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Brasil ainda não sabe como melhorar produtividade

A discreta mas continuada melhoria no desempenho da economia não tem se refletido em um indicador fundamental para leitura, hoje, da qualidade da máquina econômica de um país: a produtividade. Ao contrário. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, a forma como vem se dando o aumento do emprego no Brasil – com alta informalidade – tem contribuído para a queda da produtividade, indicador que há muito já colocava o país na rabeira da lista de analisados pela OCDE.

A baixa produtividade no Brasil é uma construção de anos e anos, ou de quase duas décadas de foco basicamente no consumo. Aumentou-se a produção e deixou-se a estrutura de sempre, sem melhor resultado por hora trabalhada. A falta de qualificação de recursos humanos também ajuda na queda da produtividade. Um exemplo é a indústria: o parque indústria praticamente não se modernizou nos últimos 15 anos e a requalificação de pessoal passou ao largo. Resultado: entre os países analisados pela OCDE, só a indústria da Argentina está pior que a do Brasil.

Pois o que já era péssimo pode piorar, sim. E a produtividade no Brasil – que desceu a ladeira com a recessão de 2014 a 2016 – atropelou a discretíssima recuperação de 2017. Estacionou em 2018 e agora desce um degrau. Inicialmente o dado assustou os economistas. Mas estudo agora divulgado pela FGV coloca os pingos nos is: a qualidade do emprego tem muito a ver com essa queda. Quem entra na informalidade entra para “o que der”. Às vezes sem o devido conhecimento da área. Daí, o resultado em geral é aquém da média.

Claro, isso tem muito a ver com um dos fatores listados inicialmente: qualidade dos recursos humanos. E em matéria de qualificação (leia-se educação) o Brasil negligencia há muito. Há décadas. Ou séculos.
 

Produtividade brasileira é só 25% da americana

A produtividade é um cálculo que diz o quando se produz por hora trabalhada. E quando se faz essa conta comparando Brasil e Estados Unidos, a realidade brasileira fica exposta da pior maneira. Segundos dados do economista José Pastore, dirigente da Fecomercio de São Paulo, o brasileiro leva 1 hora para gerar a riqueza que os norte-americanos produzem em 15 minutos. Ou seja: a produtividade do trabalhador brasileiro corresponde a apenas 25% da de um americano.

Pelos cálculos de Pastore – que toma o PIB de cada país e as horas trabalhadas –, o Brasil produz em uma hora riqueza no valor de US$ 16,75. No caso dos Estados Unidos, o valor médio produzido a cada hora é de US$ 67,00. Alguém pode dizer: ah, mas são os Estados Unidos. Pois é: são os Estados Unidos, que nem lideram essa conta. O Brasil pode ficar pior na fita se a comparação for com Noruega (produção de US$ 75,00 por hora), Luxemburgo (US$ 73) ou Suíça (US$ 70).