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Sem candidato, PSDB ‘escolhe’ adversário preferencial

Causa certa surpresa ver a empolgação de uma boa parte do núcleo central do PSDB de Teresina com um nome que está posto na lista de pré-candidatos à prefeitura municipal. O espanto se dá exatamente por ser um nome que não está no grupo que comanda a prefeitura – ainda se debatendo em dúvidas sobre quem escalará para disputar o palácio da Cidade. Ao contrário: o nome que empolga o tucanato é o deputado Fábio Novo, que se coloca como pré-candidato do PT na tarefa de destronar o grupo que há mais de 30 anos vence todas as eleições na capital piauiense.

Novo não consegue a unanimidade no PT, onde enfrenta duas outras pré-candidaturas (a de Franzé Silva e a de Júnior MP3). Mas anda muito perto do consenso entre os tucanos, que se atrevem a defender o nome do deputado abertamente. Até mesmo Edson Melo, presidente municipal do tucanato, saiu em defesa da candidatura de Fábio Novo, em um empenho que faz parecer tratar-se de um correligionário. É o adversário preferencial.

Os afagos não param aí. Até mesmo a mulher do prefeito Firmino Filho, Lucy Silveira (que é deputada pelo Progressista) festeja o petista, recebendo flores daquele que pode ser o candidato escalado para tentar o até agora nunca conseguido, que é derrota o esquema político do marido. Não é só: Fábio Novo se sente à vontade na prefeitura, onde esteve nos últimos dias. Estava em casa entre os tucanos.

Os afagos dos tucanos e o discurso de Fábio – sem uma crítica direta à gestão do PSDB – vai gerando dúvidas dentro do PT. A pergunta é: tão próximo de Firmino, conseguirá ele apresentar uma proposta crível de mudança?
 

Histórico de Fábio com o PSDB

A proximidade de Fábio Novo com o PSDB não é de hoje. Fábio tem ninho político no velho PFL, em Bom Jesus, através da proximidade familiar com o então deputado Jesualdo Cavalcante. Depois ele se filiou ao PSDB, partido pelo qual disputou a prefeitura da cidade. Aproximou-se do PMDB no governo Mão Santa e acabou no PT, onde chegou a comandar a sigla estadual por dois mandatos. Mesmo no PT, deu apoio declarado à candidatura de Firmino Filho, em 2016.

Naquela eleição, o PT tinha aliança com o PTB, oferecendo o nome de Décio Solano para vice na chapa de Amadeu Campos. Amadeu e Décio viram vários petistas migrarem para o palanque tucano, incluindo Fábio. A relação o deputado e o prefeito Firmino Filho segue estreita. E isso cria embaraços para o deputado, agora que se coloca como pré-candidato petista a um embate com o grupo de Firmino. Para algumas lideranças do PT, Fábio não conseguirá oferecer um discurso consistente de mudança.

Os afagos e elogios do PSDB complicam mais ainda esse quadro.