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Futebol voltou. Mas de um jeito meio estranho

A Bundesliga, a liga de elite do futebol alemão, voltou aos gramados neste final de semana, após dois meses de paralisação. Foram seis partidas no sábado. Duas outras neste domingo e o encerramento da rodada com um único jogo na segunda. A retomada tem um pouco o papel de cobaia para o resto da Europa e serve de espelho para outros mercados, incluindo o brasileiro, que não sabe exatamente o que fazer, nem quando. No retorno da Bundesliga, viu-se um clima um tanto estranho, até meio chato, ainda que a volta dos jogos reanime o espírito de muitos, abalados pelo cenário de pandemia.

Mais que o jogo em si, causa um certo estranhamento o que ocorre ao redor da partida. Arquibancadas vazias, comemoração contida (com o toques de cotovelos) e jogadores reservas distantes um dos outros: não ocupavam o “banco”, mas se espalhavam ao longo do engradado que delimita a área de jogo, tudo para que ninguém estivesse a menos de dois metros do companheiro. São as normas no retorno da Bundesliga.

Na disputa da partida, nota-se uma certa contenção das divididas. O ritmo – naturalmente menos intenso após dois meses sem jogo pra valer – faz lembrar amistosos de pré-temporada. E até o VAR – usado no jogo entre Leipzig e Freiburg – ganhou um tom (ainda mais) burocrático: sem torcida, o gol anulado não teve nem protesto nem comemoração. Seja como for, as outras grandes ligas – sobretudo a espanhola, que retorna dia 12 – olham para a Alemanha e tentam beber na experiência alemã.

Com uma importante diferença: a pandemia que suspendeu o futebol ao redor do planeta teve, na Alemanha, efeitos menos terríveis. E o país há muito tem uma curva de casos descendente.
 

No primeiro dia, o ‘fator casa’ não ajudou

A retomada do futebol na Alemanha é cercada de regras. Uma delas: não há torcida e apenas 300 pessoas podem estar trabalhando no estádio no dia do jogo. Essa determinação levou a discussões prévias, especialmente sobre o chamado “fator casa”, quando um time se mostra mais forte pelo suporte da torcida. No primeiro dia após a paralisação, a falta de torcida parece ter produzido efeito e tirou peso do “fator casa”. Nos seis jogos do sábado, só um mandante (o Dortmund) venceu.

Chamou especial atenção o jogo Leipzig e Freiburg. O Leipzig tem feito de seu estádio uma fortaleza. Até ontem, tinha jogado 12 partidas em casa. Contabilizava oito vitórias, três empates e uma única derrota. Ontem, enfrentando uma equipe que está 14 pontos atrás, não passou de um empate. Jogou melhor, teve muito mais chances mas não as converteu em vitória. Faltou um golpe decisivo, uma chama de inspiração que muitas vezes a torcida ajuda a acender.