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Divulgação do vídeo da reunião amplia instabilidade econômica e política

A divulgação do vídeo da reunião ministerial em que o presidente Jair Bolsonaro teria pressionado por mudanças na Polícia Federal já produziu efeitos importantes. O principal é o aumento da dúvida sobre a realidade econômica e política do país, que pode ser traduzido em uma palavra: instabilidade. Há dúvidas sobre os recursos de defesa do presidente, acusado pelo ex-ministro Sérgio Moro de querer interferir nas investigações da PF. E isso deixa os investidores em sobressalto e o mundo político em expectativa.

No campo econômico, o comportamento da bolsa e do dólar, ontem, já dava a dimensão das dúvidas e incertezas. A bolsa até começou o dia em alta, reflexo de sinais do cenário externo, com boas notícias. Mas a alta (que chegou a 1,6%) logo se transformou em queda com as primeiras informações sobre o vídeo, visto dentro do processo que corre no Supremo. Resultado: o índice Bovespa fechou com queda de 1,5%, com movimentação que ficou em menos de 78 mil pontos – revelando o baixo volume de negócios.

O dólar seguiu o mesmo sentimento de temor. Como um dos portos seguros em momento de incerteza, a moeda americana subiu 0,9% – em mais uma alta que fez a cotação chegar a R$ 5,87, o maior valor nominal (em valores reais, só não é maior que no período do segundo turno das eleições de 2002). Isso colocou o dólar como o melhor investimento desde o início do ano. Isso tudo ajuda a aprofundar as incertezas políticas, com reflexo no jogo de forças no Congresso.

Nesse campo, uma outra consequência é a percepção de que o governo precisa ter uma base mínima no Congresso, o que aumenta o poder de barganha do Centrão.
 

Centrão aumenta controle do orçamento  

O movimento de aproximação do governo com o Centrão já estava em andamento, mas ganhou força com a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça. Moro deixou indicações fortes de uso político da Polícia Federal pelo Planalto. Revelações, ontem, sobre o vídeo em que esse uso ficaria explícito tornou mais forte a necessidade por parte do governo de uma base política consistente no Congresso. E isso aumenta o valor estratégico do Centrão, grupo de partidos de centro que amplia a presença no rol de cargos federais.

Depois dos últimos espaços ocupados pelo Centrão, o grupo já teria sob seu controle uma fatia de mais de R$ 78 bilhões do orçamento da União. E pode ampliar muito esse valor. O grupo avança sobre órgãos como DNIT, DNOCS, INCRA e FNDE, este uma espécie de banco do MEC. A tendência é que tenha mais força, caso se mostre necessária uma base política para rejeitar eventuais denúncias contra o presidente.