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Universidade muda realidade do pobre. Não a do rico

O Ministério da Educação deu à luz, ontem, o resultado do Censo do Ensino Superior no Brasil, referente a 2018. Há vários dados muito reveladores – boa parte extremamente preocupante, e que deve merecer profunda reflexão. Mas um dado chama a atenção: em um país onde mais da metade dos que ingressam nas universidades simplesmente não conclui o curso, o segmento social que mais termina a formação superior é composto por pobres com financiamento.

Os dados apontando alta evasão não são novidade. Nos últimos anos a situação de repete, com indicação de um alto número de alunos que começam mas não terminam um curso superior, somando-se a uma boa fatia dos que concluem em um tempo maior que o período regular de um curso. Quando se observa o curso onde há menor evasão, o destaque é Medicina. Em termos de segmentos, aí aparecem os pobres com financiamento.

O dado mostra compromissos distintos em relação à formação universitária. Para os ricos em geral – exceto os que fazem cursos como Medicina –, o diploma superior não parece ser um fator determinante em suas vidas. Talvez o fato de já contarem com um alicerce (patrimonial) bem construído faça que levem a universidade na valsa, sem maior interesse e até a ponto de abandoná-la. Para o pobre, é outra coisa.

Para o segmento de menos posse, um diploma pode fazer muita diferença: a formação superior amplia horizontes e cria novas oportunidades. Traduzindo: muda a vida. O Censo divulgado ontem traz esse dado. E mostra que muita coisa precisa ser repensada, para que a universidade seja um instrumento de transformação do país como um todo.
 

Falta eficiência na gestão universitária

A evasão nas universidades brasileiras é de mais de 50%, média que independe se a instituição de ensino é pública ou privada. Dito de outra forma, isso significa que jogamos fora metade dos recursos destinados à formação superior. E a conclusão é mais que óbvia: tudo isso cobra uma revisão da gestão, com reavaliação de métodos administrativos, currículos e modelos pedagógicos.

Os dados mostram que há ineficiência no sistema. Um fato trivial desse descuido é a distribuição de aulas ao longo do dia. Alguns cursos de universidades públicas reclamam de horários pouco racionais – por exemplo, aulas nos três turnos. Esse tipo de situação exige alunos profissionais, com pouca possibilidade de unir trabalho e estudo. E isso é um meio caminho para a evasão.

Seja como for, com os níveis de evasão acima dos 50%, significa que o dinheiro que investimos poderia estar rendendo o dobro de alunos com diploma superior.