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‘Década perdida’ ou ‘década trágica’, qual o título para 2011-2020?

Quando 2019 terminou, os dados agregados dos anos 2010 apontavam um resultado terrível: os números oficiais do IBGE mostraram que o crescimento médio da década que vai 2010 e 2019 foi pior do aqueles registrados nos anos 1980, conhecidos como a “década perdida” – mais precisamente, a metade daquele período. Mas o que parecia péssimo mostrou-se pior, e o coronavírus tende a transformar os dez anos de 2011 a 2020 em uma espécie de “década trágica”. Sim, porque se os anos 2010 foram piores, o acréscimo do ano presente ao agregado vai revelar tudo muito, muito pior.

Boa parte dos economistas costuma contar uma década do ano “um” (nesse caso, 2011) até um ano “zero” (portanto, 2020). Daí, o retrato do período é um enorme borrão manchado por recessão e desemprego. Ainda em janeiro, outro punhado de economistas fazia as contas e avaliava, que para ficar iguais à terrível década de 1981-1990, o PIB do ano de 2020 precisaria ter um crescimento da ordem de 10%. Mero cálculo, porque ninguém avaliava (já antes do coronavírus) que o Brasil pudesse passar de 2,5%. Traduzindo: a década de 1980 é um doce diante do agregado de 2011-2020.

Se em janeiro avaliava-se possível um crescimento acima de 2%, agora já não se fala mais em crescimento. A questão agora é outra: quantos degraus desceremos no precipício. Especialistas da Fundação Getúlio Vargas já avaliam uma queda no PIB que pode ser de 4,2%. Quando esse número se junta aos quase 4% de retração de 2015 e outros quase 4% de 2016, fica fácil escolher o título para o período que começou em 2011: é uma década trágica.

O que está difícil, pelo menos por enquanto, é encontrar o caminho para sair do atoleiro.
 

Cenário global não ajuda Brasil

O Brasil enfrenta sérios problemas internas, com uma política econômica capengando desde a crise de 2008, que piorou com Dilma e não se recuperou com Temer e Bolsonaro. Nos últimos anos, as commodities vêm salvando a pele da nossa economia. Mas o desaquecimento da economia global atrapalha ainda mais. A última projeção da agência Moody’s, divulgada há 15 dias, avaliava que o bloco do G20 teria uma redução de 0,3% no inicialmente projetado (queda de 2,4% para 2,1% de crescimento). Na Europa, a projeção era um crescimento de 1,2, revisto para 0,7%. Nos Estados Unidos, a revisão foi de 1,7% para 1,5%.

O problema é que a Moody’s pode ter que rever seus números para baixo. O coronavírus paralisou a indústria chinesa por quase dois meses e a agência avaliou que o crescimento será de 4,8% ante os 5,2% iniciais. Mas os dados podem ser revistos de forma severa porque boa parte dos analistas avaliam que o impacto será maios que o 0,4% até agora projetado. O mesmo tipo de avaliação se presta para a economia de países como Itália, destroçada pela pandemia. Também deve, ser contabilizados em números vermelhos os estragos em outras, como Espanha. O Brasil está aí nesse patamar.