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Marasmo no setor público emperra recuperação econômica

O orçamento da União para o próximo ano prevê uma redução de 15% no volume de investimentos (cai de R$ 22,7 bilhões para R$ 19,3 bi). Notícia nada animadora em um país onde o setor público sempre foi determinante para o ritmo da economia. O governo aposta alto no setor privado, vislumbrando (talvez com demasiado otimismo) uma avalanche de investimentos externos. Em meio a tal aposta, o país cobra investimentos públicos mais robustos, o que não está no Orçamento.

E se é para falar de apostas, o Brasil paga caro as apostas nos últimos governos. Vale lembrar, na década passada, de bonança mundial, o Brasil investiu no consumo e esqueceu a produção. Pior: a bonança acabou, a crise de 2008 veio e o que era um tsunami foi enxergado como “uma marolinha”. Para piorar ainda mais, o Brasil não se preparou para o grave cenário que chegava e a história a gente conhece: a economia despencou até a recessão braba de 2015 e 2016, com mais de 13 milhões de desempregados.

O Estado brasileiro – aí incluindo União e os estados propriamente – se viu nu com a mão no bolso: a máquina inchada com receita em queda gerou um gigantesco déficit fiscal e, consequência, incapacidade de investir. O problema é que o Estado (leia-se “poder público”) sempre foi o responsável real pela saída das nossas crises, através de investimentos (grandes obras) que faziam a economia rodar. Mas o inchaço da máquina não dá chance. Falta dinheiro nos cofres públicos. Daí falta investimentos em obras públicas. E o caos está aí, Brasil afora.

A previsão orçamentária para 2020 não anima muito. E as esperanças recaem sobre o setor privado, através de investimentos que ainda não estão chegando na medida desejada, por conta dos cenários local e internacional. Se “o mercado” não mostrar força, poderemos ver em 2020 o marasmo dos últimos dois anos: PIB com crescimento positivo, mas muito baixo.
 

No Piauí, saída via empréstimos

Em dado momento da primeira metade desta década, o Piauí contabilizava cerca de mil obras em pleno andamento, algumas delas expressivas, como rodoanéis e pontes. Hoje temos um número elevado de obras, mas poucas em andamento. Além disso, a maior parte obras pequenas, como pavimentação de rua. A explicação é simples: falta dinheiro.

O Piauí faz parte da mesma fórmula brasileira: inchou a máquina, comprometeu maior fatia das receitas e o comprometimento ficou proporcionalmente ainda maior diante da queda das receitas. A saída? Empréstimos. O governo diz que o Estado tem capacidade de endividamento. Verdade. Mas fica cada vez menor a capacidade de pagamento.

Enquanto isso, as obras públicas andam bem devagarinho.