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Simone, cara nova e voz anti-Bolsonaro do MDB. Projeto para 2022?

Foto Divulgação / Senado Federal

Senadora Simone Tebet: críticas a Bolsonaro que destoam do governismo tão presente no MDB


O ex-senador Pedro Simon, do Rio Grande do Sul, tem 90 anos e está sem mandato. Mas segue ativo na política, em especial quando o assunto é MDB, partido ao qual se filiou em 1965. Em entrevista no final de semana ao jornal O estado de S. Paulo, Simon lançou um alerta: ou o MDB muda ou corre o risco de desaparecer. A fala do ex-senador pode não ter vínculo com outra voz do MDB que vem ressoando, já enfrentou os caciques da sigla e agora se mostra aberta na crítica ao próprio presidente Jair Bolsonaro. E até inspira ideias de mudança no partido.

Essa voz é a da senadora Simone Tebet (MS), que já reverberou contra caciques do próprio partido. Simone tem clara resistência ao presidente do MDB, o ex-senador Romero Jucá – até a alma envolvido em escândalos de todo tipo. E também contra Renan Calheiro, que sobreviveu ao vendaval que varreu boa parte dos velhos caciques. Simone enfrentou Renan na indicação interna para disputar o Senado. Perdeu. Mas talvez o MDB tenha perdido mais, a começar pela vitória de Davi Alcolumbre sobre Renan.

Mostrando que está em outro compasso, Simone Tebet não se agarra ao governismo tão caro ao MDB nas últimas três décadas. Na semana passada, criticou abertamente Bolsonaro. Presidente da CCJ que começa a apreciar a reforma da Previdência, a senadora mandou o recado: se Bolsonaro quiser ajudar a reforma, que fique calado. Antes da semana acabar, disse mais: “ele [Bolsonaro] ainda não vestiu o terno de presidente”.

Já é vista como a voz (razoavelmente serena) anti-Bolsonaro dentro do partido, com discreto apoio de boa parte do Congresso.
 

Cara nova e projeto futuro

Simone vai apresentando uma cara que há muito não se via dentro do MDB: com ideias, com atitude, discurso coerente e sem o descarado governismo. Uma imagem que nada tem a ver com caciques emedebistas do estilo de José Sarney, Jader Barbalho, Michel Temer, Renan Calheiros e Romero Jucá. Tanto que inspira ideias de mudanças, como já fizeram ver mulheres de Santa Catarina, que já lançaram a senadora para a presidência do MDB.

E já há quem ache que ela pode ser uma alternativa até mesmo para 2022, na perspectiva do Palácio do Planalto. Vale lembrar, o último candidato com DNA do MDB a concorrer ao Planalto foi Orestes Quércia, em 1994. Não vale contar Henrique Meireles, que desembarcou na sigla só para ser candidato, e sem o apoio da maioria do partido. Simone Tebet seria o resgate do velho MDB – não o de Quércia, mas o de Simon.

A senadora, no entanto, deve se preparar: vai começar a apanhar, dentro e fora do partido. No partido, os caciques de sempre não vão querer abrir espaço, assim como os caciques recém-chegados, a exemplo de Ibaneis Rocha. Fora do partido, a artilharia deve vir principalmente dos seguidores de Bolsonaro. Aí, nas redes sociais, não deve ter palavra elegante.