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Indústria vai ter que qualificar 10 milhões de trabalhadores

O Brasil tem, em termos de competitividade internacional, uma década perdida. Ou duas. E o setor industrial é possivelmente o que mais se lamenta, ante uma política que apostou muito no consumo e não depositou uma ficha sequer na qualificação e aumento da competitividade. O resultado é que hoje, segundo a OCDE, dos países que de algum modo contam, só temos indústria mais competitiva que a Argentina. O setor tenta levantar e sacudir a poeira, em busca da volta por cima. E um dos focos é a qualificação de pessoal.

Apesar do quadro terrível, o futuro é enxergado com bons olhos. Segundo o Mapa Industrial do Trabalho, publicado pelo SENAI, a expectativa é que, até 2023, a indústria aumente o número de vagas em 22,4%. Em um cenário em que a automação tende a crescer, tanta gente a mais significa um crescimento do PIB da indústria bem acima desse percentual.

Mas não basta contratar. É precisar contratar bem. E também cuidar dos que já estão nas linhas de produção. Daí vem a qualificação, para atacar um dos mais graves problemas do trabalho no Brasil: a baixa qualificação. Ainda segundo o Mapa Industrial do Trabalho, será necessária a qualificação de 10 milhões de trabalhadores. E a maior parte é de gente que já está empregada. O treinamento de novos contratados corresponderá a 22% do total – ou seja, quase todo mundo que vai chegar a uma planta industrial.

Essa requalificação vai ser fundamental especialmente por dois fatores. Primeiro, a mudança no perfil do setor, com novas funções, profissões e padrões produtivos. Sem essa adequação, a produtividade vai pras cucuias. Segundo, o absurdo descompasso entre a formação (sobretudo nas universidades) e o mercado de trabalho. Só isso já impõe enormes desafios não apenas para o setor, mas todo o país.
 

Formação divorciada da demanda

O mercado está abraçando a 4ª revolução industrial. Mas a formação universitária, em boa medida, ainda está lá pela metade da 3ª revolução, configurando um enorme descompasso entre o mundo acadêmico e a realidade do mercado. Ou o Brasil repensa a formação ou vai ficar ainda mais para trás. Frank Alcântara, do Uninter – centro universitário com sede Curitiba e 200 mil alunos – diz que a adequação às demandas do mercado precisa ser rápida.

“Usamos a experiência dos estudantes que estão fazendo segunda graduação e de nossos professores ‘recém-chegados’ para avaliar o que está sendo exigido dos profissionais. Assim podemos repensar constantemente nosso perfil formativo”, afirma. Algumas áreas são fundamentais para a indústria, mesmo hoje: Exemplo: Computação Quântica e Inteligência Artificial, além de conteúdos sobre internet das coisas e indústria 4.0.

“É preciso ficar de olho no futuro”, enfatiza Frank.

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