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Projeção aponta queda de 26% na arrecadação tributária em 2020

O Brasil deve registrar, este ano, uma queda de 26% na arrecadação tributária, como efeito mais direto da pandemia do coronovírus na economia nacional. A projeção é de técnicos da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a entidade que faz uma marcação cerrada sobre o funcionamento da máquina arrecadadora do Brasil: é a ACSP a responsável pelo chamado “impostômetro”, um monitoramento do volume total de tributos recolhidos nas esferas da federação.

No início do ano, a expectativa da Associação Comercial de São Paulo era que o Brasil arrecadasse em torno de R$ 2,80 trilhões em impostos. Ontem, a entidade fez uma reavaliação das projeções e já calcula que o volume total de tributos recolhidos em 2020 ficará em R$ 2,05 trilhões, portanto 26% menos que a expectativa inicial. Essa revisão de expectativas leva em conta ajustes realizados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) diante da previsão de retração na economia, efeito do coronavírus no Brasil e também reflexo do desaquecimento no exterior.

Para Alfredo Cotait, presidente da ACSP, o impacto da pandemia e as restrições à atividade econômica geram um cenário extremamente preocupante para as finanças públicas e para a sociedade como um todo. “Além da perda da arrecadação esperada, o Governo Federal vai precisar injetar um volume substancial de dinheiro na economia para que, tanto as empresas quanto as pessoas, possam sobreviver. Então, quanto mais demoradas forem as restrições e o isolamento, maior será o impacto negativo nas finanças públicas, nas empresas e na vida de muitas famílias”, destaca ele.
 

Impostômetro para 5 dias para ajustes

Uma coisa é certa: o ano de 2020 não vai ser como esperado. E, fazendo coro à marchinha de carnaval, já se pode dizer que não será "como aquele que passou": vai ser pior. Estudos feitos por pesquisadores da FGV já projeção uma retração de 4,2% – embora esses números possam ser seriamente revisados... para baixo. Isso tudo significa menos produção, menos consumo e, claro, menos impostos recolhidos, que por sua vez se materializa em dificuldades para os governos e os serviços públicos. A mudança de espectativas levou a ACSP a desligar “impostômetro” por cinco dias, até ser ajustado à nova realidade.

Quando foi parado, na sexta-feira, o letreiro do impostômetro projetava (até aquele dia) um recolhimento somado de tributos da ordem de R$ 638 bilhões. Mas era um cálculo que seguia no ritmo das projeções dos dois primeiros meses do ano. E o valor foi revisto para baixo: quando foi religado, ontem, o impostômetro já apontava um valor mais de R$ 100 bilhões a menos. Segundo a nova projeção, a avaliação é que o Brasil tenha somado em tributos, até ontem, cerca de 530 bilhões.

Na avaliação do IBPT, essa diferença aponta recuo de aproximadamente 21 dias na arrecadação – como se tivesse ficado três semanas sem arrecadar.