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Visita ao Piauí integra estratégia de Bolsonaro para 2020

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) quer ganhar um novo suporte político a partir das eleições municipais do próximo ano: além do respaldo popular, um suporte de lideranças. E vai investir de forma muito especial nos estados onde enfrenta oposição mais aberta, sobretudo os da região Nordeste. A visita que fará ao Piauí na quarta-feira é parte desse estratégia que vem sendo cuidadosamente administrada a partir do Palácio do Planalto. A intenção é fortalecer aliados de hoje e também atrair novas lideranças.

A atenção que Bolsonaro dispensa ao Nordeste vem ficando muito evidente: na semana passada esteve na Bahia, a segunda visita ao estado em pouco mais de duas semanas. Cabe lembrar, o presidente enfrenta na Bahia a dura oposição do governador Rui Costa (PT). Antes esteve em Pernambuco e agora vem ao Piauí. Em reunião da Sudene, lançou um ainda pouco palpável plano de desenvolvimento para o Nordeste.

A tendência é que amiúde as visitas à região, em um estilo que o aproxima da “velha política”. Essas visitas serão complementadas pela relação direta com as lideranças, aí incluindo parlamentares federais e prefeitos. Tal estreitamente passa ainda pela liberação de emendas assinadas pelos congressistas e repasses para as prefeituras. Tudo sem a intermediação de governadores oposicionistas.

Na visita ao Piauí, salvo surpresa de última hora, não há previsão de grandes liberações. Mas o senador Elmano Ferrer (SD), vice-líder do governo no Senado, aposta na retomada de obras paralisadas. Esse tipo de ação também faz parte da estratégia desenhada no Planalto.
 

Mantendo o discurso polarizado

A aproximação com a “velha política” não vai fazer o presidente Jair Bolsonaro adotar um  novo discurso. Nada de conciliação, no velho estilo “eu sou de todos”. Bolsonaro vai manter o tom de confronto com alguns segmentos, com um discurso claramente polarizado. O alvo principal vai ser o grupo de partidos mais à esquerda, precisamente aqueles que dominam o Nordeste (PCdoB, PT e PSB). O alvo deve ter ainda PSOL e PDT – neste caso, por conta de Ciro Gomes.

Para seguir nessa linha, as aparições e comentários em redes sociais terão papel fundamental. Mas também terão as participações em programas populares de rádio e TV. Bolsonaro quer manter uma importante base popular, e não só para si: quer esse capital popular como um suporte fundamental para a eleição de aliados já no ano que vem.