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Produtores rurais se articulam para ‘guerra da informação’

Os produtores rurais desenvolvem em âmbito nacional uma ampla articulação para entrar com força no que chamam de “guerra da informação” sobre as atividades do campo. A batalha mais visível dessa guerra é a discussão sobre as queimadas na Amazônia, que levou o setor a lançar um verdadeiro manifesto, a Carta de Palmas, em que tenta desmontar argumentos como o que aponta a produção de grãos e a pecuária como uma das principais fontes da destruição do meio ambiente.

Um dos instrumentos dos produtores são os documentos oficiais de instituições governamentais como a Embrapa. Um desses documentos é o Cadastro Ambiental Rural (CAR), da empresa de pesquisa agropecuária. O CAR aponta que, no Matopiba (região produtora de grãos no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) a área preservada é de mais de 70%. Os grãos ocupariam apenas 5% do território, 3% com soja.

O movimento para levar argumentos a favor dos produtores é nacional, com eventos locais que fortalecem a estratégia da “guerra de informação”. No Piauí, a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) está tomando as rédeas das ações e articula um evento de impacto marcado para o dia 16, na Assembleia Legislativa. Um dos pontos da programação será a apresentação dos dados do CAR referentes ao Piauí. Informações preliminares indicam que os dados praticamente repetem as referências já apresentadas em relação ao Matopiba.

No mesmo evento será distribuída a Carta de Palmas, que reafirma essa visão geral do CAR. Mas vai além, ao propor uma ação ordenada de desqualificação das ações das ONGs e da prevalência de “interesses internacionais” na discussão sobre as queimadas.

O debate (e o embate), pelo visto, está só começando.
 

Produtores querem vozes a favor

A “guerra da informação” significa, na prática, levar ao público uma outra versão sobre os fatos. E, para que isso aconteça, precisam de vozes que reverberem suas visões. É onde surge a ideia de criação de “frentes” aliadas. Uma dessas frentes é no campo político, mais precisamente na área parlamentar. No mesmo evento do dia 16 será criada a “Frente Parlamentar da Agropecuária do Piauí, a FPA-PI.

A sigla, acompanhada do hífen e do “PI”, revela que as FPAs estão sendo criadas em todos os estados. A intenção é garantir que a voz dos produtores tenha ressonância em qualquer momento em que questões de interesse do setor estiverem em debate.

É mais um capítulo da “guerra de informação, que pode ser lida como “guerra de vozes” e de versões.