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Em ato raro, prefeitura lança bases para redesenho urbano de Teresina

O prefeito Firmino Filho está encerrando o terceiro ano do que poderá ser reconhecida como a mais ousadas das gestões tucanas na cidade. E se é tucana, é a mais ousada das gestões dos últimos 35 anos, já que o grupo se instalou no Palácio da Cidade com a eleição de 1985. A atual gestão vem fazendo algo raro nas gestões públicas, entre elas as de Teresina: um olhar para o futuro, incluindo uma ideia de redesenho urbano da cidade. Isso não quer dizer que não haja problemas. Há, e muitos, nesse olhar para a frente.

O que temos de desenho de Teresina deve-se muito ao período tucano. Para o bem e para o mal, já que assinam quase tudo desses últimos 35 anos. E Teresina pode lançar sobre o grupo coisas toscas como o calçamento cabeça de jacaré (nasceu de um cálculo de economia de recursos e até hoje pagamos caro por isso). Ou a carência de um planejamento que enxergasse mais além das ações comezinhas, triviais. Apesar disso, o grupo carrega a fama de bom gestor, por méritos próprios e deméritos alheios – por exemplo, no comparativo com boa parte das gestões estaduais, que sequer dão conta desse trivial.

O que faz a atual gestão Firmino melhor que as anteriores é a decisão de não olhar só para o imediato. Cabe conferir:

• Cidade caminhável: começou a pensar ações para que o cidadão possa caminhar mais pelo centro da cidade, incluindo a revitalização da área. Não é tarefa fácil, já que tal mudança passa por mais árvores, calçadas amplas e retas – coisas nunca cuidadas no centro da cidade. Ah, e segurança (coisa do Estado).
• Inthegra: ainda gera muitas críticas, mas resolveu sair do discurso e implantar um modelo que é óbvio nos centros urbanos médios e grandes.
• Adensamento urbano: óbvio em qualquer centro urbano, mas esquecido Brasil afora e particularmente em Teresina. O tecido urbano espalhado é irracional e caro. Adensar é otimizar recursos. Problema: Firmino vende essa solução de longe prazo como se fosse para amanhã.
• Parques urbanos: está aí o Parque da Cidadania e o do Mocambinho. Teresina precisa de muito mais, especialmente de verde no Centro.
• Frei Serafim: começou a pensar a Frei Serafim. Uma boa ideia, ainda que norteada por decisões pré-concebidas e equivocadas. Mas o debate é um bom começo.
 

Ainda há muito pela frente

Ainda falta muito, mesmo nesse olhar para o futuro. Falta inclusive repensar a política habitacional – conectando-a com a ideia de adensamento. Vejamos:

• Política habitacional: Teresina bem que pode adotar regras que complementem as diretrizes nacionais de habitação. Isso é fundamental para não vermos grandes ou pequenos conjuntos espalhados, longe da infraestrutura básica.
• Metrô: como é do Estado, a prefeitura mal leva em conta no planejamento do transporte. Precisa ser pensado conjuntamente.
• Grande Teresina: Teresina se pensa sem conversar com as cerca de 15 cidades do entorno. É um erro.
• Emprego: não é problema da prefeitura? É sim. Mas falta diretriz, falta foco e falta (vale lembrar) parceria de entes como Estado. Nesse quesito, o pensamento tem sido pequeno, como atesta o Parque Empresarial Sul – não cabe uma grande planta industrial.
• Aeroporto: já se vão 8 anos de discussão de um novo aeroporto, mas nada anda. Em boa medida por inação da PMT.
• Parques urbanos: toda a cidade pede áreas de vivência e bem-estar. Falta atenção especial ao Centro – onde o verde foi sendo derrubado sem que o poder público o substituísse.
• Frei Serafim: um caso à parte, pelo valor identitário que carrega. Pensar em VLT? A prefeitura diz que é caro. É hora de lembrar em opções baratas que saíram caras, como o calçamento cabeça de jacaré. Ou opções justificadas pela ineficiência. Por exemplo, tirar as fontes da Frei Serafim justificando que elas eram foco de dengue.

Brasil ainda não sabe como melhorar produtividade

A discreta mas continuada melhoria no desempenho da economia não tem se refletido em um indicador fundamental para leitura, hoje, da qualidade da máquina econômica de um país: a produtividade. Ao contrário. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, a forma como vem se dando o aumento do emprego no Brasil – com alta informalidade – tem contribuído para a queda da produtividade, indicador que há muito já colocava o país na rabeira da lista de analisados pela OCDE.

A baixa produtividade no Brasil é uma construção de anos e anos, ou de quase duas décadas de foco basicamente no consumo. Aumentou-se a produção e deixou-se a estrutura de sempre, sem melhor resultado por hora trabalhada. A falta de qualificação de recursos humanos também ajuda na queda da produtividade. Um exemplo é a indústria: o parque indústria praticamente não se modernizou nos últimos 15 anos e a requalificação de pessoal passou ao largo. Resultado: entre os países analisados pela OCDE, só a indústria da Argentina está pior que a do Brasil.

Pois o que já era péssimo pode piorar, sim. E a produtividade no Brasil – que desceu a ladeira com a recessão de 2014 a 2016 – atropelou a discretíssima recuperação de 2017. Estacionou em 2018 e agora desce um degrau. Inicialmente o dado assustou os economistas. Mas estudo agora divulgado pela FGV coloca os pingos nos is: a qualidade do emprego tem muito a ver com essa queda. Quem entra na informalidade entra para “o que der”. Às vezes sem o devido conhecimento da área. Daí, o resultado em geral é aquém da média.

Claro, isso tem muito a ver com um dos fatores listados inicialmente: qualidade dos recursos humanos. E em matéria de qualificação (leia-se educação) o Brasil negligencia há muito. Há décadas. Ou séculos.
 

Produtividade brasileira é só 25% da americana

A produtividade é um cálculo que diz o quando se produz por hora trabalhada. E quando se faz essa conta comparando Brasil e Estados Unidos, a realidade brasileira fica exposta da pior maneira. Segundos dados do economista José Pastore, dirigente da Fecomercio de São Paulo, o brasileiro leva 1 hora para gerar a riqueza que os norte-americanos produzem em 15 minutos. Ou seja: a produtividade do trabalhador brasileiro corresponde a apenas 25% da de um americano.

Pelos cálculos de Pastore – que toma o PIB de cada país e as horas trabalhadas –, o Brasil produz em uma hora riqueza no valor de US$ 16,75. No caso dos Estados Unidos, o valor médio produzido a cada hora é de US$ 67,00. Alguém pode dizer: ah, mas são os Estados Unidos. Pois é: são os Estados Unidos, que nem lideram essa conta. O Brasil pode ficar pior na fita se a comparação for com Noruega (produção de US$ 75,00 por hora), Luxemburgo (US$ 73) ou Suíça (US$ 70).

130 anos depois, Brasil é República capenga em busca de estabilidade

O movimento cresceu pedindo reformas profundas. Mas se estabeleceu de vez como Poder através de uma mistura de sentimentos. A República chegou por intermédio de um golpe em que o nome de referência era, até vésperas, um monarquista. Mas foi ele quem conseguiu unir o Exército aos senhores agrários descontentes com a Abolição e a um batalhão de sonhadores que, em nome da res publica, já havia 20 anos pediam uma nova forma de governo. Hoje, exatos 130 anos depois, avalia-se que tipo de República o Brasil construiu. E a resposta talvez seja: construímos uma República capenga onde os avanços não escondem as desigualdades e a fragilidade de instituições fundamentais, o que deságua em outra característica – a própria instabilidade cívica.

Quando digo aqui “instabilidade cívica” é para falar menos da estabilidade política – do exercício do poder e da governabilidade – e sim de uma cidadania que carece de referências e princípios norteadores. Muitas vezes se assemelha a uma biruta, que olha para leste ou oeste conforme o vento do momento. É, no entanto, uma instabilidade com pai e mãe. Dá para apontar um leque de razões que implica na República que somos: desigual, injusta e que teima em negar as perspectivas que sempre nos colocam como naturais.

Os coronéis chegaram
Um dos pais (ou mães) desse quadro se estabeleceu precisamente na sequência da troca de comando: o “coronelismo”, um sistema clientelar que orbita em torno de mandas-chuva e se esmera em controlar as massas sobre as quais tem poder. Os coronéis ganharam esse nome porque as primeiras lideranças que exerceram esse tipo de poder foram membros da Guarda Nacional, que ainda no Império atuavam nas províncias como representação do Poder Unitário, o imperador.

Quando a República se estabelece com ação descentralizada, os presidentes precisavam reafirmar o poder no espaço local. E esses coronéis da velha Guarda Nacional estavam a postos, com o poder da força a determinar a “ordem” em cada canto. Estabilidade na marra – mas sem que isso significasse estabilidade cívica. As primeiras décadas da República tiveram de tudo, menos Democracia: foi a era da eleição a bico de pena, por exemplo. E da alternância entre os donos dos cafezais (São Paulo) e dos currais leiteiros (Minas).

Entre ditaduras e democracia
Novas mudanças chegaram com outro atropelo à ordem legal, a chamada “revolução” de 1930, que estabeleceu uma nova ordem política. Getúlio Vargas ficou por quatro anos no Poder em regime de exceção, até se constitucionalizar em 1934 e outra vez se desinconstitucionalizar em 1937, quando promoveu o auto-golpe que gerou uma ditadura de oito anos. Os ares contrários ao autoritarismo (que o fim da 2ª Guerra espalhou) chegaram aqui e Getúlio caiu, para prevaler o período de quase 20 anos da chamada democracia popular.

A Democracia foi varrida em 1964, para se estabelecer como regime fechado por 21 anos. A Nova Repúblicou trouxe o período mais livre de nossa história, desaguando em uma Constituição (a de 1988) que tem especial apreço aos valores inerentes à cidadania. Desde então, avançamos como nunca: na saúde, na educação, na produção. Mas sem motivos para grandes festas: estamos longe de ser um país justo e estável. Dois exemplos: 1) nesse período tivemos dois impeachments; 2) seguimos na rabeira em termos de igualdade social, perdendo para quase todos os colegas latinoamericanos.

Tudo isso quer dizer simplesmente que a nossa República está longe de ser uma res publica: continua uma coisa de poucos. Ou dito de outra forma: ainda temos muito pelo que lutar.

Bolsonaro vai se entregando ao pragmatismo

O discurso marcadamente ideológico empunhado na campanha ainda persiste. Mas o governo Bolsonaro vai aos poucos mostrando que dá lugar ao pragmatismo, deixando de lado o tom engajado e sectário. Esse tipo de mudança pode ser medido na relação com o Congresso, sobretudo em votações cruciais como a reforma da previdência. Nesses momentos pode-se anota os sutis afagos com as tradicionais lideranças da Câmara e Senado, contrariando o programa anti-política tão alardeado nos palanques e nas redes sociais, ano passado.

Mas o que vai mostrando que o pragmatismo ganha importante espaço nas ações do governo é a pauta externa. Aí a diferença é enorme. Vale lembrar: na campanha, o discurso era flagrantemente a favor dos Estados Unidos e de Israel, deixando em um lugar menor países como a China e a ampla comunidade árabe. Até mesmo o Mercosul era tratado com certo desprezo. Esse tom pautado pelo fator meramente ideológico foi dominante nos primeiros meses de governo. Não é mais.

O encontro dos BRICS, em Brasília, vai mostrando a outra face do governo. Ou melhor: vai mostrando que o presidente começa a superar o candidato – ainda que o presidente siga candidato, já de olho de 2022. No encontro dos BRICS, Bolsonaro ressaltou a intenção de ampliar relações com os parceiros de bloco (para lembrar, BRICS é referência aos emergentes Brasil, Rússia, Índica, China e África do Sul). E foi mais: logo no primeiro dia assinou acordo com a China, dizendo que o país asiático fará, cada vez mais, parte do futuro do Brasil.

No mês passado, já tinha visitado à própria China e países árabes. Tudo em nome das relações comerciais do Brasil, que tem na China seu principal parceiro e, nos árabes, um importante comprado de diversos itens de nossa pauta de exportação.
 

Teresa Cristina no lugar de Ernesto Araújo

No início do governo, uma das vozes mais ouvidas era a do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Ele bradava a favor de Israel e Estados Unidos, e até alfinetava China e países árabes. A voz de Ernesto foi desaparecendo. Foi silenciada sobretudo pelas ações (discretas mas incisivas) de uma colega de ministério: Teresa Cristina, a ministra da Agricultura. Sem alarde, ela mostrou o peso desses países na pauta de exportação do país.

Ainda no calor das declarações de Ernesto Araújo e da viagem de Bolsonaro a Israel, a ministra reuniu embaixadores dos países árabes. E levou o próprio Bolsonaro a fazer afagos nos velhos parceiros. Está levando a melhor. Com isso, está levando o governo a pensar menos no discurso e mais nas relações produtivas para o país.

PTB quer Paulo Roberto candidato em Teresina ou Monsenhor Gil

O PTB quer Paulo Roberto candidato. Mas ainda não sabe por onde: se candidato a uma vaga de vereador de Teresina ou à prefeitura de Monsenhor Gil. O Paulo Roberto, no caso, é aquele que ganhou um acréscimo no nome político – “da Iluminação" –, quando fez parte do secretariado de Elmano Ferrer na administração da capital piauiense. Como cuidava da iluminação em Teresina, levou o apelido. E, em 2012, também levou uma vaga de vereador na Câmara teresinense.

Mas Paulo Roberto da Iluminação tem origem política em Monsenhor Gil, onde foi prefeito no início da década passada. Mantém o vínculo com a cidade da Grande Teresina e não descarta a possibilidade de disputar outra vez a prefeitura municipal. Ao mesmo tempo, o PTB colocava o nome de Paulo Roberto na lista de candidatos a vereador da capital.

O partido, no entanto, tem feito avaliações e acha que Paulo Roberto pode ser uma boa alternativa para a prefeitura de Monsenhor Gil, até porque o ex-prefeito tem mantido estreita relação com o eleitorado do município. Daí, o plano inicial do PTB de reforçar a chapa a vereador de Teresina com o nome de Paulo Roberto pode ter que ser refeito.

O partido de João Vicente Claudino vê com bons olhos a possibilidade de ter um prefeito em uma cidade considerada estratégica.
 

Mais gente do interior na capital

Paulo Roberto da Iluminação já experimentou a travessia: sair de uma base no interior para a eleição na capital. Ele chegou à Câmara na eleição de 2012. Outros tentam caminho semelhante. É o caso de Antônio Félix, ex-deputado que sempre teve como principal base eleitoral a região de Campo Maior. Ele será candidato a vereador em 2020, em Teresina.

Antônio Felix já tinha algum apoio na capital, com votação próxima de 2.000 votos para deputado estadual. Quer ampliar a votação para pleitear uma vaga na Câmara. O mesmo acontece com Ribamar Cabelouro, ex-prefeito de Barras. Ele também está andando pelos bairros da capital visando construir uma base de apoio capaz de garantir um mandato de vereador.

Reis Veloso, o piauiense que fez o Brasil pensar global

João Paulo dos Reis Veloso foi um parnaibano sereno. Nem por isso passava discretamente. Não dava. Era uma usina mental e pensava grande demais, tanto que mudou o rumo do planejamento público do Brasil. Antes dele, o planejamento era meramente setorial, às vezes sem as partes dialogarem na construção do todo. Com Reis Veloso tudo mudou: o planejamento passou a ser integrado. E Reis Veloso, que ficou dez anos como ministro do Planejamento, ajudou a desenhar o chamado "Brasil Grande", do milagre econômico, das obras gigantescas e da inserção global de áreas como o agronegócio, que antes pensava pouco além dos quintais.

Reis Veloso é o tema do novo episódio do Persona, o Podcast Cidade Verde que traz sempre uma personalidade que marcou época e interferiu no rumo da história. E nesse episódio sobre o homem que mudou o planejamento do Brasil, um craque do planejamento público no Piauí: Felipe Mendes. Uma conversa que fala inclusive do planejamento de Celso Furtado (que deixava o Piauí de escanteio) ou das decisões de governos locais, como o de Alberto Silva, que não deu bolas para o plano de exploração dos cerrados.

Vale a pena ouvir esse episódio, muito revelador do passado que ajudou a desenhar o presente.

CONFIRA:
REIS VELOSO: o piauiense que fez o Brasil pensar global.

Livro de Hugo traz novas facetas da vida de JK



Uma das mais expostas das personalidades públicas brasileiras, o ex-presidente Juscelino Kubitschek será tema de um novo livro, desta vez do ex-senador piauiense Hugo Napoleão do Rego Neto. Hugo foi muito próximo da família JK e integrou o grupo de advogados que defendeu Juscelino já no período da ditadura, quando o ex-presidente se tornou um dos alvos do novo regime. O livro Eu Fui Advogado de JK será lançado em Teresina no próximo dia 4 de dezembro, trazendo novas facetas de um dos mais carismáticos políticos da história do Brasil.

Juscelino tem a vida muito bem documentada. A começar por ele mesmo, que escreveu uma ampla autobiografia. JK também nunca descuidou de registrar seus passos como gestor, seja como prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas ou presidente da República. Cada passo que dava em Brasília tinha o registro em fotos e filmes. Também são fartos os registros da vida social do “presidente Bossa Nova”, que não se furtava de deixar ver em bailes dançantes ou mesmo em serestas.

Hugo Napoleão traz agora novas facetas da vida de JK. E traz relatos a partir da observação direta, como participante de muitos episódios da trajetória do ex-presidente. Vale lembrar, o pai de Hugo, o embaixador Aluízio Napoleão, era amigo de Juscelino. Foi chefe de Cerimonial da Presidência da República no mandato do filho de Diamantina: o cargo, sempre reservado a um diplomata, soube a Dr. Aluízio, que também é uma lenda no Itamaraty.

Dessa forma, Hugo naturalmente se tornou próximo da família. Tanto que foi fonte para a Rede Globo quando a emissora dos Marinho decidiu fazer uma minissérie sobre o mineiro. Em certo momento da minissérie, JK se dirige a uma das filhas e diz: “Vá dançar com o Huguinho”. A reverência era a Hugo Napoleão, que ao seu estilo também encantava as plateias. Agora, é a filha Maria Estela Kubitschek que assina o prefácio do livro sobre o pai.
 

Momento difícil da vida de JK

O livro de Hugo Napoleão faz parte da coleção “Memórias do Parlamento”, da editora CEAT. Nele, Hugo não faz um relato da própria vida, mas de um momento em particular que viveu, exatamente quando iniciava na vida pública – e como advogado de JK. Foi um período particularmente difícil da vida do ex-presidente, perseguido em plena ditadura, que se esforçava em fazer um linchamento moral de seus principais adversários.

Hugo tem um papel importante nesse momento, em contato permanente com Juscelino. Traz relatos desses encontros e também contextualiza os fatos com referências ao momento histórico e às movimentações de todo o grupo de advogados de defesa. Dessa forma, o livro de Hugo traz luzes importantes sobre a nossa história, mesmo falando de um político que sempre esteve sob os holofotes – inclusive por gostar muito de se mostrar para as luzes.

Lula, mundo afora: longe da esperança de 2003

Quanta distância entre janeiro de 2003 e novembro de 2019. No início de 2003, Lula assumia o Planalto sob o olhar esperançoso do mundo. Quase 17 anos, o agora ex-presidente sai da cadeia com registros da imprensa internacional que acentua não apenas aspectos controversos do julgamento do petista como possíveis desdobramentos preocupantes pelo fim da prisão em segunda instância – que deve por fim de vez à Lava Jato e colocar nas ruas a 5 mil presos. Hoje, Lula está longe de inspirar a esperança de antes. E o Brasil também.

Quando tomou posse em 2003, Lula encantou meio mundo por um bom tempo. Mas o vaso de porcelana começou a trincar já em 2005, com o Mensalão, depois recebendo novas fissuras com outros episódios negativos, desde os cartões corporativos até o Petrolão. O Brasil que encantou foi aos poucos voltando à leitura de sempre: uma república de bananas. Nessa volta à velha imagem, o Petrolão foi especialmente responsável.

A soltura de Lula, ontem, recebeu aplausos de poucas lideranças políticas relevantes, quase todas aqui mesmo no continente. Um dos mais efusivos foi Nicolás Maduro, que nunca passou muito de uma caricatura de líder. Cristina Kirchner festejou, mas já não tem o peso de antes, carregando o mesmo tipo de acusação que o ex-presidente brasileiro. Sobram poucos com voz ressoante, como Alberto Fernández (mesmo ainda um subproduto de Cristina) e Bernie Sanders.

Na imprensa, o registro da soltura foi imediato. Mas sem empolgação. Quando muito, colocando Lula como contraponto a Bolsonaro. É muito pouco para quem já foi a esperança de meio mundo.
 

El País, longe do ‘Brasil, ano I’

Talvez nenhum meio de mídia internacional tenha apostado tanto no PT quanto o espanhol El Pais. Foi esse jornal que, em janeiro de 2004, quando Lula completava um ano de poder, estampou na capa de sua revista dominical: “Brasil, ano I’. Era como se tivesse havido uma refundação do país. O curioso é que a capa trazia a foto de uma das estrelas petistas da época: a então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy.

Marta saiu do partido e boa parte dos petistas abandonaram o petismo sem deixar o PT. Conferindo a edição espanhola do El Pais na web, na manhã deste sábado, podia-se ver que o tema Lula sequer aparecia na parte de cima do portal. Também não estava entre as dez mais lidas da edição espanhola – na edição brasileira, claro, estava no topo. Há dois atenuantes: a Espanha tem eleição amanhã e, hoje, o mundo assinala os 30 anos da queda do muro de Berlin.

Mas vale notar: o tom adotado pelo El País na edição espanhola está longe, muito longe, da ideia de que Lula refundou ou refundará o Brasil.


Edição digital do El Pais na manhã de sábado: espaço destacado para eleição geral e queda do muro

Supremo: nem herói, nem bandido

Em um clima polarizado em que o arco-íris político apresenta apenas as cores extremas, as pessoas ou as instituições passam instantaneamente da condição de herói à de bandido, ou vice-versa. E, depois da decisão que modificou o entendimento sobre a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, o Supremo Tribunal Federal (STF) é a figura da vez. Não falta quem o aponte como bandido; ou como herói.

A decisão do Supremo deve ter como consequência imediata a soltura de cerca de 5 mil presos, entre eles um nome em destaque: o ex-presidente Luiz Inácio Lula. E tem como juiz central na mudança de entendimento a figura do ministro Gilmar Mendes: o mesmo Gilmar que há pouco era o satanás para muitos petistas, agora é a própria face da heroicidade. Para os que desejavam ver Lula seguir entre as grades, o ministro também muda de lugar, mas sendo escorraçado do posto de herói.

O mesmo tipo de julgamento vai emoldurar a imagem da própria Corte. Os que a festejavam há pouco, agora a criticam; e os que, não faz muito, jogavam tomate no colegiado, agora tomam a instituição com um carinho e afeto irrefreável. E a leitura desse episódio deve ser menos simplista e caricatural. O Supremo não é nem herói nem bandido, até porque dos 11 ministros, só um mudou de posição.

Pode-se (ou até deve-se) questionar o contexto do julgamento e também a pressa de revisar um tema sobre o qual a Corte tomou posição há pouco mais de três anos. Muito pouco tempo. Mas é a tal da fulanização das decisões: a pauta é feita segundo interesses específicos. E esse é um problema das instituições no Brasil – daí a importância do questionamento sobre o tema.

Mas levar tudo para o jogo herói x bandido, é reduzir demais a discussão.
 

Gilmar, o ponto fora da curva

Poucos estudiosos do Direito entendem a pressa do Supremo em voltar a julgar a questão da prisão com a condenação em segunda instância, pouco mais de três anos após decisão sobre o tema. Sobretudo porque a composição da Corte tem dez dos 11 julgadores da etapa anterior. Mas o caso voltou, tendo Gilmar Mendes como grande defensor dessa revisão. Não por acaso, Gilmar é o ponto fora da curva: de todos os que participaram das duas votações, foi o único a mudar de posição. O que via como constitucional, passou a enxergar como inconstitucional.

Todos os demais votaram como antes. A favor da prisão após condenação em segunda instância: Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Carmen Lúcia. Contra: Marco Aurélio, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Celso de Melo e Dias Toffoli. Alexandre de Moraes votou a favor, mantendo uma posição que cultivada desde quando era professor constitucionalista. A diferença foi mesmo Gilmar Mendes, que mudou de posição e permitiu que o placar se repetisse, mostrando a divisão do Supremo.

Mas Gilmar, como ponto fora da curva, levou o desempate dom placar para o outro lado. E um voto mudou tudo.

Seis meses antes da eleição, UFPI já tem 4 candidatos a reitor

Faltam ainda seis meses para a eleição que a Universidade Federal do Piauí (UFPI) fará para escolha da lista tríplice prévia à escolha do próximo reitor da instituição. Apesar da distância, a campanha começa a ganhar corpo, com movimentação de potenciais candidatos ao principal cargo na Universidade. Quatro nomes se destacam desde já, em um cenário que tende a se definir pra valer no início do próximo semestre letivo.

A eleição direta na UFPI deve acontecer no início de maio. Os três nomes mais votados serão enviados para o Ministério da Educação, que escolhe o reitor. Nessa eleição, votam professores, servidores de nível técnico e alunos. Mas os grupos têm peso diferentes: os professores representam 70% do peso, cabendo a servidores e alunos dividirem os 30% restantes, com peso igual de 15%.

Dos quatro nomes que se movimentam, dois são já bem conhecidos: a vice-reitora Nadir Nogueira e o diretor da EAD, Gildásio Guedes. Os nomes que se apresentam como novidade são Nelson Juliano (ligado ao curso e ao mestrado em Direito) e André Macedo, da Computação.
 

Os nomes já lançados

Até o momento, estão se movimentando (em articulações e até mesmo reuniões) esses quatro candidatos. São dois que se posicionam na oposição e dois dentro do leque de aliados diretos da atual gestão.

Nadir Nogueira: ligada ao curso de Nutrição, é vice-reitora de Arimatéia Dantas, repetindo a aliança pelo segundo mandato seguido. Ela é considerada o nome mais forte no lado dos que governam a UFPI neste momento, superando André Macedo, que também se coloca como postulante à Reitoria.
• André Macedo: ligado ao Departamento de Computação, é o atual ocupante da Pro-Reitoria de Planejamento. Tenta se firmar como alternativa a Nadir dentro do grupo que está à frente da universidade. Admite-se que pode ser candidato mesmo que o reitor Arimatéria Dantas se decante pela vice-reitora.
Gildásio Guedes: com formação na área de Matemática, é diretor do Centro de Educação Aberta e a Distância da UFPI. Tem raia própria como estrutura de poder. Já tentou ser candidato outras vezes, quando abriu mão para nomes como Luiz Júnior. Mas agora não quer abrir mão dessa possibilidade.
Nelson Juliano: professor de Direito e ex-diretor do CCHL, é liderança em ascensão. Nelson se posiciona como alternativa para o que seria um novo modelo de universidade, mais integrada à comunidade. E também se articula para ser o mais claramente de oposição à atual gestão, junto com lideranças no CCS, CT e campi do interior.

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