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Meio ambiente ainda é tema de segunda ordem no Brasil

Duas tragédias ambientais vividas pelo Brasil neste último trimestre mostram que o tema segue sendo um assunto de segunda ordem no que diz respeito à formulação de políticas públicas. Primeiro foram as queimadas e o desmatamento na Amazônia, que descambou para uma discussão meramente politiqueira e que desapareceu do debate quando os políticos arranjaram outro assunto. Depois foi a vez do vazamento de óleo em águas do Nordeste, a encher de óleo as praias da região sem que o país promovesse as reações necessárias.

No caso do Nordeste, governo e oposição se escudaram em falas ocas onde se tratava menos do problema e mais de possíveis agentes políticos envolvidos. O certo é que, quase dois meses depois da aparição das primeiras manchas, muito pouco foi feito além do recolhimento das placas de óleo cru que chegavam às praias. Agora a coisa piorou, porque o óleo já não chega em placas e sim fragmentado, o que dificulta a limpeza e amplia os riscos de contaminação.

Mais uma vez a discussão mantém o vazio de conteúdo, na União e nos estados afetados. Mais grave é que, a não ser alguns ambientalistas e os diretamente afetados pela tragédia (pescadores, comerciantes de beira-mar etc), poucos vêm falando do assunto. Na Câmara Federal está em processo a criação de uma CPI – que não deve dar em muita coisa, mas pelo menos abre para a possibilidade de uma discussão mais consistente e menos caricatural.

Esse debate é fundamental para que se olhe o tamanho dessa tragédia e os efeitos que causa. Também é fundamental para que se observe o quanto somos descuidados na atenção ao meio ambiente.
 

Amazônia acumula desmatamentos

Também o caso da Amazônia mostra o tamanho do pouco caso com o meio ambiente, que acumula áreas e mais áreas desmatadas. Segundo dados oficiais, em um ano somamos mais 9 mil km quadrados de área desmatada. É o pior desempenho dos últimos dez anos. Alguém pode lembrar: já foi pior. Sim, já foi muito pior: em 2008 foram quase 13 mil km quadrados de florestas derrubadas; em 2004, foram 27 mil; e, em 1995, mais de 29 mil km devastados.

O problema é que o que se vê é uma simples desaceleração da derubada da floresta, mas que mantém uma sequência de desmatamentos que não se recupera em décadas e mais décadas. Os dados talvez revelem um ritmo de desmatamento muito acima do que seria razoável. Parece óbvio que seja muito acima, mas nem isso pode-se afirmar com todas as letras já que o debate perde muito do sentido técnico e beira para o jogo de palavras e discursos vazios do tipo “a Europa já derrubou todas as florestas que tinha”.

Essa politização (no pior sentido da palavra) só reforça a visão de que tudo fica restrito a um discurso politiqueiro. Contra ou a favor.