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Diferente das pesquisas, Alckmin ganha em apoio político


Geraldo Alckmin: Sem deslanchar nas pesquisas, presidenciável do PSDB conquista apoios políticos que podem mudar o jogo

 

O candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, vai conseguindo chegar à fase de realização das convenções colocando vantagem sobre os adversários. Não propriamente vantagem nas intenções de voto, onde ainda está longe de deslanchar. Mas Alckmin consegue um fato importante para uma campanha, que é o apoio de grupos políticos e partidários.

Formalmente, o ex-governador de São Paulo já conta com o apoio do PTB e do PSD, dois partidos de expressão. E está em estado adiantado a costura do apoio do chamado Centrão, que reúne sete partidos de médio e grande porte. Esse blocão, que tem sido determinante para a governabilidade desde o período Lula, passando por Dilma e Temer, tem também um importante potencial de voto. Fazem parte do grupo Democratas, Solidariedade, Progressistas, PRB, PR, PHS e Avante.

O Centrão quer tomar uma decisão conjunta para ter poder de fogo na eleição e (mais ainda) em um eventual governo do candidato que escolher. Mas não é um entendimento fácil, diante das divergências entre os partidos. O grupo discute fundamentalmente entre duas opções: Alckmin e Ciro Gomes (PDT).

Ciro Nogueira (Progressista) e Paulinho da Força (Solidariedade) preferem Ciro Gomes. O DEM se mostra dividido, com Rodrigo Maia decantando-se por Ciro e os aliados de ACM Neto optando por Alckmin. Já Marcos Pereira, do PRB, tem manifesta preferência por Alckmin. Mas quem parece estar fazendo o bloco pender de vez para o candidato do PSDB é o PR: Valdemar Neto colocou na mesa o nome de Josué Alencar – filho do ex-vice-presidente José Alencar – como opção para vice de Alckmin. Josué e o PR não uma espécie de noiva, com proposta de casamento vindas tanto de Ciro como de Alckmin.

Se conseguir fechar esse apoio, o tucano terá dado um grande passo – pelos menos em termos de articulação política.
 

Adversários buscam apoio que não chega

A campanha eleitoral desde ano vai mostrando uma fragmentação de opções só encontrada no pleito de 1989. E tal fragmentação se reflete no pouco apoio que os candidatos vêm recebendo, inclusive os que aparecem no alto da lista de intenção devoto. Um exemplo é Jair Bolsonaro (PSL), líder das pesquisas sem Lula, mas que não consegue sequer fazer que alguém aceite seu convite para o posto de vice.

Bolsonaro já fez dois convites, ambos declinados. Até agora não conta com um único apoio partidário confirmado, o que o deixa quase sem tempo de TV. Marina Silva (REDE), a segunda nas pesquisas, até agora conseguiu apoio de partido minúsculo, sem tempo para a propaganda eleitoral. E até Ciro Gomes tem dificuldades de atrair apoios. Espera o reforço de partidos como o PCdoB, que ainda não chegou.

Ciro disputa especialmente os partidos do Centrão. Mas até agora o grupo não decidiu. Pior: os sete partidos que desejam tomar uma atitude comum estão cada vez mais perto de Geraldo Alckmin.

Themístocles pode estimular chapa da oposição


Themístocles Filho e Elmano Ferrer: deputado pode manifestar apoio ao senador na corrida pelo Palácio de Karnak

 

Descartado pelo governador Wellington Dias (PT) como opção para vice em sua chapa eleitoral para este ano, o deputado Themístocles pode anunciar hoje a posição final que tomará com vista ao pleito de outubro. Não está descartada a possibilidade dele se manter fiel ao MDB, mas a alternativa mais provável é que passe a apoiar de forma mais explícita uma chapa da oposição.

Segundo indicações de aliados de Themístocles, ele pode dar apoio à candidatura ao governo do senador Elmano Ferrer (Podemos), independente da posição oficial do MDB. Na mesma decisão estaria o apoio à candidatura do deputado Dr Pessoa ao Senado. Nesse caso, o presidente da Assembleia cuidaria para fazer Dr Pessoa esquecer as propostas que tentam deslocá-lo para a disputa ao Karnak.

Essa decisão de Themístocles depende de alguns fatores. Uma delas, a posição oficial do MDB, que tende a sacramentar em convenção a proposta do governador Wellington Dias de oferecer ao partido a candidatura ao Senado, e especificamente para o deputado federal Marcelo Castro.

No caso (muito provável) do MDB aprovar em convenção o apoio a Wellington, Themístocles poderia ter problemas legais para manifestar publicamente o apoio a Elmano e Dr. Pessoa, já que poderia ser acusado de infidelidade partidária. Seria ainda mais difícil subir em um palanque oposicionista, atitude que poderia implicar inclusive no pedido de cassação de uma eventual candidatura do presidente da Assembleia.
 

MDB muda de líder para seguir governo

Desde fevereiro de 2015, o MDB – sobretudo os deputados com assento na Assembleia Legislativa – seguia quase cegamente seu líder de referência. Esse líder era Themístocles Filho, o presidente da Assembleia que funcionou como uma espécie de líder do governo e permitiu que o Karnak aprovasse tudo o que quisesse. Em contrapartida, Themístocles abriu espaços generosos para os emedebistas, dentro do governo.

O cenário mudou. Diante da posição do governo de rifar Themístocles e ungir Marcelo Castro, o MDB – e sobretudo a grande maioria daqueles com assento na Assembleia – mudou de líder. Agora os emedebistas não seguem o presidente do Legislativo Estadual, e sim ao deputado Marcelo. Mudam de líder para seguir exatamente onde estavam.

No governo.

Nome de Wilson é especulado como opção ao governo


Wilson Martins: ex-governador diz que não pensa em outra coisa, a não ser na candidatura ao Senado

 

A decisão do governador Wellington Dias (PT) de vetar o nome de Themístocles Filho (MDB) como candidato a vice na chapa governista está tendo desdobramentos na oposição, pelo menos em especulações. E enquanto os oposicionistas buscam atrair descontentes do MDB para o lado contrário a Wellington, ganha corpo a discussão sobre outras alternativas para as eleições de outubro, entre elas a do ex-governador Wilson Martins (PSB) como candidato ao governo.

Essa discussão na oposição não é de hoje. Um dos pontos que mais gera debate é sobre qual o melhor caminho a seguir, se concentrando todos os esforços em uma candidatura única, ou multiplicando concorrentes como forma de viabiliar o segundo turno na disputa pelo palácio de Karnak. Esse tipo de discussão recoloca na mesa até mesmo o nome de João Vicente Claudino, filiado ao PTB.

Ocorre que João Vicente sempre defendeu a chapa única, observando que a terceira via nunca deu certo como estratégia eleitoral no Piauí. Ele lembra que a terceira via de mais êxito foi a dele mesmo em 2010, e ainda assim ficou distante dos dois candidatos que foram para o segundo turno.

Depois da crise na base governista, quando se deu o veto a Themístocles, esse debate voltou à tona. Foi aí quando surgiu a alternativa de Wilson ser deslocado da disputa pelo Senado para uma candidatura ao Karnak. Contatado pela coluna, o ex-governador disse que não está tratando de tal assunto.

“Estou saindo agora para o interior precisamente para cuidar da minha pré-candidatura ao Senado. Esse é o meu projeto”, disse ele no início da tarde.

PTC reafirma apoio a Wellington, mas põe condições


Reunião do PTC, hoje pela manhã: partido decide manter apoio à candidatura de Wellington Dias, mas sob algumas condições

 

O PTC terá reunião hoje à noite com o governador Wellington Dias (PT) para confirmar ou não a participação na aliança governista, com vista às eleições deste ano. O partido tem a intenção de permanecer na base governista que dará apoio à candidatura de reeleição de Wellington, que tenta seu quarto mandato. Mas a sigla coloca condições para confirmar o apoio.

Em encontro interno hoje pela manhã, o PTC decidiu que pretende apoiar Wellington mediante duas condições. A primeira é de não fazer parte do chapão que o governador anunciou como estratégia para manter o MDB na aliança. Ao PTC não interessa disputar vagas na Assembleia Legislativa no chapão, já que vê mais chances de eleger dois ou três deputados em uma chapa própria – pura ou em aliança com pequenos e médios partidos.

No caso da disputa para a Câmara dos Deputados, o PTC não coloca condições, admitindo concorrer dentro de uma chapa com todas as siglas governista.

Outra condição aprovada hoje pela manhã é a apresentação do ex-prefeito Marcos Vinicius como candidato ao Senado. O partido já havia decidido ter sua próopria candidatura ao Senado, fazendo dobradinha de Marcos Vinicius com Regina Sousa (PT). Essa decisão foi enxergada como uma reação contra Ciro Nogueira (PP), que é apontado como um dos responsáveis pelo veto de Themístocles Filho para a vice de Wellington.

Vale destacar, o PTC tem estreita ligação com Themístocles. O discurso de Marcos Vinícius tem sido recheado de duras críticas a Ciro, o que deve ser mantido no futuro. Dessa forma e sem Regina na corrida ao Senado, o partido terá que buscar um outro candidato a apoiar.

Entorno de Themístocles aponta os ‘donos do veto’


Themístocles Filho: vetado na chapa do governo em nome de movimentos que já olham para as eleições de 2022

 

Até há uma semana, era grande a confiança do entorno do presidente da Assembleia, Themistocles Filho (MDB), na indicação do deputado como vice de Wellington Dias (PT) nas eleições deste ano. Os fatos mostraram que a confiança não tinha sentido. E agora, o mesmo entorno tenta aponta responsáveis, aqueles que teriam se empenhado especialmente em tirar Themístocles do jogo.

No final de semana, uma assessora ainda mantinha a confiança e dizia e repetia: “Está tudo certo. Fechado”. Talvez o menos confiante fosse precisamente o deputado, que adotava um discurso cheio de certeza, mas a fala era negada por gestos de desconforto. Muito provavelmente Themístocles sabia da fritura montada em uma trempe com três pedras de sustentação.

Agora os assessores que demonstravam tanta confiança apontam as três pedras que se puseram no caminho de Themístocles e ajudaram a fazer a trempe para a fritura:

PT: é visto como o maior ganhador, porque assegura seu segundo nome na chapa proporcional e mais precisamente na vice, lugar muito, muito estratégico. Os nomes apontados dentro do partido são o de Wellington e do presidente da sigla, Assis Carvalho.
Ciro Nogueira: na visão dos aliados de Themístocles, o deputado seria um problema e tanto para Ciro realizar seu sonho, de olho em 2022. Teria contado com vários suportes, inclusive do tucano Firmino Filho, que alçou o deputado à condição de desafeto.
Marcelo Castro: para estar na chapa teria que tirar Themístocles. Além disso, é o mais petistas dos de fora do PT. O PT o queria, e não se opôs à querença, posto que também queria a vaga na chapa.
 

Todos estavam de olho em 2022

A fase oficial da campanha deste ano ainda nem começou. Mas todos os segmentos políticos envolvidos na querela que resultou no veto a Themístocles Filho tinham um só pensamento, e estava em 2022. Esse cálculo cabia inclusive ao próprio Themístocles.

Wellington Dias, Themístocles Filho, Ciro Nogueira, Firmino Filho, Marcelo Castro... Todos queriam assegurar deste já um lugar de destaque na eleição de 2022. Esse olha parte da convicção de que Wellington será reeleito e, provalmente, deixará o cargo para buscar uma vaga, por exemplo, no Senado.  Daí, o vice se tornará governador.

Mais que isso, o governador de 2022 terá um amplo controle do processo eleitoral, já que estará com a caneta na mão. Poderá, inclusive, pleitear a reeleição. Ou se emprenhar para a eleição de um aliado.

Essa é a razão de toda a querela.

Crise do PT com MDB abre janela de esperança para Luciano


Luciano Nunes: tucano aproveitou crise na base governista e já ontem à noite abriu diálogo com setores do MDB

 

A crise que se instalou na base governista, em torno da indicação do candidato a vice de Wellington Dias (PT), abriu uma janela de esperança para Luciano Nunes, principal pré-candidato da oposição ao Palácio de Karnak. Nem bem tinha acabado a tensa e inconclusa reunião de Wellington com representantes do MDB, ontem à noite, e Luciano já estava reunido com três lideranças emedebistas.

Desde fevereiro de 2015, Wellington vinha conseguindo controlar praticamente todo o cenário político, inclusive atraindo grupos que tinham se posicionado contra sua candidatura em 2014. Um exemplo foi o MDB: o governador abriu o governo para o partido e contou com todo o apoio que precisou na Assembleia Legislativa, onde teve especial relevância a liderança de Themístocles Filho, o candidato agora rejeitado para o lugar de vice.

Mas quando mais precisava colher os frutos, a reta final para definição de chapa que levará Wellington a disputar seu quarto mandato de governador está sendo recheada de tormentas. O PT quer indicar Regina Sousa como candidata a vice. Para assegurar a indicação, o PT primeiro mostrou-se inflexível na questão da chapa proporcional – rejeitando a ideia de um chapão, tão cara ao MDB. Depois jogou duro no que realmente interessava, o lugar de vice, que teoricamente caberia a Themístocles.

Wellington e o PT querem muito mais que ganhar a eleição de outubro: eles já olham para 2022, e a indicação de Regina para vice seria uma forma do grupo controlar a eleição de daqui a quatro anos. Esse gesto está sendo interpretado pela oposição como soberba, arrogância, prepotência.

Luciano tenta se aproximar de um MDB em boa parte diminuído e magoado dela decisão do governador Wellington Dias de fazer a chapa que bem entende. Na conversa com os medebistas, lembrou que o governador já tinha “passado a perna” em Ciro Nogueira, comunicando que o PP não teria a vice que reivindicava para Margarete Coelho. Agora foi a vez do MDB receber o mesmo comunicado, o PT rejeitando Themístocles Filho.

O tucano alimenta a esperança de colher os cacos da refrega governista para, dessa forma, fortalecer a candidatura da oposição. É a janela que os oposicionistas esperavam e não tinham.

O governo pode abri-la num piscar de olhos.

Embolada, disputa pelo Senado reserva grandes emoções


Wilson Martins: líder de intenção de voto na corrida pelo Senado, disputa que proteme ter grandes emoções na eleição de 2018

 

A disputa pelas duas vagas no Senado vai, pelo menos até o momento, guardando as maiores emoções da corrida eleitoral deste ano. Conforme a segunda pesquisa Cidade Verde/Opinar, divulgada hoje pelo Grupo Cidade Verde, quatro candidatos se projetam até o momento, com dois movimentos significativos: um certo descolamento de Wilson Martins (PSB) na liderança e a chegada de Ciro Nogueira (PP) ao grupo de ponta que tem ainda Dr. Pessoa (SD) e Frank Aguiar (PRB).

A pesquisa, contratada pelo grupo Cidade Verde, foi realizada de 12 a 14 de julho, em 51 cidades, ouvidas 1.031 pessoas. A margem de erro é de 2,97%. O registro no TSE é o BR-06707/2018 e PI-01929/2018. 

Segundo os dados da nova pesquisa Cidade Verde/Opinar, Wilson tem 21,2% das intenções de voto, seguido de Dr. Pessoa, com 15,8% e de Frank Aguiar, com 14,5%. O quarto lugar é de Ciro Nogueira (PP), com 14,3%. O segundo bloco de candidatos começa com Robert Rios (DEM), registrando 7,2% das intenções de voto, seguido de Regina Sousa (PT), com 5,8%, e Júlio César (PSD), com 4,9%.

Na primeira pesquisa Cidade Verde/Opinar, há um mês, Wilson já ocupava a liderança, seguido de Frank Aguiar e Dr. Pessoa. A distância ficava na margem de erro. Agora as posições de Frank Aguiar e Dr. Pessoa se inverteram, enquanto o pré-candidato do PSB consegue mais de 5 pontos percentuais de distância para o segundo colocado, o representante do Solidariedade.

Significativo mesmo é o crescimento de Ciro Nogueira, que mesmo ocupando a quarta posição está a uma distância pequena para Dr. Pessoa e Frank Aguiar, dentro da margem de erro. Para quem vem sendo bombardeado inclusive por aliados, Ciro tem muito o que comemorar.
 

Disputa segue totalmente aberta

A disputa pelas cadeiras no Senado, no entanto, segue inteiramente aberta, a começar pelo alto índice de eleitores que não fizeram opção por nenhum candidato. Segundo a pesquisa, 67,9% não souberam (ou não quiseram) responder, além de outros 35,1% que optaram pelo “Nenhum, Branco ou nulo”.

Vale esclarecer que o somatório chega a 200% porque o eleitor é convidado a fazer duas opções na estimulação da intenção de voto para o Senado.Isso porque, este ano,serão eleitos dois senadores e o eleitor tem direito a dois votos.

Os números mostram que é grande o percentual de eleitores indecisos ou sem opção. Na medida em que o votante for se decantando por um ou outro candidato, isso pode alterar o atual cenário. Vale lembrar que alguns nomes estimulados – como Frank Aguiar ou Dr. Pessoa – podem mudar de projeto. E isso também leva a um reposicionamento de importante fatia do eleitorado.

Em resumo, a disputa pelo Senado tende a reservar boas emoções nas eleições deste ano.

Chapa do governo enfrenta turbulência fora de hora


Wellington Dias: tranquilidade quebrada na reta final de composição da chapa governista com vistas às eleições de outubro

 

Até agora, a chapa governista vinha voando em céu de brigadeiro, aqui acolá enfrentando algumas pequenas nuvens carregadas. Mas nunca essas nuvens fizeram o governador Wellington Dias (PT) e seus principais aliados mudarem o plano de voo. Nos últimos dias, no entanto, surgiram raios e trovoadas gerando uma turbulência tão inesperada quanto fora de hora.

Uma das dificuldades enfrentadas pelo governador em seu plano de tranquila reeleição vem do próprio PT, que insiste em abraçar uma tese que seria contrária à defendida pelo próprio Wellington Dias junto aos partidos aliados: Wellington quer o chapão, acomodando as maiores siglas da aliança governista em uma só coligação para a disputa das vagas proporcionais, tanto na Câmara quanto na Assembleia. O PT não quer nem ouvir falar disso e diz que é questão fechada a chapa pura para deputado estadual.

Essa  questão fechada desagrada especialmente o MDB, que quer e depende do chapão para reeleger seus deputados. O cálculo era que essa defesa do PT estava associada a uma possível troca, nos próximos dias: o partido concede o chapão e o MDB abre mão da vice em nome de Regina Sousa. Tal troca ainda é levada em conta pelos analistas, mas cresce a convicção de que Wellington não está conseguindo dobrar seu partido em nome de uma aliança que garanta a tranquila reeleição.

Outros ruídos aparecem fora do PT. É o caso da candidatura de Frank Aguiar (PRB) ao Senado. Mesmo vice-líder das pesquisas de opinião, Frank foi rifado das articulações da chapa majoritário. Descontente, o cantor criticou o governador e agora tenta viabilizar a candidatura no seio da oposição.

Ainda relacionado ao Senado, quem causa desconforto dentro da chapa governista é o PTC, que apresentou o ex-prefeito Marcos Vinícius como postulante a uma vaga na Câmara Alta. Até aí tudo bem. O que ninguém esperava era que o PTC já escolhesse o outro nome que apoiará para o Senado – o da petista Regina Sousa. Pior: Marcos Vinícius fez de um colega de governo – o senador Ciro Nogueira – o seu saco de pancadas.
 

MDB mostra suas unhas

Todos esses ruídos dão a entender que a tranquila composição da chapa governista não está tão tranquila como se imaginava. Há divergências importantes. Nessa reta final, às véspera das convenções, cada um puxa a corda até onde pode. Que o diga o MDB. Ontem, o deputado Zé Santana foi claríssimo quanto ao desconforto de alguns setores do grupo palaciano.

Zé Santana cobrou definição de Wellington tanto em relação ao lugar do MDB na chapa majoritária quanto em relação à chapa proporcional – chapão desejado pelos emedebistas. 

Segundo ele, o MDB não se contentará com meia participação: ou o partido é comtemplado plenamente, ou pode seguir outro rumo.

Tantos raios e trovoadas, nessa hora, não estavam nos planos de voo de Wellington.

PSB deixa para o fim decisão sobre presidente


Indefiniçao Socialista: à sombra de Geraldo Alckmin, o governador Márcio França tenta levar o PSB a apoiar a candidatura do tucano

 

A multiplicação de candidatos e um quadro onde não há favoritos estão retardando as definições dos partidos sobre quem cada um vai apoiar. Um bom exemplo desse quadro é o PSB, que vai deixar para o último dia do prazo legal (5 de agosto) a convenção que oficializará o caminho – ou os caminhos – dos socialistas.

O partido está dividido. Já chegou a pensar em candidatura própria quando filiou à sigla o ex-presidente do Supremo, Joaquim Barbosa. O ex-ministro viu rápido que é preciso estômago para o jogo da política e pendurou as chuteiras antes de entrar em campo. Daí o partido voltou à discussão interna que divide os socialistas há algum tempo: para onde ir?

O PSB se detém ante três alternativas: apoiar Geraldo Alckmin (PSB), aliar-se a Ciro Gomes (PDT) ou liberar os diretórios estaduais para que cada um siga o rumo que bem desejar. Há ainda quem pretenda alinhar-se com o PT, mas essa opção se restringe basicamente a Pernambuco, e por motivos muito particulares ao governador Paulo Câmara.

Quanto às opções em discussão, Alckmin já foi preferido, isso lá pelo início do ano, quando apresentava perspectiva eleitorais que ainda não se confirmaram. Ajudava nessa preferência a possibilidade (esta confirmada) de um socialista (Márcio França) assumir o governo paulista e pleitear a permanência no Palácio Bandeirantes. Também França – o principal cabo eleitoral de Alckmin dentro do partido – sofre para crescer nas pesquisas e tudo isso fez o tucano perder defensores no PSB.

Ao mesmo tempo Ciro Gomes mostrou alguma reação nas intenções de voto e ganhou defensores. No Piauí, por exemplo, o deputado federal Átila Lira defende o apoio ao candidato do PDT. O ex-governador Wilson Martins, por seu lado, tem simpatia por Ciro, mas tende a votar pela liberação, entendendo que seria a alternativa que menos sequelas deixaria dentro da sigla.

Por via das dúvidas, o partido tomará essa decisão no derradeiro dia do prazo: a convenção será dia 5 e, até lá, os socialistas esperam ter um quadro já bem desenhado que lhes permita decidir com mais clareza.
 

Pernambuco: apoio ao PT contra o PT

Na semana passada, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), anunciou que vai apoiar Lula (PT) à presidência. O anúncio foi feito após um encontro com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann. O gesto tem tudo a ver com a disputa local, onde Câmara tenta renovar o mandato mas vê Marília Arraes liderando as pesquisas.

Marília é neta de Miguel Arraes e prima do falecido Eduardo Campos. Vereadora do Recife, ela filiou-se ao PT para tentar viabilizar sua candidatura. Com essa alternativa, o partido se animou. Quem não gostou foi Paulo Câmara, que tenta inviabilizar a ex-aliada e viabilizar a sua própria candidatura.

Para tentar domar o PT pernambucano e coloca-lo debaixo do braço, foi a Gleisi e anunciou o apoio ao petista. Câmara não deu bolas para a discussão interna do PSB: quer saber mesmo é seu projeto de reeleição.

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Alckmin recebe apoios e, enfim, respira


Alckmin: após anúncio de apoio pelo PSD, tucano pode, enfim, sorrir e sonhar com novos apoios na corrida pelo Planalto

 

A pré-candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência da República, enfim recebe boa notícia: o PSD de Gilberto Kassab decidiu anunciar apoio ao ex-governador paulista na corrida pela Presidência da República. Há agora a perspectivas de anúncios semelhantes nos próximos dias, o que dá um novo respiro a uma candidatura que mais gerava dúvidas que certezas.

Alckmin está posto como concorrente ao Palácio do Planalto desde 2014, após a derrota de Aécio Neves no segundo turno da disputa presidencial passada. Ainda assim, tinha no PSDB inicialmente a sombra de José Serra e do próprio Aécio. Serra foi tragado pelos escândalos e as dores de coluna. E Aécio foi riscado da corrida presidencial – e talvez ´do próprio Senado – desde maio do ano passado, quando flagrado em conversas nada republicanas com o dono da JBS.

O problema é que a saída dos adversários diretos não ajudou Alckmin, porque o PSDB também foi levado para dentro dos escândalos e ainda teve que contabilizar o desgaste do governo Temer, do qual o partido – Aécio à frente – nunca conseguiu se distanciar. O resultado de tudo isso foi o estacionamento de Alckmin nas pesquisas e a demora em chegar apoios.

Os aliados potenciais, ao que parece, esperavam uma alternativa mais consistente, com um tanto mais de carisma e apelo popular. Ocorre que as alternativas eram nomes como Henrique Meireles (MDB), Rodrigo Maia e Flávio Rocha. Ou ainda Álvaro Dias. Assim, até Alckmin é mais eloquente e cativante.

Alckmin é visto como bom de gestão, capaz de diálogo e está ali quase no centro, o que pode produzir um discurso de apelo importante. Tem contra si o desgaste do PSDB e dos políticos em geral, além de um estilo muito contido. Outro ponto que começa a ser destacado a favor: a serenidade não encontrada em outras alternativas do mercado eleitoral.

Em um cenário de tanta descrença, Alckmin colhe os primeiros apoios e, por fim, respira.
 

Esperando novos apoios

Antes mesmo do anúncio do PSD, o presidenciável Geraldo Alckmin dizia contar com o apoio de quatro partidos importantes. Nunca os nominou, mas sempre se desconfiou que um deles era o PSD de Gilberto Kassab, um velho aliado dos tucanos em São Paulo. Agora que o apoio do PSD se materializou, Alckmin espera anunciar novos apoios nesses próximos dias.

Um dos primeiros apoios que espera anunciar é o do PRB de Flávio Rocha, que acaba de desistir da candidatura. O tucano é o preferido de Flávio, mas há segmentos do partido que preferem fazer outros cálculos, mais pragmáticos. Alckmin também sonha com o apoio do DEM de Rodrigo Maia, do Solidariedade de Aldo Rebelo, do Podemos de Álvaro Dias e, sonho dos sonhos, do MDB. Tem também o PP de Ciro Nogueira, ainda que este esteja com a cabeça em Ciro Gomes (PDT).

São muitos sonhos. Mas os tucanos acreditam que são sonhos possíveis, capazes de colocar Alckmin no caminho da viabilidade eleitoral.

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