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Ensino a distância na pandemia pode ter resultados desastrosos

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A pandemia, que obrigou escolas e universidades a buscarem o Ensino a Distância (EAD), pode apresentar uma conta muito elevada no campo da educação. Isso porque o uso quase compulsório da EAD está revelando o amplo despreparo do Brasil para essa modalidade de ensino e alguns especialistas já enxergam 2020 como uma espécie de ano perdido para a educação. Pode até não levar à perda do ano letivo, mas tem tudo para levar à perda de aprendizado, resultado direto do despreparo das escolas, falta de habilidade de boa parte dos professores e ainda o déficit de inclusão digital dos alunos.

Uma pesquisa divulgada ontem mostra o tamanho do desastre. Realizada pelo Instituto Península, a pesquisa ouviu quase 8 mil professores de todo o país das redes pública e privada, no Fundamental e Médio. A sondagem foi realizada entre 13 de abril e 14 de maio. Portanto, reflete bem o momento atual. E mostra que nada menos que 90% dos professores não tinham tido qualquer experiência anterior com EAD e que 80% se sentem despreparados para os novos modos de ensino.

Praticamente metade (45%) segue perdida, sem ter suporte para as aulas a distância. Daí, criam seus próprios caminhos, em geral o uso de WhatsApp (que é um recurso muito limitado para a dinâmica de uma aula a distância). Isso se reflexo no baixo nível de interação: só 61% têm algum tipo de contato com alunos, a maior parte por WhatsApp. A situação é mais grave na rede pública, sobretudo a municipal, onde o contato só chega a 51% do alunato (quase sempre por WhatsApp).

Outro dado preocupante: os professores enfrentam problemas emocionais e uma boa parte teme pela própria saúde mental. (ver gráficos abaixo)
 

UFPI constata alta exclusão digital

Na semana passada, o Notícia da Manhã (TV Cidade Verde) mostrou dados da UFPI que revelam um alto índice de real exclusão digital. A Universidade quis saber a receptividade à possibilidade de retomada das aulas na modalidade EAD. A professora Juliana Teixeira, que acompanhou esse levantamento, revela que cerca de 30% dos alunos responderam à consulta (dos quais 60% aceitavam a mudança). Esses 60% representam só 18% do alunato, índice muito baixo que deixa de fora a maior parte da comunidade.

Juliana traz dados adicionais que evidenciam a dimensão do problema. Ela lembrar que o próprio IBGE mostra que pouco mais de 60% dos piauienses têm acesso à internet. É muita gente excluída de um recurso que hoje é sinônimo de cidadania. A professora da UFPI vai além: boa parte dos que estão conectados usam o celular como dispositivo. E se valem de dados pré-pagos. São indicadores que praticamente inviabilizam o acesso às aulas a distância e dão a medida do tamanho da exclusão digital.