Cidadeverde.com

Em ato raro, prefeitura lança bases para redesenho urbano de Teresina

O prefeito Firmino Filho está encerrando o terceiro ano do que poderá ser reconhecida como a mais ousadas das gestões tucanas na cidade. E se é tucana, é a mais ousada das gestões dos últimos 35 anos, já que o grupo se instalou no Palácio da Cidade com a eleição de 1985. A atual gestão vem fazendo algo raro nas gestões públicas, entre elas as de Teresina: um olhar para o futuro, incluindo uma ideia de redesenho urbano da cidade. Isso não quer dizer que não haja problemas. Há, e muitos, nesse olhar para a frente.

O que temos de desenho de Teresina deve-se muito ao período tucano. Para o bem e para o mal, já que assinam quase tudo desses últimos 35 anos. E Teresina pode lançar sobre o grupo coisas toscas como o calçamento cabeça de jacaré (nasceu de um cálculo de economia de recursos e até hoje pagamos caro por isso). Ou a carência de um planejamento que enxergasse mais além das ações comezinhas, triviais. Apesar disso, o grupo carrega a fama de bom gestor, por méritos próprios e deméritos alheios – por exemplo, no comparativo com boa parte das gestões estaduais, que sequer dão conta desse trivial.

O que faz a atual gestão Firmino melhor que as anteriores é a decisão de não olhar só para o imediato. Cabe conferir:

• Cidade caminhável: começou a pensar ações para que o cidadão possa caminhar mais pelo centro da cidade, incluindo a revitalização da área. Não é tarefa fácil, já que tal mudança passa por mais árvores, calçadas amplas e retas – coisas nunca cuidadas no centro da cidade. Ah, e segurança (coisa do Estado).
• Inthegra: ainda gera muitas críticas, mas resolveu sair do discurso e implantar um modelo que é óbvio nos centros urbanos médios e grandes.
• Adensamento urbano: óbvio em qualquer centro urbano, mas esquecido Brasil afora e particularmente em Teresina. O tecido urbano espalhado é irracional e caro. Adensar é otimizar recursos. Problema: Firmino vende essa solução de longe prazo como se fosse para amanhã.
• Parques urbanos: está aí o Parque da Cidadania e o do Mocambinho. Teresina precisa de muito mais, especialmente de verde no Centro.
• Frei Serafim: começou a pensar a Frei Serafim. Uma boa ideia, ainda que norteada por decisões pré-concebidas e equivocadas. Mas o debate é um bom começo.
 

Ainda há muito pela frente

Ainda falta muito, mesmo nesse olhar para o futuro. Falta inclusive repensar a política habitacional – conectando-a com a ideia de adensamento. Vejamos:

• Política habitacional: Teresina bem que pode adotar regras que complementem as diretrizes nacionais de habitação. Isso é fundamental para não vermos grandes ou pequenos conjuntos espalhados, longe da infraestrutura básica.
• Metrô: como é do Estado, a prefeitura mal leva em conta no planejamento do transporte. Precisa ser pensado conjuntamente.
• Grande Teresina: Teresina se pensa sem conversar com as cerca de 15 cidades do entorno. É um erro.
• Emprego: não é problema da prefeitura? É sim. Mas falta diretriz, falta foco e falta (vale lembrar) parceria de entes como Estado. Nesse quesito, o pensamento tem sido pequeno, como atesta o Parque Empresarial Sul – não cabe uma grande planta industrial.
• Aeroporto: já se vão 8 anos de discussão de um novo aeroporto, mas nada anda. Em boa medida por inação da PMT.
• Parques urbanos: toda a cidade pede áreas de vivência e bem-estar. Falta atenção especial ao Centro – onde o verde foi sendo derrubado sem que o poder público o substituísse.
• Frei Serafim: um caso à parte, pelo valor identitário que carrega. Pensar em VLT? A prefeitura diz que é caro. É hora de lembrar em opções baratas que saíram caras, como o calçamento cabeça de jacaré. Ou opções justificadas pela ineficiência. Por exemplo, tirar as fontes da Frei Serafim justificando que elas eram foco de dengue.