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Reforma e embaixada: Senado apresenta conta a Bolsonaro

Foto Divulgação / Senado Federal

Sensdo Federal: votação de matérias de interesse do Pala´cio do Planalto vai implicar em uma conta salgada para o governo 


O governo Jair Bolsonaro tem grandes interesses em jogo no Senado Federal. E tem até grande chance de conseguir seus objetivos. Mas não será a um custo baixo. Os senadores vão apresentar a conta, tanto para a votação da reforma da Previdência como (e principalmente) para aprovação do nome de Eduardo Bolsonaro para a embaixada nos Estados Unidos.

Esse tipo de conta foi apresentado na Câmara dos Deputados, o que implicou na liberação de quase R$ 3 bilhões em emendas parlamentares. O argumento do governo é que essas emendas têm caráter impositivo – ou seja, o governo pagou o que era obrigado a pagar. Verdade que sim. Mas chama atenção que sejam pagas às vésperas da votação, e com valores generosos (e diferenciados) para lideranças referenciais.

O Senado vai apresentar uma nova conta. E deve ir além das emendas parlamentares. O detalhe é que o Senado conta com um trunfo extra: a sabatina e aprovação (ou não) do nome de Eduardo Bolsonaro – o filho do presidente com mandato de deputado federal – para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. A indicação é uma aposta alta do presidente. E em matéria de apostas, os senadores são craques.

Os sinais do jogo duro começaram com o parecer dos assessores técnicos do Senado, que apontaram a prática de nepotismo. Tais pareceres costuma nem ser muito levados em conta, salvo quando há interesse. É o caso. A manifestação técnica serve para os senadores engrossarem o pescoço e elevarem a posta. Mas qual seria?

Agora não são apenas as emendas. Passam pela indicação para cargos federais de posição estratégica. Por exemplo? Para ficar em um caso nordestino: a presidência da Codevasf.
 

O general escolhido que nunca assume

Já faz um mês e meio que o general Pedro Fioravante teve o nome aprovado pelo Conselho da Codevasf para assumir o cargo de presidente da companhia. Fioravante foi uma indicação da Presidência da República. Mas até hoje não assumiu. Espera o andar da carruagem – isto é, as refregas políticas que envolvem o Palácio do Planalto e o Congresso. Está com cara de que nunca vai assumir.

A Codevasf é uma das joias da Coroa, pelo menos para os políticos nordestinos. Senadores como Ciro Nogueira (PP-PI) e Fernando Bezerra (MDB-PE) exercem muita influência na companhia. E não querem perder tal poder. E o caminho é a indicação de um presidente que ouça seus apelos e demandas. Com isso, o general Fioravante corre o risco de esperar até sempre.

A mesma lógica vale para centenas de outros cargos federais. Com um detalhe: cresce a força dos senadores em razão dos interesses do governo neste momento nas mãos do Senado.