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Dúvida sobre Bolsonaro já multiplica candidatos para 2022

As regras para as eleições de 2020 ainda nem estão definidas. Os candidatos, tampouco. Menos ainda – óbvio – os perdedores e vencedores. Mas tem muita gente discutindo as eleições de 2022. No Piauí, essa discussão passa pelos alinhamentos (ou afastamentos) prévios que, por exemplo, distanciam Wellington Dias de Ciro Nogueira ou levam o PSB para a órbita do MDB. No plano nacional a história é a mesma, com alinhados de 2018 rompendo relações e demarcando território para a eleição presidencial de daqui a três anos.

O último capítulo dessa batalha prévia na guerra pelo Planalto aconteceu no Rio de Janeiro, com o governador Wilson Witzel (PSC) formalizando o distanciamento do PSL de Jair Bolsonaro. Na prática, está se afastando de Bolsonaro, que é o nome natural como candidato a ficar onde está. Mas Witzel duvida da competitividade futura do presidente e sonha com o posto. E não pode deixar para se credenciar daqui a dois anos, ou dois anos e meio. Precisa ter visibilidade própria logo, inclusive junto a outros segmentos políticos Brasil afora, no espectro da centro-direita.

O governador do Rio não foi o primeiro nessa estratégia. O governador de São Paulo, João Dória Jr (PSDB) já tinha tomado tal iniciativa. Vale lembrar, na eleição de 2018 Dória se afastou do próprio candidato tucano à presidência, Geraldo Alckmin, para se escorar na popularidade de Jair Bolsonaro. Chegou a criar o movimento “Bolsodória”, que uniu os dois políticos no estado, um puxando votos para o outro. Agora é outra história.

Dória vai reforçando diferenças com Bolsonaro, ainda que cosméticas, para a platéia ver. O governador paulista também sonha com o Palácio do Planalto. E sua estratégia vai bem mais longe, a ponto de mudar a própria cara do PSDB.
 

PSDB nada socialdemocrata

Wilson Witzel ainda precisa criar um movimento político que lhe dê ressonância em todo o território nacional. O governador de São Paulo, João Dória, já cuidou disso. Primeiro, tomou as rédeas do PSDB, colocando na presidência um aliado indiscutível, o ex-ministro Bruno Araújo. Segundo, moldou o partido à sua imagem e semelhança. Com Dória, o PSDB é cada vez menos socialdemocrata, e cada vez mais um partido de centro-direita, ou mesmo de direita.

Os rumos desejados por João Dória para o PSDB podem ser medidos pelos nomes que vem atraindo para a sigla. Filiou, por exemplo, o deputado Alexandre Frota, eleito pelo PSL, ao lado de Bolsonaro. Mas isso não tem nenhuma contradição: Dória também duvida da competitividade de Bolsonaro em 2022. E se assim for, quer ser o candidato desse eleitorado que ficar órfão.

Wilson Witzel pensa igual. E tem o mesmo sonho.