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Luta contra coronavírus tem desafio de ‘achatar a curva’ de casos

Especialistas do mundo todo se debruçam sobre a brutal realidade do novo coronavírus que deu ao planeta sua mais nova pandemia. Ainda tateando entre erros e acertos, tentam encontrar um caminho que possa controlar a doença e permitam rebaixar o gráfico de evolução do número de casos. No linguajar um tanto médico e outro tanto matemático, falam em “achatar a curva” – ou seja, reduzir o número de pessoas infectadas. Algumas projeções falam em duplicação dos casos a cada três dias.

O Brasil tem seguido mais ou menos essa projeção (e até conseguindo tal “feito” em tempo mais curto). Tivemos o primeiro caso oficial anunciado dia 26 de fevereiro. Três dias depois eram 2, e em mais cinco dias já eram 8. Em mais três dias (8 de março) esse número não havia se multiplicado por dois, mas por três, e tornaria a se multuiplicar por mais que 2 em outros três dias (52 casos em 11 de março). Mais três dias, e já eram 121; outros três dias, salto para 291; e só mais dois dias, 621 (pelos dados oficiais). Mais rápido que a projeção de dobrar a cada 72 horas.

Os exemplos – bons e ruins – que o mundo oferece parecem indicar que o controle social (ou seja, limitação de mobilidade e proibição de aglomerações) é um caminho bastante razoável. A Itália brincou com essa recomendação e pagou caro. No Brasil, alguns sinais (como os cariocas lotando praias e bares no final de semana, ou os campineiros comemorando nas ruas uma mera vitória do Guarani sobre a Ponte Preta, segunda-feira) geram preocupações.

O que anima é o conjunto de medidas adotadas em praticamente todos os estados, com sérias limitações às atividades de amplo alcance público.
 

Subnotificação pode ser de 15 para 1 caso

O alcance do coronavírus está longe de ser medido, ainda que a maior parte dos especialistas aponte para um pico de dois a três meses. Mas parece evidente também para a maioria que os dados oficiais não correspondem à realidade dos números, natural em uma doença que pegou o mundo de surpresa. Essa espécie de subnotificação seria especialmente forte no Brasil: segundo o presidente do Hospital Albert Einstein, médico-cirurgião Sidney Klajner, deve haver uns 15 casos não rastreados para cada pessoa notificada com o coronavírus.

Klajner sabe do assunto: em apenas dois dias, o hospital saltou de 12 casos suspeitos com duas confirmações para 45 internações para 21 casos confirmados (7 em UTI). O Einstein é uma oásis na saúde brasileira. Tem corpo medito altamente qualificado e estrutura (são 600 leitos que podem ser usados nessa guerra, 100 como UTI). Sabendo o que diz, Sidney Klajner foi claro em entrevista ao Estadão"É importante se conscientizar de que a única forma de a gente mitigar o impacto dessa epidemia é não disseminar o vírus, permanecer em casa, porque o quadro é grave".