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A tesoura chega ao ‘Sistema S’. E agora?


Paulo Guedes, futuro superministro da Economia: cortes nos recursos do 'Sistema S' podem chegar a 50%

 

Há muito o "Sistema S" é objeto de discussões, com repetidas sugestões de cortes nos seus recursos. Mas nunca ninguém teve o atrevimento de impor cortes nos repasses a título de tributos federais que mantém um conjunto de entidades ligadas ao setor empresarial. Pois agora essa história mudou: o governo Bolsonaro vai fazer cortes nos repasses destinados ao Sistema. E serão cortes imediatos, segundo informaram os integrantes da equipe econômica do governo que começa em duas semanas.

Fazem parte do Sistema instituições como SESI, SENAI, SESC e SEBRAE. Têm um trabalho amplo e reconhecido. Mas sempre recebeu críticas de alguns que tentavam cortar as asas do Sistema. Essas “asas” podem ser medidas em bilhões: mais precisamente, em números de 2017, R$ 16,4 bilhões repassados pela Receita Federal para o grupo de 9 instituições.

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, deu a má notícia em reunião com empresários no Rio de Janeiro. E não foi sequer gentil: avisou que vai “meter a faca” – assim mesmo, com essas palavras. Diante do burburinho de desconforto na plateia, Guedes reagiu com um irônico “óóóóó”, imitando o mesmo burburinho. E avisou: se houver interlocutor no empresariado, o corte será de 30%. Se não tiver diálogo, o corte será de 50%.

Será um baque para instituições que contam com ampla atuação. Basta lembrar o caso do SEBRAE, um instrumento fundamental no desenvolvimento de novos caminhos para a economia local. Um bom exemplo é o Festival de Inverno, em Pedro II, que nasceu como uma iniciativa do SEBRAE.

O corte vai fazer falta. E fica pergunta: e agora?
 

O tamanho do Sistema S

O Sistema S tem dupla função: qualificação técnica de trabalhadores e ações sociais e culturais em cada setor de atuação empresarial. O Sistema é composto das seguintes instituições:

• Ligado ao campo, o Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR);
• Ligado ao Comércio, o Serviço Nacional do Comércio (SENAC) e o Serviço Social do Comércio (SESC);
• Ligado ao cooperativismo, o Sistema Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP);
• Ligado à Indústria, o Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Serviço Social da Indústria (SESI);
• Ligado ao Transporte, Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT) e Serviço Social do Transporte (SEST):
• Ligado ao empreendedorismo, o Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE).

Metade dos municípios encerra o ano no vermelho

Gil Carlos e Jonas Moura: troca de comando não muda desafio de enfrentar as dificuldades nos municípios  (FOTO: APPM / Divulgação)

 

A Associação Piauiense dos Municípios, a APPM, elege nesta segunda o presidente da entidade para os próximos dois anos. Não haverá disputa: o atual vice-presidente, Jonas Moura, prefeito de Água Branca, será escolhido para substituir Gil Carlos, prefeito de São João. Jonas vai assumir em um momento crítico para os municípios, e tendo à frente um cenário futuro não muito claro. Cristalino, mesmo, só o aperto nas gestões municipais.

Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios aponta a gravidade da situação. Na pesquisa, a CNM ouviu 4.559 dos 5,6 mil prefeitos municipais, um trabalho realizado através das associações estaduais – no caso do Piauí, o levantamento foi realizado pela APPM, através de WhatsApp. Dos 4.559 ouvidos, metade reconhece que tem atraso com fornecedores. Os problemas financeiros não param aí.

As administrações municipais somam cerca de 6 milhões de funcionários, que deveriam receber R$ 22,8 bilhões através do 13º salário. Mas uma boa fatia ou vai receber só a primeira parcela ou, pior, vai ter o abono de final de ano em diversas parcelas. Ainda segundo a CNM, 31,7% dos gestores ouvidos admitiram que enfrentam dificuldades financeiras neste final de ano. Traduzindo: vão apelar para o que na linguagem bodegueira se traduziria com um “dipindura”. Devem, não negam e pagam se (e quando) puderem.

Prefeitos do Piauí vivem aperto
No Piauí o levantamento da APPM mostra que é pequeno o número de municípios em atraso, pelo menos, dos salários. Vírgula: atraso pequeno no caso dos servidores efetivos. Já aqueles em funções gratificadas, o atrasado é grande. Estão nos cargos, em geral, por indicação política. Se reclamam, perdem o lugar para outro. Em sendo assim, ficam calados. A avaliação é que o aperto alcança bem mais que a metade dos prefeitos.

O quadro que Jonas receberá à frente da APPM é, de fato, o mesmo já recebido por Gil Carlos há dois anos. As prefeituras têm problemas sérios. A grande maioria é resultado da falta de recursos para um extenso leque de atribuições. Outra parte menor é fruto da pouca seriedade no trato com a coisa pública. Essa realidade diminuiu, mas segue bem presente.

Muitos prefeitos ainda priorizam 'o circo'
Nos últimos anos, a APPM até que fez recomendações de controle de gastos. Mas muitos prefeitos não levaram em conta. Fazia especialmente uma recomendação: evitem as festas, se elas comprometem gastos essenciais. Mas as festas seguiram acontecendo em muitos municípios onde o aperto era (e ainda é) óbvio. A tese do "dar pão e circo".

O resultado é que muitos deixaram de pagar fornecedores, outros esqueceram os terceirizados e há até quem esteja em dívida com o servidor efetivo. Dessa forma, ficou o circo e faltou pão. Outro problema é que a maior parte dos municípios não tem estratégias para gerar receitas independente do setor público – como o incentivo à produção de novos negócios. Nada. A maior parte se preocupa só com os repasses. E, assim, o pires na mão segue sendo a estratégia mais usada.

Diplomação encerra oficialmente eleição, que foi bem tranquila


Sebastião Martins: diplomação encerra oficialmente o processo eleitoral e desembargador deixa comando do TRE

 

A diplomação dos eleitos nas últimas eleições acontece nesta segunda-feira. É, formalmente, o encerramento do processo eleitoral: os diplomados são, de fato, oficializados como eleitos, após análise por exemplo, da prestação de contas. O que se pode dizer é que o pleito deste ano foi um dos mais tranquilos das últimas décadas, sobretudo na perspectiva da Justiça Eleitoral.

O que de mais anormal ocorreu foi mesmo no âmbito político, em uma campanha que viu mudanças importantes na lista de candidatos. O senador Elmano Ferrer (que teve três partidos apenas este ano e agora está no Podemos), por exemplo, começou candidato, deixou de ser e voltou a postar-se como concorrente ao governo do Estado. João Vicente Claudino era para ser e não foi. Dr. Pessoa (SD) não se decidia sobre o cargo que disputaria e passou meses lançando pontes. Quando todos achavam que disputaria o Senado, decidiu concorrer ao Karnak, viu sua pinguela quebrar e ficou sem mandato.

Houve até o caso do candidato com três companheiros disputando Senado – caso da chapa de Elmano, com o professor Paulo Henrique fincando pé e por fim firmando-se o terceiro concorrente. E houve, claro, a montagem da chapa governista: Wellington Dias (PT) deixou as especulações correrem soltas, empurrou com barriga até onde pode e, em uma reviravolta daquelas, tirou do bolso sua vice, a colega Regina Souza.

Foi muita mudança: mudou-se, mudou-se e mudou-se para tudo ficar mais ou menos como estava.

Justiça precisou sair da zona de conforto
A tudo a Justiça Eleitoral assistia de camarote. Nada disso dizia respeito a ela. Só saiu da zona de conforto em dois momentos: no afastamento do presidente do TRE, desembargador Paes Landim, colocado sob suspeição pelo fato de um irmão disputar uma vaga na Câmara dos Deputados; e na votação no primeiro turno, quando Dr. Pessoa disse ter votado em si e apareceu a indicação de voto nulo. Ele questionava as urnas.

Nas duas situações, o desembargador Sebastião Martins mostrou a cara. No primeiro caso, como vice do TRE: assumiu as rédeas do processo eleitoral, que encerra-se nesta segunda. No outro caso, tomou providências imediatas para apurar os fatos. Mas em ambas situações saiu-se bem na fita. A condução da Corte eleitoral se deu sem problemas. E, no caso da votação de Dr. Pessoa, o vídeo feito na hora mostra que o candidato votou errado: colocou o 77 no espaço para presidente da Repúblicas – como não havia postulante com esse número, apareceu o nulo como resultado do voto. Ainda assim, o caso mereceu atenção do TSE.

TRE faz última reunião
A solenidade de diplomação, amanhã à noite, encerra todo o processo. E sem questionamentos significativos. Vale destacar que a Corte eleitoral trabalhou sem tréguas nesses últimos dias. Foram 423 processos de prestação de contas – oito candidatos não prestaram contas. Os procvessos aprovados, em sua grande maioria, receberam ressalvas, em geral coisas sem importância, os chamados pecados processuais. Apenas 10 tiveram as contas aprovadas sem ressalvas.

O TRE ainda deve ter hoje a última reunião antes da diplomação. Se por ventura restar alguma pendência, vota-se hoje. A partir de amanhã, o desembargador Paes Landim retoma o mando da Casa, já que a eleição estará oficialmente encerrada.

Plantio de soja cresce 5% e Piauí pode ter nova supersafra


Rafael Maschio, da Aprosoja (em recente entrevista à Rádio Cidade Verde): perspectiva de nova supersafra 

 

Fim de férias do colunista. De volta ao batente. E de volta com uma notícia que enche os olhos: a safra agrícola pode crescer outra vez. Vejamos:

Depois de colher este ano a maior safra de grãos da história, o estado do Piauí pode ter uma nova supersafra. O indicativo para esse novo feito está nos dados dos produtores, que teimam em enfrentar as adversidades e ampliam a área plantada. Segundo levantamento preliminar da Associação dos Produtores de Soja do Estado do Piauí (Aprosoja-PI), a área plantada nesta safra 2918-2019 cresceu mais de 5% em relação à anterior. A ampliação de área também é encontrada entre produtores de milho e algodão, e deve se repetir no plantio de arroz e feijão.

A colheita de 2018 – chamada de safra 2017-2018, já que plantada quase toda no final do ano passado – garantiu ao Piauí cerca de 4,4 milhões de toneladas de grãos. Desse total, a soja produzida basicamente nos cerrados do sul do estado foi responsável por 2,5 milhões de toneladas, seguida do milho, com 1,5 milhão. A colheita fabulosa foi produto de investimentos diretos dos produtores e de uma temporada climática considerada fantástica.

“O clima foi excepcional”, relembra Rafael Maschio, Diretor Executivo da Aprosoja-Piauí. Por isso mesmo ele comemora o aumento de área plantada com uma certa cautela: ela não significa automaticamente o aumento de produção, já que na safra passada o clima foi tão perfeito que permitiu ao Piauí uma produtividade extraordinária. Rafael lembra que a colheita de 3,2 toneladas por hectare de soja é uma bela produtividade. Mas na safra anterior o Piauí conseguiu mais de 3,5 toneladas por hectare. O segundo melhor desempenho do país.

Repetir esse feito não é fácil. Mas, pelo menos até agora, o clima está ajudando. “As culturas estão bem encaminhadas. Mas precisamos ainda conferir esse próximo trimestre”, diz Rafael, referindo-se ao comportamento climático, que desejam seja de chuvas temperadas com sol. Vale notar, o crescimento de área plantada é uma regra nos cerrados piauienses que se repete há décadas, só rompida na safra 2015-2016, reflexo da brutal crise econômica.

Para a safra 2018-2019, a área plantada com soja deve sair dos 710 mil hectares para perto de 750 mil hectares. No caso do milho, o crescimento é ainda maior: deve saltar dos 140 mil hectares do plantio passado para cerca de 160 mil – um aumento de mais de 10%. No caso do algodão, o Piauí deve sair de pouco mais de 5 mil hectares para entre 12 e 14 mil hectares cultivados.

Os números só serão fechados depois de janeiro, já que plantios como o do milho se encerram já com o ano novo iniciado. Mas os primeiros levantamentos são para se comemorar.

Colunista de férias

O jornalista Fenelon Rocha encontra-se em férias e retornará em 15 dias.

4 livros de férias para entender o momento político atual

Por uns 15 dias, fico longe aqui da coluna e da rádio Cidade Verde. Férias. E como todas as boas férias pedem pelo menos alguma boa leitura, carrego alguns textos comigo. E deixo também algumas indicações para quem tenta acompanhar e (principalmente) entender a política atual, no Brasil e no mundo. As indicações que relaciono aqui não deixam dúvidas: o mundo vive uma profunda crise política, como em poucos momentos da História. Por isso, vale a pena refletir a respeito.

A primeira indicação é Ruptura, uma publicação muito, muito recente de Manuel Castells, o homem que há 25 anos começou a discutir a fundo a Sociedade em Rede. Ele fala agora da crise da democracia liberal e o descrédito da política. É professor da Universidade da Califórnia mas é, antes de tudo, espanhol. E, assim, vai mais além de Brexit, Trump e Macrón – já devidamente analisados no texto – e avança um olhar sobre a realidade latino-americana. Não analisa ainda Bolsonaro, mas já tem uma visão muito interessante sobre o Brasil de hoje.

Ruptura é um livro para se ler de uma tirada só, porque é pequeno (127 páginas) e, principalmente, porque é muito, muito esclarecedor sobre os dilemas e desafios que vivemos.

A segunda leitura é Como as democracias morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, dois professores de Havard. Não li o livro. Mas as indicações são ótimas. Toma o caso Trump como referência, analisa a realidade geral da política no planeta e, para não perdermos o fio da meada, faz comparações com outros momentos cruciais da história, inclusive o período Hitler. O livro tornou-se leitura obrigatória para quem deseja entender a complicada situação deste quintal chamado Terra.

Vai aí a terceira leitura: O Fim do Poder, de Moisés Naím, um venezuelano há muito radicado na Espanha e consultor de meio mundo. Mostra claramente que o exercício do Poder mudou. O livro tem mais de cinco anos, mas casos mais recentes como os muitos levantes dos despossuídos ou mesmo as vitórias de Trump e Bolsonaro revelam que a reflexão que traz é muito precisa. E tudo isso fica ainda melhor com o sotaque latino.

Por fim, um livro histórico escrito como romance: No Jardim das Feras, de Erik Larson. Com farta documentação, mostra o momento do nascimento do regime de Hitler, de 1933 até o final da década. É desconcertante ver como a brutalidade tinha o aplauso de tantos e condescendências mundo afora. Mais perturbador ainda é perceber certas similaridades com o período atual.

As publicações não dizem o que é bom ou ruim. Dizem o que acontece, o jogo de forças, os problemas institucionais de legitimidade etc. E dão muita munição para se refletir.

Boa leitura.

MDB dá crédito à relação de Bolsonaro com bancada temática


Marco Aurélio Sampaio: crédito à estratégia de Bolsonaro de negociar com as bancadas temáticas do Congresso Nacional

 

Por enquanto, vem sendo a faceta mais inovadora na condução que Jair Bolsonaro (PSL) vem fazendo, na montagem do governo que assume em janeiro: ao invés do diálogo clássico com os líderes das bancadas partidárias, o futuro presidente está dialogando com as chamadas bancadas temáticas (evangélicos, ruralistas, bancada da bala). E assim, nem mesmo o único nome do próprio PSL já escalado para o ministério (Marcelo Álvaro, do Turismo) tem aval do partido.

O que se tem ouvido são resmungos de importantes lideranças de grandes partidos. Gostariam de estar na mesa de negociação, escalando seus prediletos. Mas Bolsonaro tem feito ouvidos moucos para esses reclames. O detalhe é que ontem o presidente eleito recebeu um crédito exatamente do partido considerado mais fisiologista, aquele que esteve no coração de todos os governos, de direita e de esquerda: o MDB.

Boa parte da bancada do MDB esteve em reunião com o principal articulador do partido, deputado Onyx Lorenzoni, que ocupará o Gabinete Civil da Presidência. E, pasmem: não pediu nada, não cobrou lugar no governo e ainda deu crédito à estratégia que vem sendo usada. E veja bem: o MDB tem um representante no ministério (Osmar Terra, da Cidadania), mas reconhece que chegou lá sem aval do partido. Não pode pedir nada sequer a Terra.

O Piauí esteve representado na reunião com Onyx pelo deputado eleito Marco Aurélio Sampaio. E ele diz com todas as letras: “A bancada deixou o governo à vontade. E não se falou em espaço na administração”, disse. Para Marco Aurélio, Bolsonaro tenta um novo caminho. “Vamos ver se funciona”, disse, ele também dando crédito à estratégia.

Detalhe: Marco Aurélio não foi só assistir reunião em Brasília. Ele esteve no Ministério da Integração Nacional. Levou projetos do Piauí debaixo do braço. Tenta conseguir algo nesse final de governo, dentro da operação “raspa do tacho”.
 

Placar eletrônico será teste

Apesar dos biquinhos das lideranças partidárias, muita gente está elogiando a estratégia de Jair Bolsonaro de formar um governo em entendimento com as bancadas temáticas. Mas o desenho “apartidário” do ministério ainda está para ser testado como eficiente do ponto político. E esse teste só será feito quando Bolsonaro precisar aprovar algo no Congresso.

Quem vai dizer se a estratégia é boa ou ruim é o placar eletrônico. Ou seja: o resultado das votações no Congresso, registrada no placar eletrônico. Se Bolsonaro conseguir maiorias e aprovação de matérias fundamentais, estará confirmado o sucesso da estratégia.

Se o resultado for adverso, aí os lideres partidários voltarão à cena central da governabilidade.

PP agora aposta em Hélio Isaías para presidência da Assembleia


Hélio Isaías: com o sonho frustrado em 2015, ele volta a ter o nome como alternativa à Presidência da Assembleia  (FOTO: ALEPI/Divulgação)

 

O Progressista não perdeu a fé na conquista da presidência da Assembleia Legislativa do Piauí, na eleição que acontecerá no início da nova legislatura, em fevereiro. Mas começa a dar fôlego a um novo específico. Nem Júlio Arcoverde, nem Wilson Brandão. O nome que vai sendo incentivado pela cúpula do PP é o do deputado Hélio Isaias.

A busca de um novo nome tem a ver com a necessidade de encontrar uma espécie de grande aliança para enfrentar a candidatura do atual presidente Themístocles Filho (MDB). O razão desse novo rumo é que a ideia de um acordo do PP com o PT enfrenta alguns senões, como a tendência de dois dos cinco deputados petistas na Assembleia preferirem a reeleição de Themístocles.

O problema é que a Carta feita pelo Progressista no início de novembro, dando sugestões sobre como deveria ser o novo mandato de Wellington Dias, gerou desconforto entre muitos petistas. O entendimento é que o PP de Ciro Nogueira tem tudo para ser uma grande pedra no sapato do PT, na luta pelo Palácio de Karnak em 2022. Daí, deixar o comando da Assembleia com Ciro seria dar a ele demasiado poder. E criar problemas sérios para o próprio PT.

E se é assim, alguns petistas preferem Themístocles. É daí que o próprio PP coloca gás na pretensão de Hélio Isaias, na tentativa de dar forma prática ao tal acordo. Esse movimento parte do princípio de que Hélio tem poucas arestas e, portanto, maior viabilidade na disputa.
 

Uma nova tentativa de Hélio

A possibilidade de Hélio Isaias disputar a presidência da Assembleia traz de volta um sonho que o deputado já alimentou há 4 anos. Após a eleição de 2014, ele se colocou como alternativa, com a credencial de à época pertencer ao PTB, que elegera 5 deputados. Mas o próprio PTB não deu suporte a Hélio, que saiu da disputa. Então o governo resolveu apoiar Fábio Novo (PT) – que, apesar de todo o empenho do Karnak, foi derrotado por Themístocles.

Hélio mantém o sonho, mas vinha se situando em posição discreta. Agora está sendo chamado a entrar na disputa. Ganha o suporte de boa parte do próprio partido e de um pedaço do PT. Mas terá uma dura tarefa pela frente: enfrentar Themístocles Filho não é fácil, mesmo que tenha o apoio do Karnak.

Fábio Novo já sentiu o amargo dessa dura realidade em fevereiro de 2015.

Bolsonaro terá dificuldade em votações, mostra levantamento

Um levantamento realizado junto aos deputados que farão parte da próxima legislatura na Câmara Federal mostra que Jair Bolsonaro (PSL) terá alguma dificuldade para levar adiante propostas que defendeu na campanha. Claro, o levantamento também traz algumas boas notícias, como o apoio majoritário à fixação de uma idade mínima para aposentadoria.

O levantamento foi feito pelo portal de notícia do Grupo Globo. Foram contatos todos os 513 deputados eleitos em outubro. Do total, 412 (ou 80% da Casa) responderam a um questionário que pedia posicionamento sobre 18 temas diferentes. Há fragmentação de opinião em alguns temas importantes para Bolsonaro, como a flexibilização das lei sobre o porte de armas: 199 deputados (ou 39% da Câmara) são a favor e outros 188 (37%) são a favor. Se prevalecer essa opinião, a divisão deve inviabilizar a concretização de uma promessa do futuro presidente.

Confira o posicionamento dos deputados que tomarão posse em 1º de fevereiro, em relação a alguns dos temas do questionário:


Câmara dos Deputados: temas fundamentais para governo Bolsonaro dividem parlamentares  (FOTO: Câmara/Divulgação)
 

Aposentadoria:
Favoráveis à idade mínima para aposentadoria: 300 (58%)
Contrários à idade mínima para aposentadoria: 82 (16%)
Não quiseram responder a essa pergunta: 30 dos 412 que responderam.

Compra e porte de armas:
Favoráveis à facilitação da compra e do porte de armas: 199 deputados (39%)
Contrários à facilitação da compra e do porte de armas: 188 (37%)
Não quiserem responder a essa pergunta: 25 dos 412 que responderam ao questionário.

Redução da maioridade penal
Favoráveis à redução da maioridade penal: 168 (33%)
Favoráveis à redução da maioridade penal em determinados casos: 122 (24%)
Contrários à redução da maioridade penal: 112 (22%)
Não quiseram responder a essa pergunta: 10 dos 412 que responderam ao questionário.

Privatização de estatais:
Favoráveis à privatização de estatais: 135 (26%)
Favoráveis à privatização, mas somente das estatais deficitárias: 159 (31%)
Contra a privatização de estatais: 92 (18%)
Não quiseram responder a essa pergunta: 26 dos 412 que responderam ao questionário.

Adoção do imposto único:
Favoráveis à adoção do IVA: 266 (52%)
Contrários à adoção do IVA: 83 (16%)
Não quiseram responder a essa pergunta: 63 dos 412 que responderam ao questionário.

Restrições para o funcionamento de partidos:
Favoráveis a restrições ao funcionamento dos partidos, para reduzir número de siglas: 323 (63%)
Contrários a restrições ao funcionamento dos partidos, para reduzir o número de siglas: 73 (14%)
Não quiseram responder a essa pergunta: 16 dos 412 que responderam ao questionário.

Doação de empresas para campanhas:
Contrários à volta da doação de empresas para campanhas eleitorais: 271 (53%)
Favoráveis à volta da doação de empresas para campanhas eleitorais: 124 (24%)
Não quiseram responder a essa pergunta: 17 dos 412 que responderam ao questionário.

Tipificar o caixa 2 como crime:
Favoráveis a tornar caixa 2 crime: 360 (70%)
Contra tornar caixa 2 crime: 37 (7%)
Não quiseram responder a essa pergunta: 15 dos 412 que responderam ao questionário.

Legalização da maconha para uso medicinal:
Favoráveis à legalização da maconha: 49 (10%)
Favoráveis à legalização somente para fins medicinais: 213 (42%)
Contrários à legalização da maconha: 130 (25%)
Não quiseram responder a essa pergunta: 20 dos 412 que responderam ao questionário.

Criminalização da homofobia:
Favoráveis a tornar a homofobia crime: 269 (52%)
Contrários a tornar a homofobia crime: 111 (22%)
Não quiseram responder a essa pergunta: 32 dos 412 que responderam ao questionário.

Aborto:
Favoráveis ao aborto nas situações atualmente previstas em lei: 278 (54%)
Favoráveis ao aborto em mais situações: 59 (12%)
Favoráveis ao aborto em menos situações ou nenhuma: 57 (11%)
Não quiserem responder a essa pergunta: 18 dos 412 que responderam ao questionário.

Classificar invasão de propriedades privadas como terrorismo:
Favoráveis a classificar como crime de terrorismo a invasão de propriedades privadas: 190 (37%)
Contrários a classificar como crime de terrorismo a invasão de propriedades privadas: 193 (38%)
Não quiserem responder a essa pergunta: 29 dos 412 que responderam ao questionário.

Isentar de processo o policial que matar em serviço:
Contrários a policial que matou alguém em serviço não responda a processo: 240 (47%)
Favoráveis a policial que matou alguém em serviço não responda a processo: 111 (22%)
Não quiserem responder a essa pergunta: 61 dos 412 que responderam ao questionário.

Cobrança de mensalidade de alunos ricos no ensino superior público:
Favoráveis à cobrança de mensalidade de alunos ricos no ensino superior público: 208 (41%)
Contrários à cobrança de mensalidade de alunos ricos no ensino superior público: 167 (33%)
Não quiseram responder a essa pergunta: 37 dos 412 que responderam ao questionário.

Ensino religioso obrigatório nas escolas:
Contrários ao ensino religioso obrigatório nas escolas: 299 (58%)
Favoráveis ao ensino religioso obrigatório nas escolas: 95 (19%)
Não quiseram responder a essa pergunta: 18 dos 412 que responderam ao questionário.

Índice de Confiança pode ser a ‘virada’ na crise econômica


Índice de Confiança: determinante para investidores e consumidores... e para a retomada economia  (FOTO: Governo Federal/Divulgação)

 

Os analistas que olham para o desempenho da economia olham com especial atenção para um fator: o índice de confiança. É uma medição que nem chega a ser nova e que tem um bocado de psicológico, mas com efeitos bem concretos. Tanto o investidor quanto o consumidor leva em conta essa sensação, que diz muito do que pode ou não ser feito no presidente e no futuro.

Pois, no presente momento da vida do país, os analistas olham com muita atenção para os índices de confiança tanto do empresariado quanto do consumidor. Esse índice pode ser determinante para a virada na economia, para superação de uma crise que já dura mais de 4 anos.

O IBRE – Instituto Brasileiro de Economia, ligado à FGV – faz a medição regular desse índice. Quando se olha o gráfico dos últimos 8 anos, o que se enxerga é uma profunda derrapagem na confiança do empresariado desde 2010, culminando com uma avassaladora desconfiança em 2015, quando já se instalara também a crise política que terminou no impeachment de Dilma Roussef, no ano seguinte. No caso dos consumidores, a descrença vem desde 2012.

A posse de Michel Temer até resgatou parte da confiança nos dois cenários, recuperação que estancou por conta das seguidas crises políticas, em especial a impulsionada pela delação da JBS. As eleições deste ano deixaram em suspenso consumidores e empresários. Agora, com Jair Bolsonaro deixando evidente qual é sua política econômica, pode ser que os índices se restabeleçam. Ou pelo menos é o que o mercado espera.

A percepção dos analistas econômicos é que a confiança é mais importante que olhar cotação de dólar ou movimentação na bolsa – até porque ambos são sintomas, não causa. Se restabelecida, a confiança será capaz de dar novo impulso nos negócios. E também nas compras. Porque esse índice diz basicamente uma coisa: diz o quanto as pessoas – seja investidor ou consumidor – estão acreditando no amanhã. E se essa crença é positiva, o empresário investe e o cidadão comum compra. Dá-se a "virada" que todos esperam.

Sem confiança, tudo fica para depois. Inclusive (e sobretudo) a retomada da economia.

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