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Não é só Teresina: blocos se tornam nova marca do carnaval brasileiro

Teresina começou ontem uma agenda carnavalesca em que os blocos vão estar presentes e muito vivos em todas as zonas da cidade. São cerca de 40 blocos, embora o calendário da Fundação Municipal de Cultura aponte 24 – aqueles já estabelecidos e que recebem apoio da prefeitura para levarem sua alegria às ruas. É uma nova faceta do carnaval teresinense que deixa praticamente esquecida na memória de alguns as escolas de samba que um dia fizeram história.

O detalhe é que o fenômeno dos blocos não é um caso específico de Teresina, nem ele se justifica pela substituição pura e simples do modelo das escolas pelo modelo dos blocos. As escolas continuam muito vivas em diversas cidades do país, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo. Mas também nessas cidades os blocos ganham força. Em São Paulo, por exemplo, serão mais de 600 blocos tomando as ruas dos bairros da maior cidade do país.

Os blocos parecem estar associados a diversos fenômenos. Primeiro, pode ser explicado pela proximidade: eles acontecem ali pertinho de casa, com cara de confraria. Outro fator é a economia: a maior parte dos blocos não implica em comprar fantasias, nem abadás, tampouco camarotes. É chegar e se divertir. Além disso, não se pode desconsiderar a própria segurança em um país assustado com a criminalidade. Fica mais tranquilo ir ali na rua do lado e embarcar na folia com amigos e vizinhos.

O certo mesmo é que os blocos estão em toda parte, com números impressionantes e alegria ainda maior.
 

Mais alegria com menos investimento

As escolas de samba, em especial as do Rio, seguem lindas e contagiantes. Têm torcida. E daquelas apaixonadas. No Rio são sinônimo de identidade. Mas os blocos estão aí, incontestes. Eles são especialmente fortes em seis cidades do país, mobilizando milhões e milhões de pessoas em busca de gostosa diversão.

Olinda: os blocos que sobem e descem as ladeiras são a marca da cidade histórica. E são muitos: 1.500 blocos movimentando 3,7 milhões de pessoas com um investimento que soma R$ 7 milhões.
Recife: também tem a tradição dos blocos. E também eles podem ser contados aos milhares: 1.600 blocos, num investimento de R$ 25 milhões que mobilizam 1,6 milhão de pessoas.
São Paulo: teve um boom de blocos nos últimos anos. Hoje são 644, recebendo investimento de R$ 36,5 milhões e arrastando uma multidão de 15 milhões de pessoas (o maior público do país).
Rio de Janeiro: a capital das escolas de samba entram no embalo de vez: são 384 blocos implicando em R$ 36,2 milhões de investimentos e mobilização de 7 milhões de pessoas.
Belo Horizonte: a capital mineira conta neste carnaval com 453 blocos, que recebem investimento de R$ 5 milhões e arrastam 14,3 milhões de foliões.
Salvador: a cidade dos trios tem este ano 323 blocos, que recebem R$ 3 milhões de investimentos e contagiam um mundo de pessoas.