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Grande Teresina ganha cidades. Mas, de Brasília, não vem nada

Foto Divulgação / Assembleia Legislativa

Marco Aurélio e Henrique Pires: projeto para transformar Miguel Alves no 16° municipio da Grande Teresina


O deputado Marco Aurélio Sampaio (MDB-PI) está apresentando na Câmara Federal um projeto que inclui o município de Miguel Alves na RIDE (Região Integrada de Desenvolvimento Econômico) da Grande Teresina. Se a proposta for aprovada – e nada indica que não seja –, será o 16º município a compor a Grande Teresina. A esperança é que Miguel Alves passe a contar com recursos de programas federais. Pode ser uma esperança vã, já que a Grande Teresina (regulamentada em 2001) é simplesmente esquecida em Brasília, desde o governo Lula, passando por Dilma e Temer.

A RIDE da Grande Teresina foi fruto de um projeto do então senador Hugo Napoleão, inicialmente com 13 membros: a microrregião de Teresina (com Altos, Beneditinos, Coivaras, Curralinhos, Demerval Lobão, José de Freitas, Lagoa Alegre, Miguel Leão, Monsenhor Gil, Pau d’Arco, Teresina e União) e mais a maranhense Timon, considerada área conturbada. Desdobrada da capital, Nazária integrou-se à RIDE, que depois teria o ingresso de Lagoa do Piauí.

Agora é Miguel Alves quem pode integrar-se, através de uma iniciativa do deputado estadual Henrique Pires (MDB). Mas a matéria é federal e, assim, Pires partilhou o projeto com Marco Aurélio, que o abraçou com gosto. O problema é que Brasília não engole a Grande Teresina, ou simplesmente faz vista grossas. Tente responder à seguinte pergunta: em 18 anos, o que a Grande Teresina teve do Governo Federal?

O objetivo de uma RIDE é permitir ações ordenadas e integradas nas cidades que a constituem, através de recursos da União. Hugo Napoleão ainda tentou dar encaminhamento à Grande Teresina, mas os projetos que desenhou foram atropelados pela derrota de 2002. No governo Wilson Martins, a Seplan ainda tentou ao menos viabilizar reuniões, que Brasília terminava esvaziando.

Tudo culpa de Brasília? Nem tanto. Os próprios municípios que integram a Grande Teresina não pensam juntos, no sentido de formatar projetos comuns. Seria bem razoável pensar, por exemplo, na duplicação das BRs de acesso à capital como uma ação do governo federal na Grande Teresina – elas ligam cidades da RIDE. Mas os projetos não chegam a Brasília e a má vontade federal se consagra através da falta de ação.

Seria uma boa ideia que Henrique Pires e Marco Aurélio se juntassem outra vez no sentido de ajudar as 16 cidades da Grande Teresina a pensarem de forma comum, traduzindo isso em projetos.