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Piauí cria mobilização política na disputa por área de litígio

A disputa pela área de litígio entre Piauí e Ceará deve gerar uma ampla mobilização política em torno do tema, que está chegando em uma fase decisiva. A iniciativa é da Comissão de Estudos Territoriais (CETE) da Assembleia Legislativa, que pretende reunir a bancada federal do estado para envolver os deputados e senadores na querela. O entendimento é que não basta o suporte técnico, percebido como amplamente favorável ao Piauí. A mobilização política também é considerada fundamental.

Na semana passada, a Comissão promoveu audiência pública em que foi discutida a questão dos limites entre os dois estados. As discussões envolveram sobretudo aspectos técnicos, mas destacou-se também a necessidade de uma mobilização política. “Há quase um consenso de que não basta o argumento técnico,. Precisamos ter todas as vozes do Estado na defesa desses argumentos, que são cristalinos”, diz o presidente da Comissão, deputado Franzé Silva (PT). Daí a ideia de reunir a bancada, o que deve acontecer na segunda-feira.

De acordo com o deputado, os argumentos técnicos, amparados em documentos históricos, mostram que a área de litígio é basicamente piauiense. A questão principal é relativa às populações que habitam na área em disputa. Pode acontecer de uma região ser atribuída a um estado mas a população se reconhecer como do outro. Aí é preciso o envolvimento político para levar a um entendimento. Situação semelhante ocorreu na disputa do Piauí com Tocantins e Bahia: houve um acordo, sem maiores problemas.

Além disso, há no lado cearense uma ampla mobilização envolvendo a representação congressista do estado. Também há mobilização das populações dos municípios da região. No caso do Piauí, a Comissão de Estudos Territoriais vai fazer uma peregrinação pelos municípios próximos ao limite com o Ceará.
 

Ceará vai na contramão e busca fator técnico

 Enquanto o Piauí busca mobilização política, o Ceará se movimenta no outro sentido: quer argumentos técnicos. Lá a mobilização política já está acontecendo com o envolvimento das populações da área de litígio. Para ter argumentos técnicos, equipe cearense busca documentos. Representantes do vizinho estado estiveram, por exemplo, no Arquivo Público do Piauí coletando registros sobre a ocupação de terras.

O principal interesse dos cearenses são os registros feitos pela igreja, que relatava a realidade de cada localidade e dava indicações sobre as relações entre as diversas comunidades. Esse interesse tem a ver com os documentos reunidos pelo Piauí, que incluem mapas com mais de 250 anos apontando que tanto o litoral quanto a região de Crateús e Independência (hoje municípios cearenses) eram territórios piauienses.