Cidadeverde.com

Covid elava em 680% busca por seguro que permite viajante cancelar viagem

É bem conhecida a situação: o cidadão compra uma passagem aérea em promoção e, por algum motivo, tem que adiar a viagem. Os dissabores seguintes são também muito conhecidos: a ideia de remarcação sai cara, às vezes a multa ou diferença é tão grande que fica mais barato comprar uma outra passagem. Esse tipo de problema se tornou mais crucial com a pandemia do coronavírus, que levou ao cancelamento de milhões de passagens, algumas por iniciativa das companhias, outras por decisão do próprio viajante. Esse problema já produziu o fenômeno da busca por seguros que permitem o cancelamento da viagem por qualquer motivo, com ressarcimento integral.

Segundo levantamento do site Squaremouth.com (especializado na comparação de seguros de viagem) a pandemia afetou o comportamento do consumidor. Segundo o Squaremouth, apólices compradas para o segundo semestre deste ano com a cobertura “cancelar por qualquer motivo” cresceram 680% – e esse tipo de seguro já representa um terço das apólices adquiridas. Vale notar o quanto o passageiro está pagando para ter menos dor de cabeça: a opção “cancelar por qualquer motivo” eleva em cerca de 40% o valor final da passagem.

Esse novo comportamento do consumidor está, obviamente, tomado pelo pavor do coronavírus, que reduziu drasticamente o número de voos no planeta. Ainda que haja variação de um país a outro, avalia-se que a redução seja maior que 90%. Esse índice é reforçado pela venda dos seguros: a Squaremouth aponta que os contratos para a alta temporada (junho/agosto, que é verão do hemisfério Norte) ficaram reduzidos a um décimo do habitual.

Com um detalhe: boa parte dos seguros para viagens nos próximos meses está incluindo uma cláusula específica para o coronavírus – que pode exigir internação mais longa.
 

Espanha anuncia retomada do turismo

A Espanha, um dos países mais afetados pelo coronovírus, anunciou que retoma os voos internacionais a partir de julho. É um esforço para dar fôlego a uma das atividades mais importantes do país. São mais de 80 milhões de turistas por ano, que movimentam mais de 10% do PIB espanhol. Mas o anúncio feito pelo primeiro-ministro Pedro Sanchez não tem efeito automático, já que a retomada dos voos depende de acordos bilaterais. Ou seja: é preciso que o outro país queira a retomada desses voos.

Um primeiro passo já foi dado no caso da Itália, com o fim das restrições de voos. Mas há países como Estados Unidos – um destino fundamental para as companhias aéreas ocidentais – que seguem fechados. O próprio Brasil acaba de renovar por mais 30 dias as restrições à entrada de estrangeiros por qualquer meio (terrestre, aéreo, aquático). Além disso, o anúncio da retomada dos voos internacionais passa por um outro fator fundamental: a disposição do turista em sair andando pelo mundo. Pelo menos por quanto, vai prevalecendo uma enorme cautela.