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A Amazônia é nossa ou é de todo mundo?

Foto Divulgação / Governo Francês

Emmanuelle Macrón: o presidente da França sugere status de área internacional para a região amazônica


A Amazônia é o tema do momento. Mas, para além das queimadas, um outro assunto faz fumaça especialmente desde ontem, quando o presidente da França, Emanuelle Macrón, defendeu a possibilidade de se discutir o status de área internacional para a nossa floresta tropical. Posto o debate, fica a pergunta: a Amazônia é mesmo nossa ou é de todo mundo?

A pergunta não é nova. Há muito, centenas de ONGs do mundo inteiro abraçam a visão da Amazônia como um patrimônio internacional, inclusive com soberania repartida. Nos últimos anos (sobretudo nas últimas semanas) essa discussão incendeia as redes sociais com posts de toda ordem, em especial dos nacionalistas que atacam os interesses internacionais na Amazônia. No caso da declaração de Macrón, foi a fagulha que ajudou a elevar a temperatura de vez.

A fala do presidente francês, considerando a possibilidade de um status internacional à Amazônia, é vista por muitos – em especial no Planalto – como um jogo político e de interesse bem definido. Não fica claro qual o cálculo político de Macrón, em relação ao público francês e europeu. Mas, em termos de Brasil, o francês deu uma dentro e outra fora. A dentro foi o anúncio da ajuda de 20 bilhões de euros. A fora foi precisamente a sugestão de internacionalização da Amazônia.

A ideia não cai bem nem entre governistas nem mesmo entre a maior parte dos que criticam a política ambiental do atual governo brasileiro. A soberania nacional não é negociável. Mas isso não quer dizer que a Amazônia é um assunto só brasileiro. Longe disso.
 

É nossa, mas de importância global

Quem parece ter dado o tom mais adequado sobre a Amazônia foi precisamente o fórum de governadores da região. O entendimento do grupo é que a Amazônia é nossa, mas não se pode tratá-la de qualquer jeito só por ser nossa. Os governadores foram além, defendendo a possibilidade de cooperação internacional com o intuito de proteger a floresta. É uma posição que não combina com a do Planalto.

No caso do Planalto, a política ambiental em geral e sobre a Amazônia em particular parece muito frouxa. A drástica redução das autuações precisamente quando há recorde de queimadas é um claro indicador dessa diretriz. Não é o melhor caminho. E o mundo está vendo isso, e se manifestando. Porque, ainda que a floresta seja nossa, o interesse é do planeta. E não é porque a floresta seja nossa que vamos torrá-la.