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‘Parlamentarismo branco’ de Rodrigo Maia pode ficar ainda mais forte

Já há algum se fala em uma espécie de Parlamentarismo “branco” ou informal vivido pelo país. E sempre que esse tema entra em roda de conversa, o nome do “primeiro-ministro” surge sem espaço para dúvidas: Rodrigo Maia (DEM-RJ). Rodrigo já tinha força no governo Temer, mas dividia tal poder em pé de igualdade (ou até em desvantagem) com outras lideranças do Centrão. Com a posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República, o presidente da Câmara parece ter se distanciado dos demais, ao mesmo tempo em que o Congresso passou a ter mais força ainda, às vezes até assumindo a condução do país.

A avaliação prospectiva que ganha corpo entre analistas é que Rodrigo Maia tende a ficar ainda mais forte este ano, dando contornos mais nítidos ao tal do “Parlamentarismo branco”. Essa força extra viria de um problema que se estabeleceu com a chegada do novo governo: Jair Bolsonaro nunca fez um único esforço para construir uma base de apoio no Congresso. Com isso, Rodrigo e outras lideranças como Davi Alcolumbre, deram as cartas políticas em 2020. A reforma da Previdência é só um exemplo.

O segundo problema se consolidou no final do ano, com o racha no PSL. A divisão do partido do presidente – que deve resultar em uma nova sigla, a Aliança pelo Brasil – tornou ainda mais débil a base de apoio. O que já era fraco, ficou fraquíssimo. Quem festeja é Rodrigo Maia, que passa a ser crucial para qualquer pretensão legislativa do presidente da República.

Sem Rodrigo, nada de Bolsonaro anda no Congresso.
 

Um novo mandato para Rodrigo?

A força de Rodrigo tem vários motivos. Além do pouco caso de Bolsonaro com o Parlamento, Rodrigo tem uma boa relação com a área econômica do governo, sobretudo o ministro Paulo Guedes. De certa forma, a agenda de um é a do outro. O presidente da Câmara também sabe recorrer à “velha política” e proteger os parlamentares, por exemplo, na liberação de emendas. Além disso, sabe partilhar as decisões cruciais, dando voz a aliados e adversários. O andamento das reformas revela bem isso: sempre avançaram na base do acordo.

Essa liderança à base de diálogo e doses de fisiologismo já faz que muitos defendam um novo mandato para Rodrigo na Presidência da Câmara. Nesse caso, o diálogo não será tão fácil, muito menos um acordo que reúna todos. Certamente haverá disputa, e das brabas. Mas no cenário de hoje, ninguém chega nem perto de Rodrigo Maia em termos de liderança interna no Congresso.