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Campanha quer aprovar Projeto que pode ajudar 30 milhões de endividados

Uma campanha quer dar caráter de urgência a tramitação na Câmara dos Deputados a um projeto que pode ajudar mais de 30 milhões de brasileiros superendividados. Esse é o número atual de pessoas que acumulam dívidas em um volume que cria situação de descontrole e incapacidade de pagamento – o superendividado – número que, segundo a Ordem dos Economistas do Brasil, pode ao final do ano saltar para 42 milhões. O proposta que ganha apoio da campanha é da deputada Mariana Carvalho (PSDB-RR) e já foi aprovado no Senado.

O Projeto de Lei número 3515 nasceu em 2015, no meio da recessão do final do governo Dilma que elevou gravemente o nível de endividamento. Mas nunca chegou a ser tratado muito seriamente, até chegar a pandemia do novo coronavírus que aponta para uma realidade que pode ser até pior que a de 2015. Daí o lançamento da campanha #aprovaPL3515, que é abraçada pelo movimento Brasilcon (de defesa do consumidor) e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC).

O PL da deputada Mariana Carvalho faz ajustes no Código de Defesa do Consumidor no capítulo sobre prevenção e tratamento do superendividamento. O que está sendo considerado inovador é a possibilidade de conciliação em bloco (coletiva), estabelecendo plano de pagamento em conjunto e limpando o nome dos negativados, de forma que o consumidor seja reinserido na sociedade de consumo. As articulações para viabilizar a aprovação do PL 3515 passaram por amplas negociações, incluindo a Febraban, que representa os bancos.

Chegou-se a um texto de consenso, que espera agora ser votado na Câmara.
 

66,5 das famílias estão endividadas

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio mostra que, no mês de maio, 66,5% estavam endividadas. O endividamento é medido pela existência de algum tipo de dívida, seja com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro. Quanto aos endividados que apresentam algum tipo de atraso em seus compromissos, somam 25,1% dos brasileiros. Já as famílias que dizem não ter como pagar suas contas, são 10,6% do total.

Todos os indicadores apontam crescimento, quando comparado ao mês de maio do ano passado. No caso da comparação com abril último, verifica-se crescimento só no percentual de famílias que afirmam não ter como pagar as contas: eram 9,9% em abril, passando agora para os 10,6%. Quanto à forma de endividamento, o cartão de crédito segue sendo o meio mais utilizado: foi lançado mão por 76,7% dos endividados.

Adesão popular é decisiva para baixos índices de Curitiba, diz Secretária

O empenho da população tem sido um fator decisivo para a cidade de Curitiba apresentar um dos mais baixos índices de incidência e de mortes por coronavírus no Brasil. A capital paranaense se junta às duas outras capitais sulistas (Florianópolis, em Santa Catarina, e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul) na lista de cidades com maior êxito no enfrentamento da doença. Em Curitiba, por exemplo, mais de 95% da população usa máscaras, conforme revelou a Secretária municipal de Saúde, a enfermeira Márcia Cecília Huçulak, em entrevista ao Notícia da Manhã, na TV Cidade Verde.

Hoje, Curitiba (uma cidade com 1,7 milhão de habitantes) contabiliza menos de 1000 casos de contaminação, com 42 mortes. Para efeito de comparação, Teresina tem a metade da população da capital paraense. Aqui já contabilizamos mais de 2 mil casos e 75 mortes.

A antecipação de medidas pelas autoridades de saúde é apontada como uma das explicações para o sucesso de Curitiba. Conforme explica Márcia Huçulak, ainda em meados de Março foram adotadas medidas especiais de atenção aos públicos mais vulneráveis, sobretudo os idosos. Também foi adotada a obrigação de uso de máscaras, com ampla adesão da cidadania. Além disso, materializou-se um movimento de solidariedade, incluindo a ação de vizinhos que passaram a fazer tarefas por idosos (por exemplo, as compras nos supermercados) para que eles não saíssem de casa.

Com todas essas ações, Curitiba não limitou de forma ampla o funcionamento de atividades não essenciais, o que faz que o impacto sobre a economia seja menor que em outras regiões do país.

Confira a entrevista com Márcia Huçulak na TV Cidade Verde.

 

'Flexibilização inteligente' em SP é acompanhada por todo o Brasil

O estado de São Paulo inicia na próxima segunda-feira um processo gradual de flexibilização com critérios diversos que adotam ritmos diferentes por região e por atividade econômica. O modelo, que está sendo batizado de “flexibilização inteligente”, chama atenção dos demais estados no momento em que a ideia de retomada das atividades não essenciais ganha corpo em praticamente todo o país. Dependendo dos resultados, pode servir de modelo para as demais unidades federativas.

Um dos pontos de destaque é a criação de “cinco fases” que estão relacionadas diretamente à realidade sanitária. O plano de flexibilização anunciado pelo governador João Dória veio junto com uma ampliação da quarentena – que vai até dia 15. Mas a flexibilização matiza essa quarentena, sobretudo em algumas áreas do estado em que a pandemia é considerada já razoavelmente controlada e com perspectiva de declínio. Conforme o quadro sanitário, cada região do estado é classificada em uma das fases definidas pelo plano, o que leva a um determinado nível de retomada das atividades econômicas.
 

Confira as 'fases' da flexibilização

Todos esses critérios adotados estão sendo observados pelos demais estados com muita atenção. Confira cada fase do plano paulista.

• Fase 1, ALERTA MÁXIMO: é a fase atual de quarentena, com contaminação em nível elevado e funcionamento apenas dos serviços essenciais. Permanecem nessa situação as cidades da Grande São Paulo (excluída a capital), da Baixada Santista e da região de Registro.
• Fase 2, CONTROLE: é quando a pandemia está em fase de atenção e é possível a liberação pontual de atividades econômicas (incluindo concessionárias, imobiliárias e setores do comércio). Entram nessa fase, por exemplo, a cidade de São Paulo e as regiões de Campinas e Marília.
• Fase 3, FLEXIBILIZAÇÃO: é a etapa em que uma determinada área apresenta maior controle da pandemia e há maior liberação de atividades. Regiões como a de Barretos já passam para esta fase na segunda.
• Fase 4, ABERTURA PARCIAL: é quando a pandemia está em claro declínio e ficam bem reduzidas as limitações às atividades econômicas. Nenhuma região chegou a esta etapa ainda.
• Fase 5, NORMAL CONTROLADO: a doença está sob controle e todas as atividades são liberadas, ainda que mediante protocolos. Obviamente, no momento também não inclui nenhuma região.

CNA apresenta proposta para retomada da atividade no setor rural

A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) elaborou uma proposta para retomada das atividades no setor rural, flexibilizando as limitações impostas desde o início da quarentena por conta da pandemia do novo coronavírus. Em reunião virtual, hoje, com a participação dos presidentes das 27 federações estaduais, foi aprovada uma minuta que cada representação estadual encaminhará aos governos de seus estados. Também foi aprovado um documento a ser encaminhado ao Congresso, relacionado a linhas de crédito especial para o campo.

O esboço do documento foi feito por integrantes do Comitê Executivo para o Desenvolvimento da Região Nordeste, que é coordenado pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Piauí (FAEPI), deputado Júlio César de Carvalho Lima. Conforme ficou definido na reunião, a presidência da CNA fará o encaminhamento ao Congresso Nacional e Conselho Monetário Nacional sugerindo a revisão das Resoluções 4801, da 4798 que trata de linhas de crédito especial com  recursos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro Oeste (FCO), e ainda da Resolução 4802/2020, que trata de investimentos.

Segundo o deputado Júlio César, as resoluções em vigor são omissas em relação ao setor rural e especialmente a região Nordeste, no que diz respeito ao crédito rural e taxas de juros. Na reunião, o presidente da FAEPI falou sobre o andamento da discussão sobre o veto do presidente da República, Jair Bolsonaro, em relação a Lei n. 13.986 (MP 897), que trata da prorrogação da renegociação das dívidas dos produtores rurais. "O Nordeste precisa da renegociação e estou aqui contando com o apoio de todos para que possamos obter êxito nesses pleitos", disse.

Decisão final sobre flexibilização sai dia 6, com aval da saúde

Foto Divulgação / Govrno do Estado

Secretário Antônio Neto: situação sanitária será decisiva para retomada das atividades não essenciais 

O processo de retomada das atividades não essenciais no estado do Piauí tem duas datas marcadas no calendário, ambas na próxima semana. A primeira data é a terça-feira, dia 2, quando será conhecida a minuta do decreto de flexibilização e os detalhes dos protocolos a serem adotados. A segunda e definitiva é o sábado, dia 6, quando as condições de saúde dirão se efetivamente o Estado conta com o cenário necessário para a flexibilização, que tem no dia 8 como a data inicialmente estipulada para retomada de muitas das atividades econômicas que hoje estão suspensas.

“O dia 8 é o nosso horizonte”, explica Antônio Neto, Secretário de Planejamento do Estado e que coordena o grupo interno responsável pela elaboração da minuta de decreto. Do grupo fazem parte ainda os secretários de Saúde, de Governo e Desenvolvimento Econômico, além de técnicos da Cepro. O trabalho do grupo inclui discussão com vários segmentos da sociedade, incluindo empresários, trabalhadores e órgãos de controle. A intenção, conforme Antônio Neto, é produzir um decreto que traduza o sentimento e os interesses da sociedade.

Na terça-feira o grupo apresenta a minuta ao governador Wellington Dias e membros do governo, assim como representantes de outros poderes e órgãos de fiscalização. Ajustes serão feitos a partir dessa reunião, mas a entrada em vigor será decidida no sábado da próxima semana, tendo em conta a situação de saúde. O nível de risco da retomada para a saúde é que vai determinar, daí a importância da avaliação sobre as condições sanitárias. Aí serão levados em conta o índice de isolamento, o nível de transmissão (o chamado "R-0") e o percentual de ocupação das UTIs.

Há ainda outros critérios objetivos para a flexibilização, conforme adiantado pelo Cidadeverde.com. Além disso, a retomada vai ser gradual, segundo a prioridade dos setores.


‘Bandeiras’ serão critério para retorno

O Secretário de Planejamento Antônio Neto revela que o Piauí vai adotar o sistema de “bandeiras” para estabelecer o nível de prioridade na retomada das atividades não essenciais. O sistema foi adotado em estados como o Rio Grande do Sul, com erros e acertos. Aqui, essas experiências estão sendo olhadas para se adotar o que deu certo e corrigir erros pontuais. No Piauí serão três bandeiras: verde, amarela e vermelha. A verde leva em conta o menor risco do setor e também a importância da atividade econômica, especialmente na geração de emprego.

• Bandeira Verde: inclui atividades como comércio, indústria e construção civil. A retomada vai definir formas de funcionamento e regras de distanciamento entre funcionários e clientes. Leva em conta a força econômica dessas atividades: a construção civil, por exemplo, é uma cadeia produtiva que inclui 10 subsetores e envolve mais de 50 mil trabalhadores.
• Bandeira Amarela: reúne atividades de risco intermediário e deve incluir setores como a administração pública e atividade rural.
• Bandeira Vermelha: inclui os setores que implicam necessariamente em aglomerações, entre elas os cultos nas igrejas e os grandes shows artísticos.

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Piauí elabora plano de retomada das atividades; veja critérios.

Aeroporto de Teresina será leiloado no início do ano

Foto: Hérlon Moraes

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, confirmou para o início do ano o leilão do aeroporto de Teresina. Será de fato um mega leilão que inclui outros 42 aeroportos, a maior parte de importância regional. A operação que passa à iniciativa privada esses equipamentos estava prevista para julho próximo, mas ainda em março foi adiada para janeiro em razão do impacto econômico da pandemia do novo coronavírus. Na época, grupos de investidores interessados na disputa pública justificaram a dificuldade para o leilão diante das incertezas geradas pela pandemia.

Ontem, Tarcísio de Freitas confirmou a realização do leilão, que vai incluir o primeiro bloco de 22 aeroportos (onde está o Petrônio Portella, de Teresina) e ainda outros 21 equipamentos aeroportuários que serão oferecidos à iniciativa privada. No caso do bloco dos 22 aeroportos, ele está dividido em três lotes que formam um conjuntos de equipamentos que se completam em termos de estratégias de transporte.

Confira os lotes
Lote Sul: São 9 aeroportos, concessão com valor estimada em R$ 2,9 bilhões e movimentação de cerca de 12 milhões de passageiros no ano passado. Inclui dois aeroportos em Curitiba (Afonso Pena e Bacacheri), Londrina, Foz do Iguaçu, Navegantes, Joinville, Pelotas, Bagé e Uruguaiana.
Lote Norte: São 7 aeroportos na Amazônia com movimentação em 2019 de 4,6 milhões de passageiros. A expectativa é arrecadar no leilão R$ 1,9 bilhão. Inclui os aeroportos de Manaus, Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista, Tabatinga, Cruzeiro do Sul e Tefé.
Lote Centro: São 6 aeroportos que em 2019 movimentaram 7,3 milhões de passageiros. O valor estimado para o leilão é de R$ 2,1 bilhões. Inclui Teresina, São Luís, Imperatriz, Petrolina Palmas e Goiânia.

Vencedor pode ter direito sobre novo aeroporto
Em Teresina, o agendamento do leilão do aeroporto Petrônio Portella trouxe uma discussão específica: qual o melhor, leiloar o “velho aeroporto” ou apostar em um novo equipamento aeroportuário? A solução parece incluir as duas alternativas. A Prefeitura Municipal fez gestões junto ao governo federal para que o vencedor do lote que inclui Teresina tenha o direito e o compromisso para construir um novo aeroporto.

A proposta de um novo sítio aeroportuário em Teresina vem sendo discutido desde 2012, quando o então governador Wilson Martins iniciou conversações para viabilizar um novo aeroporto. Os estudos iniciais feitos pelo governo federal não tiveram sequência. No ano passado, o prefeito Firmino Filho alertou o governo federal sobre essa demanda de Teresina e recebeu aceno positivo. Assim, o vencedor do Lote Centro ficaria com a tarefa de implantar o novo aeroporto.

Piauí reduz em 70% número de transplantes após pandemia

Foto Letícia Santos / Cidadeverde.com

Gilberto Albuquerque: pandemia tem impacto sobre número de transplantes no HGV

Desde meados de março, o estado do Piauí registrou apenas cinco transplantes, e em três situações específicas. Resultado direto da crise do coronavírus, esse número é cerca de 75% menor que a média de antes da pandemia. A queda brusca reflete no Piauí de forma mais intensa o que vem ocorrendo em todo o Brasil, com significativa redução no número de transplantes. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Transplantes de Órgãos (SBTO), os transplantes de rins, coração, fígado e pâncreas caíram em média 34% em todo o Brasil, mas com impacto maior no Norte e Nordeste.

Segundo a SBTO essa média nas duas regiões é de 50% e se justifica pelas limitações de estrutura hospitalar. Ainda segundo a SBTO, os transplantes de córnea e medula óssea praticamente deixaram de ser feitos nos últimos dois meses. Os números específicos do Piauí reproduzem de forma mais grave toda essa realidade nacional: aqui foram apenas cinco transplantes desde meados de março.

Esses registros piauienses estão distribuídos em três situações: um caso de transplante de rim entre vivos; um outro caso (transplante de córnea) gerado de situação traumática; e mais um trauma que possibilitou múltiplos transplantes (em concreto, três: rim, córnea e fígado). No caso do transplante de fígado (cirurgia que o Piauí não realiza), houve a captação do órgão no Estado, que em seguida foi enviado para paciente na Bahia.

Segundo o diretor do Hospital Getúlio Vargas (HGV), Gilberto Albuquerque, o Piauí realiza uma média de 8 transplantes programados (de rins, entre vivos) por mês, além dos casos traumáticos. Isso daria algo em torno de 20 cirurgias nesses pouco mais de 2 meses. Foram apenas 5, portanto um quarto (ou 75%) do que poderia ter acontecido.
 

HGV acompanha 240 que esperam transplante de rim

O impacto da pandemia é grande para um número significativo de pessoas. Somente no HGV, cerca de 240 pessoas são monitoradas na expectativa de um transplante de rim. E, nesse momento, mesmos os transplantes programados não estão sendo realizados. Gilberto Albuquerque diz que a grande maioria teme estar dentro de um ambiente hospitalar nesse momento e, se podem, suspendem as cirurgias programadas. Antes, o HGV realizava dois transplantes semanais programados, sempre às quinta-feira.

Gilberto revela ainda que a pandemia dificulta também a captação de órgãos de pessoas com mortes traumáticas. Isso porque deve ser considerado o risco da pessoa ser um vetor do coronavírus, exigindo exames adicionais que podem cobrar um tempo crucial. Toda essa situação gera o registro de acentuada queda nas doações e, portanto, no número de transplantes.

Governo projeta pico para esta semana e flexibilização para o dia 8

O Piauí espera para esta semana o pico de casos de coronavírus, com estabilização até a próxima semana. Essa perspectiva é que leva o governo do Estado a projetar um princípio de flexibilização das atividades não essenciais a partir do dia 8. As seguidas pesquisas de monitoramento e avaliação de infecção estão dando suporte a essas projeções, sem que ainda haja um claro desenho de como se dará a retomada das atividades. Tudo vai depender do nível de registros desses próximosm dias.

O decreto estadual que estabelece os limites do isolamento social foi renovado na semana passada pelo governador Wellington Dias e vigora até o dia 7. Mas o governador já vem mantendo conversações com diversos segmentos sociais, bem como com os representantes dos demais Poderes públicos para estabelecer um horizonte de flexibilização. O momento preciso dessa flexibilização depende da trajetória futura: se o controle se mantiver em bom nível, a flexibilização acontecerá.

Ontem, Wellington comandou uma ampla reunião com secretários e técnicos do governo para discutir o tema. Na oportunidade também foram repassados os últimos números do nível de infecção detectado por mais uma rodada de pesquisa realizada pelo Instituto Amostragem. Os dados indicam que a curva de infecção ainda é ascendente, embora em um ritmo menos intenso que nas rodadas anteriores.

O resultado reforça a expectativa do governo de que esta semana registre o pico do coronavírus e, na próxima, comece o declínio.
 

Piauí tem situação diferente por região

No monitoramento que o governo do Estado faz, anima a perda de ritmo no registro de novos infectados. Mas preocupa a constatação de comportamentos diferentes conforme a região. Na maior parte dos municípios da Região Norte, por exemplo, o monitoramento indica uma certa estabilização na curva de novos casos. Mas em diversas cidades do Sul e Centro-Sul do Piauí, ainda há uma curva com forte tendência de crescimento no número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

Os dados mostram ainda um crescimento sequenciado no número de casos e de óbitos de uma semana para outra. De 3 a 9 de maio, foram 548 novos casos. Na semana seguinte a contabilização somou mais 955 novos infectados e, nesta última semana, mais 1.263. O número de óbitos também cresce: foram 17 na primeira semana, mais 35 na segunda semana e outras 40 mortes, na terceira.

Covid elava em 680% busca por seguro que permite viajante cancelar viagem

É bem conhecida a situação: o cidadão compra uma passagem aérea em promoção e, por algum motivo, tem que adiar a viagem. Os dissabores seguintes são também muito conhecidos: a ideia de remarcação sai cara, às vezes a multa ou diferença é tão grande que fica mais barato comprar uma outra passagem. Esse tipo de problema se tornou mais crucial com a pandemia do coronavírus, que levou ao cancelamento de milhões de passagens, algumas por iniciativa das companhias, outras por decisão do próprio viajante. Esse problema já produziu o fenômeno da busca por seguros que permitem o cancelamento da viagem por qualquer motivo, com ressarcimento integral.

Segundo levantamento do site Squaremouth.com (especializado na comparação de seguros de viagem) a pandemia afetou o comportamento do consumidor. Segundo o Squaremouth, apólices compradas para o segundo semestre deste ano com a cobertura “cancelar por qualquer motivo” cresceram 680% – e esse tipo de seguro já representa um terço das apólices adquiridas. Vale notar o quanto o passageiro está pagando para ter menos dor de cabeça: a opção “cancelar por qualquer motivo” eleva em cerca de 40% o valor final da passagem.

Esse novo comportamento do consumidor está, obviamente, tomado pelo pavor do coronavírus, que reduziu drasticamente o número de voos no planeta. Ainda que haja variação de um país a outro, avalia-se que a redução seja maior que 90%. Esse índice é reforçado pela venda dos seguros: a Squaremouth aponta que os contratos para a alta temporada (junho/agosto, que é verão do hemisfério Norte) ficaram reduzidos a um décimo do habitual.

Com um detalhe: boa parte dos seguros para viagens nos próximos meses está incluindo uma cláusula específica para o coronavírus – que pode exigir internação mais longa.
 

Espanha anuncia retomada do turismo

A Espanha, um dos países mais afetados pelo coronovírus, anunciou que retoma os voos internacionais a partir de julho. É um esforço para dar fôlego a uma das atividades mais importantes do país. São mais de 80 milhões de turistas por ano, que movimentam mais de 10% do PIB espanhol. Mas o anúncio feito pelo primeiro-ministro Pedro Sanchez não tem efeito automático, já que a retomada dos voos depende de acordos bilaterais. Ou seja: é preciso que o outro país queira a retomada desses voos.

Um primeiro passo já foi dado no caso da Itália, com o fim das restrições de voos. Mas há países como Estados Unidos – um destino fundamental para as companhias aéreas ocidentais – que seguem fechados. O próprio Brasil acaba de renovar por mais 30 dias as restrições à entrada de estrangeiros por qualquer meio (terrestre, aéreo, aquático). Além disso, o anúncio da retomada dos voos internacionais passa por um outro fator fundamental: a disposição do turista em sair andando pelo mundo. Pelo menos por quanto, vai prevalecendo uma enorme cautela.

Construção Civil tem 50% de ociosidade em abril e frustra recuperação

A crise econômica que veio com a pandemia do novo coronavírus impôs um duro castigo à Construção Civil, segmento que esperava para 2020 a recuperação depois de seis anos de perdas de negócios. Segundo a Sondagem da Construção Civil divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), no mês passado o setor de construção registrou uma ociosidade de 50%, índice mais baixo da série histórica iniciada em 2012. Essa é a média nacional, já que a queda de atividade tem sido especialmente dura em estados menores, como o Piauí.

“Essa queda reflete os efeitos da crise provocada pelo coronavirus na atividade e não há dúvidas de que a alta ociosidade da indústria deve permanecer enquanto durar o isolamento social”, diz Renato Fonseca, gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI. A pesquisa mostra que os índices de evolução do nível de atividade e do número de empregados permanecem bem abaixo da linha de 50 pontos. O indicador de evolução do nível de atividade registrou 29,4 pontos e o índice de evolução do número de empregados recuou para 24,1 pontos. Esse dado varia entre 0 e 100 e todo valor abaixo de 50 é negativo (em relação à atividade, por exemplo, abaixo de 50 aponta desaquecimento).

Os dados são de abril, mas divulgados agora e por isso a CNI chama de “Sondagem de Maio”. Nela o ICEI-Construção (que é o Índice de Confiança do Empresário Industrial da Construção) registrou 37,6 pontos, bem abaixo dos 50 pontos, quando começam as expectativas otimistas. Os componentes do ICEI-Construção mostram que a avaliação das condições correntes se tornou mais negativa, embora o pessimismo com relação aos próximos seis meses tenha diminuído.

Os resultados dos últimos meses são especialmente terríveis porque frustram a expectativa do setor, que esperava para 2020 uma forte recuperação.

Piauí apostava em reaquecimento

A frustração no setor da construção pode ser encontrada no próprio estado do Piauí. A construção vem penando desde o final de 2014, quando se estabeleceu um quadro recessivo que foi especialmente duro em 2015 e 2016. Nesse biênio, o setor perdeu no estado 22 mil dos 44 mil trabalhadores. Em 2018 e 2019 havia expectativa de recuperação, mas ela não ocorreu, apesar do segundo semestre do ano passado ter apresentar alguns sinais animadores. A pandemia do coronavírus fez que a esperança se esvaísse.

O setor de construção até começou o ano prometendo novos lançamentos. Várias construtoras fizeram um esforço especial de venda em fevereiro e março, animadas pelo aporte de crédito, a redução dos juros e outras facilidades oferecidas pelo governo federal. Mas a pandemia trouxe um forte quadro de incerteza, fazendo que muitos contratos já alinhados não se concretizassem. Talvez mais que em outros estados, no Piauí o coronavírus frustrou seriamente as expectativas para 2020.

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