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Sistema educacional reproduz desigualdades no Brasil

O último resultado do PISA repete o cenário de tragédia da educação brasileira. Segundo o exame, que é realizado pela OCDE, o Brasil está na rabeira do desempenho educacional. Nenhuma novidade nessa informação. Mas o que é novidade mesmo é uma análise feita pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), mostrando que o sistema educacional brasileiro reproduz à perfeição as absurdas desigualdades existentes no país. O sistema conta, a um só tempo, com escolas privadas de altíssimo nível e escolas públicas lamentáveis.

De acordo com o levantamento feito a partir do próprio resultado do PISA, se fossem analisadas somente as notas das escolas particulares de elite, o Brasil seria o 5º colocado no mundo, ao lado da Estônia. O Iede explica que são consideradas escolas de elite aquelas com alunos de alto poder aquisitivo, e elas vão bem na fica. Situação bem diferente é encontrada nas escolas públicas: segundo a análise, se fossem levadas em conta apenas as escolas mantidas pelo poder público, aí o Brasil ficaria em 65º lugar em uma lista de 79 países que participaram no exame.

O resultado traduz bem a realidade socioeconômica do país, com segmentos com altíssimo poder aquisitivo separados por um enorme fosso de desigualdades das vastas populações de miseráveis. Há desigualdade inclusive dentro do próprio setor público. A tabulação feita pelo Iede revela escolas federais com desempenho semelhante à média da Austrália e estaduais que poderiam ser comparadas às escolas da Bósnia.

Na prática, é o conceito da “Belíndia” dentro da educação brasileira.
 

Escolas traduzem a ‘Belíndia’ brasileira

O conceito de “Belíndia” é do economista Edmar Bacha e já tem uns 40 anos. O termo se refere à desigualdade econômica e social, onde setores do país apresentariam qualidade de vida bem elevada tal como a Bélgica e outros, de extrema carência, se aproximariam de índices terríveis encontrados em boa parte da Índia. Talvez a Índia nem seja mais o melhor exemplo para evidenciar essas disparidades. Mas, preservando o termo, podemos dizer que a educação do Brasil reproduz à perfeição o conceito de Belíndia.

Dentro do Piauí também podemos encontrar a aplicação do conceito: temos escolas (todas privadas) que se posicionam entre as melhores colocadas do país; e temos uma lista enorme de unidades que se colocam lá no fim da fila. No próprio setor público temos situações completamente díspares: um mundo de escolas (do estado e dos municípios) de desempenho sofrível e outras (Oeiras, Teresina e estaduais como a de Cocal e a Didácio Silva) com bons resultados.

Pode-se dizer, é um refinamento da “Belíndia” na educação piauiense.