Cidadeverde.com

Universidade brasileira vai mal. Não é de hoje, mas pode piorar

Para um país que sonha (ou diz sonhar) em ser uma potência mundial, o Brasil negligencia em um setor fundamental: a produção de conhecimento, traduzido especialmente nas universidades. E os dados são mais que evidentes: a universidade brasileira vai mal, uma realidade que não é de hoje. Mas que pode piorar, diante de mudanças que estão em discussão no país.

A situação trágica não é exclusiva das universidades, como demonstram os mais diversos indicadores internacionais. O PISA, exame internacional que avalia o ensino fundamental e médio, coloca o Brasil na rabeira, ano atrás de ano. Ontem foi a vez do ranking Times Higher Education mostrar onde está o ensino superior do país: nenhuma universidade brasileira aparece entre as 250 melhores do mundo. Entre as mil, são 12 assim distribuídas: 7 do Sudeste, 4 do Sul e uma (Brasília) do Centro-Oeste. Do Nordeste, nenhuma.

Na rabeira da América Latina

Tem mais: segundo dados da OCDE, estamos no fim da fila no percentual de universitários na América Latina. Vale repetir: estamos na rabeira da América Latina. De acordo com o estudo, apenas 18% dos adultos (25 a 64 anos) no Brasil têm ensino superior completo. O número é menos da metade da média da OCDE (39%) e muito abaixo de outros países da América Latina. A taxa de adultos com ensino superior na Argentina é de 36%, no Chile é de 25%, e na Colômbia é de 23%. Na OCDE, o acesso de jovens (25 a 34) à universidade é de 44%. No Brasil, 21%.

Uma tragédia deste tamanho não se constrói em uma única geração. E a superação de números tão absurdos também carece do empenho de gerações. Mas os números mostram que não há tal empenho. Nos últimos anos, vem-se repetindo o (pouco) empenho de sempre.

Ensino superior: US$ 14.200 por aluno

Ainda segundo a OCDE (que usa a base de dados referentes a 2016), investimos muito pouco no ensino Fundamental. No Fundamental 1, o gasto em 2016 foi de US$ 3,8 mil. É menos da metade da média da OCDE, que chega a US$ 8,6 mil. No Fundamental 2, o investimento por aluno, aqui, foi de US$ 3,7 mil, contra média da OCDE de US$ 10,2 mil. No Ensino Médio e Técnico, a relação é de US$ 4,1 mil (no Brasil) contra US$ 10 mil (OCDE).

No caso das universidades, não há tanta disparidade. A média de gasto por aluno, entre os países desenvolvidos, é de US$ 16.100. Aqui, o valor médio é US$ 14.200, o que coloca o Brasil à frente de países como Portugal e Itália, e em pé de igualdade com países como Espanha. Apesar disso, não temos relevância no cenário internacional, como mostra o ranking Times Higher Education. As razões? Muitas! Desde currículos inadequados até estruturas precárias, passando por má gestão.

Para completar, as universidades recebem os alunos daquele ensino fundamental que não consegue formar bem sua clientela.

Debate sem profundidade

Tudo fica pior com os cortes para o setor. E também com o tipo de debate sobre o ensino superior, que teima em permanecer na superficialidade da política partidária, sem mergulhar nas causas reais e perspectivas possíveis.