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Briga no PSL mostra que caos toma conta dos partidos

O sistema partidário brasileiro é um caos. Ok. Nenhuma novidade nisso. Mas quando esperava-se uma mudança que apontasse um rumo para as siglas que dominam o sistema político nacional, vemos que o caos parece se aprofundar. A ponta mais recente desse gigantesco iceberg é a disputa interna no PSL, que apenas revela o que já sabíamos: o sistema partidário brasileiro é um caos ideológico e um mundo de oportunismo pragmático, voltado unicamente para o desempenho eleitoral.

Os partidos no Brasil, historicamente, mostram que são satélites dos governos. A regra lógica deveria ser: os partidos se tornam fortes para aí então chegarem ao poder. No Brasil é o contrário: tornam-se se forte após chegar ao poder, ou o poder toma para si uma sigla e a faz forte. A Arena (criada com o MDB, após o golpe de 1964) foi assim, inchando na esteira da força bruta da ditadura. O MDB também, inflado no esquemão do governo José Sarney, que tinha em Ulysses Guimarães seu “primeiro ministro”.

Não mudou nas décadas seguintes. O PSDB se fez forte com Fernando Henrique, assim como o PT deslanchou de vez sob o guarda-chuva do governo Lula. Bolsonaro parece querer fazer diferente com o PSL: fez o partido forte no voto, arrastando a sigla de 8 para 52 cadeiras na Câmara. Mas agora vai murchar seu próprio partido. Resta saber qual o tamanho da nova sigla que inventará e turbinará.
 

Caos afeta até siglas ‘consolidadas’

O grave nessa mudança de figurino é que não está aparecendo nada que possa ser associado com a ideia de partidos sólidos e coerentes. Ao contrário. Até partidos teoricamente consolidados vivem seu caos particular. PDT e PSB, com os “infiéis da Previdência”, dão uma medida disso. Outras siglas minguam ou mesmo desaparecem em razão das novas regras. Mas nada que aponte para um novo rumo que rompa com o oportunismo de sempre.

Tudo se resume, pelo menos por enquanto, a um jogo de acomodação de olho nas questões eleitorais imediatas. Um bom exemplo, em Teresina, é o vereador Paulo Roberto. Até antes de ontem, era desafeto do PSDB e do grupo instalado na prefeitura. Era. Brigou com o Solidariedade e agora pode ter o mesmo PSDB como destino. Por que? Ora, porque tem um punhado de votos. Nenhuma sigla de desempenho mediano o deseja. Já o PSDB não quer ver esse punhado de votos mudar para o lado dos adversários do ano que vem.

Coerência? Nenhuma. Nem no vereador, nem no partido. A não ser o objetivo da sobrevivência eleitoral, para preservação de mandatos.