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Maia avaliza adiamento da eleição e Congresso deve votar nova data

O adiamento da eleição municipal deste ano, programada para 4 de outubro, ganhou ontem um duplo aval no Congresso: os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, deram sinais de que a mudança de data já está em discussão entre os parlamentares. Rodrigo foi explícito em uma entrevista, dizendo que a mudança de data deve acontecer em razão da pandemia. Já Alcolumbre está formando um grupo de deputados e senadores para discutir objetivamente o tema, tirando uma proposta que estabeleça essa nova data para o pleito eleitoral.

O adiamento das eleições entrou na pauta ainda em março, quando o senador Elmano Ferrer (Podemos-PI), alegando o grave quadro sanitário, apresentou proposta propondo não apenas o cancelamento das eleições deste ano como também a prorrogação do mandato dos atuais prefeitos por dois anos. A ideia de prorrogar mandato não ganhou apoio e teve vozes contrárias dentro e fora do Congresso, incluindo o ministro Luís Roberto Barroso, que vai comandar o pleito eleitoral como presidente do TSE.

Na segunda-feira, foi a vez de outro senador piauiense, Marcelo Castro, apresentar proposta sobre o tema. Ele defendeu autorizar o TSE a decidir sobre o adiamento e definição de um novo calendário ainda para este ano. Mas as principais lideranças do Congresso não parecem dispostas a abrir mão de nenhuma prerrogativa e ontem Rodrigo Maia já avisou que a Casa vai votar a mudança de data. Disse mais: não concorda com prorrogação de mandato. Tal aval faz o tema andar de vez.

A decisão no Congresso deve lançar a escolha dos novos prefeitos para o final de novembro ou começo de dezembro.
 

Na América Latina, 9 países já adiaram

A pandemia do novo coronavírus já levou nove países da América Latina a decidirem pelo adiamento de eleições, seja nacional, regional ou local. Na maioria dos casos, o adiamento não veio acompanhado da definição de uma nova data. A suspensão das eleições, em geral, foi antecedida de um concesso político amplo, colocando a questão sanitária acima do jogo político. Esse tipo de amplo entendimento político também é esperado no Brasil, sem grandes discrepâncias.

Confira os países que decidiram adiar as eleições:
Bolívia: era para eleger o novo presidente dia 3 de maio, mas ainda não tem nova data para realização da votação.
Chile: o referendo sobre a elaboração de uma nova Constituição deveria acontecer em abril, mas foi adiado para outubro.
Colômbia, Uruguai, Paraguai, México, Peru e Argentina: todos tinham eleições municipais marcadas, mas foram adiadas sem nova data.
Republica Dominicana: teria eleições presidenciais em 5 de maio, mas adiou para 17 de julho.