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Mesmo com pandemia, Piauí tem aumento de 7,7% nos assassinatos

Mesmo com a quarentena, o Brasil registrou um aumento de 6% no número de assassinatos no primeiro semestre deste ano. E o Piauí teve aumento acima da média: foram 7,7% mais mortes violentas que nos seis primeiros meses do ano passado, conforme informa o balanço do Monitor da Violência divulgado hoje. Os números também apontam para o Nordeste como o grande puxador do aumento dos assassinatos, em uma posição completamente diversa da verificada no ano passado.

O Monitor da Violência é uma iniciativa do portal de notícias do Grupo Globo com o Fórum Nacional de Segurança Pública e o Núcleo de Estudos da Violência da USP. O levantamento contabiliza os dados fornecidos pelas secretarias de segurança de cada estado. Conforme os dados agregados para o semestre, o Brasil contabilizou 22.680 mortes violentas, contra 21.357 nos primeiros seis meses do ano passado. Fora, portanto, 1.323 mortes a mais este ano. Os dados vão na contramão do ano passado, quando o Brasil alcançou redução de mais de 19% no número de assassinatos.

O Piauí contabilizou no período 320 assassinatos, conforme o levantamento do Monitor com base nos dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado. O mês com maior número de homicídios foi abril, com 68 mortes violentas. Este ano, o Piauí teve os seguintes registros por mês: 46 mortes violentas em janeiro; 51 em fevereiro; 52 em março; 68 em abril; 45 em maio e 58 em junho – que foi o mês com o segundo maior número de homicídios.

Os dados do Piauí se colocam dentro de um cenário em que todos os estados nordestinos registraram aumento de homicídios.
 

Ceará dobra o número de assassinatos

O estado do Ceará foi, no ano passado, o grande destaque na queda do número de assassinatos. Este ano volta a ser destaque, mas pelo movimento inverso: foi o estado com o maior aumento de mortes violentas, dobrando o número de homicídios em relação ao ano passado. Esse comportamento é relacionado à presença de organizações criminosas no estado e às rebeliões verificadas este ano por lá. Mas o Ceará não está só: o Nordeste, com aumento de assassinatos em todos os estados, foi o grande puxador do aumento da violência no país.

No balanço deste primeiro semestre, é o seguinte o registro do aumento de assassinatos na região: Alagoas (15,5%), Bahia (5,6%), Ceará (102,3%), Maranhão (21,1%), Paraíba (19,4%), Pernambuco (11,5%), Piauí (7,7%), Rio Grande do Norte (8,5%) e Sergipe (7,3%). Na contabilização geral, o Nordeste teve um aumento de geral de 22,4% no número de homicídios. As demais regiões reduziram ou ficaram praticamente estáveis, casos do Sudeste (-0,8%), Sul (1,7%), Norte (-13,8%) e Centro-Oeste (-10,4%).

Desempenho de Fábio Abreu pode levar à reavaliação da candidatura do PT

Não estava nas contas do Palácio de Karnak: o desempenho do deputado Fábio Abreu (PL) não apresenta a evolução esperada na performance registrada pelas pesquisas e se mantém a uma boa distância de Dr. Pessoa (MDB). Pior, o Capitão já vê a aproximação do candidato tucano Kleber Montezuma (PSDB). Esses desempenhos trazem de volta um fantasma que atormenta há meses a candidatura do deputado Fábio Novo (PT), sempre cercado pelas especulações de que seu nome pode ser riscado da lista de concorrentes, em benefício do liberal.

O PT, particularmente os candidatos a vereador, não querem nem falar do assunto. Uma candidatura própria é importante para dar gás à busca por mais espaço na Câmara. Além disso, há quem no partido acredite que Novo pode crescer substancialmente. No Palácio de Karnak, no entanto, o pragmatismo pode falar mais alto. E o governador Wellington Dias tem bem claro o que deseja este ano na eleição de Teresina: colocar no segundo turno um candidato que realmente o represente para, então, procurar vencer o PSDB.

No cálculo do Karnak, há dois aspectos relacionados à candidatura de Dr. Pessoa. Primeiro, não se imaginava a permanência em um patamar tão elevado. Segundo, ele não é considerado um nome “de Wellington” e sim de Themístocles Filho. Wellington quer o presidente da Assembleia por perto. Mas não tão forte. E por isso aposta em Fábio Abreu. Mas Abreu patina e deixa dúvidas – o que pode levar o governador a uma operação de socorro, de fortalecimento da candidatura do Capitão.

Esse reforço pode vir às custas de apoios de outras siglas. Entre elas o PT.
 

Chapa de vereador é mais um problema

Nessa reta final da pré-campanha e às vésperas das convenções que formalizam as candidaturas a prefeito e vereador, o PT tenta manter o projeto de ampliação da representação na Câmara. Hoje são dois vereadores. A sigla quer, pelo menos, dobra. Mas enfrenta dificuldades: muitos postulantes mudaram de planos e desistiram do projeto, em um cenário em que a pandemia foi o principal desestímulo. Por isso o partido se viu obrigado a um esforço de última hora para levar às urnas uma chapa grande e competitiva.

Mas o PT pode não ter os 44 candidatos a vereador que a lei permite. Corre o risco até mesmo de ficar mais próximo do número 30. Seja como for, a candidatura majoritária era um reforço importante e um argumento sempre utilizado para estimular os concorrentes. As especulações em torno de uma possível reavaliação da candidatura de Fábio Novo não ajudam a consolidar as candidaturas à Câmara Municipal. E por isso o partido birra em nem querer discutir o assunto.

Ciro e Firmino definem no final de semana o vice de Kleber

O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, estará no final de semana em Teresina. E tem como principal ponto de seus compromissos uma reunião, no sábado, com o prefeito Firmino Filho (PSDB). O objetivo do encontro é definir o nome que vai compor a chapa de Kleber Montezuma para a disputa pela prefeitura da capital. Diversos nomes são especulados, mas as informações tanto no Palácio da Cidade quanto no entorno do senador é que não há ainda um desenho explícito sobre quem será vice de Kleber.

Um dos nomes mais badalados nas últimas semanas foi o do ex-prefeito Silvio Mendes, que até voltou a se filiar ao Progressistas – o que foi lido por muitos como uma forma de Silvio se colocar à disposição da campanha de Kleber. Mas o ex-prefeito sempre foi apontado como uma alternativa para o caso da candidatura de Kleber Montezuma mostrar pouca consistência popular: nesse caso, Sílvio seria um alicerce para o ex-secretário de Educação. Mas hoje avalia-se que o candidato tucano vem mostrando uma consistência além da esperada.

Também foi especulada a possibilidade de uma mulher ser a escolha para o posto de vice. Falou-se, por exemplo, em Celina Tourinho, filiada ao Progressistas e pré-candidata a uma cadeira na Câmara Municipal. Celina não dá sinais de que tenha recebido algum indicativo de que pode mudar de projeto e segue se movimentando para garantir apoio como candidata a vereadora. Outros nomes citados são os dos vereadores Aluízio Sampaio e Graça Amorim (ambos do Progressistas), mas sem nada de concreto até agora.

A reunião de Ciro e Firmino, no sábado, vai procurar colocar um ponto final nas especulações. Com um detalhe: os dois sentam-se à mesa de discussão munidos de várias pesquisas internas que mostram quais os pontos que precisam ser fortalecidos na campanha de Kleber.

E como um vice pode ajudar nesse propósito.

79% dizem que reabertura das escolas agravará pandemia

Por enquanto, apenas três estados e o Distrito Federal têm cronograma definido para retomada das atividades presenciais nas escolas. O tema ainda gera muita discussão mesmo entre especialistas e a maioria dos estados não tem uma certeza sobre o retorno. Mas para a grande maioria dos brasileiros, o retorno à sala de aula terá um efeito nada desejado: o agravamento da pandemia. O temor dos brasileiros é revelado por pesquisa do Datafolha, divulgado hoje pelo jornal Folha de S. Paulo.

Segundo o levantamento do Datafolha, nada menos que 79% dos entrevistados afirmam que a retoma das atividades nas escolas vai agravar o quadro da pandemia. Esse índice é dividido em dois grupos, o que veem que a situação vai ficar grave ou muito mais grave. E o maior grupo é o que enxerga um cenário mais negativo: dos entrevistados, 59% dizem acreditar que a retomada do ensino presencial vai piorar muito a situação. Os que acreditam que vai piorar um pouco somam mais 20%. Para 18% não haverá efeito na disseminação do vírus, e 3% disseram não saber responder.

A pesquisa foi realizada nos dias 11 e 12 de agosto, ouvindo 1.065 pessoas. O resultado reafirma levantamento anterior que já mostrava o temor dos brasileiros com a retomada das atividades presenciais nas escolas. Em sondagem semelhante feita em junho pelo Datafolha, 76% responderam que as escolas deveriam seguir fechadas. A nova pesquisa mostra uma oscilação positivo, mesmo mantendo-se na margem de erro.

Agora, conforme a pesquisa de agosto, 79% querem as escolas fechadas pelo menos pelos próximos dois meses.
 

Maioria defende escolas fechadas

O Datafolha questiona os entrevistados sobre a expectativa de reabertura das escolas, no horizonte dos próximos dois meses. A resposta contra a reabertura é contundente: 79% dizem que devem permanecer fechadas, sem atividade presencial. Os que se posicionam a favor somam 19%. A ideia de manutenção das escolas fechadas tem resposta positiva em todas as faixas etárias e de renda e em todos os estratos pesquisados pelo Datafolha. Mas, conforme a pesquisa, há variação nos índices quando se observa o sexo.

Entre os homens, 22% são a favor da reabertura, número que desce a 17% entre as mulheres. Quanto ao tipo de ocupação, os trabalhadores sem registro em carteira são os que proporcionalmente mais defendem a reabertura (32%), seguidos pelos estudantes (31%) e empresários (27%). Outro grupo com mais defensores da volta às aulas presenciais são os que afirmam estar “vivendo normalmente” durante a pandemia (38%) e os que avaliam o governo Jair Bolsonaro (sem partido) como ótimo ou bom (29%).

Bolsonaro pode ser reeleito no primeiro turno, diz Ciro Nogueira

O senador piauiense Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, não tem se furtado a ocupar o lugar de grande articulador do apoio político no Congresso Nacional ao presidente Jair Bolsonaro. E coloca o apoio do “Centrão” – onde o Progressistas é a maior bancada – como fundamental para a recente estabilidade alcançada pelo governo. As declarações do senador foram feitas em uma longa entrevista (de 54 minutos) à rede CNN, ontem. Ciro afirmou que a moderação nas falas do presidente da República não foram “um pedido” do Centrão, mas “um argumento” em defesa do diálogo e boa relação institucional.

Para o senador, Bolsonaro está dando a volta por cima tanto pelas mudanças de postura como por ações tipo Auxílio Emergencial. E já é visto pelos políticos como o favorito nas eleições de 2022.O líder dos progressistas vai além na análise e acredita que Bolsonaro pode vencer a disputa no primeiro turno.
A coluna destacou alguns pontos da entrevista de Ciro.
 

O que Ciro disse na entrevista

• Papel do Centrão: o senador Ciro Nogueira vê o Centrão como fundamental para a estabilidade política recente. Acrescenta que todo avanço no país “nos últimos 30 anos” teve participação do grupo.
• Eleição na Câmara: vê a divisão do Centrão (saída do MDB e DEM) como algo simbólico e sem efeito prático. E acredita que haverá consenso entre os centristas, incluindo Rodrigo Maia.
• Reeleição de Bolsonaro: vê Bolsonaro muito forte. Tem o apoio da direita e agora soma o centro, e conta com resposta popular. Pode "ganhar no primeiro turno", diz.
• Eleitor apaixonado: para Ciro Nogueira, o presidente tem seguidores apaixonados como nunca antes visto. Atribui isso a uma percepção popular como “é um de nós”, com linguagem simples e direta.
• Bolsonaro no PP: Se o presidente não conseguir viabilizar o Aliança, tem as portas do Progressistas abertas. “Acho que ele nunca deveria ter saído”.
• Ruptura com Wellington: Diz que ele tinha com Wellington Dias um projeto para o Estado. “Mas ele demonstrou que tem um projeto de partido apenas”.
• Fura-teto: defende recursos especiais para obras, e festeja os ministros Tarcísio de Freitas e Rogério Marinho pelas obras de infraestrutura.
• Lava Jato: Elogiou as ações de Augusto Aras sobre a Lava Jato. “Foi a maior operação de combate à corrupção, mas não está acima da lei”.
• Bolsonaro cabo eleitoral: Ciro acha que o presidente não deve se envolver nas campanhas municipal deste ano. Mas vê as ações de Bolsonaro um forte apelo a ser empunhado pelos aliados.

Piauiense Pedro Felipe será Secretário-Geral com Fux no STF

Foto de Arquivo

Juiz Pedro Felipe Santos: com Luiz Fux presidente do STF, será o Secretário-Geral da Corte

O juiz federal Pedro Felipe Oliveira Santos vai ser o Secretário-Geral do Supremo Tribunal Federal (STF) a partir do próximo mês, quando toma posse na presidência da Corte o ministro Luiz Fux. O nome do juiz piauiense vinha fazendo parte das especulações sobre a equipe de Fux à frente do STF. Chegou a ser citado pela Folha de S. Paulo no mês passado como o principal cotado para o posto. Hoje foi a vez de O Globo, através da coluna de Lauro Jardim, já dando como certa a indicação de Pedro Felipe.

O blog apurou que o juiz – hoje lotado na Justiça Federal do Tocantins – já faz parte da equipe de transição da gestão Toffoli para a de Fux. E que a indicação para a Secretaria Geral está sim definida, embora ele só vá ser nomeado depois da posse do novo presidente da Corte. O juiz federal é apontado como um dos nomes mais promissores no Judiciário brasileiro. Tanto que o título da nota na coluna de Jardim era “A estrela sobe no STF”.

Pedro Felipe nasceu em Teresina e tem hoje 33 anos. Cursou Direito na UNB. Destacou-se logo cedo ao ser aprovado em primeiro lugar no concurso para Juiz Federal quando tinha apenas 25 anos, tornando-se o mais jovem magistrado federal do país. Tem desenvolvido uma forte e rápida carreira. Fez mestrado em Harvard (Estados Unidos) e está na fase de produção da tese de doutorado pela universidade inglesa de Oxford.

Já fez parte da equipe de Luiz Fux no STF e agora é alçado ao cargo de Secretário-Geral, que vem a ser o posto jurídico mais importante na estrutura de apoio à presidência do Supremo.

Confira a carreira de Pedro Felipe:
• Juiz federal desde 2013
• Antes de ser juiz, foi defensor público federal por 3 anos
• Mestre por Harvard e atualmente cursando o doutorado pela Universidade de Oxford
• Professor de direito constitucional, com publicações nacionais e internacionais
• Coordenador pedagógico da escola de magistratura federal do TRF1 desde 2018.

Ciro não quer dar trégua a Wellington. E vice-versa

Foto: Arquivo CV

Depois que anunciou o rompimento com o Progressistas do senador Ciro Nogueira (PP), o governador Wellington Dias (PT) partiu de vez para o ataque e decidiu não dar trégua ao ex-amigo. Como demonstração, está atraindo para o seu lado aliados de Ciro (com Wilson Brandão e Hélio Isaias). Mas a “gentileza” tem reciprocidade, e Ciro atacou precisamente em um ponto que Wellington depositava muita esperança: a possibilidade de redirecionar parte dos recursos do precatório do Fundef, da educação para a área de saúde. Ciro não vai deixar barato.

A própria decisão do Supremo tribunal Federal (STF) que deu ganho de causa ao Piauí na ação do Fundef, determinou que toda a bolada de R$ 1,65 bilhão fosse aplicada exclusivamente na educação. Wellington chegou a falar em fazer “uma revolução” com esse dinheiro. Mas há um mês decidiu entrar com uma ADI no STF para poder usar R$ 578 milhões na saúde. O governador utilizou o recurso de uma medida cautelar, que poderia ser decidida pelo ministro de plantão, no caso o presidente do STF, Dias Toffoli. Mas Toffoli não decidiu nada, o recesso judiciário acabou e a matéria foi distribuída (para ser apreciada pelo Pleno) e caiu nas mãos da ministra Carmen Lúcia.

Além de Carmen Lúcia pedir manifestações de outros atores (como a AGU, CGU e MPF), agora o caldo engrossa de vez porque o Progressista decidiu entrar com uma ação para garantir que a decisão original do STF seja mantida. Ou seja: que os recursos do precatório do Fundef sejam aplicados exclusivamente na educação. Ciro lembra que o próprio Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE) já havia cobrado atenção a essa decisão do STF. E que o TCE também tinha exigido um cronograma transparente de aplicação do recurso. Para Ciro, o que é da educação deve ser aplicado na educação. Mas o que fica evidente mesmo é o empenho do senador de não deixar barato para o agora desafeto Wellington Dias.

Com um detalhe: a ação de um deve ter sempte o troco do outro. Até 2022.
 

Wellington joga as fichas em Teresina

O governador Wellington Dias (PT) não apenas decidiu romper com Ciro Nogueira (PP). Decidiu também jogar todas as fichas no confronto direto com o líder do Progressistas na definição de forças dos dois grupos que estarão em lados opostos em 2022. E esse confronto vai se dar em muitas cidades estratégias do Estado. Só estarão juntos naqueles lugares em que, por fatores locais, realmente não é possível o enfrentamento. No resto, é puxar a faca. Sobretudo em Teresina.

Na capital, o governador tem em mente que o PT nunca teve bom desempenho (só em duas vezes teve mais de 20% dos votos, em 2000 e 2008). Mas agora Wellington parece ter uma preferência. E não é o candidato do PT: é Fábio Abreu, do PL. Acredita no potencial do deputado federal de chegar ao segundo turno e até na possibilidade de vitória. Se conseguir, avalia que será um ganho extraordinário porque fragilizaria Ciro e também Firmino Filho – que pode ser o adversário direto de Wellington por uma vaga no Senado em 22.

Com tradição governista, Nordeste enche a bola de Bolsonaro

Depois das eleições de 2018, multiplicaram-se os posts na internet apontando o Nordeste como o rincão da resistência ao conservadorismo. As postagens, proliferadas pelos segmentos mais à esquerda, festejavam o fato de Jair Bolsonaro não ter vencido em nenhum estado da região. Como bordão, a série de postagens até podia ter sentido. Mas a realidade é vem outra: o Nordeste costuma ser governista. E, ainda com alto índice de pobreza, bastante vulnerável às ações que dialogam com o assistencialismo.

A última pesquisa do DataFolha (divulgado hoje pela Folha de São Paulo) parece dar razão a esses argumentos e coloca alguns palmos de terra sobre a ideia de que somos o local da resistência anticonservadora. Conforme o DataFolha, Bolsonaro alcançou agora a maior aprovação desde que tomou posse (tem 37% de conceitos ótimo e bom). E chama atenção a rejeição ao presidente aqui no Nordeste, que caiu de 52% (em junho) para 35% (em agosto) – um recuo de 17 pontos. Nada desprezível. E o que pode explicar esse novo olhar da opinião pública?

Há certamente uma mudança de estilo: o presidente abandonou o confronto aberto e passou a adotar um tom mais moderado. Mas o que deve explicar a maior parte da mudança, pelo menos no Nordeste, é a consolidação do Auxílio Emergencial, aquele das três parcelas de R$ 600,00. É aqui onde está a maior fatia de beneficiados. Para dar força a essa análise, o DataFolha mostra que a soma de ótimo e bom entre os que pediram ou receberam o Auxílio é acima da média nacional: 42%.

Não por acaso o governo vem se empenhando tanto em viabilizar não apenas uma nova etapa do Auxílio, como (e principalmente) o seu Renda Brasil.
 

Velha fórmula que até a ditadura usou

A popularidade turbinada à base de programas de socorro a vulneráveis não é coisa nova. Tem algo parecido desde Getúlio. Mas ganha contornos bem nítidos na ditadura, que criou o Funrural para garantiu aposentadoria a quem (teoricamente) não tinha como comprovar vínculo trabalhista no campo. Sarney tentou o Programa do Leite. Mas foi Lula quem conseguiu mais, com o Bolsa Família, a repetir Getúlio como Pai dos Pobres. Agora é a vez de Bolsonaro tentar algo parecido com o Auxílio e, de forma mais duradoura, com o Renda Brasil.

A fórmula nega o ditado chinês: essas ações não ensinam a pescar, e simplesmente entregam o peixe já frito. Mas garante aval popular àquele que assina o programa de ajuda: é aplauso do povão garantido. O Nordeste, ainda cheio de carências, mais uma vez bate palmas e – outra vez – valida o governo de plantão. Alguém pode dizer: mas essas ações não transformam a vida das pessoas; só amenizam a crueza. Verdade. Mas o propósito imediato é esse mesmo.

Situação ganha eleição para reitor da UFPI pela 8ª vez

Uma tradição se confirmou ontem na votação para a escolha do futuro reitor da Universidade Federal do Piauí (UFPI): como ocorreu em todas as disputadas desde 1994, o candidato da situação venceu. É a oitava vez que isso ocorre: uma com Charles Silveira, duas com Pedro Leopoldino, duas com Luís Júnior, duas com Arimateia Dantas e agora com André Macedo, candidato apoiado pelo reitor.  André, que ocupava a Pró-Reitoria de Planejamento da instituição, alcançou 45,64% dos votos ponderados, já que os segmentos da comunidade acadêmica (professor, servidor e alunos) têm pesos diferentes na contabilização final.

A segunda colocação coube à atual vice-reitora, Nadir Nogueira (27,23% dos votos ponderados), seguida de Gildásio Guedes (21,14%). O voto ponderado leva em conta o peso de cada segmento na contabilização: o segmento docente representa 70% dos votos, enquanto servidores e estudantes têm peso de 15%, cada. André Macedo venceu em dois segmentos (professores e servidores) e Gildásio Guedes foi vitorioso entre os alunos – o que permitiu que tivesse mais votos nominais, antes da ponderação.

O resultado (ver gráfico) será publicado hoje pela Comissão Eleitoral, dando-se um prazo para possíveis questionamentos dos candidatos. O resultado final, após resolvido qualquer questionamento, será encaminhado ao Conselho Universitário no dia 24 de agosto. Cabe ao Conselho formalizar a lista tríplice que será encaminhada a Brasília até meados de setembro – pelo menos 60 dias antes do fim do mandato do atual reitor, que ocorre no dia 18 de novembro.

O Conselho Universitário não tem obrigação de apontar na lista tríplice os três mais votados, mas há forte pressão para que o resultado popular seja respeitado.

Mais duas ‘eleições’ até a escolha

A escolha do novo reitor da UFPI para o mandato 2020-2024 ainda tem duas outras “eleições”. A primeira é no Conselho universitário. Nas últimas eleições, o Conselho indicava o mais votado e acrescentava mais dois outros nomes só para constar. Este ano há grande possibilidade dos três mais votados serem os integrantes da lista, já que André, Nadir e Gildásio tem redes de aliados dentro da UFPI com presença importante no Conselho.

A segunda “eleição” é em Brasília. Aí vale o peso político e, no governo Bolsonaro, a afinidade ideológica. Na campanha, mesmo aqueles mais distantes do bolsonarismos tentaram não abraçar uma linha de crítica direta ao presidente. Os dois candidatos que tinham mais afinidade com o governo federal (Sandra Ramos e Marcos Sabry) tiveram votação simbólica e não têm chances de integrar a lista tríplice. Os três mais votados vão também fazer gestões políticas para serem lembrados na hora da escolha daquele que efetivamente vai ser o reitor.

Deputado do PCdoB diz que ‘PT é parte do passado’

Desde a redemocratização que permitiu o ressurgimento dos chamados partidos ideológicos, nenhuma sigla tem sido mais aliada do PT que o PCdoB: é o único que acompanhou os petistas em todas as oito eleições presidenciais desde 1989, a ponto de em 2018 oferecer Manuela D'Ávila para a vice de Fernando Haddad. Mas há pelo menos uma parte do PCdoB que começa a dar sinais em outro sentido: chega de atrelamento automático ao PT, que seria já parte do passado.

A voz mais vistosa dessa ala do PCdoB é a do deputado federal Orlando Silva (SP), que é pré-candidato à prefeitura paulistana sem pedir a bênção ao PT. Em entrevista publicada pela Folha de S. Paulo, Orlando foi duro com o PT e com outros setores da esquerda: “O PT é parte do passado. E o PSOL é uma espécie de PT retrô, dos anos 1980”, disse ele à Folha. Orlando entra em uma campanha com a certeza de que tem um papel a cumprir: “Vou, com a minha experiência de vida e pessoal, valorizar a minha condição de negro e debater a representatividade na política. Não serão os brancos que vão romper com o racismo estrutural”, afirmou.

Sobre as esquerdas em geral, siz que precisa ser mais humilde. É uma forma de dizer que precisa reconhecer os erros – coisa que a grande maioria dos petistas se recusa a fazer. A voz de Orlando Silva, pronunciada a partir da principal cidade do país, tem um peso dentro do PCdoB e nas esquerdas. O partido foi o principal defensor de Dilma no processo de impeachment com um empenho que superava a maior parte dos petistas. Em 2018, o PCdoB lançou Manuela como pré-candidata em um movimento que se sabia estratégico, para posterior aliança com o PT. Assim aconteceu. Mas agora a fala de Orlando parece ir além de um mero movimento combinado.

O PCdoB dá sinais de desmarcar-se da aliança automática com os petistas – e a própria candidatura de Orlando em São Paulo indica isso.
 

União com PSB é uma possibilidade

O PCdoB sabe que tem uma dificuldade pela frente: manter-se partido sob o guarda-chuva dos benefícios oferecidos a quem alcança a cláusula de barreira. Em 2018, não ficou muito acima das exigências. Em 2022, terá que se esforçar para alcançar o umbral que fica mais elevado. E isso aponta para a possibilidade de fusão com outras siglas. No horizonte das sopas de letrinha do sistema eleitoral brasileiro, o PCdoB olha com mais atenção para o PSB. Os socialistas tinham um horizonte de futuro com Eduardo Campos, mas que se estreitou com a morte do ex-governador de Pernambuco.

PSB e PCdoB estiveram juntos com o PT em seis das oito presidenciais: os socialistas tiveram projeto próprio em 2014 e, dividido, liberou a base em 2018. Mas as duas siglas são razoavelmente próximas, além de terem em comum o guarda-chuva amplo e impreciso da esquerda. Também empunham um discurso cada vez menos atrelado a qualquer outra sigla, o que pode levar a caminhos pragmáticos que começam com a possibilidade de união dos dois partidos, em nome da sobrevivência.

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