Cidadeverde.com

Livro traça perfil do que será ‘4ª Revolução Industrial’


Klaus Schwab, empunhando o livro A Quarta Revolução Industrial: roteiro do futuro que já começou a ser vivido pela humanidade

 

A 4ª Revolução Industrial, ausente na discussão sobre o Brasil do futuro, já está em curso. Ela começou na virada do século e vai promover uma das mudanças mais radicais na vida da humanidade, com alterações profundas no jeito de ser das pessoas. Todas as pessoas. “As mudanças são tão profundas que, na perspectiva da história da humanidade, nunca houve um momento tão potencialmente promissor ou perigoso”, diz Klaus Schwab, autor do livro que se tornou referências na discussão sobre o tema.

O livro (A Quarta Revolução Industrial, editora Edipro) foi lançado a mais de dois anos, em pleno encontro de Davos, quando a cúpula econômica mundial tenta tatear a realidade de hoje e do futuro. Mas segue atual e tornou-se leitura obrigatória de quem quer enxergar pelo menos um palmo adiante do nariz. Seria um bom presente para todos os candidatos à presidência. E para governantes em geral.

A inovação tecnológica é o grande motor da nova Revolução. Mas não é uma inovação qualquer. Ela é de outro mundo. Schwab destaca o caminho: inteligência artificial, robótica, internet das coisas, veículos autônomos, impressão em 3D, nanotecnologia, biotecnologia, armazenamento de energia e computação quântica. Em todas essas evoluções, o Brasil é quase somente um curioso. E que logo se torna comprador.

Ele destaca três áreas impulsionadores dessa nova Era: a Física, a Digital e a Biológica, todas inter-relacionadas. Na Física estão, por exemplo, os veículos autônomos, as impressoras 3D e a robótica. Na Digital está a chamada “internet das coisas”, bem como o mundo conectado (inclusive a partir dos veículos). Já na área Biológica o grande tema é a revolução no campo da genética, incluindo a recriação de órgãos – o que traz uma profunda discussão sobre a questão ética.

As tendências apontadas por Schwab são essas, algumas já razoavelmente desenhadas. Ainda assim persistem muitas discussões sobre aonde cada uma nos levará.
 

O emprego será outra coisa

A 4ª Revolução Industrial muda tudo. Por exemplo, a questão do emprego. Muitas profissões simplesmente deixarão de existir, substituídas por mecanismos de automação. O próprio Schwab destaca algumas atividades, entre elas operadores de telemarketing, avaliadores de seguros e danos automobilísticos, árbitros, juízes e outros profissionais desportivos (olha o VAR aí, gente), corretores de imóvel e mão de obra agrícola.

Um exemplo da mudança em curso é citada no livro: em 1990, as três grandes montadoras de Detroit, ainda a referência da economia norte-americana, faturavam 36 bilhões de dólares, empregando 1,2 milhão de pessoas. Em 2014, apenas 24 anos depois, as três grandes do Vale do Silício – nova referência da economia – faturavam 247 bilhões de dólares empregando 137 mil pessoas. Faturamento seis vezes maior, com pouco mais de um décimo de pessoal.

Campanha esquece mudanças e deixa Brasil com futuro incerto


Quarta Revolução Industrial: uma nova onda de mudanças sacode o mundo, mas o Brasil olha tudo com pouco caso 

 

No esporte funciona assim: quando um time (ou uma equipe, no caso da Fórmula 1) é muito superior às demais, os adversários aproveitam a mudança de ciclo (no caso da F-1, mudança de regras) para voltar ao topo. Na economia também é assim: a mudança de paradigma ou de matriz abre uma oportunidade enorme para que nações ou grandes corporações aproveitem o novo caminho para chegar a um novo estágio. A mudança de matriz, para uma economia de baixo carbono, não está sendo olhada pelo Brasil, que corre o risco de perder a oportunidade.

Uma boa demonstração dessa miopia é a campanha presidencial, onde o debate sobre o desenho futuro do nosso país passa quase ao largo. Há discurso demais para atrair votos fáceis e pouco refletidos, com o completo esquecimento do que pode ser o rumo do país. Nesse jogo para a platéia, aparecem em destaques propostas que beiram o populismo: o programa “nome limpo” de Ciro Gomes (PDT), o “mais médicos” turbinado de Fernando Haddad (PT), o genérico “menos imposto” de Jair Bolsonaro (PSL) e o subsídio para o setor rural, de Alckmin.

Velhas propostas requentadas que falam mais do passado que do futuro.

O certo é que, querendo ou não, o mundo está sendo levado para a chamada “economia de baixo carbono”, com o desenvolvimento de tecnologias e práticas que tentam fazer o planeta andar sem se condenar. As grandes corporações estão de olho nesse novo caminho. As grandes nações, também. Para ficar em assuntos já algo triviais: o táxi do futuro é um drone e o carro dos próximos dias nem motorista tem, sem falar na nanotecnologia e na engenharia genética.

E o que nós estamos fazendo a respeito? Muito pouco.

Mas muitas corporações e países estão atentos a essas e outras mudanças mais profundas. A razão é simples: quem tiver essas novas práticas terá melhores condições de vida; e quem alcançar primeiro essas novas tecnologias, terá as chaves da economia das próximas décadas, talvez do próximo século.

No Brasil, o tema simplesmente não existe, talvez preso à ideia de que temos a maior fatia das águas do planeta e o maior pedaço de florestas. São trunfos que temos, sim. Mas não são suficientes. Pensar nas mudanças é pensar sobre o lugar que queremos ocupar no cenário futuro.

O problema é que o tema inexiste entre os candidatos, entre os planejadores e até mesmo entre os pesquisadores das universidades, que deveriam estar pelo menos um passo adiante do cidadão comum. E se é assim, corremos sério risco de chegar a essa nova Era – uma 4ª Revolução Industrial, segundo alguns – como chegamos nas anteriores: com atraso. E na condição de coadjuvantes.

Aí repetiremos a realidade do esporte: quem não aproveita a mudança de ciclo para se renovar e se superar, sempre estará em um lugar que não é o do campeão.

Lulismo sustenta candidaturas aos governos no Nordeste

Não é só o candidato à presidência pelo PT, Fernando Haddad, que está se alimentando no banquete do lulismo no Nordeste. Também os candidatos ao governo dos estados da região seguem a mesma linha. Dos nove estados nordestinos, em oito os líderes das pesquisas abraçam o nome de Lula como uma tábua de salvação. A exceção é o candidato ao governo de Sergipe, Valadares Filho (PSB), que enfrenta o governador-tampão Belivaldo Chagas (PSD), aliado do PT.

O levantamento foi feito pelo BLOG levando em conta as pesquisas mais recentes divulgadas em cada estado. São oito pesquisas do IBOPE e uma do Instituto OPINAR – nesse caso, a pesquisa para o governo do Piauí. Desse leque de sondagens, só uma delas é do mês de agosto: a que avalia a intenção de voto para o governo do Ceará. Lá, a última pesquisa divulgada pelo IBOPE foi no dia 16 de agosto (uma nova está programada para a próxima segunda-feira). As demais são desta semana.

No caso do Ceará, a situação é muito folgada: Camilo Santana (PT) tem a maior vantagem sobre a concorrência. Em agosto, ele registrou 64% de intenção de voto, contra apenas 4% do segundo colocado. Não é em todo estado que essa situação se repete, mas os aliados de Lula têm uma boa folga na maior parte. Quanto aos partidos, o PT lidera em quatro estados (além do Ceará, tem o Piauí, Rio Grande do Norte e Bahia). No Maranhão o líder é o mais antigo aliado dos petistas, o PCdoB, através de Flávio Dino.

Os aliados de Lula lideram em Alagoas através do MDB de Renan Calheiros Filho. Em Pernambuco e Paraíba essa liderança chega através do PSB, o mesmo partido que em Sergipe tira a unanimidade dos lulistas. Mas é lá onde há a menor distância entre os concorrentes: na prática, há um empate técnico, quase absoluto.
 

Uma região de esquerda? Nem tanto

As últimas pesquisas de intenção de voto têm mostrado caminhos diversos entre o Sul e o Nordeste. Nos estados sulistas, lideram partidos mais à direita. No Nordeste, as siglas estão mais à esquerda. Mas essa leitura ideológica deve ser vista com um certo cuidado. Nem sempre é o que parece.

Entre os “esquerdistas” que lideram no Nordeste está Renan Calheiros Filho (MDB), que disputa o governo fazendo dobradinha com o pai, o senador Renan Calheiros. Para ficar mais evidente a ideologia dos Renan, o senador foi líder do governo Fernando Collor. E também foi base no início do governo Michel Temer.

Além disso, as alianças juntam partidos que, em tese, não têm nenhuma afinidade ideológica. Isso pode ser encontrado em todos os estados. Em Sergipe, por exemplo, o PT está com Belivaldo Chagas, do PSD, um partido claramente de direita. E no Piauí o PT de Wellington Dias tem como principal aliado o PP de Ciro Nogueira.
 

Viagens de candidatos estão em descompasso com Nordeste


Ciro Gomes: agenda no domingo pela manhã traz o segundo candidato à presidência da República ao Piauí nesta campanha

 

No próximo domingo, o candidato do PDT à presidência da República, vai preencher uma lacuna: depois de cumprir agenda em Teresina, ele atravessará o Rio Parnaíba e cumprirá agenda em Timon. Ao pisar em solo maranhense, Ciro será o primeiro candidato a presidente a visitar o vizinho estado nesta campanha. Com isso, garantirá que todos os estados terão sido visitados por pelo menos um presidenciável, desde 16 de agosto, quando começou a campanha oficial.

O “esquecimento” do maranhão, no entanto, não é um caso isolado. O próprio Piauí, até agora, foi visitado por apenas um candidato a presidente: Álvaro Dias (Podemos). Já na fase de campanha, também foi visitado por Fernando Haddad (PT) mas quando o ex-prefeito de São paulo ainda era oficialmente candidato a vice. Outros quatro estados (Amazonas, Roraima, Rio Grande do Norte e Mato Grosso) só receberam uma visita de candidato, assim como outros quatro (Acre, Tocantins, Rondônia e Alagoas) tiveram a presença de apenas dois candidatos.

Os dados mostram um traço dessa campanha: é a região Sudeste o grande foco da campanha deste ano, tanto pelo tamanho do eleitorado como também pela possibilidade de repercussão dos eventos lá realizados. É no Sudeste onde estão as cabeças das principais redes de televisão e a sede dos grandes jornais e portais, o que pode facilitar a cobertura dos eventos de campanha.

Segundo levantamento do portal do Grupo Globo, Os 13 candidatos à Presidência realizaram, de 16 de agosto até o dia 19 de setembro (quarta-feira), 190 eventos de campanha. O estado de São Paulo concentra mais da metade: 101 eventos. Em seguida vem o Rio de Janeiro, com 36, e Minas Gerais, com 24. O quarto colocado é o Distrito Federal, menos pelo eleitorado e mais pela possibilidade de repercussão de casa acontecimento programado para lá.

São Paulo, Minas e Rio são os três maiores eleitorados do país. Juntos com o Espírito Santo formam o Sudeste e somam 43,3% do eleitorado nacional. Mas concentram mais de 80% dos eventos dessa campanha. Aí o Nordeste fica em um segundo plano. Mesmo com quase 40 milhões de eleitores (26,6% do total de 147,5 milhões de votantes), a região recebeu 34 eventos de campanha, cerca de 18% do total.

Os estados do Ceará (11 eventos) e Pernambuco (10) foram os que, na região, mais receberam a atenção dos que pretendem chegar ao palácio do Planalto. Depois vem o minúsculo Sergipe, com 5 visitas. Vai entender essa eleição.
 

Uma eleição diferente das demais

A eleição deste ano vai se mostrando um tanto diferente das anteriores. As peregrinações pelos estados foram em grande medida substituídas pelas ações midiáticas, onde os debates e sabatinas tiveram lugar de destaque. Vale lembrar que a participação de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad no Jornal Nacional (Rede Globo) produziu repercussão enorme. Também foi assim com o atentado contra Bolsonaro e a substituição de Lula por Haddad.

Vale notar, Haddad e Bolsonaro estão entre os que menos andaram pelo país. Mesmo assim estão na frente das pesquisas. Já Alckmin, que tem o maior número de eventos da campanha, não anda tão bem assim com o eleitor.

Candidatos a deputado abocanham maior parte da grana do Fundo

A prioridade dos partidos em eleger representantes na Câmara dos Deputados vai se confirmando através da distribuição das fatias do Fundo Eleitoral pelas mais diversas siglas. Até o momento, os partidos já repartiram R$ 1,4 bilhão, destinado às mais diversas candidaturas. Mas as campanhas para deputado federal abocanharam a maior fatia do bolo: R$ 930 milhões, o que corresponde a 68,7% do total.

O Fundo Eleitoral totaliza R$ 1,7 bilhão de Reais. A maior parte dos partidos já está torrando a parte que lhe cabe. Alguns poucos – como PT – deixam uma parcela para o segundo turno, seja nos estados, seja na disputa pela Presidência. Os números até agora disponibilizados pelo TSE são naturalmente parciais, já que a contabilidade final pode ser apresentada até 30 dias depois do encerramento da disputa de cada cargo.

Do que foi liberado até agora, três partidos (MDB, PR e PP) respondem por 36,9% desses repasses a candidatos. Somente o MDB já distribuiu entre seus candidatos a bagatela de R$ 202,2 milhões. PR e PP vêm em seguida, com R$ 162,2 milhões e R$ 142,5 milhões, respectivamente. São 34 partidos participando do bolo e até mesmos as siglas com candidatos a presidente costumam priorizar os candidatos a deputado federal.

A razão é mais que óbvia: é a representação na Câmara que vai definir a participação dos partidos no Fundo Partidário – distribuídos em anos sem eleição – e nos espaços de propaganda no rádio e TV. Para participar da partilha, a sigla tem que superar a cláusula de barreira, que exige votação mínima de 1% em pelo menos 9 estados e a eleição de ao menos 9 deputados, em estados distintos. O resultado é a injeção de dinheiro nas campanhas de deputado federal.

Dos 15 partidos que mais gastaram dinheiro do Fundo Eleitoral (ver quadro abaixo), somente três (PSDB, PDT e PCdoB) destinaram menos de 40% do dinheiro para as candidaturas de deputado federal. No caso do PSDB e PDT, porque os partidos destinaram uma boa parte do bolo a seus candidatos a presidente: 32,7% para a campanha de Geraldo Alckmin e 34,2% para a de Ciro Gomes. Esse tipo de atenção não teve o MDB, que destinou apenas 1% dos recursos para a campanha de Henrique Meireles, enquanto injetou pouco menos da metade do dinheiro para a disputa pela Câmara.

Há casos como o PTB, que distribuiu dois terços do dinheiro do Fundo Eleitoral entre as candidaturas de deputado federal. O PCdoB foge à regra: a maior fatia vai para as disputas de deputado estadual, que concentram mais da metade dos recursos. Outra exceção é o REDE de Marina Silva (que não está entre os 15 maiores). O partido prioriza a candidatura presidencial, que recebeu pouco mais da metade dos R$ 11,1 milhões até agora distribuídos.

Propaganda no rádio e TV mostra ser decisiva na campanha


A pesquisa Opinar divulgada ontem pelo Grupo Cidade Verde, deixa evidente a força da propaganda eleitoral no rádio e na TV. Alguns desempenhos devem ser olhados a partir do impacto desse tipo de comunicação. É o caso de Fernando Haddad, o candidato à presidência pelo PT: há mais de seis meses o nome de Haddad era associado ao de Lula. Mas precisou o horário eleitoral obrigatório para que o brasileiro juntasse cara e crachá.

Fernando Haddad deslanchou com apenas duas semanas de espaço generoso no rádio e TV, nas costas do mito Lula. No Piauí isso também aconteceu: Haddad saiu de indicadores quase simbólicos em meados de agosto para 41% de intenção, apenas um mês depois. A análise também vale para os candidatos ao governo do Estado, assim como os que disputam as duas vagas de senador.

Em 15 dias de propaganda, os que usaram mais (e melhor) o tempo no rádio de TV deram saltos mais expressivos nas intenções de voto. É o caso de Ciro Nogueira (PP), que tem tempo de sobra para falar de si e de seus feitos. Resultado: cresceu 11 pontos percentuais na corrida pelo Senado. Seu companheiro de chapa e de propaganda, o deputado Marcelo Castro (MDB), subiu sete pontos.

A conquista de intenções de voto traz em seguida Wilson Martins (PSB), que tem bem menos tempo que os concorrentes da aliança governista, mas que vem usando bem a estratégia de resgatar no rádio e TV suas ações de governo. Isso explica boa parte dos cinco pontos que somou em 15 dias, tempo entre as duas últimas pesquisas. Com espaço semelhante ao de Wilson, Robert Rios (DEM) subiu quase quatro pontos.

Entre os cinco principais concorrentes ao Senado, o único que não cresceu foi Frank Aguiar (PRB), estacionando na casa dos 15 pontos percentuais e distanciando-se de Ciro e Wilson, os líderes da corrida pelas duas vagas de senador. O detalhe é que Frank Aguiar tem menos tempo de propaganda que seus concorrentes diretos e vem usando esse espaço com produções de pouco brilho.

Na corrida pelo governo do Estado, a propaganda eleitoral está ajudando a reduzir o número de indecisos. As série de cinco pesquisas realizadas pelo Opinar, desde junho, mostra que a soma de intenções de votos se mantinham em padrão semelhante nas quatro primeiras sondagens. Só muda na última, após a propaganda. Conforme mostra o quadro, em três meses, entre junho e início de setembro, a soma de intenções de voto atribuída a algum candidato ao governo variou de 64,76% a 66,35% – pouco mais de um ponto e meio de diferença. Em 15 dias de propaganda, a variação foi de quase oito pontos. Uma bela diferença.
 

DataFolha: 64% assistiram à propaganda eleitoral

Pesquisa do Instituto DataFolha (registro no TSE número BR-02376/2018) divulgada semana passada apontou que 64% dos brasileiros assistiram à propaganda eleitoral. Dos entrevistados, 36% disseram que esse espaço assegurado aos candidatos é “muito importante” para ajudar o eleitor a decidir.

O resultado reafirma especialmente a TV como o principal canal de informação do brasileiro em uma campanha eleitoral. Esse poder se faz ainda mais forte pela capacidade das emissoras de TV que, funcionando em redes afiliadas, alcançam uma grande audiência através de algumas poucas ações. No caso da overdose de propaganda eleitoral, vai ser raro o brasileiro que, querendo ou não, fique imune à pregação dos candidatos.

Wellington cresce, mas oposição diminui diferença

O candidato do PT ao governo do Estado, Wellington Dias, conseguiu quebrar a série de quedas nas intenções de voto, segundo aponta a quinta pesquisa Opinar/Cidade verde, divulgada neste início de tarde pelo Grupo de Mídias Cidade Verde. Desde junho, Wellington caiu de 50% nas intenções de voto para 37,15% no início de setembro. Agora volta a crescer, chegando a 39,93%.

Mas a oposição também cresceu: a soma dos demais candidatos ao governo saiu de 29,20% na pesquisa anterior para os atuais 34,28%. A diferença, que em junho era de 35,21%, caiu para 7,95% no início do mês de setembro e agora cai novamente, desta vez para 5,65 pontos percentuais. Wellington pode comemorar a estabilidade e, principalmente, a interrupção da série de queda. Já a oposição pode dizer que o segundo turno segue como uma possibilidade.

A nova pesquisa Opinar foi realizada entre 13 e 16 de setembro – portanto, entre quinta e domingo passado. É a primeira pesquisa estadual que traduz o cenário definitivo da disputa: quando entrevistados, os eleitores já podiam avaliar um mês de campanha nas ruas e duas semanas de propaganda no rádio e na TV.

A sondagem do Opinar aponta para a queda vertiginosa dos eleitores que não têm um candidato ou que manifestam o desejo de não votar em ninguém. Em junho a soma de intenções de votos estimulada era de 64,76%, índice que seguiu quase no mesmo patamar até meados de agosto (65,81%), portanto antes da campanha oficial. Nesta última pesquisa, com campanha de rua e propaganda no rádio e TV, a soma dos que fazem opção por um candidato já chega a 74.21%.
 

O poder de fogo de cada um na reta final

Com a queda significativa no número de indecisos e não-votantes, a nova pesquisa Opinar mostra que vão se estreitando as margens de ação dos candidatos ao governo do Estado. Os números falam por si: 12,75% responderam que não votarão em nenhum dos concorrentes ou vão votar nulo ou branco. Já os que não souberam ou não quiseram responder somam 13,03%. O desafio dos dez candidatos é buscar a atenção desse eleitorado que está por decdidir: Wellington, para garantir vitória no primeiro turno; a oposição, para permitir uma segunda rodada de votação.

RESUMO DOS NÚMEROS: O resultado mostra Wellington com 39,93% das intenções de voto, seguido de DR. Pessoa (Solidariedade), com 18,02%. O terceiro é Luciano Nunes (PSDB), com 11,74%, seguido de Elmano Ferrer (Podemos), que recebe 2,31% das intenções de voto. O quinto colocado é Fábio Sérvio (PSL), com 1,11%, seguido de Valter Alencar (PSC), com 0,74%. Sueli Rodrigues (PSOL), Luciane Santos (PSTU), Romualdo Seno (DC) e Lourdes Melo (PCO) registram 0,09% das intenções.

A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 16 de setembro, ouvidas 1.082 eleitores, em 54 municípios. Está registrada no TSE com protocolos BR-06496/2018 e PI-02809/2018.

Pesquisa Opinar, hoje, cria expectativa no governo e oposição


Wellington Dias: líder nas quatro pesquisas anteriores do Opinar, mantém expectativa sobre a sondagem a ser dvulgada hoje

 

Será divulgada hoje a quinta pesquisa Opinar/Cidade Verde. E ela chega gerando uma enorme expectativa entre os políticos, já que a nova pesquisa tende a traduzir com mais precisão o cenário eleitoral: a sondagem foi feita faltando apenas três semanas para a votação no primeiro turno e reproduz o olhar do eleitor após mais de um mês de campanha nas ruas e cerca de 20 dias de propaganda eleitoral no rádio e TV.

Salvo fatos que gerem uma inflexão nos rumos dos acontecimentos, ela tende a indicar com mais clareza a tendência de intenção de voto do eleitorado até o dia 7 de outubro. Há duas grandes perguntas, uma em relação ao governo do Estado e outra sobre a disputa pelo Senado.

Quanto ao governo, a questão é saber se há no horizonte uma consistente perspectiva de segundo turno. Na pesquisa anterior, a diferença entre Wellington Dias (PT) e a soma de intenção de votos dos adversários era de menos de 8%. A possibilidade de um segundo turno não estava descartada – muito pelo contrário. Mas a gigantesca estrutura de campanha de Wellington ainda não tinha conseguido o reforço da enorme campanha no rádio e TV.

A nova pesquisa vai dar um indicador mais razoável sobre o futuro da disputa.

No caso da corrida pelas duas vagas de Senador, a pesquisa anterior mostrou que era uma disputa de cinco: Wilson Martins (PSB), Ciro Nogueira (PP), Frank Aguiar (PRB), Robert Rios (DEM) e Marcelo Castro (MDB). Os candidatos têm discursos distintos, propostas diferentes e campanhas inteiramente diversas. É saber como o eleitor percebeu tudo isso.

A nova pesquisa Opinar/Cidade Verde será divulgada no Jornal do Piauí (TV Cidade Verde), em transmissão simultânea com a Rádio Cidade Verde (frequência 105,3) a partir das 12h25.
 

Governo confiante em vitória no 1º turno

No staff de Wellington Dias, que tenta o quarto mandato como governador do Piauí, ninguém espera surpresas na próxima pesquisa do Instituto Opinar. Ou pelo menos não deseja. A avaliação interna é que Wellington está bem na fita e que a pesquisa deve apontar um cenário em que o petista vença as eleições no 1º turno, dia 7 de outubro.

Os governistas apostam na enorme estrutura da campanha de Wellington, complementada por um amplo apoio das lideranças políticas no interior. Conta ainda com a pouca munição da oposição. Não que falte munição em discurso, mas sim em condições para empreender as ações de campanha.  Com isso, esperam ver consolidada uma maioria nas intenções de voto capaz de deixar à mão a vitória em primeiro turno.

A conferir.

Campanha mostra que reforma política impede renovação


Tudo como antes: regras aprovadas pelo Congresso para eleições deste ano são trunfo para manutenção das velhas forças políticas

 

O voto ainda não foi depositado nas urnas e não se pode precisar o índice de renovação nas Assembleias, Congresso e governos estaduais. Mas, pelo andar da carruagem, a velha elite política – no governo e na oposição – tem tudo para se sair muito bem nas eleições deste ano. E a razão desse desempenho deve ser depositado na conta da reforma política que foi feita sob medida para preservar os que já estavam por aí.

Esse esforço do Congresso – apoiado por praticamente todos os grupos que povoam o Parlamento – foi uma reação à Lava Jato. O medo de perder o foro alcançava uma boa fatia da Câmara e do Senado: sem mandato (e, portanto, sem o foro), cresce a possibilidade de prisão de muitos parlamentares envolvidos até a medula em escândalos de corrupção.

Em sendo assim, as regras para essas eleições foram desenhadas para beneficiar os de sempre.

Uma das mudanças mais significativas foi a redução do tempo de campanha. O período de pedido de voto ficou 40 dias mais curto. Quem já tinha cargo e, especialmente, quem já ocupava governos estaduais, podia entrar em campanha fazendo de conta que não estava em campanha – falava do alto do mandato. Os novos postulantes tinham que esperar o 16 de agosto. O mesmo vale para as restrições às ações de campanha: hoje os atos permitidos são muito menores, o que ajuda quem tem cargo ou é bem conhecido. Outra vez o novo fica em desvantagem.

A propaganda no rádio e TV também encurtou: perdeu quase duas semanas, o que de novo beneficia quem já é conhecido. Por exemplo: quem é governo estava fazendo campanha em nome das ações administrativas. Já os sem-mandato tiveram que esperar o 31 de agosto. Tem mais: a distribuição do tempo de propaganda privilegiou muito as grandes siglas. Mais um ponto a favorecer as elites dominantes dos grandes grupos políticos.

Para completar, tem o financiamento de campanha, agora com dinheiro público regado através do Fundo Eleitoral. Pois bem: o Fundo prioriza com grande vantagem as maiores siglas. Para completar, esse dinheiro é distribuído confirme critérios internos, definidos pelos próprios líderes dos partidos. E cada um olha para o próprio umbigo.
 

‘Profissionais’ da política ficam com 67% da grana

O levantamento é do jornal O Globo: os caciques dos partidos – que o jornal chama de “políticos profissionais” – abocanham 67% das verbas do Fundo Eleitoral. A grana é destinada pelas siglas aos candidatos à reeleição, ou a políticos que já foram deputado ou senador. Com isso, os nomes de fora da velha política estão comendo o pão que o diabo amassou.

Daí, cai a possibilidade de renovação. Tal perspectiva pode ser medida em milhões de Reais: os caciques partidários tomaram para si R$ 563 milhões, o que corresponde a 67% dos R$ 843 milhões do Fundo Eleitoral para candidatos ao Congresso Nacional. Quando muito, haverá a troca de 6 por meia dúzia. Um exemplo: concorrendo pela primeira vez ao cargo de deputada federal, Daniela Cunha está recebendo uma boa fatia do naco do Fundo Eleitoral que cabe ao MDB do Rio. Motivo? Ela é filha do ex-deputado Eduardo Cunha.

É a renovação sem mudança.

Próximas pesquisas podem incentivar 'voto útil'


Ciro Gomes, em Ceilândia, DF: esforço para manter a perspectiva de ir para o segundo da disputa presidencial

 

As pesquisas que serão divulgadas nos próximos dias, sobre a disputa pela Presidência da República, devem apontar movimentos estratégicos de grupos organizados da sociedade, e até mesmo de segmentos sem vínculos associativos mas com senso crítico. Esses movimentos se traduzem no chamado voto útil, e devem estar associados especialmente a três candidatos: Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT).

A atenção a esses três nomes tem uma razão óbvio: há quase um consenso de que uma das vagas no 2° turno está garantida, e ela pertence a Jair Bolsonaro (PSL), o candidato da ultradireita. Em sendo assim, restaria saber quem será o outro concorrente presente nas urnas no dia 28 de outubro. PT e PSDB se olham mutuamente, com recíproco sentimento de rechaço. Um não quer ver o outro na urna. E Ciro olha a tudo isso com esperança. Nesse jogo estratégico, Marina Silva (Rede) é vista com menores chances de entrar em campo.

O jogo estratégico está sendo considerado especialmente no PSDB. Os partidários de Alckmin estão perdendo a esperança de ver o tucano deslanchar. As pesquisas dos próximos dias, com olhar mais detido sobre DataFolha e Ibope, devem vir a público entre segunda e quarta-feira. E elas podem acender ou apagar as esperanças de Alckmin. Se o candidato do PSDB não mostrar fôlego e, ao mesmo tempo, Haddad apresentar bons resultados, é bem provável que muitos tucanos comecem a depositar interesse redobrado em Ciro Gomes.

Obviamente, esse cálculo leva em conta a possibilidade do petista colher os frutos do anúncio oficial de sua candidatura. Se os índices não forem generosos, aí é o próprio PT quem vai olhar para o lado e tentar escolher o adversário de Bolsonaro. E essa opção seria naturalmente Ciro.

O detalhe é que será preciso olhar com atenção para os índices do próprio Ciro. Nas últimas pesquisas, ele mostrou força no Nordeste, o reduto referencial de Lula. Se os lulistas nordestinos perceberem que Haddad representa bem o ex-presidente, é possível que Ciro colha algum revés nos índices de intenção de voto.

Mas tudo isso é expectativa. As pesquisas é que vão apontar caminhos a serem trilhados por cada um.
 

Como não comprar briga no 1º turno

Em uma campanha com perspectiva mais que concreta de um 2º turno, os candidatos têm duas preocupações na primeira volta. Primeiro, chegar entre os dois que vão para a segunda rodada de votação. Depois, evitar brigas que sejam insuperáveis com candidatos que ficam para trás e, no 2° turno, vão manifestar apoio a algum finalista.

Ciro Gomes deve estar vivendo esse dilema. Já de olho na possibilidade de Haddad avançar sobre seu reduto nordestino, Ciro andou alfinetando o petista. Por exemplo: comparou o ex-prefeito paulista a um poste – um segundo poste lulista, depois de Dilma, que considera um desastre. Esse tipo de fala gera animosidade e pode arrefecer o empenho dos petistas em um 2º turno em que o pedetista represente os progressistas.

Mas talvez Ciro tenha calculado bem esse gesto. Se for para o 2º turno com Bolsonaro, os petistas podem até manifestar algum desconforto. Mas, diante da outra opção, dificilmente deixariam de votar em Ciro.

Posts anteriores