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Clima quente tem pouca influência sobre coronavírus, diz estudo

Estudo divulgado ontem pela revista Science mostra que é muito pouco significativo o impacto do clima na propagação do coronovírus. Inicialmente, acreditava-se que o clima quente teria maior poder de interromper a propagação do vírus, mas os estudos mostram que essa premissa não tem amparo nos resultados de estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Os estudiosos fizeram três simulações e somente em uma há registros de influência do clima, mas de forma limitada.

Na simulação que apresenta algum resultado, os pesquisadores fizeram projeções matemáticas que assemelham o comportamento do novo coronavírus com o vírus da influenza. Ainda assim o impacto foi considerado modesto, indicando que, com muitas pessoas ainda vulneráveis e a velocidade de transmissão do vírus, o clima quente só consegue reduzir muito pouco a taxa de infecção. Esse impacto vai ser percebido somente a partir de certo estágio da pandemia – ou seja, no início das ocorrências, o calor não faz grande diferença.

Os altos registros em países do hemisfério sul – como o Brasil – reforçam o entendimento de que que as condições climáticas mais quentes não são determinantes para interromper a doença. “Não parece que o clima está regulando a propagação agora. Claro, não sabemos diretamente como a temperatura e a umidade influenciam a transmissão, mas achamos que é pouco provável que esses fatores possam interromper o contágio baseado no que vimos acontecer com outros vírus”, disse Bryan Grenfell, professor de biologia da Princeton.

Os pesquisadores acreditam, no entanto, que após o pico da pandemia passar, a tendência é que o coronavírus passe a circular permanentemente e, nessa circunstância, a influência do clima será maior.
 

Dados do Brasil reforçam conclusões

Os resultados do estudo da Universidade de Princeton podem ser verificados dentro do próprio Brasil, onde a diferença climática entre cidades não está implicando em resultados automáticos relacionados ao número de casos do novo coronavírus. Algumas das cidades brasileiras com altos registros proporcionais à população têm clima mais quente. Aí podem ser relacionadas Fortaleza, São Luís, Manaus e Recife. E uma das capitais com menos infectados, Porto Alegre, tem clima mais frio.

A coluna observou sete capitais, registrando a temperatura média para o mês de abril (quando começou a explosão de casos) e comparando com o número de infectados por cada grupo de 100 mil habitantes. Segundo os dados contabilizados ontem às 19h pelo Ministério da Saúde, das sete, Fortaleza tinha o maior índice (635 casos por 100 mil pessoas) e Porto Alegre o menor (apenas 40 casos por cada grupo de 100 mil habitantes). Teresina fica com o segundo menor registro desse pequena lista (ver tabela abaixo). Isso quer dizer que o determinante está em outros fatores que não direta ou unicamente no clima.