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Brasil deixou de arrecadar R$ 220 bi, diz Impostômetro

Com a pandemia do novo coronavírus, o Brasil deixou de arrecadar cerca de R$ 220 bilhões. A conclusão é do Impostômetro, um serviço da Associação Comercial de São Paulo que faz um acompanhamento em tempo real do que se calcula ser a arrecadação de tributos no Brasil, nos três entes federados: União, estados e municípios. A projeção feita em janeiro pelo Impostômetro apontava que o Brasil chegaria neste início de junho com uma arrecadação de tributos em todos os níveis um pouco superior a R$ 1,1 trilhão. Mas até ontem à tarde esse montante tinha chegado a R$ 880 bilhões.

Ainda segundo as projeções, o Brasil deveria ter alcançado a marca de R$ 1 trilhão em meados de maio, o que seria um tempo recorde na comparação com outros anos. Mas a recessão que chegou com a pandemia mudou todas as projeções, já que verificou-se uma queda vertiginosa na atividade econômica e, portanto, na arrecadação de tributos. Ainda no final de março, quando tinha começado a fase restritiva da quarentena, o Impostômetro – que pode ser acompanhado via internet ou através de um painel eletrônico em São Paulo – teve que ser parado. Foram cinco dias para ajustes das novas projeções.

Já naquele momento a Associação Comercial de São Paulo apontava uma queda de quase R$ 100 bilhões. Dois meses depois, essa queda chega aos R$ 220 bilhões, perda que pode se acentuar nos próximos meses. O Impostômetro apresenta os dados gerais para a arrecada no país, mas também oferece dados sobre a arrecadação em cada estado e cidade. Os dados de ontem às 17h30 apontavam que os tributos recolhidos no estado do Piauí somavam R$ 5,1 bilhões. No caso específico de Teresina, o montante já chegava a R$ 490 milhões.

O governo do estado calcula que as perdas em tributos estaduais em abril chegaram a 40% em relação ao mesmo mês do ano passado.
 

'Leão' leva 5 salários de cada brasileiro

A queda de arrecadação não tem nada a ver com a redução da carga tributária no Brasil. Longe disso: o brasileiro está pagando menos imposto simplesmente porque está tendo menos renda. O dado também é extraído das informações do Impostômetro, que coloca o Brasil como a 9º maior carga tributária do planeta, em termos pencentuais. Conforme os dados em contexto de pandemia, o brasileiro tem que trabalhar 151 dias só para pagar imposto.

Esse índice já foi um pouco maior: de 2016 a 2019, o brasileiro destinou os ganhos de 153 dias de trabalho para cobrir os tributos que lhe são cobrados. Mesmo assim o dado é terrível e mantém o país como um dos líderes mundiais em impostos, com o agravante de não oferecer serviços essenciais de qualidade. Os 151 dias de trabalho para pagar imposto significam o seguinte: é como se o brasileiro pegasse os 12 salários que recebe em um ano (aí diluindo o 13°) e tomasse 7 salários para suas necessidades e entregasse 5 – isso mesmo, 5 salários integrais – para o governo, na forma de imposto.