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Governo e Igreja se reaproximam pelas mãos de Mourão

A canonização de Irmã Dulce, agora Santa Dulce dos Pobres, já operou o primeiro milagre ontem mesmo, no Vaticano: pelas mãos do vice-presidente Hamilton Mourão, o governo brasileiro e a Santa Sé distensionam as relações e fazem acenos de atuação conjunta, inclusive em relação á proteção da Amazônia. O milagre tem a assinatura do próprio Papa Francisco e do vice-presidente, que esteve no Vaticano representando o governo na canonização da religiosa baiana.

Os sinais por parte do governo começaram ainda dias antes, estendendo-se até ontem, incluindo a presença do próprio presidente Jair Bolsonaro em uma missa católica. Mas Hamilton Mourão deu as demonstrações mais evidentes do governo brasileiro rumo ao distensionamento. No Vaticano, esteve com o Papa, deu entrevista à Rádio Vaticano e festejou o mundo católico, começando por se colocar como fiel seguidor do catolicismo.

Especificamente sobre a Amazônia, Mourão destacou o trabalho da igreja e do Estado brasileiro na região. E disse que essa atuação conjunta deve ser cultivada porque é fundamental para a preservação da área, seja no aspecto ambiental, seja no aspecto cultural, das comunidades indígenas. É um novo tom, sem dúvida.

O Papa também não deixou de dar sinais da intenção de apaziguar os ânimos, utilizando o próprio Hamilton Mourão para enviar abraços ao presidente Bolsonaro. Ademais, vale destacar que o tom de Francisco a respeito do Sínodo da Amazônia foi ganhando nuances mais suaves.  
 

A pergunta repetida do Papa

No encontro com o vice-presidente Hamilton Mourão, o papa Francisco repetiu uma pergunta que costuma dispensar a todos os brasileiros que o encontram: quem é melhor, Pelé ou Maradona? A pergunta é um gesto simpático, de aproximação, tomando como caminho um tema que apaixona brasileiros e argentinos – o futebol. Ante a questão, o vice-presidente saiu pela tangente: “Os dois”, disse.

Em nome da diplomacia, papa Francisco faz uma pergunta que os argentinos não aceitam ser feita. Para eles, não há dúvida. Mas a dúvida do papa reforça a certeza brasileira: o melhor, com sobra, foi Pelé. Não há comparação. Seja em clube ou em seleção, Pelé, foi maior. E, no campo, mais completo.