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Bolsonaro mantém embate com Legislativo, mas segue com agenda

O presidente Jair Bolsonaro vem travando, desde o início do seu mandato, uma arriscada queda de braço com o Congresso. Não é uma relação amistosa. Longe disso. Mas o resultado não tem sido catastrófico como esperavam os analistas. Também longe disso. No primeiro ano de mandato, Bolsonaro sempre teve o senão (muitas vezes em críticas abertas e duras) das principais lideranças congressistas, mas conseguiu que os temas fundamentais de seu governo prosperassem no Legislativo – como fica evidente a aprovação da reforma da Previdência.

Neste segundo ano de mandato, o embate persiste – e talvez com maior intensidade e divergências. Mas os temas fundamentais para o governo devem permanecer na agenda, como a reforma tributária e até mesmo a reforma administrativa. É uma situação pouco comum. Se olharmos para os estados, a governabilidade não tem sido tão tranquila. Em alguns casos, a falta de maioria dos governadores desagua em uma completa falta de governabilidade.,

Um caso bem ilustrativo é o de Minas Gerais, onde a maioria da Assembleia impôs ao governador Romeu Zema (NOVO) um reajuste de 70% sobre os salários dos servidores. Vale ressaltar: um aumento de 70% em um estado falido. É a típica situação em que a maioria oposicionista deixa evidente ao governo em minoria: fazemos o que queremos. Nessas situações, o governante tem que recuar ou ir para o confronto em geral desgastante.

Bolsonaro tem enormes desgastes na relação com o Congresso. Mas vai avançando, talvez porque a maioria do Congresso tenha um pensamento muito próximo do governo de Bolsonaro. Quer dizer: discorda no político, mas converge no conceitual.
 

Apoio legislativo acima da média

Levantamento feito pelo IESP – núcleo de pesquisa ligado à UERJ – aponta que, no primeiro ano de mandato, o governo Bolsonaro teve um índice de apoio legislativo acima da média histórica de 75%. Esse índice, segundo o IESP, indica uma tendência à coesão partidária na hora das votações. Obviamente, alguns partidos se sobressaem. No caso PSL e do NOVO, esses valores ultrapassam 97%. O PSL deve ser motivo de análise, após o racha interno.

Seja como for, o alto índice de fidelidade aos interesses do governo não está limitado a essas duas siglas. Partidos como o MDB, o DEM e o PP têm exibido taxas de disciplina entre 80 e 90%, bem acima da média. Vale observar ainda, conforme os dados do IESP, que a oposição ao governo também tem se mostrado disciplinada. Em geral, o nível de disciplina – votar contra as propostas do governo – alcançam níveis de 90% ou mais, em especial no caso do PSOL, PT e PCdoB.

Como a oposição tem se mostrado pequena, o governo seque com sua agenda, apesar das críticas das principais lideranças do Legislativo.