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Teresina se condena a um aeroporto caótico

Começa a operar hoje o novo aeroporto de Florianópolis. O terminal é resultado do investimento de R$ 570 milhões e tem a capacidade de transportar 8 milhões de passageiros por ano. O terminal conta com 13 portões, 10 fingers e capacidade para receber até aviões intercontinentais com o Airbus 380 e o Boeing 747. A novidade vem ao mesmo tempo em que o senador Marcelo Castro (MDB) anuncia para vereadores de Teresina que a construção de um novo aeroporto na capital piauiense é inviável.

No encontro com vereadores, Marcelo colocou argumentos apontando que a “inviabilidade” seria fruto da falta de visão técnica e ausência de ação política. De acordo com o senador, Teresina perdeu a oportunidade de realizar a reforma do atual aeroporto porque a prefeitura não fez as ações devidas, especialmente no que diz respeito às desapropriações na zona Norte da cidade. O problema, no entanto, parece ser maior que o apresentado pelo senador Marcelo Castro.

Teresina tem um aeroporto para lá de acanhado, com pequena área de embarque e sem finger. A capacidade é de menos de 1 milhão de passageiros/ano. Para completar, a pista tem limitações de estrutura e equipamentos. Foi por isso que, em 2011, o então governador Wilson Martins apresentou a proposta de um novo aeroporto. A Secretaria Nacional de Aviação entrou na jogada para definir a área onde deveria ficar o novo equipamento. Mas a crise econômica já estava estabelecida na metade do primeiro governo Dilma.

Não saiu nada. E agora já se fala na privatização do aeroporto atual – prevista para meados do próximo ano. Ou seja: a perspectiva é dourar a pílula do aeroporto já existente. E essa “solução” tem muito a ver com a falta de planejamento e de coordenação política.
 

Mesmo custo do aeroporto de Florianópolis

Depois que Wilson Martins lançou a proposta de um novo aeroporto, algumas projeções foram feitas. Levantamento preliminar chegou a identificar 6 áreas no entorno de Teresina, carecendo estudos adicionais para maior precisão técnica. A crise no governo federal com Dilma, Temer e Bolsonaro deixou para depois a proposta do novo terminal. Curioso é que, mesmo depois disso, foram construídos novos aeroportos, como o de Ilhéus (obra pública) e o de Florianópolis (privatizado).

A avaliação preliminar para o aeroporto de Teresina apontava para uma área em torno de 450 a 500 hectares – cerca de quatro vezes a área do atual. As projeções indicavam um custo total da ordem de R$ 500 milhões – portanto, mais ou menos o mesmo valor do de Florianópolis ou mesmo do construído no interior da Bahia. Mas nesses casos houve ação técnica e política, em conjunto com planejamento e sequência.

Aqui, tudo ficou na torcida e no bate-boca que não chegou a lugar nenhum.