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Pacote tenta dar novo ritmo à economia. Desta vez vai?

O governo federal dá à luz uma espécie de pacote de medidas que pretende, finalmente, a virada na economia nacional e permitir ao Brasil o reencontro com o crescimento. É um pacote que se junta a outras ações, desde a reforma trabalhista de Michel Temer à reforma da Previdência a ser promulgada em pouco mais de uma semana. Há boas expectativas entre os investidores, mas uma série de questões ainda está posta, o que leva à pergunta mais repetida dos últimos anos: desta vez vai?

O desempenho da Bolsa, com seguidas quebras de recorde no volume de negócios, dá uma medida do otimismo dos investidores. Também o comportamento do câmbio aponta nesse sentido. Mas ainda há sombras no cenário, e o principal é sem dúvida o clima político, excessivamente conflitante e com ingredientes poderosos colocados na mesa pelo próprio governo. Uma delas é o caminho da reforma tributária, que o Congresso deve deixar mais restrita à distribuição de recursos entre os entes federados. Para o cidadão e as empresas, não deve mudar tanto.

O país ainda carece de um sistema tributário mais simples e sem tantos efeitos cumulativos (imposto sobre imposto). Também precisa cortar o amontoado de estágios burocráticos para qualquer ação. O investidor está atendo a isso, ainda mais que o resto do mundo vem adotando medidas nesse sentido. As medidas são esperadas não apenas para melhorar a realidade brasileira. São também olhadas como mecanismos para melhor posicionar o país na competitividade global.

Tudo isso se soma à expectativa de que o Brasil possa, enfim, dar a virada e deixe na história a recessão mais brutal já vivida pelos brasileiros.
 

Recessão é mais longa da história

A expectativa de mudança de rumo na economia é muito grande, e muito aguardada. Não é por acaso: estamos entrando no sexto ano de uma recessão que mostrou suas garras ainda em 2014. Já tivemos mais de 14 milhões de desempregados, ali no final do governo Dilma Rousseff. Temer diminuiu um pouquinho desse número; Bolsonaro, um outro tantinho. Mas nada que mude substancialmente: ainda temos mais de 11 milhões de desempregados, além de um outro tanto de empregados em situação precária.

O PIB reage de maneira quase imperceptível: depois do descalabro de 2015 e 2016 (no acumulado, o PIB despencou quase 10%), reagimos em 2017 e 2018 com recuperação simbólica, ao redor de 1%. Este ano não será muito diferente. Tudo isso faz da crise desta década a pior da nossa história. E isso dá a dimensão da expectativa de recuperação: será que desta vez vai?

É ver se as medidas agora propostas terão o efeito sonhado.