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‘Aliança pelo Brasil’ repete personalismo e foco eleitoral

O presidente Jair Bolsonaro lançou ontem o Aliança Pelo Brasil, partido que nasce com o propósito de abrigar o “bolsonarismo” e criar um chão para o projeto de reeleição em 2022. Resumido assim, pode-se dizer que o novo partido surge embalado por dois velhos padrões da política brasileira: o foco eleitoral e o motor personalista.

Ao falar com jornalistas, ainda ontem, Bolsonaro disse que o Aliança terá um programa e vai cumprir esse programa. A fala tem o propósito de deixar evidente a distância do novo partido para a maioria das siglas que compõem o sistema partidário brasileiro, onde os fatores programáticos são um mero detalhe. É provável que haja esse distanciamento, mas não muda muito a realidade: de certa forma, é mais do mesmo, até porque o programa tem a imagem e semelhança do seu criador.

O novo partido surge atrelado ao projeto de Bolsonaro, assim como PRN foi criado – como mutação do Partido da Juventude – para abrigar Fernando Collor e reverberar sua pregação, de olho das eleições de 1989. Eleito, empossado e pilhado em traquinagens, o “Caçador de Marajás” sofreu impeachment e o PRN desapareceu com seu criador – que voltaria depois, mas sob o amparo de outras siglas. Sem Bolsonaro o Aliança perde o sentido. E isso diz claramente: é um partido personalista.

Também é um partido com foco absolutamente eleitoral. Cabe a pergunta:mas como apontar foco eleitoral, se o presidente diz que o partido pode não disputar a eleição de 2020? Simples: o foco, seguindo o personalismo, é a eleição de 2022 – quando o próprio Bolsonaro quer ser outra vez candidato à presidência. Ou seja: o personalismo e o eleitoralismo andam juntos.
 

A direita mostra sua cara

Os estudiosos da política sempre desdenharam do sistema político brasileiro: era o único sem direita, já que todo político se dizia de centro ou centro esquerda, quando não de esquerda mesmo. Isso valia para os partidos, que ganhavam o selo de direita apenas nas tabulações dos cientistas políticos – que se guiavam mais pela prática que pelo discurso ou a auto-definição programática.

Nos últimos anos a direita tem se assumido sem sutilezas. O Novo se afirma liberal, sequer sem discurso social. O que vale é o discurso da eficiência – o que o rotularia claramente de direita, ainda que sem ser autoritário. Mas há os que se assume de direita e abraçam um viés autoritário. O Aliança Pelo Brasil, à semelhança do criador, carrega esse carimbo. E não está sozinho.