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Enfim, PIB brasileiro pode voltar ao patamar pré-recessão

Voltam as esperanças: depois de cinco duros anos de recessão e “quase-recessão”, os economistas avaliam um movimento positivo do PIB, com desempenho consistente que deve assegurar em 2020 o retorno da produção de riquezas no país a um patamar prévio ao período recessivo. O motor da recuperação está sendo o consumo, onde têm impacto os juros menos estratosféricos (Celic a 5% e cheque especial em nivel menos indecente) e a grana extra possibilitada pelo saque do FGTS.

A avaliação é do IBRE, instituto de estudos econômicos ligado à Fundação Getulio Vargas. De acordo com a análise, o consumo das famílias – que representa dois terços do PIB – é o fator mais destacado. Os juros mais acessíveis e o dinheiro extra levaram as pessoas ao consumo e à aceleração da atividade econômica neste segundo semestre. A expectativa é que se mantenha no próximo ano, inclusive com um ritmo mais intenso. As projeções já apontam para crescimento superior a 2%.

Os setores de serviços e da agropecuária refletem esse fenômeno atual, com crescimento que mantém a economia em aceleração. O ponto negativo é a indústria, que passa por problema de produtividade e, também, em relação ao mercado externo (em especial, Argentina). No tocante à demanda, outra vez chama atenção o peso do consumo familiar, compensando o desempenho negativo no item “consumo de governo”. Ou seja: os problemas fiscais dos governos nas três esferas deixa uma fatura pesada para o PIB.

Os investimentos também estão sendo retomados, mas ainda não no ritmo esperado.
 

Indústria ainda terá longa travessia

Vale lembrar, a recessão se instalou no final de 2014 e foi especialmente dura em 2015 e 2016. Perdemos quase um décimo das nossas riquezas. Mas os problemas da indústria vêm de antes, o que coloca o setor em uma situação crítica. Hoje, a indústria se ressente de equipamentos desatualizados, de recursos humanos sem a devida formação e ainda sofre da falta de foco em novas tendências. Isso quer dizer que a travessia no deserto será longa, ainda que possa registrar reaquecimento já no próximo ano, basicamente em função do aumento de demanda.

Comércio e serviço devem ter ritmo bem mais intenso que a indústria, segundo o IBRE. Essa diferença é tão acentuada que o instituto chega a dizer que estamos tendo um “desenvolvimento sem indústria”. Segundo dados do IBRE, 60% do setor está com desempenho negativo. A expectativa é que o segmento industrial ganhe novo ritmo e possa ser parte da retomada da atividade econômica.