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Com nome de obra pornô, livro de Janot fracassa

Era para ser uma bomba. Virou um traque, se tanto. O lançamento do livro Nada Menos que Tudo (Editora Planeta) do ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, se transformou em um enorme fracasso. O insucesso é um somatório: há um toque de oportunismo, conteúdo irrelevante, estratégia equivocada e até a infeliz coincidência no título, o mesmo de uma obra pornô lançada em Portugal.

Para começo, o título está longe de traduzir a obra. Isso de “nada menos que tudo” tem muito pouco a ver com o conteúdo, que oferece pouco mais que nada. Não há revelações significativas, nem mesmo a história da ideia de matar o ministro Gilmar Mendes: a declaração pareceu uma estratégia para chamar atenção para a obra, mas acabou desqualificando o próprio autor e seu livro.

O resultado final é a ausência de público nos lançamentos que vem fazendo, como os que ocorreram esta semana em São Paulo e Brasília. As vendas são um fiasco. Basta conferir na Amazon: lá, a obra de Janot é apenas o 199º livro mais vendido. No segmento de política e Ciências Sociais, está na 14ª posição – e fica em 9º quando a lista se refere unicamente à política. Ou seja: muito longe de ser um sucesso.

Com pouco mais de 200 páginas, o livro tem preço de referência um pouco acima do padrão: R$ 50,96 para a versão física de capa comum e R$ 35,91, para a versão digital. Pelos registros das vendas, nenhuma das duas versões vem empolgando. Até porque vazou uma versão digital, larga e informalmente distribuída (e pouco lida) Brasil afora.
 

Obra pornô: 'desperta o desejo'

A infelicidade do livro de Rodrigo Janot não se limita a um conteúdo pouco relevante, por não acrescentar quase nada ao que já se conhece. Também escorrega no título, o mesmo de uma obra pornô lançada em 2017 pela editora portuguesa Manuscrito. O Nada menos que tudo português é assinado por Afonso Noite-Luar, que é apresentado como “o autor que desperta o desejo das mulheres portuguesas” e promete “uma mistura de sensações, muito amor e muito sexo”.

Ao apresentar sua obra pornô, Afonso vai além, falando diretamente às mulheres: “Estes textos, que escrevi especialmente para ti, vão fazer-te sonhar, despertar essa tua vontade e curiosidade adormecida pela rotina, libertar o teu atrevimento natural e fazer-te desejar nada menos que tudo. No meu universo não há vergonhas, receios, tabus ou lugares proibidos, mas principalmente não há arrependimentos”.

Resta saber se a obra de Janot, em relação ao trabalho do autor português, é só coincidência.