espécie de prêmio para o parlamentar. Por seu lado, Átila não pode simplesmente mudar de sigla sob pena de ter o mandato questionado. Os desdobramentos da votação, no entanto, abrem para a possibilidade de punição que facilite a mudança.

O mesmo raciocínio vale para Flávio Nogueira. O PDT deve anunciar algum tipo de punição em relação à deputada Tábata. E o que couber à midiática parlamentar também caberá aos outros 7 pedetistas que não seguiram a orientação do partido. Pode implicar na liberação de Flávio para um outro caminho partidário.

Governadores pagaram pra ver. E perderam



A votação da reforma da Previdência mostrou o que se suspeitava: os governadores não conseguem comandar suas bancadas no Congresso. Tanto que a oposição, que deveria ter votos irrigados por esses governadores – em especial os do Nordeste – não conseguiu mais que 131 votos contrário ao texto base da reforma. Isso é menos que toda a bancada da Região na Câmara dos Deputados. O resultado é que os governadores nem conseguiram as reivindicações que apresentaram nas negociações, nem sequer colocaram em risco a aprovação do texto em primeiro turno.

Os governadores do Nordeste levantaram a voz encenando uma força que revelou-se inexistente. Lá no início, assinaram Carta contra a proposta. Em seguida colocaram exigência para o apoio. Não viram essas exigências atendidas e se rebelaram contra o relatório da Comissão Especial. Por fim encenaram um movimento que derrubaria o texto, com votos contrários. Pagaram para ver. E perderam.

A votação de ontem mostrou que o texto que chegou ao plenário da Câmara não sofreu derrota em nenhum dos estados nordestinos. Saiu-se vitoriosa em 8 das 9 bancadas federais do Nordeste; e empatou no Ceará, onde os 22 deputados se dividiram ao meio. No somatório, foram 96 votos a favor e distantes 53 contrários. Exatos 43 votos de diferença. Não é pouca coisa.

No Piauí, votaram a favor os dois filiados ao partido do governador Wellington Dias (PT): Assis Carvalho e a primeira-dama Rejane Dias. No Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) só levou para a oposição à reforma apenas 4 votos, vendo outros 14 a favor. Uma demonstração de que uma velha suspeita é de fato real: os governadores não comandam as bancadas de seus estados no Congresso.

Rodrigo, o ‘pai da matéria’

O locutor esportivo Osmar Santos costumava chamar de “pai da matéria” o jogador que mais se destacava em uma partida; o craque, aquele que tinha momentos geniais e fazia o jogo se decantar para seu lado. Na tramitação da Reforma da Previdência, o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi o pai da matéria. Fez a coisa andar e chegar ao porto que desejava.

Foi elogiado por aliados durante os dois dias de discussão e votação. E no final fez um discurso que foi mais que o de presidente de uma votação importante: foi o do líder que mandou recado para outras instituições, que defendeu o Congresso e pediu conciliação. De quebra, deixa seu nome para outras possibilidades.

Mas aí já é outra coisa.

Reforma Tributária abre hoje nova disputa Congresso x Planalto

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Deputado Baleia Rossi: proposta de reforma tributária chega à Comissão Especial, com o aval de Rodrigo Maia


Está marcada para hoje pela manhã, na Câmara dos Deputados, a instalação da Comissão Especial que vai analisar a proposta de emenda constitucional (PEC) da reforma tributária. A iniciativa é do presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia, que não está esperando pela iniciativa do governo federal e cuida de ter uma proposta de reforma nascida e delineada dentro do Parlamento. A discussão é mais uma promessa de tensão entre Congresso e Planalto, quase no mesmo tom da reforma da Previdência.

No governo, a responsabilidade de desenhar um projeto de reforma estava nas mãos de Marcos Cintra. Mas o Congresso saiu na frente, com a tramitação da PEC assinada pelo deputado Baleia Rossi (MDB-SP). A proposta já passou pela Comissão de Constituição e Justiça e agora chega à Comissão Especial. A intenção de Rodrigo Maia é, tão logo a reforma da Previdência saia da Câmara para o Senado, concentrar todos os focos na reforma tributária, visando aprová-la ainda este ano.

Mas o tema não é fácil. Diferente da reforma da Previdência, não há muito clamor popular. Mas coloca em confronto atores importantes, ora enfrentado União e Estados, ora gerando disputas entre os próprios estados. A PEC de Rossi propõe uma redistribuição dos recursos entre os entes federados, além da fusão de cinco tributos em um único.

Os tributos que deixariam de existir são:

• Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
• Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)
• Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS)
• Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)
• Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS).

Mexer no ICMS, por exemplo, não vai ser fácil. Os estados não aceitam e cogitam até mesmo judicializar a discussão.
 

Vaidade e disputa pelos holofotes

A reforma tributária gera mais que disputas de interesses da divisão do bolo de impostos no país. Tem também uma disputa pelos holofotes. A reforma da Previdência vem mostrando que Rodrigo Maia, o presidente da Câmara, tem o mando das ações. E começa a ter esse mando também no caso da revisão das regras tributárias. Mas o Senado também quer seu lugar de destaque no palco.

Ontem, o senador Davi Alcolumbre, presidente da Câmara Alta, anunciou que também lá será discutida uma PEC para a reforma tributária. A ideia é resgatar um texto que já tramitou no ano de 2018 e chegou a ser aprovado em comissão especial. Segundo Alcolumbre, essa duplicidade não é vaidade. Ele diz que é só interesse dos senadores em discutir um tema tão crucial para o país.

Então tá.

Congresso pode aprovar Fundo Eleitoral de R$ 3,5 bi para 2020

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Congresso Nacvional: proposta de um Fundo Eleitoral de R$ 3,5 bilhões para financiamento das campanha de 2020


O Congresso que assumiu em fevereiro é novo, com uma renovação extraordinária. Mas as práticas podem não ser tão novas assim. Se prevalecer a vontade do relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias, deputado Cacá Leão (PP-BA), o Fundo Eleitoral a ser gastos pelos partidos nas eleições municipais de 2020 terá a robusta fatura de R$ 3,5 bilhões – o dobro do valor do Fundo Eleitoral das eleições gerais de 2018.

Ok. O histórico mostra que Cacá Leão não é nenhum novato: é filho do atual vice-governador da Bahia, foi deputado estadual e está no segundo mandato na Câmara Federal. Tem o DNA da velha política. E está fazendo prevalecer as visões de antes, engordando o Fundo com dinheiro público que os partidos terão para gastar na busca por mandatos nas eleições municipais.

Desde 2018, acabou o financiamento privado. O argumento principal foi o combate à corrupção, já que esse tipo de financiamento realizado pelas grandes empresas – como mostrou exaustivamente a operação Lava Jato – era a principal porta para os contratos viciados, com o vistoso carimbo da corrupção. Na primeira eleição com sem o financiamento privado, o Fundo público ficou em cerca de R$ 1,7 bilhão.

Ainda assim, foi avaliada como uma campanha de recursos parcos, levando-se em conta a enxurrada de dinheiro que as empresas empurravam por debaixo das portas dos partidos ou para a cozinha de candidatos específicos. Pois agora a festa será maior, caso seja aprovado o parecer do deputado Cacá Leão, que infla o pacote público a nada desprezíveis R$ 3,5 bi.
 

Uma bolada para os partidos

O Fundo Eleitoral é um dinheiro que os partidos recebem unicamente no ano de eleição, visando financiar seus candidatos. Mas tem mais grana pública à disposição, como o Fundo Partidário, que é dividido entre as siglas para manutenção das organizações partidárias. O último Fundo Partidário foi de quase R$ 900 milhões, rateado de forma proporcional à representação de cada sigla.

O Fundo Eleitoral também atende à regra da proporcionalidade. Em 2018, os mais aquinhoados foram MDB e PT. No próximo ano, os primeiros devem ser PT e PSL. Relembre na lista abaixo o que cada um recebeu em 2018:

MDB (PMDB):

R$ 230,9 milhões

PT:

R$ 212,2 milhões

PSDB:

R$ 185,8 milhões

PP:

R$ 131,0 milhões

PSB:

R$ 118,7 milhões

PR:

R$ 113,2 milhões

PSD:

R$ 112,0 milhões

DEM:

R$   87,5 milhões

PRB:

R$   67,0 milhões

PTB:

R$   62,2 milhões

PDT:

R$   61,5 milhões

Solidariedade:

R$   40,1 milhões

Podemos (PTN):

R$   36,1 milhões

PSC:

R$   35,9 milhões

PCdoB:

R$   30,5 milhões

Cidadania (PPS):

R$   29,2 milhões

PV:

R$   24,6 milhões

PSOL:

R$   21,4 milhões

PROS:

R$   26,1 milhões

PHS:

R$   18,1 milhões

Avante (PTdoB):

R$   12,4 milhões

Rede:

R$   10,6 milhões

Patriota (PEN):

R$   10,0 milhões

PSL:

R$     9,2 milhões

PTC:

R$     6,3 milhões

PRP:

R$     5,5 milhões

DC (PSDC):

R$     4,1 milhões

PMN:

R$     3,9 milhões

PRTB:

R$     3,8 milhões

PSTU:

R$        980,7 mil

PPL:

R$        980,7 mil

PCB:

R$        980,7 mil

PCO:

R$        980,7 mil

PMB:

R$        980,7 mil

Lideranças fazem as contas na votação da Reforma

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Ministro Onyx Lorenzoni: apostando no apoio de 330 deputados à proposra de reforna da Previdência


O tempo vai ficando curto, e as articulações ganham o caráter de urgência. Tudo para que a reforma da Previdência seja votada em dois turnos pela Câmara dos Deputados ainda antes da quarta-feira da próxima semana, quando terminam as atividades deste primeiro semestre legislativo. A questão toda se resume a um número mágico: 308. Governo e oposição fazem as contas para saber o tamanho de apoio a favor ou contra a proposta de reforma. Nas contas do governo, a proposta de reforma teria hoje o apoio de cerca de 330 deputados. Resta saber, que reforma tem esse respaldo.

Há substancial apoio incondicional à proposta conforme o relatório aprovado na Comissão Especial, semana passada. Segundo algumas avaliações, esse apoio chegaria a cerca de metade da Câmara. Outro tanto de deputados apoia a proposta, mas pede alguns ajustes. O grande desafio dos articuladores aliados do governo – aí incluindo o ministro Onyx Lorenzoni e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia – é juntar essas duas partes na votação de primeiro turno, que deseja-se aconteça ainda esta semana.

Cabe lembrar, como emenda constitucional, a reforma da previdência carece do voto favorável de três quintos dos 513 deputados – o que traz o número mágico de 308. Mas os acostumados às matérias polêmicas afirmam que ninguém vai para uma votação dessa com apoio de 308 ou 310. É muito arriscado. Daí há outro número mágico: 330 deputados a favor, o que daria uma margem de segurança para quebra de expectativas ou ausências inesperadas.

O ministro Lorenzoni diz que o governo tem contabilizadas essas 330 manifestações a favor. A oposição diz que não é bem assim e promete complicar a tramitação da reforma da Previdência. Isso quer dizer que, no dia da votação propriamente, a respiração dos dois lados estará paralisada, à espera do resultado do painel eletrônico.
 

Cresce apoio entre deputados

Monitoramento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo indica que a reforma da Previdência tem um apoio nunca registrado antes, desde que a discussão do tema começou no governo Temer. Os números de manifestação expressa a favor não garantiria a aprovação, mas dá um ideia do crescimento do apoio à reforma. O Estadão ouviu 446 deputados (87% do total de 513). Desses, 247 apoiam a reforma – sendo que 229 dariam o “sim” como o texto está e outros 18 desejam ajustes.

Os que se posicionam contra a reforma somam 97. Há um grupo de 26 que se declaram indecisos e outros 75 deputados que não quiseram responder. Um deles informou que estará ausente no período da votação. O apoio de 446 deputados ainda deixa uma brecha de 61 votos para que seja alcançado o número mágico de 308. Para chegar aos 330 de Lorenzoni, faltam 83 votos.

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